Mas, ao optarem por ser mais elípticos do que panfletários, dir-se-ia que
preferem usar fisgas em vez de Kalashnikovs...
Interessa-nos muito mais inquietar e provocar quem está adormecido do que estar a
desmontar ou a demolir os esquemas de alguns agentes políticos, que por si só não nos incomodam nada. A apatia incomoda-nos muito mais. Os níveis de cidadania em Portugal são vergonhosos. Nada nos mobiliza, estamos completamente apáticos, não
queremos saber de nada. E olhando para a cidade o que é que vemos? Está tudo à
espera que alguém faça alguma coisa, está tudo à espera que a conjuntura mude, seja
lá o que isso for, pode ser mudar de presidente da câmara, ou deixar passar a crise
económica, ou diminuir a nossa dependência do petróleo, e por aí fora.»
Excerto de entrevista de João Luís Pereira a Ricardo Alves, incluída no programa da peça de teatro " A Cidade dos que Partem ".
Ver aqui blogue de A Dentada da Palmilha.
« Podia ter dado uma conversa de café, em vez de um musical - Ricardo Alves era homem para ter condensado isto num comiciozinho de 15 minutos, mas "obviamente ninguém estaria interessado" em perder 15 minutos com os problemas do Porto, a não ser que houvesse alguma coisa (algum "entertainment" para o caminho, por exemplo) a ganhar com isso. Aqui há um comiciozinho de 15 minutos em que um primeiro-ministro de gravata vermelha e um presidente da câmara de fato cinzento, ambos vagamente familiares, apresentam "a primeira máquina de felicidade do mundo, que será instalada na cidade", e depois aceitam responder a perguntas, desde que colocadas por escrito. E há "entertainment" para duas horas - se é que tem alguma piada, isso de nos vermos ao espelho e percebermos que já não somos muitos.