Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Para reflectir

«De todas as ideologias que ocupam a nossa mente - e, através dela, influenciam as nossas motivações e acções -, a mais importante não é o liberalismo, nem o socialismo, nem o conservadorismo. Aquela que tem maior sucesso é, sem sombra de dúvida, a ideologia do crescimento económico. Trata-se de uma ideologia transversal a todos os partidos e à sociedade. Economistas e políticos, comentadores e jornalistas, recordam-nos incessantemente que o objectivo colectivo mais importante para o país é o crescimento.

Não nego que o crescimento seja um valor importante, especialmente num momento de crise. Mas creio que há outros valores colectivos que são não apenas igualmente importantes, mas até mais importantes do que aquele. Eis alguns exemplos: a segurança individual, a liberdade igual para todos, a igualdade de oportunidades, a coesão social, a justiça distributiva, a protecção do ambiente e da paisagem, ou até a felicidade social de que falavam os utilitaristas clássicos. Creio que a maior parte das pessoas reconhecerá a importância e mesmo o primado destes e de outros valores colectivos face ao crescimento económico. Mas, se é assim, por que razão não têm estes valores pelo menos um peso equivalente ao do crescimento económico no discurso político?» ler aqui artigo completo.
João Cardoso Rosas, Jornal i, 13/08/2009

0,3%

A economia portuguesa cresceu 0,3% face ao 1º trimestre de 2009. A economia francesa e alemã cresceram 0,3% face ao 1º trimestre de 2009.

Eu que não sou economista e não acredito em coincidências, gostaria, que alguém me explicasse o porquê dos 0,3%!

Não terá a haver, com o aumento do consumo, originado pela antecipação dos reembolsos do IRS?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Em nome do desenvolvimento(2)

«El gobernador de California, Arnold Schwarzenegger, ha presentado un plan de ahorro mediante la apuesta por la enseñanza on line en detrimento de los libros de texto tradicionales, según informa la BBC. Con esta iniciativa, el gobernador pretende reducir el gasto anual en millones de dólares. Además, añade que al privilegiar el estudio digital los alumnos conseguirán una mejor formación.» continuar a ler aqui.

El País, 09/06/2009

Em nome do desenvolvimento(1)

«La petrolera anglo-holandesa Royal Dutch Shell ha acordado el pago de una indemnización de 15,5 millones de dólares (11,1 millones de euros) para evitar un juicio por su complicidad en el asesinato de nueve activistas ogonis en Nigeria en los años noventa, condenados a muerte por la dictadura del país por manifestarse contra las extracciones petroleras en el delta del Níger. Entre los ejecutados estuvo Ken Saro-Wiwa, célebre ecologista y poeta, un escándalo que en buena parte contribuyó a la salida de Shell de un país en el que había estado presente desde el descubrimiento del crudo en 1958, cuando todavía era colonia británica.» continuar a ler aqui.

El País, 09/06/2009

Viver com menos...

Ilustração de Raúl Arias


«Hay crisis. Todos hablan de ella. A todos nos afecta. Todos coinciden en que es grave. Pero nadie acaba de explicarnos bien lo que pasa. Los analistas académicos hablan como si sufriéramos una fiebre más o menos pasajera, un desajuste del sistema que se solucionará con alguna receta.
Pero hay otras voces. Economistas, sociólogos, pensadores de diversos ámbitos que opinan que estamos ante algo más que un desarreglo de los mercados financieros. ¿Qué crisis es ésta? Para muchos, más que una crisis económica es una crisis ecológica: no hay planeta suficiente para mantener el ritmo de vida que llevamos. El modelo de crecer y gastar, usar y tirar, explotar y contaminar llega a su fin.
«Aunque tengamos la mirada puesta en la debacle de los mercados financieros, la convulsión que estamos experimentando denota mayor hondura, remitiéndonos a los modos de producir, consumir y vivir hoy predominantes en el planeta», afirma Santiago Álvarez, director del Centro de Investigaciones para la Paz, en el último número de la revista» continuar a ler aqui.
Pedro Cáceres, El Mundo, 09/06/2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Tudo isto é triste, tudo isto é fado

«O Presidente da República, Cavaco Silva, revelou hoje aos jornalistas que está a perder muito dinheiro com as poupanças que tem nos bancos e que parte delas “estão desaparecidas”.

