Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Oh Boy!





Buddy Holly, falecido em 03/02/1959, ver aqui mais fotografias no The Guardian.

Arranja-me um emprego

«A Corticeira Amorim anunciou hoje o despedimento de cerca de 195 trabalhadores nas unidades de rolhas e aglomerados compósitos para fazer face ao "impacto negativo da crise global" na actividade do grupo.»

«A Sonae Indústria anunciou hoje que está a ponderar o encerramento da fábrica em George, África do Sul, da sua subsidiária Sonae Novobord, que emprega actualmente 137 trabalhadores.»

«El número de parados registrados en las oficinas del Instituto Nacional de Empleo (Inem) traspasó en enero los 3,3 millones de desempleados, tras sumar 198.838 parados más respecto a diciembre (+6,35%), en lo que es la mayor subida en un mes de toda la serie histórica.»

«La compagnia aerea scandinava Sas, Scandinavian Airlines System, ha annunciato martedì mattina un taglio della flotta, 3.000 licenziamenti supplementari e un processo di esternalizzazione di 5.600 dipendenti.»

«Les principaux plans de réductions d'effectifs en France depuis septembre»

A cidade dos que partem(1)


Perante A Cidade dos Que Partem sentimo‑nos
como Anna Karina dentro do filme Made in USA,
um Godard dos anos sessenta. Ela dizia qualquer
coisa como isto: “Sinto que estou num filme
de Walt Disney protagonizado por Humphrey
Bogart, logo sinto que estou num filme político”.
E se a cidade do Porto desse um musical com
actualidade política dentro? A cantiga é uma arma
ou a arma é uma cantiga?
João Luís Pereira

City By The Sea

Brancaccio

« Brancaccio es un barrio de Palermo donde no existe el Estado, pero sí la ley, unas normas no escritas que no imponen ni policías, ni jueces, sino unos tipos que dan órdenes con gestos, miradas y palabras que nunca llegan a pronunciarse. Los autores sicilianos Giovanni di Gregorio, guionista, y Claudio Stassi, dibujante, han retratado en el cómic Brancaccio (Norma) ese lugar donde las peleas de perros son habituales pero no existe una comisaría y donde los servicios sociales brillan por su ausencia.» Guillermo Altares, El País Online, 03/02/09

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Asian Dub Foundation - "New Way New Life"

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Fotografia de James Burke, para a Life.

Local: Taj Mahal, Índia,1961
" Alguém te ouviu dizer: «Vou por vezes às mesquitas, onde a sombra é propícia ao sono...»
- Só um homem em paz com o seu Criador poderia pegar no sono num lugar de culto.
Apesar do trejeito dubitativo de Abu-Taher, Omar inflama-se e encarece:
- Não pertenço ao número daqueles cuja fé não é mais que terror do Juízo, cuja prece não passa de prosternação. O meu modo de orar? Contemplo uma rosa, conto as estrelas, maravilho-me da beleza da criação, da perfeição do seu ordenamento, do homem, a mais bela obra do Criador, do seu cérebro sequioso de conhecimento, do seu coração sequioso de amor, dos seus sentidos, todos os seus sentidos, despertos ou saciados."

Excerto de "Samarcanda", de Amin Maalouf, Trd. G. Cascais Franco, Ed. Biblioteca Sábado,2009

...




Fotografias de Larry Burrows, para a Life.


Local: Taj Mahal, Índia, 1967


Em escuta: The Cheerful Insanity of Giles, Giles and Fripp(1968)




Suite No.1

Thursday Morning

Elephant Song

How Do They Know

Ver e ler aqui na Wikipédia.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Castelo da Feira

Fotografia de Jorge Orfão

« A vida tem sido amarga para mim. Mas, enfim, eu sonhei usar óculos, e uso-os; sonhei ter botas altas, e pude arranjá-las, quando estive na tropa; sonhei ter carta de condução, e tirei-a nessa altura; sonhei - ó sempre Capitão Morgan e meu pai, capitão de navios em que eu navegava da Rocha do Conde de Óbidos a Santa Apolónia! - navegar de longo curso às Áfricas e aos Brasis, e, sabe Deus como, naveguei; sonhei visitar o Castelo da Feira, aquelas torres, aquele eirado dos retratos, e visitei-o sozinho, fechado à chave pelo guarda, que é como aquilo gostosamente se visita.»

