Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com
sábado, 25 de abril de 2009
A ninfa inconstante
«É no passado que vemos o tempo como se fosse o espaço. Tudo está longe, na distância em que o passado é uma imensa pradaria vertiginosa, como se caíssemos de uma grande altura e o tempo da queda, à distância, nos tornasse imóveis, como acontece com os acrobatas do ar, que vão caindo a uma enorme velocidade e contudo para eles nunca se cai. É deste modo que caímos na recordação. Nada parece ter-se movido, nada mudou porque estamos a cair a uma velocidade constante e só aqueles que nos vêem de fora – vós, leitores – dão conta de quanto descemos e a que velocidade O passado é essa terra imóvel da qual nos aproximamos com um movimento uniformemente acelerado, mas o trajecto – tempo no espaço – impede-nos de nos afastarmos para ter uma visão que não seja afectada pela queda – espaço no tempo – voluntária ou involuntária. O tempo, ainda que parado, provoca vertigens, que é uma sensação que só o espaço pode provocar.»
Excerto do 1º capítulo de " A ninfa inconstante ", de Guilhermo Cabrera Infante, Trd. Salvato Teles de Menezes, Ed. Quetzal, ler aqui no Público.
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Guillermo Cabrera Infante,
Literatura
sexta-feira, 24 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
terça-feira, 21 de abril de 2009
«Via-me com trinta anos, segundo o mundo, virtuosa, rica, considerada e, contudo, perfeitamente infeliz. Então apresentou-se-me este pobre homem, que era a própria bondade, mas também a inépcia em pessoa. A sua inépcia fez com que suportasse as suas primeiras propostas. A minha alma era tão infeliz por tudo o que me rodeava desde a tua partida, que já não tinha força para resistir à mais pequena tentação. Ter-te-ei confessado uma coisa bem indecente? Mas penso que tudo é permitido a uma morta. Quando tu leres estas linhas, os vermes devorarão estas pretensas belezas que apenas deveriam ter sido para ti. Por fim, é necessário confessar isto que me causa desgosto; não via porque não deveria tentar o amor bestial, como todas as nossas damas romanas; tive um pensamento de libertinagem, mas nunca me pude dar a este homem sem experimentar um sentimento de horror e de desgosto que aniquilava qualquer prazer. Via-te sempre a meu lado, no nosso jardim do palácio de Albano, quando a Madona te inspirou esse pensamento, na aparência generoso, mas que, contudo, após a intervenção da minha mãe, fez a infelicidade das nossas vidas. De modo algum eras ameaçante, mas doce e bom como sempre foste; olhavas-me; então sentia momentos de cólera por este outro homem e chegava ao ponto de lhe bater com todas as minhas forças. Eis toda a verdade, meu querido Jules: não queria morrer sem te a dizer, e também pensava que este diálogo contigo me afastaria a ideia de morrer. Melhor do que ela só teria sido a minha alegria em voltar a ver-te, se me tivesse conservado digna de ti. Exijo-te que vivas e que continues essa carreira militar que me causou tanta alegria quando soube dos teus êxitos. O que teria sucedido, meu Deus!, se tivesse recebido as tuas cartas, sobretudo após a batalha de Achenne! Vive e relembra frequentemente a memória de Ranuce, assassinado nos Ciampi, e a de Hélène que, para não ver uma censura nos teus olhos, morreu em Santa Marta.»
1) Excerto de " A Abadessa de Castro ", de Stendhal, Trd. Dalila Ferreira e José Manuel Cortês, Ed. Teorema, 1997
2)"Alma Redemptoris mater " de Giovanni Pierluigi da Palestrina(1525-1594) pelo Monteverdi Choir dirigido por John Eliot Gardiner
domingo, 19 de abril de 2009
Homo
Poema de Antero de Quental, digitalizado pela Biblioteca Nacional, ver aqui, online, a Colecção Antero de Quental.