“Eu e a minha mulher, antes de eu estar nesta posição, quando éramos apenas professores, não tínhamos as nossas poupanças debaixo do colchão, nem tão pouco no estrangeiro. E agora também não. Entregámos as nossas poupanças a quatro bancos, incluindo o BPN, para eles gerirem as nossas poupanças. Esperávamos que eles gerissem as poupanças bem, que conseguissem um bom rendimento. Infelizmente estamos a perder muito, muito dinheiro. Boa parte das nossas poupanças estão desaparecidas”, afirmou o chefe de Estado citado pela TVI.» ler mais aqui.

Lusa, Público, 03/06/2009

Tudo isto é triste, tudo isto é fado.

Este homem é doutorado em Economia, foi director do Departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal, primeiro-ministro entre 1985 e 1995. É Presidente da Républica desde 2006.

E, não sabe gerir as suas economias?!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Cortes nos salários

«Alguns cortes nos salários, como os dos trabalhadores da Chrysler, são o preço da ajuda federal. Outros, como o acordo experimental de cortes salariais no The Times, são o resultado de negociações entre os empregadores e os empregados sindicalizados. Outros ainda são o brutal reflexo da fraqueza do mercado laboral. Os trabalhadores não se atrevem a protestar contra a baixa nos salários porque pensam que poderiam não encontrar outro emprego.

Sejam quais forem as especificidades de cada caso, salários em queda são sintoma de uma economia doente. E mais, são um sintoma que pode tornar a economia ainda mais doente.

Comecemos pelo princípio: as histórias sobre salários em queda estão a proliferar, mas qual é o real alcance do fenómeno? A resposta é: muito profundo. » continuar a ler aqui.»

Paul Krugman, Jornal i,publicado em 18/05/2009

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O ponto do Capitalismo(1)

Triunfantes o capitalismo e a globalização, começaram os inevitáveis antagonismos causados tanto pela presença de um superimperialismo contraditório quanto pelo desabar do modelo regional asiático assentem, em grande parte, no crédito malparado e na mão-de-obra submissa.
Só a intervenção dos norte-americanos nos mercados evitou uma queda do iene que poderia atingir o sistema económico-financeiro mundial na véspera de Clinton ir a Pequim. No entanto, a fuga de capitais da Ásia ficou bem expressa nas bolsas europeias e norte-americanas.
Ao contrário do que foi moda acreditar, a grande aliança já não se vislumbra entre a América do Norte e o Pacífico e avança entre a América do Norte e a União Europeia.
Uma vez mais na História, a Ásia afunda-se perante o Ocidente. No entanto, desta vez, as dezenas de milhões de desocupados e a brutal crise económica num mundo globalizado vão provocar no continente asiático grandes e dramáticas mudanças políticas e sociais, com inevitáveis reflexos, a prazo, também no Ocidente.
A compra pelos americanos de alguns sectores mais rentáveis da economia asiática, principalmente na área financeira, não bastará para evitar esses reflexos.
O Novíssimo Império capitalista é a realidade inegável do fim deste século e sê-lo-á no início do próximo, tanto mais que o petróleo abunda e está pelo preço da chuva. Mas não há Novíssima Economia. Ela é a de sempre - muito parecida, agora, com a dos anos 20 segundo bom número de analistas...norte-americanos.


Crónica de Victor Cunha Rego, Diário de Notícias, 28/06/1998

Hoje como ontem

«Domingo, na conferência de imprensa conjunta com o ministro das Finanças que se seguiu à decisão em Conselho de Ministros, de nacionalizar o banco, o governador do Banco de Portugal revelou que a SLN fez «um conjunto vasto de operações clandestinas que não estavam registadas em nenhuma entidade do grupo» envolvendo «centenas de milhões de euros», informação que só recebeu da administração liderada por Abdool Vakil.
«Foi com surpresa que soubemos em Junho destas operações. Nada faria suspeitar que estas operações pudessem existir» , afirmou o governador, salientando que, além dos seis processos de contra-ordenação já instaurados pelo banco central, a Procuradoria-Geral da República também já abriu um processo-crime.
Teixeira dos Santos revelou que as perdas acumuladas, que atingem os 700 milhões de euros, «tem a ver com o conjunto de operações que foram investigadas» nomeadamente, com o banco Insular, de Cabo Verde. Operações que, frisou Teixeira dos Santos, deram indícios de ilicitude e ilegalidade e que foram comunicadas à PGR.»