Excerto do artigo " Castelos e outros objectos de influência ", de Jorge de Sena, publicado no Jornal de Letras, Nrº 1000

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Frase do dia(1)

« Sei que o homem teve o azar de nascer num País em que um indivíduo acorda chefe do Governo para seu próprio espanto, o que o impede de evitar ou retocar um passado no mínimo trapalhão. E sei que teve a sorte de nascer em Portugal, onde as tão discutidas trapalhadas não significam nada em última instância e geralmente nem chegam à primeira.»

Alberto Gonçalves, Revista Sábado, 29/01/2009

O disco

Sou lenhador. O nome não importa. A cabana onde nasci e em breve hei-de morrer fica na orla do bosque. O bosque, ao que dizem, estende-se até ao mar que rodeia a terra e por ele fora existem casas de madeira iguais à minha. Não sei; nunca as vi. Nem mesmo o outro lado do bosque. Quando éramos pequenos, o meu irmão mais velho fez-me jurar que arrasaríamos ambos o bosque inteiro, até não restar uma só árvore. O meu irmão morreu e agora procuro e continuo a procurar uma coisa diferente. Corre para oeste um riacho onde sei pescar à mão. No bosque há lobos mas não me atemorizam, os lobos, e o meu machado nunca me foi infiel. Perdi a conta aos anos que tenho. Sei que são muitos. Os meus olhos já não vêem. Na aldeia, aonde agora não vou porque havia de perder-me, tenho fama de avarento. Mas o que pode ter amealhado um lenhador?
A porta da minha casa fecho-a com uma pedra para a neve não entrar. Uma tarde ouvi passos cautelosos e logo a seguir uma pancada. Abri e entrou um desconhecido. Era um homem alto e velho, envolto numa manta puída. Cruzava-lhe a cara uma cicatriz. Os anos pareciam ter-lhe dado mais autoridade do que fraqueza, mas reparei que sentia dificuldade em andar sem o apoio do bordão. Trocámos palavras de que não guardo já nenhuma ideia. Por fim, disse:
- Não tenho lar e durmo onde calha. Já corri toda a Saxónia.
Convinham à sua velhice tais palavras. O meu pai falava muito da Saxónia; agora as pessoas dizem Inglaterra.
Eu tinha pão e peixe. Durante o jantar não falámos. Começou a chover. No chão de terra instalei-lhe a enxerga com umas peles onde o meu irmão tinha morrido. Ao cair da noite adormecemos.
Quando chegou o dia, saímos de casa. A chuva terminara e a terra estava coberta de neve recente. Caiu-lhe o bordão e ordenou-me que o apanhasse.
- Por que hei-de obedecer-te? - disse eu.
Julguei-o louco. Apanhei o bordão e entreguei-lho.
Falou com uma voz muito nítida.
- Sou rei dos Secgens. Em duras batalhas conduzi-os à vitória, muitos vezes, mas quando soou a hora do destino perdi o meu reino. Chamo-me Isern e sou da estirpe de Odin.
- Não venero Odin - respondi. - Venero Cristo.
Como se não me tivesse ouvido, continuou:
- Ando pelos caminhos do desterro, mas sou o rei porque tenho o disco. Queres vê-lo?
Abriu a palma da mão que era ossuda. Nada tinha dentro. Estava vazia. E só então reparei que a conservara sempre fechada.
Olhou-me fixamente, e disse:
- Podes tocar-lhe.
Já um pouco receoso, na palma da mão pus-lhe a ponta dos meus dedos. Senti uma coisa fria e vi um brilho qualquer. Depois a mão fechou-se, de repente. Eu nada disse e o outro continuou cheio de paciência, como se estivesse a falar com uma criança.
- É de ouro? - perguntei.
- Não sei. É o disco de Odin e só tem um lado.
Cobicei aquele disco, então. se fosse meu poderia vendê-lo por uma barra de ouro e ser rei.
Disse-o àquele vagabundo, que ainda hoje odeio:
- Na cabana tenho escondida uma caixa de moedas. São de ouro e brilham tanto como este machado. Se me deres o disco, dou-te a caixa.
Respondeu teimosamente:
- Não quero.
- Então podes continuar o teu caminho - disse eu.
Voltou-me as costas. Uma só machadada na nuca chegou e sobrou para ele vacilar e cair, mas quando o fez abriu a mão e vi um brilho pelo ar. Com o machado marquei bem aquele sítio e arrastei o morto até um ribeiro que corria, muito alto. Uma vez lá, atirei-o à água.
De volta para casa procurei o disco e não o encontrei. Há anos que o procuro.

