Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

...

...

Os demónios...



" Constava na cidade que a nossa assembleia não era mais do que um viveiro de livres-pensadores, libertinos e ateus. Este zunzum circulava há muito tempo. No entanto, só tínhamos conversas à russa, isto é, absolutamente inofensivas, alegres e liberais. «Liberalismo puro», sem nenhum alcance prático, só é possível na Rússia. Estevão Trophimovich, como qualquer homem de espírito, necessitava de auditório - tanto mais que se queria convencer que cumpria uma obrigação propagando «ideias». Enfim, precisava de um grupo de amigos com que se pudesse beber, trocar opiniões respeitantes à Rússia, discutir a existência de Deus em geral e de um «Deus russo» em particular, e repetir pela centésima vez uma anedota escabrosa muito conhecida. Não desgostavam de espalhar notícias meio divulgadas e rematavam-nas sempre com uma sentença moral. Ali discutiram o futuro da Europa e de toda a humanidade. A França, depois de ter sofrido o domínio do cesarismo, ver-se-ia de um instante para outro relegada entre as potências de segunda categoria e todos se persuadiram de que isso aconteceria em breve e inevitavelmente. Quanto ao Papa, tinham profetizado que o seu papel depressa ficaria reduzido ao de simples arcebispo numa Itália unificada; aliás, nesta época de humanismo e de grandes indústrias, esse problema milenário não mais apresentava interesse. O «liberalismo russo» também nunca tratara desses assuntos."


Excerto de " Os Demónios ", de Dostoievski, Trd. Reis Madeira, originalmente publicado em 1872.
«Porque si la modernidad propuesta desde el manifiesto no puede ser más radical, tampoco puede ser más contradictoria. Son internacionales y son nacionalistas, revolucionarios sin intereses sociales; quieren cantar al peligro, exigen poetas ardorosos y rebeldes, glorifican la guerra -higiene del mundo-; son antifeministas y aspiran a quemar los museos, las bibliotecas y "las academias de todo tipo" en un mundo que deberá estar gobernado por la velocidad y en el cual "un automóvil de carreras que ruge es más bello que la Victoria de Samotracia".»


Excerto de artigo " Futurismo, um siglo a toda a velocidad ", de Estella de Diego, El País Online, 18/02/2009

Futurismo

« Por eso, tratar de encontrar la herencia futurista en la actualidad no parece de ninguna manera desatinada. Los planteamientos de los futuristas siguen vivos tanto en nuestra pasión de hoy por la técnica como en la crítica cultural a los museos, si bien, más mediocres que ellos, no terminamos de quemarlos.

Dejando a un lado las radicalidades vanguardistas, está claro que el Futurismo nos enseñó algunas cosas esenciales de la modernidad: a vivir deprisa, por ejemplo, pues como dijo Lacan, la realidad no nos espera.» Estrella de Diego, El País Online, 18/02/2009.

...

" Uma geração de jovens americanos tinha saído diferente de cinco gerações prévias da classe média. A nova geração acreditava, mais do que qualquer outra anterior, na tecnologia, mas a geração também acreditava no L.S.D., em bruxas, em saber tribal, na orgia e na revolução. Não tinha qualquer respeito pela implacável lógica da próxima acção: a crença estava reservada para o acontecimento, em que não se sabia o que ia acontecer em seguida; isso é que era bom. O radicalismo deles estava no ódio à autoridade - a autoridade que cobrira o país com aqueles súburbios em que eles abafaram quando crianças, enquanto olhavam para os guardiões da celebridade genial e chata na televisão; o cérebro tinha-lhes sido furado, massacrado, contorcido, explorado e finalmente galvanizado em modos surrealistas do reagir, por meio dos anúncios que interferiam nas narrativas dramáticas, e os pais, que mudavam de estação constantemente, eram forçados, mesmo sem quererem, a construir a sua ideia do espaço-tempo contínuo (e consequentemente o seu sistema nervoso) com os saltos, os estalidos, os pulos e as quebras que todos os fenómenos do meio pareciam conter em si mesmos."


Excerto de " Os Exércitos da Noite ", de Norman Mailer, Trd. Hélio Osvaldo Alves, o original foi publicado em 1969.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Carmen Miranda

Orquestra Barroca Casa da Música(2)



Johann Sebastian Bach

Suite(Abertura) nº 2 em Si menor, BWV 1067

1. Ouverture

2. Rondeau

3. Sarabande

4. Bourrée I e II

5. Polonaise

6. Menuet

7. Badinerie

Orquestra(?) dirigida por Reinhardt Goebel.