Sol Online, 03/11/2008

Ontem como hoje

" A queda, quinta-feira, do mago do hedging, John Meriwether, popularizado no bestseller de há uns anos " Liar´s Poker ", deixou Wall Street siderada. Poucos minutos depois de ter aparecido nos ecrãs da Reuters a notícia de que a UBS, o maior banco da Europa, tinha perdido mais de cem milhões de contos com o seu investimento no fundo especulativo gerido por Meriwether, viu-se o gráfico do Dow Jones - até então impulsionado pelas palavras da véspera de Greenspan sugerindo a possibilidade de um corte nas taxas de juro - começar a cair a pique. Na sexta-feira outros bancos enormes anunciaram prejuízos neste e noutros fundos e nas Bolsas mundiais aconteceu o que aconteceu.
Note-se que estas quedas se deram apesar de o fundo em questão não ter sido liquidado! De facto, as consequências de uma liquidação forçada ( a acrescer às que vêem sendo feitas desde meados de Julho) seriam tais que o FED, quebrando todos os seus princípios, evitou a falência e montou (forçou?) um sindicato bancário internacional que pôs quase setecentos milhões de contos de dinheiro fresco. A verdade é que não só os maiores bancos do mundo lá estavam investindo, como, a título pessoal, alguns dos presidentes desses bancos lá tinham as suas fortunas pessoais... Ninguém sabe a extensão do risco assumido (e vivo neste momento) , mas as estimativas mais conservadoras apontam para 17 ou 18 mil milhões de contos, ou seja, mais do que o PIB anual português. Que tais riscos, geridos, aliás, por um homem de grande prestígio profissional e por uma equipa de traders que inclui dois prémios Nobel e um vice-presidente do Federal Reserve, tenham podido ser assumidos sem supervisão oficial e sem que nenhum dos sofisticados intervenientes seja capaz de os medir ou até, talvez, de os compreender completamente, mostra a extensão da crise financeira que paira sobre nós. E explica que as autoridades bancárias americanas tenham feito exactamente o oposto do que tão arrogantemente aconselham os governantes de outros países a fazer! A realidade tem muita força."

Crónica " A realidade tem muita força ", de Leonardo Ferraz de Carvalho, 28/09/1998, publicada no jornal " Independente "

domingo, 26 de outubro de 2008

El mundo después del 'crash'*

John Maynard Keynes
«Con esta crisis multiforme y poliédrica ha desaparecido también una forma de hacer la política económica, que ha sido dominante en el último cuarto de siglo. Aquella que había formalizado el dogma de que los mercados son los que mejor saben qué hacer. Del mismo modo que hay ciclos en la coyuntura también hay ciclos ideológicos que conceden el énfasis a las distintas herramientas económicas. Y ha comenzado otro. En el año 1936, el que probablemente ha sido el economista más influyente del siglo XX (y lo vuelve a ser ahora), John Maynard Keynes, escribió en su obra magna Teoría general de la ocupación, el interés y el dinero: "Las ideas justas o falsas de los filósofos de la economía y de la política tienen más importancia de lo que en general se piensa. A decir verdad, ellas dirigen casi exclusivamente el mundo. Los hombres de acción que se creen plenamente eximidos de las influencias doctrinales son normalmente esclavos de algún economista del pasado". Las ideas keynesianas, tan menospreciadas en el último cuarto de siglo, están siendo aplicadas ahora por quienes tratan de sacar a la economía de la camisa de fuerza de la revolución conservadora y de la desregulación permanente. No por casualidad, sino como un signo de los tiempos, la Academia Sueca ha concedido hace unos días el Nobel de Economía a quien es uno de los neokeynesianos más insignes: Paul Krugman.»
*Joaquín Estefania, El País Online,26/10/2008

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O corretor que perdeu a fé???!!!

