Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

sexta-feira, 6 de março de 2009

Capas bizarras(6)


estrebaria de porta aberta

«na zona do Saldanha, a coçar a magreza com o debrum preto das unhas. Agora não leio jornais: vejo o teletexto, a única coisa, aliás, que vejo na televisão desde que o futebol deixou de ser um desporto, a política uma ocupação digna e a cultura se transformou em banalidades veementes, uma estrebaria de porta aberta em que toda a gente entra, como dizia D. Francisco Manuel de Melo, autor muito do meu afecto. Vejo as capas e as primeiras páginas no quiosque frente ao restaurantezito onde como e passo à frente. As prosinhas do PÚBLICO aparecem hoje na Visão, onde sempre me trataram com extrema delicadeza. Há pouco abri um exemplar e dei com umas tantas frases acerca de mim, estúpidas, desonestas e ignorantes: fiquei curado. É pena que os jornais, como a literatura, sejam uma estrebaria de porta aberta: devia ser reservada aos profissionais sérios, como os nomes de que há pouco falei, e que decerto existem. Conheço alguns. Estes parágrafos para o PÚBLICO são uma homenagem a esses nomes. O que me assusta é o facto de qualquer pessoa estar à mercê de criaturas medíocres, sem possibilidade de rectificar a pulhice. Faleceu oportunamente no Brasil: ao menos o Ecos de Pombal era sincero. A lebre para a esfomeada com fé: ao menos o Almanaque da Sãozinha dava esperança a quem almoça um carioca e um salgado ao balcão. Ao ficar cega a sua existência ganhou sentido: ao menos as Selecções do Reader's Digest animavam os que tropeçam. Se tornar a meter o olho entre páginas e receber sinceridade, esperança e sentido com certeza que lerei. E se o testículo de João for o testículo de António, então, juro, não perco uma sílaba. Desde miúdo que me dá vontade de abrir os brinquedos, a verificar como funcionam. E tenho um par de tais apêndices de que ignoro o mecanismo e nos quais suspeito»

Excerto de crónica de António Lobo Antunes, publicada na edição de aniversário do Público(05/03/2009), ler aqui artigo completo.

Capas bizarras(5)

quarta-feira, 4 de março de 2009

O Eternauta

Personagem de banda desenhada, criada na Argentina em 1957, por Héctor Germán Oesterheld, e desenhada inicialmente por Francisco Solano López, ler aqui na Wikipédia.

Capas bizarras(3)

Lá vai morto!!!!!

« Um lençol com letras vermelhas a dizer "Lá vai morto" foi usado, no sábado passado, para cobrir uma doente na Urgência do "S. João". O familiar não queria acreditar. O hospital pede desculpa e responsabiliza o serviço de lavandaria.
Abílio Vasconcelos ficou perplexo quando viu a sogra, Carolina Ferreira da Silva, deitada numa maca, num corredor do serviço de Urgência do Hospital de S. João, coberta com um lençol pintado com a frase de mau gosto: "Lá vai morto!" escrito com marcador vermelho em zona bem visível. A doente encontra-se em estado terminal.»

Reportagem de Inês Schreck, para o Jornal de Notícias, ler aqui.

Leituras na retrete(2)

"É uma experiência única, diziam na TV: «Em Famalicão, crianças ensinam idosos a escrever.» Por acaso, não é uma experiência única. A televisão tendência para os exageros, é perdoável. A televisão é um abajur com meio século de idade num mundo que existe há biliões de anos e na história de uma humanidade que já vai em quatro mil anos bem escritos e cheios de escrita. Ainda assim é (e isso devia bastar) uma bela experiência: crianças a ensinarem adultos.
No entanto, devo dizer que, apesar de bela, se trata de uma experiência mais do que banal. O que acontece é que nem sempre os adultos estão disponíveis para aprender. Nisso lembram-me muito os meus alunos. Às vezes não lhes apetece aprender, e depois dizem que eu não ensinei nada. Palermas."(04/03/2009-06:15)

Retrete da Namibia e excerto da crónica 7. Lições de vida, incluído no livro "Luto pela felicidade dos portugueses", de Rui Zink, Ed. Quasi, Colecção Inéditos Sábado

terça-feira, 3 de março de 2009

Capas bizarras(2)