Esta suite foi executada com mestria pela Orquestra Barroca Casa da Música, no dia 07/02/2009.

A orquestra foi dirigida por Laurence Cummings e teve como solistas Huw Daniel, no violino; e Marta Gonçalves, na flauta.

" Depois de se ter benzido à porta, avançava pela grande nave, por entre a dupla fila de cadeiras, abria o banco de Mme Aubain, sentava-se e passeava os olhos em volta.
Rapazes à direita e raparigas à esquerda, enchiam os bancos do coro; o padre ficava de pé junto ao púlpito; num vitral da abside, o Espírito-Santo, e por baixo a Virgem, que figurava num outro, de joelhos diante do Menino Jesus; e por detrás do tabernáculo, um grupo de madeira representava São Miguel trespassando o dragão.
O padre fez primeiro um resumo da História sagrada. Félicité julgava o paraíso, o dilúvio, a torre de Babel, cidades em chamas, pessoas a morrer, ídolos derrubados; e desse deslumbramento lhe ficou o respeito pelo Altíssimo e o temor da sua cólera. Depois, chorou ao ouvir a Paixão. Porque o tinham eles crucificado, a ele, que amava as crianças, alimentava as multidões, curava os cegos e quisera, na sua doçura, ir nascer no meio dos pobres, no estrume de um estábulo? As sementeiras, as ceifas, as pisas da uva, todas essas coisas familiares de que fala o Evangelho se encontravam na sua vida, a passagem de Deus santificara-as; e ela amava mais ternamente os cordeiros por amor do Cordeiro, as pombas por amor do Espírito-Santo.
O Espírito-Santo, tinha ela dificuldade em imaginar, porque era não somente ave, mas também fogo, outras vezes um sopro. Talvez seja a sua a luz que volteia de noite, à beira dos charcos, o seu hálito o que empurra as névoas, a sua voz a que harmoniza os sinos. E ficava-se, numa adoração, a gozar a frescura das paredes e a tranquilidade da igreja.
Quanto aos dogmas, nada compreendia nem procurava compreender."


Excerto do conto " Um coração simples ", de Flaubert, incluído no livro "Três contos", Trd. Telma Costa, Ed. Teorema, 1991

Max Ernest









Max Ernest, exposição a decorrer na Fundação Mapfre em Madrid, ver aqui no El Mundo Online.

Takashi Murakami



Exposição de Takashi Murakami, no Museu Guggenheim de Bilbau, ver aqui no El Mundo Online.

Orquestra Barroca Casa da Música(1)


(Youtube)

Carlos Seixas

Concerto em Lá maior para cravo e orquestra de arcos (séc.XVIII)
1. Allegro
2. Adagio
3. Allegro: Giga

Este concerto foi executado brilhantemente pela Orquestra Barroca Casa da Música, dirigida por Laurence Cummings(na imagem).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Irão, no século XXI*


*« Quieren ser profesores, artistas, empresarios, fotógrafos, escritores, incluso clérigos y raperos. Todos aspiran a tener éxito profesional y una buena vida. También se quejan, como en cualquier parte del mundo, de que sus padres no les entienden, o de las dificultades para encontrar un trabajo que les permita independizarse. Los 25 millones de iraníes de entre 15 y 30 años, a quienes toca definir el futuro próximo de la República Islámica, constituyen un enorme potencial de cambio. Sin embargo, la Generación J (nacidos bajo Jomeini y educados bajo Jamenei), como la ha bautizado la escritora Delphine Minoui, vive frustrada ante la falta de visión de sus dirigentes y encorsetada por las restricciones que les imponen.» Ángeles Espinosa, El País Online,06/02/2009, fotografias de Fernando Moleres

Autocarro do Amor

A cidade dos que partem(3)

«Disseste que a Palmilha Dentada usa o teatro como arma política.
Mas, ao optarem por ser mais elípticos do que panfletários, dir-se-ia que
preferem usar fisgas em vez de Kalashnikovs...
Interessa-nos muito mais inquietar e provocar quem está adormecido do que estar a
desmontar ou a demolir os esquemas de alguns agentes políticos, que por si só não nos incomodam nada. A apatia incomoda-nos muito mais. Os níveis de cidadania em Portugal são vergonhosos. Nada nos mobiliza, estamos completamente apáticos, não
queremos saber de nada. E olhando para a cidade o que é que vemos? Está tudo à
espera que alguém faça alguma coisa, está tudo à espera que a conjuntura mude, seja
lá o que isso for, pode ser mudar de presidente da câmara, ou deixar passar a crise
económica, ou diminuir a nossa dependência do petróleo, e por aí fora.»