Nikanor, de 32 anos, é monge. Vive na Bulgária, no velho mosteiro de Tsurnogorski, a 50 quilómetros de Sofia, capital. Foi ali que encontrou a fé, em Deus, depois de ter perdido a que depositava no sistema financeiro mundial.

Stoyan Nenov/Reuters, Público Online,02/10/2008

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Crises,ciclos e história...*


«La mayor parte de los seres humanos se comporta como si el presente fuera a durar indefinidamente: más técnicamente, extrapolan el presente hacia el futuro. Las decisiones económicas se toman como si el futuro fuera a ser una simple continuación del presente, lo cual implica pensar que la economía va a evolucionar de manera continua y no cíclica. Y esto es, precisamente, lo que causa los ciclos: que no se cree que vayan a tener lugar. En economía a menudo las expectativas se cumplen por sí mismas. Pero en otros casos, como en éste, se produce el efecto contrario: las expectativas, a la larga, se tornan contra sí mismas. La razón es sencilla, y la historia está llena de ejemplos: si las acciones suben en Bolsa, los ahorradores suponen que las subidas van a continuar, y compran; las compras hacen subir las cotizaciones, por lo que las expectativas se cumplen y aumentan los ahorradores deseosos de comprar. Las cotizaciones siguen subiendo; pero llega un momento en que los dividendos resultan insignificantes ante el precio de las acciones: los ahorradores dejan de comprar y las cotizaciones caen. Los accionistas suponen que van a seguir cayendo, y venden, lo cual hace que, en efecto, sigan cayendo. Ya tenemos aquí un ciclo económico. Este ejemplo simplificadísimo se puede dar igualmente en el mercado inmobiliario, en el de las materias primas y hasta en el de las flores (es famosa la burbuja de los tulipanes en la Holanda del XVII). El fenómeno se viene dando desde tiempo inmemorial; ya en años bíblicos, el casto José interpretó el sueño de las vacas gordas y las vacas flacas del faraón como una premonición del inminente ciclo económico.»
* Gabriel Tortella, 25/09/08, El País Online

Premonitório e actual...

" Viviane Forrester já o escrevera em "O Horror da Economia", mas a presença, ao vivo, no colóquio da Gulbenkian deu um tom dramático às suas verdades, que são as de muitos, entre os quais nos incluímos.
Forrester di-lo, é claro, melhor do que a maioria. Neste momento melhor do que todos.
Global, hoje, é a mentira da venda de uma «sociedade de emprego», que já não existe mas que ainda nos avalia e nos faz andar a toque de caixa. Global é a mentira de uma «economia de mercado» que também já acabou e deu lugar a uma economia virtual e especulativa. Global é a chantagem do discurso «anti-pessimista», ele, sim, calculadamente pessimista porque aprisiona as pessoas às suas cabalas.
Voltando à precedente coluna desta pequeníssima série de três, «As cabeças incógnitas», começa a haver razões para crer que os actuais líderes políticos europeus, cujo pensamento se desconhece, ao contrário do que sempre sucedera na Europa, saibam dos crimes que a actual mentira global comporta.
Tornam-se, assim, cúmplices dos que dirigem o casino.
Sem dúvida alguns deles serão bem-intencionados. A necessidade sentida por Guterres ou Blair pela educação é visceral e verdadeira. Mas o culto da «rentabilidade» - e é nesses sentido que tantos também querem mais educação - no lugar do culto da dignidade pessoal e do Estado acabará por impor a sua mentira global.
A Europa não está condenada por ser velha. Está muito fraca porque a sua economia é já virtual. Mas talvez perca o medo de morrer e volte a lutar."

Crónica " As cabeças incógnitas ", de Victor Cunha Rego, publicada originalmente no DN(1998/1999) e coligida no livro " Os dias de amanhã", Ed. Cículo de Leitores,2000

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