Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

Mostrar mensagens com a etiqueta Poetas Portugueses. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poetas Portugueses. Mostrar todas as mensagens

domingo, 19 de abril de 2009

Homo


Poema de Antero de Quental, digitalizado pela Biblioteca Nacional, ver aqui, online, a Colecção Antero de Quental.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Incêndio

Se conseguires entrar em casa e
alguém estiver em fogo na tua cama
e a sombra duma cidade surgir na cera do soalho
e do tecto cair uma chuva brilhante
contínua e miudinha - não te assustes


são os teus antepassados que por um momento
se levantaram da inércia dos séculos e vêm
visitar-te


diz-lhes que vives junto ao mar onde
zarpam navios carregados com medos
do fim do mundo - diz-lhes que se consumiu
a morada de uma vida inteira e pede-lhes
para murmurarem uma última canção para os olhos
e adormece sem lágrimas - com eles no chão


Incêndio, de Al Berto

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Todos nascemos nus

Todos nascemos nus
- condição dos vermes,
dos punhais
e da luz.


Os filhos só têm a mais
o terror das diferenças
das mães a vesti-los com os braços
- destinos feios
de mijo a chorar nas rendas
e violinos em trapos.


Todos nascemos nus
- condição dos seios,
das açucenas
e dos sapos.


Mas até os seios das mães
são diferentes.
Uns cheiram a sedas quentes,
outros, a urina de cães.


Bem. Agora devia sofrer
cuspir nos espelhos
dos remorsos.
E esbofetear o céu
com gritos de mãos de ossos.


Mas não. Sorrio.
Todos nascemos nus
- condição dos mortos
despidos pelo frio.


Álbum/XII, de José Gomes Ferreira

Arquivo do blogue

Acerca de mim

" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

FEEDJIT Live Traffic Feed