Prostituzione intellettuale

Capas bizarras(1)


“Já falei da louca, filha da lavadeira. Foi a primeira mulher nua que vi na minha infância. E, ainda agora, ao bater estas notas, tenho a cena diante de mim. Eu me vejo, pequenino e cabeçudo como um anão de Velásquez. Empurro a porta e olho. O espantoso é que sinto uma relação direta e atual entre mim e o fato, como se a memória não fosse a intermediária. A demente tem a tensão e o cheiro da presença viva. Mas como ia dizendo: - no fundo, encostada à parede, está a nudez acuada”. (p.39)

Excerto de "A menina sem estrela - Memórias", de Nelson Rodrigues; São Paulo: Companhia das Letras, 1999, Coleção das Obras de Nelson Rodrigues, sob a coordenação de Ruy Castro

Super-Homem


«É um pássaro? É um avião? Não, é uma cópia original do álbum de banda desenhada onde aparece pela primeira vez o Super-Homem. O exemplar do número um do “Action Comics”, considerado o “Santo Graal” da BD, começa hoje a ser leiloado.»
«“É o Santo Graal das bandas desenhadas”, declara Fishler, que considera que o exemplar pode atingir um preço superior a 300 mil euros. Apesar desse valor, não foi estabelecida uma licitação mínima, pelo que o livro pode ser vendido por qualquer preço.»

Excertos de artigo de Rafael Pereira para o Público de 27/02/2009, ler aqui na íntegra.

McDonald's

«Ward diz que voltou a ser um cliente regular porque seu McDonald's fica aberto até a uma da manhã. Fillian e Milano, que agora já têm filhos, dizem que levam as crianças com frequência para brincar lá e não se sentem culpadas de dar a eles fatias de maça e carne branca dos Chicken McNuggets. Green voltou a frequentar - relutantemente - porque o café com leite do McDonald's são mais baratos e mais convenientes do que os do Starbucks.»

«Em novembro, último dado disponível, a companhia havia tido 55 meses consecutivos de aumento nas vendas globais de suas lojas. Durante um ano em que o mercado de ações perdeu um terço de seu valor - seu pior desempenho desde a Grande Depressão - as ações do McDonald's tiveram um aumento de quase 6%, tornando a companhia uma das duas únicas do índice Dow Jones cujo preço das ações cresceu em 2008. (A outra foi oWalMart.)»
Excertos de artigo de Andrew Martin para o The New York Times, traduzido por Eloise De Vylder, ler aqui o artigo completo.

David LaChapelle


« Para la revista 'American Photo', David LaChapelle es uno de los 10 fotógrafos más importantes del mundo. Actualmente, la Monnaie de París presenta una de las retrospectivas más completas del artista nacido en 1963 en Connecticut. Más de 200 fotografías entre las que se halla su última serie inédita: 'Presagios de inocencia', realizada en 2008.» Ler aqui artigo de Horacio Oliveira para o El Mundo Online,02/03/2009.


segunda-feira, 2 de março de 2009

domingo, 1 de março de 2009

Being Dufay





Ler aqui post de Nuno Galopim no blogue Sound+Vision.

"Being Dufay"(baseado nas composições medievais de Guillaume Dufay), composto por Ambrose Field e interpretado(tenor) por John Potter, filme realizado por Mick Lynch.

Mozambique

Clap your hands
Because you're gonna die

Every victim is searching for his hangman
Every hunter is stalking his prey
Victim find a victim and hang the hangman
Better to die as a free man than to live as a slave
Clap your hands
Because you're gonna die

The white beast is in the villages
Dealing only in death
With his soul left behind him
He is
The raper of women
Mutilator of children
Murderer of men

Unite and fight

Mozambique - Amon Düül II (1973)

Touch of Evil




Ciudad Juárez(México): Ficção e realidade

«Hasta hace 20 minutos tenía 14 años y se llamaba Raúl. Estaba parado en la esquina de su casa, charlando con dos amigos. Un coche apareció muy lentamente por el final de la calle llena de gente. Cuando estuvo a su altura, dos hombres -ni jóvenes ni viejos, ni guapos ni feos, nunca nadie ve nada en Ciudad Juárez- se bajaron y apuntaron sus armas sobre él. Un tiro, dos, tres...

