Público Online, 08/10/2010, ler aqui.
Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Solução para os funcionários públicos que auferem mais de 1.500 €
«O Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA) propôs o limite de 628 euros de compensação para as dadoras de ovócitos e de 42 euros para os dadores de esperma, existindo já clínicas a praticar estes valores.»
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
estrebaria de porta aberta
«na zona do Saldanha, a coçar a magreza com o debrum preto das unhas. Agora não leio jornais: vejo o teletexto, a única coisa, aliás, que vejo na televisão desde que o futebol deixou de ser um desporto, a política uma ocupação digna e a cultura se transformou em banalidades veementes, uma estrebaria de porta aberta em que toda a gente entra, como dizia D. Francisco Manuel de Melo, autor muito do meu afecto. Vejo as capas e as primeiras páginas no quiosque frente ao restaurantezito onde como e passo à frente. As prosinhas do PÚBLICO aparecem hoje na Visão, onde sempre me trataram com extrema delicadeza. Há pouco abri um exemplar e dei com umas tantas frases acerca de mim, estúpidas, desonestas e ignorantes: fiquei curado. É pena que os jornais, como a literatura, sejam uma estrebaria de porta aberta: devia ser reservada aos profissionais sérios, como os nomes de que há pouco falei, e que decerto existem. Conheço alguns. Estes parágrafos para o PÚBLICO são uma homenagem a esses nomes. O que me assusta é o facto de qualquer pessoa estar à mercê de criaturas medíocres, sem possibilidade de rectificar a pulhice. Faleceu oportunamente no Brasil: ao menos o Ecos de Pombal era sincero. A lebre para a esfomeada com fé: ao menos o Almanaque da Sãozinha dava esperança a quem almoça um carioca e um salgado ao balcão. Ao ficar cega a sua existência ganhou sentido: ao menos as Selecções do Reader's Digest animavam os que tropeçam. Se tornar a meter o olho entre páginas e receber sinceridade, esperança e sentido com certeza que lerei. E se o testículo de João for o testículo de António, então, juro, não perco uma sílaba. Desde miúdo que me dá vontade de abrir os brinquedos, a verificar como funcionam. E tenho um par de tais apêndices de que ignoro o mecanismo e nos quais suspeito»
Excerto de crónica de António Lobo Antunes, publicada na edição de aniversário do Público(05/03/2009), ler aqui artigo completo.
Excerto de crónica de António Lobo Antunes, publicada na edição de aniversário do Público(05/03/2009), ler aqui artigo completo.
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
terça-feira, 25 de novembro de 2008
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Comparações
" Los portugueses espabilaron después de la intervención en el descanso de Scolari, discutido como entrenador y elogiado como psicólogo, efectivo con sus arengas. Aunque continuaron expuestos a encajar cualquier gol, juntaron mejor las líneas con Deco al frente, de medio y de delantero, tomaron la iniciativa, ganaron el campo ajeno, se arrimaron al área y comenzaron a apuntar a Cech. A diferencia del primer tiempo, la concentración en la tarea fue entonces tan extrema que consiguieron el segundo gol con un jugador menos, con Moutinho en el suelo, y Deco abriendo como extremo por la derecha. El interior puso el centro al punto de penalti y Cristiano Ronaldo enganchó un remate duro e imposible para Cech. " El País"Portugal venceu esta tarde a República Checa por 3-1, no primeiro jogo da segunda jornada do Grupo A do Euro 2008, disputado em Genebra. Deco, Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma marcaram os golos da selecção portuguesa." Público
A diferença de tratamento da notícia é gritante, por vezes tenho vergonha de ser português.
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domingo, 1 de junho de 2008
A Europa não é o que era *

" Por uma vez, em muito tempo, os portugueses não têm para onde olhar. Brasil, África e Europa pertencem ao passado. Com a particularidade de a Europa e o mundo terem deixado de ser fronteiras e horizontes a explorar e se terem transformado em ameaças e fontes de crise. Por uma vez, em muito tempo, os portugueses têm de contar consigo, só podem mesmo contar consigo próprios. O que, numa sociedade livre e num mundo aberto, é muito mais difícil. Habituados a contar com expedientes e bodes expiatórios e mal educados pela demagogia política, os portugueses comprazem-se em aspirar a muito mais do que podem e têm direito. Consomem mais do que lhes é permitido pelos seus rendimentos. Querem mais do que lhes autoriza a sua produtividade. Devem muito mais do que ganham num ano. Adoptaram os tiques da cultura do êxito, dos vencedores, da gente bonita e da exibição de capa cor-de-rosa. E parece não se importarem com as desigualdades sociais que fazem desta sociedade um pesadelo moral e estético."