Conto de Jorge Luís Borges, incluído em " O Livro de Areia ", Trd. Aníbal Fernandes, Editorial Estampa, Colecção Livro-B, 1975

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Mulheres afegãs


O lugar do gelo

Uma ocasião, Marina Mota, a jovem mulher do Zeca da Carris, acordou sobressaltada de noite, com um berro na casa. Era o marido que andava lá para dentro e que lhe dera para gritar, como se tivesse visto uma aventesma. Marina soergueu-se, abriu a luz. Aventesma não havia, era antes o Zeca que se tinha queimado, provavelmente na cozinha, onde costumava esgueirar-se pelas madrugadas para ir ao armário das comidas.
- Ai - explicitou o Zeca em novo grito - ai que me queimei! - E seguiam-se imprecações, em fiada, indignas de impressão.
Num credo, estava Marina ao lado do Zeca, na sala de estar, presenciando a estranha dança que ele desempenhava, muito dobrado, os pés muito juntos, a mão entre as coxas resguardada.
- Que é que foi, homem, que é que te deu? - perguntou a Marina, como lhe convinha.
- Foi que me queimei na puta da máquina de costura, é o que foi - respondeu de lá o Zeca agastado, continuando naqueles pulinhos miúdos que até faziam desandar o soalho.
Em pouco estavam os pais do Zeca, que dormiam no outro quarto, a observar aquele preparo todo de dentro dos pijamas, com a mãe a benzer-se e o pai a fazer gestos de apelo à calma.
- Mas quê? - avançou o pai. - Há fogo? Tá alguma coisa a arder?
- Ó senhor - disse o Zeca. - Abram mas é a luz e venham cá ver.
Tinha metido a mão debaixo do sovaco do outro braço e olhava com um ar suspeitoso para a máquina de costura.
A Marina observou que não lhe cheirava a esturro e, mais afoita, estendeu a mão para a máquina. Era um aparelho de segunda mão, em muito bom estado, entregue na véspera, que estava ali, junto à janela, para ajudar ao rendimento do casal.
- Cuidado com isso! - gritou o Zeca.
- É preciso é calmaria - respondeu o pai, que seguia interessado o movimento da nora, satisfeito por se saber dispensado de tomar a iniciativa e o risco.
Mas aí a um palmo da máquina, Marina retirou a mão, num sobressalto:
- Irra, tá frio.
E todos repararam que, à luz eléctrica, a máquina rebrilhava como se coberta de pequenos flocos brancos, luzentes.
- Tá frio o caraças... - disse de lá o Zeca. - Então como é que eu me queimei?
A mãe dizia: - Ai que coisa mais escanifobética! - e o pai, devagarinho, foi estendendo também a mão, que logo sacudiu num movimento brusco.
- Tá frio, pois - exclamou, exibindo os dedos arroxeados nas pontas. - Tá um frio que até trespassa!
Bateram à porta: eram vizinhos, a saber se havia azar...
Que não havia, mas que o espaço em volta da máquina de costura estava frio como o camandro.
Todos foram experimentar, dedo aqui, mão acolá, pé por baixo, queixo por cima. O próprio Zeca passou ao de leve o indicador da outra mão pela área suspeita.
- Tem graça, agora deu-me o frio, mas há bocado queimei-me mesmo.
Mas o vizinho de baixo, que tinha um irmão emigrado no Canadá, explicou logo o fenómeno, numa voz muito pausada: o amigo Zeca tinha-se queimado porque o frio também queima.O irmão dele, uma vez lá em Dawson tinha apoiado uma mão ao guarda lamas de um tractor e quase lá ia deixando a pela, tal a ferroada da queimadura.
E isso acontecia quando a temperatura estava muitos graus abaixo de zero.
- Mas se isto é um país de clima temperado... - queixava-se o Zeca - ainda mais temperada havia de ser a minha casa, ou não é verdade?
O miúdo, entretanto, tinha-se insinuado por debaixo das pernas de todos e chegado à zona da máquina de costura.
Logo rompeu num berreiro alto e dasaustinado agitando os dedos num frenesi: - Pica - gritava - pica...
A mãe subiu-o ao colo e chegou-lhe o bafo à mão.
Mas o Zeca já recobrara o sangue frio e dirigia agora ponderadas operações. Empoleirado numa cadeira, o vizinho estendia vagarasomente os braços por cima da máquina de costura:
- Pronto, agora mais abaixo - comandava o Zeca.
O vizinho teve um rebate: - Olhe - disse - começa aqui mesmo o frio, por esta altura - e passava a mão por um plano distante do tecto cerca de um metro - Daqui para cima está normal, para baixo é que há frio.