Ahora ya no tiene 14 años ni se llama Raúl. Sólo es el último muerto de esta ciudad maldita donde el único negocio que florece es el de las funerarias. Un tiro, dos, tres... Así hasta 25. Los perros ladrando. El padre de Raúl escuchando los disparos, bajando a la calle, descubriendo justo lo que el presentimiento le iba diciendo al oído. Su hijo de 14 años, estudiante de secundaria, desplomado entre la acera y un Ford Thunderbolt de color crema. Con la cabeza destrozada a balazos.»

Ler aqui reportagem de Pablo Ordaz para o El País(01/03/2009)

Video: Cena do apartamento do filme " Touch of evil "(A sede do mal) de Orson Welles, interpretado por Orson Welles e Charlton Heston.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O caminho do Oriente

Prancha do álbum " O caminho do Oriente ", desenhado por Eduardo Teixeira Coelho.

The Undertones



Waves


Pontes...



Porto, 24/02/2009

Japan



Sgt. Kirk


Ler aqui na Wikpédia.

Manuel Chaves Nogales

« La historia, la literatura y el periodismo -si es que hay que diferenciar entre estas dos últimas categorías- han acabado por darle la razón. Para la vida, Chaves Nogales fue valiente; para el oficio, audaz y creativo hasta la genialidad. Es decir, hasta inventar caminos que nunca antes había explorado nadie y crear con ellos una escuela que es vigente, en la que trastocó todos los géneros y los modernizó hasta un punto en que hoy, al leerlo, parecen recién inventados. Genial es un adjetivo tan manoseado ante el que se impone no malgastar gratuitamente el uso para aquellos que no lo merezcan. Pero en el caso de este hombre, cuadra a la perfección por abrir caminos que unen la urgencia del periodismo con el arte literario. Por su utilización proverbial y acertada del lenguaje, tan efectiva y práctica como bella, contundente y alejada del artificio.» Ler aqui artigo de Jesús Ruiz Mantilha para a Babélia(El País),28/02/2009

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Identificação de uma mulher(3)


" Eu continuei sem dizer nada, olhando-o com grande tristeza, os meus lábios mascarados pela franja do meu xaile preto. Ficou um momento junto à vidraça pela qual, hesitante, esbarrando-se e zumbindo, uma mosca subia, subia e caía de novo. Depois passou o dedo pelas lombadas dos livros na minha estante. Como a maior parte das pessoas que lêem pouco, sentia uma afeição rasteira por dicionários e vai então de tirar um grosso volume cor-de-rosa com uma corola de dente-de-leão e uma rapariga de cabelos ruivos na capa.

- Korochaia chtuka - disse ele: pôs no sítio a chtuka(coisa) e de súbito desatou a chorar. Mandei-o sentar-se ao meu lado no divã, ele tombou para um lado, com os soluços a aumentarem, e acabou por enterrar a cara no meu regaço. Dei uma palmadinha leve na lixa do seu escalpe e na robusta nuca rosada que considero tão atraente nos homens. Aos poucos, os espasmos foram cedendo. Ele mordeu-me de mansinho através da saia e sentou-se.

- Sabes que mais? - disse Pavel Romanovitch, e enquanto falava estalou sonoramente as palmas côncavas das suas mãos colocadas na horizontal ( não pude deixar de sorrir ao lembrar-me de um tio meu, proprietário rural no Volga, que costumava descrever assim o som de uma procissão de dignas vacas ao deixarem cair a bosta ). - Sabes que mais caríssima? Vamos para minha casa. Não suporto a ideia de estar lá sozinho. Jantamos, bebemos umas vodcas, depois vamos ao cinema... Que dizes?