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Femina
«Foram precisos sete meses para conseguirem estar juntos. Mas valeu a pena. A empatia foi instantânea. Uma mulher, uma história - os processos foram todos diferentes. Com Asia, que se tornou numa espécie de talismã - uma superstição do tipo: se correr bem com ela corre bem com todas -, foi um caso de amor calmo. "No fundo, mesmo antes de a conhecer, acho que sempre vi nela um lado mais frágil do que aquela coisa da 'bad girl' italiana, todas as semanas à procura de novos escândalos. Foi no que pensei quando fiz a primeira música para ela e, de certo modo, essa minha visão tinha alguma razão de ser. No fundo, é uma pessoa mais tranquila do que tudo isso, com uma postura fora de câmaras que não tem muito a ver com essa imagem."»
Ípsilon, Público, 17/04/2009, ler aqui artigo completo.
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The Legendary Tiger Man
" Desejei poder desligar a minha fantasia. Aqueles que sobre nós e sobre si próprios atraem os perigos, pensei, têm de possuir esta capacidade. Ou não têm necessidade de desligar nada; terão eles, em vez dos pressentimentos que nos perseguem, um ponto cego nos seus cérebros? Talvez ele não seja localizável como os centros do apetite, do equilíbrio, da regulação da temperatura, da circulação sanguínea, da respiração. O tal ponto cego não seria estimulável nem sequer através de choques eléctricos, como um certo neurologista chamado Penfield activava vestígios de memória na aracnóide dos seus doentes, fazendo-a ser atravessada por uma corrente eléctrica. Sons. Cores. Um cheiro vindo do passado. Uma composição para orquestra com todas as suas subtilezas... Assim se poderia, pensei para minha angústia(como somos maleáveis, irmão), facultar a seres humanos durante um período determinado - vinte anos? Vinte e cinco? - uma vida normal, sim, uma vida humanamente até bastante rica, com o único objectivo de preencher «até ao limite» a sua capacidade de memorização. Depois estes seres seriam transferidos ou reconduzidos ao destino que afinal lhes tinha estado sempre reservado: uma existência vazia numa qualquer instalação, uma instalação subterrânea de mísseis, uma nave espacial. E um especialista ligá-los-ia nos intervalos concedidos à tal corrente da memória. Amor. Ódio. Sucesso. Fracasso. Ternura. Conflitos. A beleza da Natureza - tudo isto eles reviveriam, tão intensamente quanto possível, mais uma vez, e mais outra. Nunca seriam vítimas da sua «verdadeira» e terrivelmente monótona existência. O desejo, antes morrer do que continuar uma vida assim, nunca chegaria a apoderar-se deles."
Excerto de " Acidente ", de Christa Wolf, Trd. Cláudia Gonçalves
Excerto de " Acidente ", de Christa Wolf, Trd. Cláudia Gonçalves
Jasad Magazine
« Uma revista que fala do corpo numa região onde a modéstia aconselha as mulheres a cobrir a cabeça, pés e até as mãos. Uma publicação erótica em árabe, a língua do Corão, chefiada por uma mulher, jornalista e poetisa. A mistura é explosiva, mas Joumana Haddad garante que a Jasad, publicada no Líbano desde Dezembro, não nasceu para gerar polémica, mas para libertar a "língua e cultura árabes das muitas frustrações" e tabus impostos pela crescente influência da religião na sociedade.
Os dois números da revista trimestral já publicados fizeram jus às ambições de Haddad, primeira responsável por uma publicação inédita no Médio Oriente, na qual colaboram escritores egípcios, sauditas, libaneses, palestinianos e sírios. Na primeira edição, a Jasad(Corpo, em árabe) falou de homossexualidade e fetichismo. Em Março, dedicou dossiers especiais ao pénis e à violência conjugal.»
Ana Fonseca Pereira, Ed. impressa do Público, 19/04/2009
Ver aqui site da Jasad.
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