Excerto de entrevista de João Luís Pereira a Ricardo Alves, incluída no programa da peça de teatro " A Cidade dos que Partem ".

Ver aqui blogue de A Dentada da Palmilha.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Na morte de Lux Interior dos The Cramps








The Cramps, ler aqui na Wikipédia.

A Sagração da Primavera




" Mas eis que, no Inverno de 1918, a Cidade conheceu uma vida estranha, contrária à natureza, uma vida que, provavelmente, ficaria sem par nos anais do século XX. Todas as casas se encheram, a abarrotar. Os habitantes antigos e tradicionais apertavam-se cada vez mais, para acolher, de bom ou mau grado, os recém-chegados à Cidade. E estes vinham, precisamente, pela ponte esguia como uma flecha, vinham das regiões longínquas donde subiam misteriosas nuvens de fumo azulado.

Chegavam banqueiros em fuga, de cabelos grisalhos e acompanhados por mulheres; sensatos homens de negócios, que tinham deixado em Moscovo procuradores encarregados de estabelecer relações com o novo mundo prestes a nascer no império moscovita; proprietários que, secretamente, haviam confiado os seus imóveis a administradores fiéis; industriais, comerciantes, advogados e políticos. Chegavam, também, jornalistas de Moscovo e Sampetersburgo, almas vendidas, gananciosas e cobardes; cortesãs e mulheres honestas; famílias aristocráticas, cujas filhas puras se misturavam com as pálidas debochadas de Sampetersburgo, de lábios avivados a carmim; secretários de directores de gabinete e jovens pederastas passivos; príncipes e sovinas, poetas e usurários; polícias e actrizes dos teatros imperiais... Em suma, uma multidão que se esgueirava por todas as fendas e convergia para a Cidade."
Excerto de " A Guarda Branca ", de Mikhaïl Bulgakov, Trd. do francês por Fernanda Pinto Rodrigues, Ed. Pórtico, 1970
Revolução Russa, ver aqui na Wikipédia.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A cidade dos que partem(2)

« Podia ter dado uma conversa de café, em vez de um musical - Ricardo Alves era homem para ter condensado isto num comiciozinho de 15 minutos, mas "obviamente ninguém estaria interessado" em perder 15 minutos com os problemas do Porto, a não ser que houvesse alguma coisa (algum "entertainment" para o caminho, por exemplo) a ganhar com isso. Aqui há um comiciozinho de 15 minutos em que um primeiro-ministro de gravata vermelha e um presidente da câmara de fato cinzento, ambos vagamente familiares, apresentam "a primeira máquina de felicidade do mundo, que será instalada na cidade", e depois aceitam responder a perguntas, desde que colocadas por escrito. E há "entertainment" para duas horas - se é que tem alguma piada, isso de nos vermos ao espelho e percebermos que já não somos muitos.» Inês Nadais, Ípsilon, 30/01/2009

...


Em busca do essencial

" Que género de homem era aquele? Como acreditar que o amara ao ponto de unir a sua vida à dele? E, agora, como explicar aquela singular e profunda tristeza, na solidão do quarto, junto daquelas janelas cuja obscuridade lhe parecia, repentinamente, sepulcral? Mas nem naquele dia, nem durante todo o tempo - ano e meio - que vivera com ele, a sua alma encontrara o essencial, o não-sei-quê sem o qual nenhuma união pode subsistir, nem mesmo o brilhante casamento da bela, da maravilhosa Helena de cabelos de ouro vermelho com o ambicioso oficial do estado-maior general, apesar de todos os perfumes, capelines e esporas. De mais a mais fora uma união fácil, sem filhos, um casamento com um oficial do estado-maior general, um báltico sensato e circunspecto...
Mas que género de homem era aquele? E que essencial era esse, sem o qual a alma de Helena permanecia vazia?"


Excerto de " A Guarda Branca ", de Mikhaïl Bulgakov, Trd. do francês por Fernanda Pinto Rodrigues, Ed. Pórtico, 1970

Dissemelhanças

"Outlaw Pete" - Bruce Springsteen

Ver e ler aqui no Público.

"I Was Made For Loving You" - Kiss

Cachopa, cachopas, meninas e moças...



Hérois do Mar -" Cachopa"
«meninas e moças, cachopas e gaijas... e às vezes ele», excelente e divertido blogue, a imagem foi retirada do mesmo.