E, lembrado das coisas do Canadá perguntou ao Zeca:
- Ó Zeca, vocês deixam-me fazer uma experiência? Não levam a mal, hã?
Alçou o queixo, remoeu qualquer coisa na boca, ruidosamente, e cuspinhou com força para a máquina de costura.
O cuspo descreveu um arco rápido, mas ao chegar à zona do frio estalou no ar e desfez-se em pequenos grãos de saraiva que embateram com estrondo contra a máquina - Taclac-lactac.
Breve havia muita gente a cuspir e o chão em volta estava pontilhado de pedaços de granizo:
- Vamos lá a parar com cuspinheira qu´isto aqui não é a aldeia dos macacos - comandou o pai do Zeca.
Mas já por então estava delimitada a zona de frio: era um paralelepípedo com cerca de um metro e meio de frente por oitenta centímetros de largura e dois metros de altura.
Corpo que avançasse para além, era traçado pelo griso.
- Traz lá o jarro da água - disse para a Marina - mas cheio, hã?
Veio o jarro, meio cheio, que a Marina antevia águas derramadas, e o Zeca atou-lhe uma guita à asa. Todos ficaram a vê-lo subir para uma cadeira e a desenrolar o fio muito de mansinho, até que o jarro entrou na zona crítica.
- Plak klak - rachou-se o jarro, por todo o lado. Os cacos de vidro espalharam-se por cima da máquina de costura, com excepção da asa que ficou presa à guita. E um grande bloco de gelo rebolou sonoro pelo tampo da máquina e veio quebrar-se no lajedo do chão.
- Tudo gela instantaneamente - comentou o vizinho. - Gela o cuspo, gela a água... Que bonito par de botas vocês arranjaram...
E toda a gente estava embasbacada com aquilo.
- O que me rala - comentou o Zeca - é não saber se isto é da máquina ou se é do sítio. Ora arredem-se para lá.
E entrou no quarto de dormir, donde regressava momentos depois, muito inchado de casacos, sobretudos, luvas e cachecóis e com a cara envolta por duas toalhas das grandes.
Todos riram de o ver naquele preparo, a que não faltava uma estola da Marina a envolver-lhe a nuca.
- Lá a calari que o homem tá a trabalhar - ordenou o Trindade.
O Zeca então, praguejando, chegou-se à máquina e puxou-a com força. Todos lhe viam o vapor da respiração que parecia uma fumarada de comboio velho. Mas o Zeca deu um grande impulso à máquina e o grupo afastou-se, num salto, para não ser tocado pelo frio.
A máquina estava agora no meio da sala e o Zeca entre os outros. Uma fina camada de gelo cobria-lhe as sobrancelhas, as pestanas e a ponta das patilhas. Esfregava as mãos uma na outra que nem um desalmado.
- Safa, que ia morrendo gelado. Mas não há dúvida, o frio vem desta engenhoca.
- É - comentou o vizinho de baixo, hóspede de D. Constança,que se passeava impunemente, em pijama, pelo sítio em que, antes, junto à parede, estivera pousada a máquina e agarrava agora o bloco de gelo que começava a derreter - em volta da máquina é que faz frio... O amigo Zeca tem de decidir, tem de escolher onde é que lhe faz menos diferença o frio.
- Então fica onde estava - respondeu o Zeca, limpando os beiços à mão, depois de emborcada uma «amarelinha» que a mãe lhe trouxe, para aquecer.
- Vamos a isto? - disse - e reentrou na zona do frio, empurrando de novo a máquina contra a parede, com grande estridor de ferragens deslocadas.
Logo saltou para fora, com os beiços roxos, cheio de poalha branca na cara e reclamou um aquecedor. Ligaram um radiador eléctrico. O Zeca despiu-se, devagar, daquelas roupagens todas, e, por fim, disse para todos:
- Bom, o espectáculo que havia a ver já tá visto. Agora agradecia que me desamparassem a loja que amanhã é dia de trabalho.
Todos foram saindo, resmungando, contrariados. O Zeca ainda pensava em procurar no dia seguinte o vendedor da máquina de costura e pedir-lhe contas. Mas a Marina dissuadiu-o:
- Nem pensar em tal semelhante - arengou muito espevitada e de mão na cara. - Então não vês que isto nos dispensa de comprar o frigorífico? É o melhor congelador que há, homem... Até podemos alugar espaço à vizinhança para guardarem as coisas deles.
Não era mal pensado e assim se fez, porque comprometer a utilidade com a estranheza é ainda mais parvo que confundir género humano com Manuel Germano.


