Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

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domingo, 12 de julho de 2009

«Há uma atitude no Ocidente que é dizer: "Ah, o problema dos americanos foi tentarem impor a democracia a um povo que não estava preparado para ela." Acredito firmemente no contrário. Os iraquianos queriam democracia, esperaram prosperidade, paz, modernização, e os americanos não trouxeram nada disso.

Todos os dias ouço essa atitude no Ocidente: "Sabe, essas pessoas são assim, nós também éramos, com o tempo as coisas mudarão." É a atitude de considerar que não precisamos de ter princípios quando atravessamos o mar, porque respeitamos a especificidade. Isto é profundamente hipócrita. Não é verdadeiro e é contraproducente. A aspiração das nações, das pessoas em toda a parte, é praticamente a mesma. As pessoas querem viver melhor, querem vidas melhores para os filhos, mandá-los para a escola. Em toda a parte querem viver com dignidade.

O que acontece às vezes é que não lhes é dada alternativa. Há um ditador e a forma de as pessoas se organizarem é a religião. E todo o discurso se desenvolve a partir daí. Quando a verdadeira aspiração não é essa.

Não penso que haja no islão algo que impeça as sociedades de se tornarem democráticas, modernas, avançadas.

Precisamos de olhar para "o outro" como um vasto mundo de diferentes línguas, tradições, crenças. Há países islâmicos com eleições abertas, por exemplo, hoje mesmo, a Indonésia. A vasta maioria dos indonésios não vê contradição entre democracia e crença, e é a mais populosa nação islâmica do mundo. Isto pode acontecer em qualquer lado. A Indonésia teve uma mulher presidente, o Bangladesh, o Paquistão, a Turquia tiveram mulheres primeiras-ministras. Podemos empurrar as pessoas para o pior de si, mas é mais responsável empurrá-las para o melhor.

Se resolvermos o problema do Médio Oriente e as relações entre Ocidente e mundo islâmico, talvez as pessoas mais teimosas fiquem isoladas e não sejam capazes de mobilizar massas.» ler aqui entrevista completa.

Entrevista de Alexandra Lucas Coelho a Amin Maalouf, publicada no P2(Público) de 10/07/2009

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

" Alguém te ouviu dizer: «Vou por vezes às mesquitas, onde a sombra é propícia ao sono...»
- Só um homem em paz com o seu Criador poderia pegar no sono num lugar de culto.
Apesar do trejeito dubitativo de Abu-Taher, Omar inflama-se e encarece:
- Não pertenço ao número daqueles cuja fé não é mais que terror do Juízo, cuja prece não passa de prosternação. O meu modo de orar? Contemplo uma rosa, conto as estrelas, maravilho-me da beleza da criação, da perfeição do seu ordenamento, do homem, a mais bela obra do Criador, do seu cérebro sequioso de conhecimento, do seu coração sequioso de amor, dos seus sentidos, todos os seus sentidos, despertos ou saciados."

Excerto de "Samarcanda", de Amin Maalouf, Trd. G. Cascais Franco, Ed. Biblioteca Sábado,2009

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" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

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