Repórter Estrábico

Mamapapa


Biltre!

Casa la borde del río Zaan


Nenúfares


La casa desde el jardín de rosas


Pirámides de Port-Coton, mar salvaje


Claude Monet

« "El ojo, y la visión en sentido físico, forman un filtro complejo. Cuando este filtro falta, esto afecta a la vez a la mirada y al gesto del artista alterando la traducción de factores 'objetivos' como 'subjetivos', sus opciones estéticas y sus instrumentos técnicos", explica el catálogo de esta exposición. Con 72 años, Monet se dio cuenta de que había perdido la vista de su ojo derecho. A pesar de que las cataratas le nublaban la visión de la luz y los colores, el pintor rechazó operarse.» Cristina de Martos, El Mundo Online, 04/02/2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Oh Boy!





Buddy Holly, falecido em 03/02/1959, ver aqui mais fotografias no The Guardian.

Arranja-me um emprego

«A Corticeira Amorim anunciou hoje o despedimento de cerca de 195 trabalhadores nas unidades de rolhas e aglomerados compósitos para fazer face ao "impacto negativo da crise global" na actividade do grupo.»

«A Sonae Indústria anunciou hoje que está a ponderar o encerramento da fábrica em George, África do Sul, da sua subsidiária Sonae Novobord, que emprega actualmente 137 trabalhadores.»

«El número de parados registrados en las oficinas del Instituto Nacional de Empleo (Inem) traspasó en enero los 3,3 millones de desempleados, tras sumar 198.838 parados más respecto a diciembre (+6,35%), en lo que es la mayor subida en un mes de toda la serie histórica.»

«La compagnia aerea scandinava Sas, Scandinavian Airlines System, ha annunciato martedì mattina un taglio della flotta, 3.000 licenziamenti supplementari e un processo di esternalizzazione di 5.600 dipendenti.»

«Les principaux plans de réductions d'effectifs en France depuis septembre»

A cidade dos que partem(1)


Perante A Cidade dos Que Partem sentimo‑nos
como Anna Karina dentro do filme Made in USA,
um Godard dos anos sessenta. Ela dizia qualquer
coisa como isto: “Sinto que estou num filme
de Walt Disney protagonizado por Humphrey
Bogart, logo sinto que estou num filme político”.
E se a cidade do Porto desse um musical com
actualidade política dentro? A cantiga é uma arma
ou a arma é uma cantiga?
João Luís Pereira

City By The Sea

Brancaccio

« Brancaccio es un barrio de Palermo donde no existe el Estado, pero sí la ley, unas normas no escritas que no imponen ni policías, ni jueces, sino unos tipos que dan órdenes con gestos, miradas y palabras que nunca llegan a pronunciarse. Los autores sicilianos Giovanni di Gregorio, guionista, y Claudio Stassi, dibujante, han retratado en el cómic Brancaccio (Norma) ese lugar donde las peleas de perros son habituales pero no existe una comisaría y donde los servicios sociales brillan por su ausencia.» Guillermo Altares, El País Online, 03/02/09

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Asian Dub Foundation - "New Way New Life"

...

Fotografia de James Burke, para a Life.

Local: Taj Mahal, Índia,1961
" Alguém te ouviu dizer: «Vou por vezes às mesquitas, onde a sombra é propícia ao sono...»
- Só um homem em paz com o seu Criador poderia pegar no sono num lugar de culto.
Apesar do trejeito dubitativo de Abu-Taher, Omar inflama-se e encarece:
- Não pertenço ao número daqueles cuja fé não é mais que terror do Juízo, cuja prece não passa de prosternação. O meu modo de orar? Contemplo uma rosa, conto as estrelas, maravilho-me da beleza da criação, da perfeição do seu ordenamento, do homem, a mais bela obra do Criador, do seu cérebro sequioso de conhecimento, do seu coração sequioso de amor, dos seus sentidos, todos os seus sentidos, despertos ou saciados."

Excerto de "Samarcanda", de Amin Maalouf, Trd. G. Cascais Franco, Ed. Biblioteca Sábado,2009

...




Fotografias de Larry Burrows, para a Life.


Local: Taj Mahal, Índia, 1967


Em escuta: The Cheerful Insanity of Giles, Giles and Fripp(1968)




Suite No.1

Thursday Morning

Elephant Song

How Do They Know

Ver e ler aqui na Wikipédia.

Arquivo do blogue

Acerca de mim

" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

FEEDJIT Live Traffic Feed