Conto de Mário de Carvalho, incluído no livro " casos do Beco das Sardinhas ", Ed. Contra Regra,1982

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Marcelo Camelo - "Téo e a gaivota"

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Brahms: Sinfonia Nrº 4, 4º andamento: Allegro energico e passionato.

Orquestra da Bavária, dirigida por Carlos Kleiber

Bloc Party ao vivo

This Modern Love


Sunday


I Still Remember

Andrew Bird

«Toda a gente pode fazer isto: pesquise num computador "Andrew Bird" + "From the Basement", que é o nome de um programa britânico que grava actuações de músicos numa cave. O clip pretendido dura quase nove minutos. Sugiro que reserve dez minutos do seu dia. Reserve vinte, porque pode querer ver duas vezes.» Artigo e entrevista de Rui Tavares para a Ípsilon de 23/01/2009.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Nada surpreende a natureza...


Fotografia de Gian Paolo Barbieri

" Eu fiquei de pé, a cabeça curvada, os braços caídos ao longo do corpo. A chuva atravessava-me o cabelo, chegava-me às sobrancelhas, escorria-me pelas faces como lágrimas e caía-me do queixo em grandes gotas. Às vezes gosto de me abandonar aos elementos. Nunca fui pessoa para adorar a natureza, mas reconheço um certo calor terapêutico na contemplação dos fenómenos naturais;penso que isto tem a ver com a indiferença do mundo, quer dizer, com o modo como ele não se preocupa connosco, com a nossa felicidade, com o nosso sofrimento, a maneira como ele se limita a esperar com um olhar superior, murmurando para si próprio numa linguagem que nunca compreenderemos. Mesmo uma pessoa como eu pode aprender a ser humilde perante esta lição de resistência e de limitadas ambições. Nada surpreende a natureza, acontecimentos terríveis, os mais horrorosos crimes, deixam o mundo indiferente, posso assegurá-lo. Alguns acham isto sinistro, bem sei, e esbracejam às cegas exigindo uma resposta que não existe nem mesmo pelo fogo. Eu por meu lado sinto-me reconfortado por esta indiferença universal..."

Excerto de " Fantasmas ", de John Banville, Trd. Artur Ramos, Ed.Publicações D.Quixote,1995

Peter Gabriel -" Here Comes The Flood "

Casas de banho Vintage





Ver aqui mais imagens.

The Bird and the Bee - "Polite Dance Song"

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A terra dos Himba

« En la cultura Himba la imagen y el aspecto físico son, después del ganado, lo más importante en sus vidas y no poseen otro arte plástico que el que crean sobre su propio cuerpo. El adorno más valioso es el Ohumba, una concha de mar que consiguen por intercambio con las vecinas tribus de Damaraland. Su peinado no sólo tiene una función estética, realzando las líneas alargadas de la cabeza, sino que además sirve para expresar la posición social. Pero lo que realmente hace diferente a las Himbas del resto de las tribus del sur de África es el color rojizo de su piel.

Este proviene de una crema que las mujeres se dan con frecuencia y que obtienen machacando unas piedras con un componente férrico al que llaman Okidé Maui. El fino polvo de ocre se mezcla con manteca de vaca y de esta mezcla se obtiene una espesa crema rojiza que no solo cumple una función estética, también constituye una eficaz protección hidratante contra las radiaciones solares y las picaduras de los insectos. Embadurnarse de crema es su aseo diario, de hecho las mujeres sólo se bañan en el río una vez en su vida, el día antes de su boda.» Gerardo Olivares, El Mundo Online,22/01/2009

Islândia

Bjork -" Violently Happy "

«Uma manifestação contra o Governo islandês acabou esta manhã, em Reiquiavique, capital do país, em violência. A polícia teve de usar gás lacrimogénio contra os manifestantes que ameaçavam invadir o parlamento.