Não podia recusar a sua oferta, embora soubesse que me ia arrepender. enquanto telefonava para o antigo emprego de Niki ( ele precisava das galochas de borracha que lá deixara ), vi-me ao espelho da entrada, parecia uma freira decadente com cara de cera austera; mas no minuto seguinte, quando passei ao acto de me embelezar e de pôr o chapéu, como que mergulhei no fundo dos meus grandes olhos negros experientes e aí encontrei um brilho nada freirático: mesmo através da voilette, como eles ardiam, céus, como ardiam!


Excerto do conto " Um caso verídico ", de Vladimir Nabokov, Trd. Telma Costa
Fotografia de Ewa Brzozowska

Identificação de uma mulher(2)

Identificação de uma mulher(1)



O eclipse






Excerto de " O eclipse "(cena final), de Michelangelo Antonioni.

Música de Prokofiev, 7ª Sonata, 2º Andamento, interpretada por Richter.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Leituras na retrete (1)

" Leu o anúncio do cinema que estava preso com punaises na leitaria; os outros anúncios, por baixo, estavam rasgados. Bloch continuou a andar e encontrou um rapaz soluçando numa quinta. Viu vespas no pomar. Num crucifixo ao pé da estrada havia flores velhas em latas de conserva. Na relva ao lado havia caixas de cigarros vazias. perto das janelas fechadas, viu ganchos que pendiam das persianas. quando passou por uma janela aberta, cheirou-lhe a qualquer coisa estragada. no bar a locatária disse-lhe que tinha morrido uma pessoa na casa em frente, no dia anterior."

Excerto de "A Angústia do Guarda-Redes Antes do Penalty", de Peter Handke, Trd. Maria Adélia Silva Melo


Braga, 22/02/2009

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Slumdog Millionaire


" Mas aquelas duas crianças conseguiriam ou não alcançar ao menos a última carruagem do comboio? Ivanov debruçou-se da carruagem e olhou para trás.


As duas crianças, de mãos dadas, continuavam a correr em direcção à passagem de nível. Caíram as duas ao mesmo tempo, levantaram-se e continuaram a correr. A mais crescida levantou o braço e, voltando o rosto no sentido da marcha do comboio, acenou como quem chama alguém e lhe pede que volte. E então caíram de novo. Ivanov reparou que a criança mais crescida tinha um pé calçado com uma bota de feltro e o outro com uma galocha de borracha - e era por isso que caía tantas vezes.


Ivanov fechou os olhos, não querendo ver nem sentir a dor das crianças exaustas caídas no chão, e de repente sentiu um calor dentro do peito, como se o coração, encerrado e ansioso dentro dele, estivesse a bater há muito e em vão durante toda a sua vida, e só agora começasse a bater em liberdade, enchendo todo o seu ser de calor e de frémito. De repente reconheceu tudo aquilo que já conhecia antes, com muito mais precisão e autenticidade. Dantes sentia a vida através da barreira do amor-próprio e do seu próprio interesse, e agora de súbito tocava-a de coração descoberto.


Do estribo da carruagem olhou uma vez mais na direcção da cauda do comboio, para as crianças distantes. Agora já sabia que eram os seus filhos, Petruchka e Nástia. Certamente tinham-no visto quando a carruagem atravessava a passagem de nível, e Petruchka chamava-o para casa, para junto da mãe, e ele não lhe prestara atenção, pensava noutra coisa e não reconhecera os seus próprios filhos.


Agora Petruchka e Nástia corriam atrás do comboio, longe, pelo caminho de areia ao lado da linha; continuava a segurar a mão da pequena Nástia, arrastando-a quando ela não conseguia acompanhá-lo na corrida.


Ivanov atirou o saco para o chão, depois desceu para o último degrau e saltou do comboio para o caminho de areia por onde os seus filhos corriam atrás dele."