*Excerto de crónica " A Europa não é o que era ", de António Barreto, publicada no jornal " Público " de 01/06/2008
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segunda-feira, 17 de março de 2008
Nunca o conseguiremos provar
" Há dias, surgiu a notícia de que um grupo de cientistas ia tentar descobrir porque as pessoas acreditam em Deus. É possível?
Já houve trabalhos desse género, a tentar descobrir onde é que Deus se encontra no cérebro. O que podemos demonstrar? Quando se acredita em Deus, isso diz respeito a todo o ser humano. Não se acredita em Deus por causa de uma pequena parte do nosso cérebro, do nosso coração, das nossas entranhas. Essa é uma busca globalmente humana. Podemos medir mudanças de hormonas quando se está a rezar ou quando se medita. Mas o que demonstrámos com isso? Nada de novo. Apenas que a busca religiosa é profundamente humana. Avançou-se no conhecimento humano, mas não se demonstrou nunca a existência ou inexistência de Deus. Nunca o conseguiremos provar."
Excerto de entrevista dada pelo Padre Jacques Arnould a António Marujo, publicada no P2(Público) de 16/03/2008
Já houve trabalhos desse género, a tentar descobrir onde é que Deus se encontra no cérebro. O que podemos demonstrar? Quando se acredita em Deus, isso diz respeito a todo o ser humano. Não se acredita em Deus por causa de uma pequena parte do nosso cérebro, do nosso coração, das nossas entranhas. Essa é uma busca globalmente humana. Podemos medir mudanças de hormonas quando se está a rezar ou quando se medita. Mas o que demonstrámos com isso? Nada de novo. Apenas que a busca religiosa é profundamente humana. Avançou-se no conhecimento humano, mas não se demonstrou nunca a existência ou inexistência de Deus. Nunca o conseguiremos provar."
Excerto de entrevista dada pelo Padre Jacques Arnould a António Marujo, publicada no P2(Público) de 16/03/2008
quinta-feira, 6 de março de 2008
Os pêlos públicos *
" Quando se fala na irritação de ficar com um pêlo público atravessado na garganta, é raro fazer-se a justiça de contrabalançá-lo com o grande prazer do acto de amor que o causou. É íntima a ligação entre o exagero com que se exprime o incómodo e o silêncio em torno do afoito e da paixão que a tarefa exigiu. "
* Crónica de Miguel Esteves Cardoso para o P2, na comemoração dos 18 anos do " Público "
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«As filhas nunca trabalharam, nem descontam para a segurança social, porque o pai não as quer fora de casa: “O lugar delas é ao pé da mãe”. E o futuro? “Logo se vê… Há-de ser o que Deus quiser”. O papel de Deus como maestro da dança descompassada que estas gentes vivem é de tal forma importante, que os Felisbertos têm, na modesta casa que habitam, uma divisão a que dão o nome de “Casa do Senhor”. Um cubículo de pouco mais de dez metros quadrados onde o altar a Nossa Senhora partilha o espaço com a deusa dos tempos modernos. A televisão.»
*« A ferida feia no corpo de Ramos-Horta, quando o Presidente jazia numa poça de sangue depois de levar dois tiros de cano-longo, é um buraco tão fundo como a vergonha da nação. A ressurreição do profeta-Nobel criou um cristo gnóstico mas as chagas, nesta terra dilacerada, já não fundam religiões com a facilidade com que há dez anos fundavam Estados.Díli, como um circo máximo de gladiadores, fervilha de jovens empurrados para a luta. Não têm emprego, educação ou perspectiva. Alguém lhes diz: "Não sois bandidos. Sois guerreiros." Mas dos aswain, os heróis das montanhas timorenses, resta-lhes a coragem física, um retalho de rituais dispersos por grupos rivais e a intransigente sacralização do seu território. Uma mistura inflamável para toda a nação. "A resistência continua mas agora sem rumo. E, sem rumo, só faz merda", diz o ex-assessor de Ramos-Horta para a Juventude José Sousa-Santos."Tudo ainda não aconteceu", avisava um "espírito" antepassado, pela voz de uma menina de Ermera, no Natal ainda inocente de 2005.»