Os protestantes reivindicam a queda do Governo e novas eleições e querem que o Banco Central dê explicações sobre o estado económico do país que entrou em bancarrota em Outubro passado não resistindo à crise mundial.

“Durou cerca de duas horas mas não foram feitas detenções. Houve algumas pessoas feridas, mas sem gravidade”, confirmou Gunnar Sigurdsson, porta-voz da polícia à agência Reuters, que acrescentou ainda que se tratavam de cerca de duas centenas de manifestantes e que dois dos feridos eram polícias atingidos por pedras.

Ontem já tinham ocorrido protestos junto do parlamento. O carro que transportava o primeiro-ministro Geir Haarde, que ainda tentou dirigir algumas palavras aos manifestantes, foi atingido por ovos. Espera-se nova manifestação pelas 10h00 (hora de Lisboa).» Público Online,22/01/2009

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Madness - " One Step Beyond "

Há 40 anos atrás




Fotografias de Ralph Morse, para a Life: famílias de astronautas(1968)

TV On The Radio -"Family Tree"

Desejo apenas que te afastes do meu Sol*

«Donde saiu este homem? Não peço que me digam onde nasceu, quem foram os seus pais, que estudos fez, que projecto de vida desenhou para si e para a sua família. Tudo isso mais ou menos o sabemos, tenho aí a sua autobiografia, livro sério e sincero, além de inteligentemente escrito. Quando pergunto donde saiu Barack Obama estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida.» Blogue O Caderno de Saramago

José Saramago, 20/01/2009

«El día de ayer, 20 de enero, fue un día histórico porque tomó posesión de su cargo en Washington el 44º presidente de los Estados Unidos, Barack Hussein Obama.
El nuevo presidente no podrá hacer milagros, pero actuar desde sus valores y convicciones
Las expectativas creadas a su alrededor son enormes. Se espera de él -y del joven equipo con el que va a trabajar- nada más y nada menos que un cambio de era, o, si se prefiere, de paradigma. ¿Qué significa eso? El fin del "capitalismo de casino" financiero-especulativo y un nuevo modelo económico y social que suponga el regreso a ciertos valores éticos y a la defensa del servicio público y del Estado de derecho, dentro del más estricto respeto por los derechos humanos.»

Mário Soares, El País, 20/01/2009

* Frase atribuída a Diógenes, discípulo de Antístenes fundador do Cinismo.

MGMT - Kids

Empire of the Sun

Walking On A Dream


We Are The People

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Homeless in America

Pavlov´s Dog - " Did you see him cry? "

Afrika Bambaataa -" Planet Rock "

O grito de Tarzan


"Tarzan o Homem-Macaco"(1932) com Johnny Weissmuller e Maureen O´Sullivan

«El grito de Tarzán, acaso el berrido más emblemático en la historia del cine, quedó envuelto en silencio hace exactamente 25 años. Johnny Weissmuller, el actor que interpretó al mítico 'hombre mono', fallecía un 20 de enero de 1984 en Acapulco. A petición suya, una grabación del inolvidable alarido fue reproducida en su funeral, mientras su ataúd descendía hacia la tumba que enterraba su leyenda.


Antes de reventar taquillas interpretando al primer Tarzán del cine sonoro, Weissmuller era ya un rostro conocido para el público, gracias a su deslumbrante carrera como nadador. Alertado por la frágil salud del endeble Johnny, el médico le recomendó ejercitar su físico en la piscina. No sólo llegaría Weissmuller a ser un lozano mozalbete de 1,91, sino que ganaría cinco medallas de oro en los Juegos Olímpicos de París (1924) y Ámsterdam (1928).» El Mundo Online, 20/01/2009

Linton Kwesi Johnson - "If I Was A Top-notch Poet"