Excerto do conto " O regresso ", de Andrei Platónov, Trd. António Pescada

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

sábado, 21 de fevereiro de 2009

La aventura humana en el mediterraneo*

Mapa esquemático da Península Ibérica, Séc. XI

* Ver aqui exposição virtual no site do Ministério da Cultura Espanhol.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

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Postcards from Italy

As cidades e o desejo.5.*

" Dali, ao cabo de seis dias e sete noites, o homem chega a Zobaida, cidade branca, bem exposta à lua, com ruas que viram sobre si próprias como num cotovelo. Conta-se isto desde a sua fundação: homens de nações diferentes tiveram um sonho igual, viram uma mulher correr de noite por uma cidade desconhecida, por trás, de cabelos compridos, e estava nua. Sonharam que a seguiam. Ora um ora outro, todos a perderam. Depois do sonho andaram à procura dessa cidade; não a descobriram mas encontraram-se uns aos outros; decidiram construir uma cidade como a do sonho. Na disposição das ruas cada um refez o percurso da sua perseguição; no ponto em que tinha perdido o rasto da fugitiva ordenou diferentemente do sonho os espaços e as paredes de modo que ela já não lhe pudesse fugir.
Esta passou a ser a cidade de Zobaida em que se estabeleceram à espera de que uma noite se repetisse aquela cena. Nenhum deles, nem em sonhos nem acordado, voltou a ver essa mulher. As ruas da cidade eram as mesmas em que eles iam para o trabalho todos os dias, já sem nenhuma relação com a perseguição sonhada. Que de resto já tinha sido esquecida há muito tempo.
Chegaram mais homens de outros países, que haviam tido um sonho como o deles, e na cidade de Zobaida reconheciam algo das ruas do sonho, e mudavam de lugar pórticos e escadas para que se parecessem mais com o caminho da mulher perseguida e para que no ponto em que desaparecera já não tivesse saída.
Os primeiros chegados não compreendiam o que atraía esta gente a Zobaida, a esta feia cidade, a esta ratoeira."

*Capítulo de " As Cidades Invisíveis ", de Italo Calvino, Trd. José Colaço Barreiros, Ed. Biblioteca Sábado,2009

Josef Sudek


Neil Young: "Archives"

«Soube-se então que o primeiro volume da série corresponderá ao período entre 1963 - quando Neil Young tocava numa banda de surf-rock chamada The Squires (foi com eles que fez a sua primeira gravação oficial) - e 1972, o ano da gravação de "Harvest", o álbum de "The needle and the damage" ou "Heart of gold" e o seu maior sucesso comercial. Ou seja, terá o trajecto com os Buffalo Springfield e os Crosby, Stills, Nash & Young, bem como a primeira fase do percurso a solo. Composto por 10 discos em formato DVD e Blu-Ray, será acompanhado de um livro com 150 páginas.» Mário Lopes, Ípsilon,13/02/2009

Bailarina articulada

" Bailarina articulada " de Gino Severini, ver aqui no El Mundo Online.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

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Lolita


" Contudo, não enfadarei os meus eruditos leitores com um relato pormenorizado da presunção de Lolita. Bastará dizer que não detectei o mínimo vestígio de pudor naquela bonita jovem, ainda mal formada, a quem a co-educação moderna, os costumes juvenis, o diabo do acampamento, e etc., tinham depravado absoluta e irremediavelmente. Considerava o acto completo do amor apenas como uma parte do mundo furtivo dos jovens, desconhecido dos adultos. O que os adultos faziam com fins procriativos não era com ela. A minha virilidade foi manejada pela pequena Lo, de um modo enérgico e prosaico, como se fosse um mecanismo insensato em nada relacionado comigo. Embora ansiosa por me impressionar com o mundo dos garotos tesos, não estava de modo algum preparada para certas discrepâncias entre a virilidade de um fedelho e a minha. Só o orgulho a impediu de desistir - pois, na estranha situação em que me encontrei, fingi uma estupidez suprema e deixei-a proceder à sua maneira - pelo menos enquanto pude resistir. Mas, na realidade, estas questões são irrelevantes; não estou interessado no chamado «sexo», nada interessado. Qualquer pessoa pode imaginar esses elementos de animalidade. Um grande empenho me seduz e obriga a prosseguir; estabelecer de uma vez para sempre a perigosa magia das ninfitas."




Excerto do livro " Lolita "(1955), de Vladimir Nabokov,Trd. Fernanda Pinto Rodrigues, Ed. Biblioteca Sábado,2009


Filme de Stanley Kubrick(1962)

Fotografia de Lészai István

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

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Acerca de mim

" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

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