Desatracados*

« Se os portugueses vêem cada vez mais televisão, também há cada vez mais que não vêem. Nunca. Nem tão-pouco acompanham as coisas ditas de interesse público, sejam culturais, comerciais ou lá o que for. Destracaram-se.
Os atracados andam a reboque da mesma caravana de agendas. Cada um tem uma opinião diferente. Mas todos vêem os mesmos programas e falam das mesmas pessoas e dos mesmos casos. Não é a discussão que é oprimente: é a agenda. A agenda é a lista das coisas escolhidas pelos empresários, políticos e editores para nós lermos; vermos; comprarmos; conhecermos, discutirmos.
É como o futebol. E basta não ligar ao futebol para ver o que se perde: nada. O pouco que importa acaba por chegar a toda a gente, já muito bem filtradinho, muito obrigado.
Graças à Internet, cada vez há mais desatracados. Lêem livros que mais ninguém está a ler; mergulham em mundos esquecidos; descobrem coisas tão novas que ainda nem coisas são; ouvem música fora de todas as modas; acompanham pessoas e problemas e pensamentos que se diria nada terem a ver com eles. Mas têm, acabam por ter. E isso é bom.
Desatracar não é rejeitar a realidade nem é ser hostil aos marcadores de agenda. É apenas pedir licença para não seguir o fio da realidade que está a ser distribuído a dado momento. É seguir outro fio, escolhido por cada um, sem grandes critérios ou seriedade até. E, quando se cruzam os dois, costuma ser interessantíssimo. E é giro.»
*Miguel Esteves Cardoso, Público de 18/01/2009

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1) Escultura na areia(Índia): fotografia de AP/Biswaranjan Rout
2) Pintura de Alex Ross
3) Pintura de Elisabeth Peyton
Ver e ler aqui dossier especial na Folha de S.Paulo Online.

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"Mr. Smith Goes to Washington "(1939), filme de Frank Capra, interpretado por James Stewart.

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«Decía Hermann Hesse que cuando odias a una persona, odias algo de ella que forma parte de ti mismo ya que lo que no está en nosotros no nos molesta. El conflicto entre israelíes y palestinos es más complicado. Los tópicos han ido arraigando en cada uno de los bandos.

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Edgar Allan Poe(4)




" The Raven ", narrado por Christopher Walken

Edgar Allan Poe(3)


Ver aqui post no blogue Sound + Vision.

Edgar Allan Poe(2)


Edgar Allan Poe(1)

« El centro de la conmemoración se situará esta noche en Baltimore, Estados Unidos, donde descansa la tumba del escritor. Esta noche, cuando millones de admiradores conmemoren el 200º aniversario del nacimiento del maestro de lo macabro, un hombre cuya identidad nadie conoce dejará en la tumba del escritor, en Baltimore, una botella medio vacía de coñac y un ramo de rosas rojas. O quizá no. Porque el misterioso visitante del cementerio Old Western, en la esquina de las calles Fayette y Greene en la ciudad de Maryland, a quien llaman Poe Toaster (el que brinda por Poe, en inglés), que ha incursionado en las sombras desde 1949, quizá esté ausente este año cuando el mundo entero amontone homenajes a Poe.» El País Online, 19/01/2009

Na morte de João Aguardela

A Naifa -" Todo o Amor do Mundo "

Todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve de nada. ficaram

Os papéis e a tristeza, ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e da

Morte.

Os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram suficientes e

Foram

Demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto, são como

Lágrimas.

Sei que nos amámos muito e um dia, quando já não te encontrar em cada instante,cada

hora,

Não irei negar isso. não irei negar nunca que te amei. nem mesmo quando estiver

Deitado,

Nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo antes de a

Foder.

Letra de José Luís Peixoto, retirada do livro "A criança em ruínas "

«Morreu ontem em Lisboa o músico João Aguardela, que faria 40 anos em Fevereiro. Vocalista, líder e fundador dos Sitiados, banda que conheceu o sucesso nos anos noventa, Aguardela foi também o mentor de projectos como Megafone, Linha da Frente (formado por vocalistas de várias bandas nacionais interpretando textos de poetas portugueses) e A Naifa, o seu mais recente projecto com Luís Varatojo, com três álbuns editados aclamados pela crítica e pelo público.» Público, 19/01/2009

David Bowie - "Ashes to ashes"

Elliott Murphy - "Caught Short In The Long Run"

A minha discoteca: " Eden " - Everything But The Girl(Vynil)




Each and Everyone

Fascination

Ler aqui na Wikipédia.

Arquivo do blogue

Acerca de mim

" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

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