Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

terça-feira, 28 de abril de 2009

Madame Bovary online

Edição online de " Madame Bovary ", de Flaubert, ler e ver aqui.


Vixen, clube das virgens, evangélicos...

«Dantes uma rapariga perdia a virgindade antes do casamento e era ostracizada. Agora, uma virgem é alvo de gozo. Acho que é por vergonha que o clube que fundei ainda não tem mais membros. Talvez tenha feito pouca divulgação. Fiz um blogue e só apareceram rapazes! Talvez ajude falar nisto num jornal.

Tenho uma amiga que tem 25 anos e é virgem porque é evangélica. Convidei-a para vir para o clube e ela não aceitou para não irritar os outros evangélicos. Eu não sou virgem por uma questão religiosa. Não tenho religião. Nem sequer sou baptizada. Sou virgem por não ter encontrado a pessoa que me despertará corpo e alma. Estou à espera do meu príncipe encantado.»

Excerto de artigo de Ana Cristina Pereira, P2 de 26/04/2009, a partir de uma conversa com Margarida Menezes criadora do Clube das Virgens.


Música de Tiago Guillul, evangélico.

«P. Então por que não se dedicam os enfadados ocidentais, saudosos de decisões morais, a mudar o mundo?

R. Receio bem que não estejam interessados. Não temos interesse em nenhuma zona para além da nossa esquina do mundo. Estamos armadilhados na nossa história social. Olhe, eu nem sou capaz de lhe dizer o nome do primeiro-ministro português! E sou supostamente um homem culto. Vimos, na televisão, imagens de pessoas a morrerem à fome no Sudão. Que fazemos? Nada. As nossas atitudes são completamente provincianas. As nossas vidas são controladas. Se sou dentista, ou professor, não vou desistir da minha carreira para ir para África. Somos prisioneiros, embora não o saibamos.»

Excerto de entrevista de Paulo Moura a J.G.Ballard, publicada em 2004 no Público, ler aqui na íntegra no blogue Repórter à solta, de Paulo Moura.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

domingo, 26 de abril de 2009

«Não quis ser escritor, mas quis ser santo. Influências bíblicas abundam na sua poesia.

Quando era jovem, gostava do Cântico dos Cânticos. Tinha aquele conteúdo carnal... Eu tinha uma namorada e uma Bíblia; Salomão fala dos seios de Sulamita: " Os teus seios são como duas pombas, para não falar do que está dentro. " E na minha Bíblia tinha uma nota de rodapé: " Entenda-se os dois seios da Igreja, a Moral e a Doutrina. " Eu dizia à minha namorada: " Hoje tens mais Doutrina que Moral ". Depois também me interessei pelo Apocalipse. Mais velho, pelos livros do Antigo Testamento. O meu evangelho era o de São Mateus. O Pasolini é que fez um grande filme, Il vangelo secondo Matteo.»


1) Excerto de entrevista de Anabela Mota Ribeiro a Manuel António Pina, publicada na Pública, 26/04/2009.
2) Excerto do filme "Il Vangelo secondo Matteo"(1964), de Pasolini.

sábado, 25 de abril de 2009

Um bife para dois

Portuguese water dog

Ler aqui no Expresso.

A ninfa inconstante



«É no passado que vemos o tempo como se fosse o espaço. Tudo está longe, na distância em que o passado é uma imensa pradaria vertiginosa, como se caíssemos de uma grande altura e o tempo da queda, à distância, nos tornasse imóveis, como acontece com os acrobatas do ar, que vão caindo a uma enorme velocidade e contudo para eles nunca se cai. É deste modo que caímos na recordação. Nada parece ter-se movido, nada mudou porque estamos a cair a uma velocidade constante e só aqueles que nos vêem de fora – vós, leitores – dão conta de quanto descemos e a que velocidade O passado é essa terra imóvel da qual nos aproximamos com um movimento uniformemente acelerado, mas o trajecto – tempo no espaço – impede-nos de nos afastarmos para ter uma visão que não seja afectada pela queda – espaço no tempo – voluntária ou involuntária. O tempo, ainda que parado, provoca vertigens, que é uma sensação que só o espaço pode provocar.»

Excerto do 1º capítulo de " A ninfa inconstante ", de Guilhermo Cabrera Infante, Trd. Salvato Teles de Menezes, Ed. Quetzal, ler aqui no Público.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Dia mundial do livro


Ler e ver aqui extenso dossier publicado no El Mundo, sobre o dia mundial do livro.



Esculturas no Monte de S.Félix, Laúndos, 21/04/2009

terça-feira, 21 de abril de 2009

«Via-me com trinta anos, segundo o mundo, virtuosa, rica, considerada e, contudo, perfeitamente infeliz. Então apresentou-se-me este pobre homem, que era a própria bondade, mas também a inépcia em pessoa. A sua inépcia fez com que suportasse as suas primeiras propostas. A minha alma era tão infeliz por tudo o que me rodeava desde a tua partida, que já não tinha força para resistir à mais pequena tentação. Ter-te-ei confessado uma coisa bem indecente? Mas penso que tudo é permitido a uma morta. Quando tu leres estas linhas, os vermes devorarão estas pretensas belezas que apenas deveriam ter sido para ti. Por fim, é necessário confessar isto que me causa desgosto; não via porque não deveria tentar o amor bestial, como todas as nossas damas romanas; tive um pensamento de libertinagem, mas nunca me pude dar a este homem sem experimentar um sentimento de horror e de desgosto que aniquilava qualquer prazer. Via-te sempre a meu lado, no nosso jardim do palácio de Albano, quando a Madona te inspirou esse pensamento, na aparência generoso, mas que, contudo, após a intervenção da minha mãe, fez a infelicidade das nossas vidas. De modo algum eras ameaçante, mas doce e bom como sempre foste; olhavas-me; então sentia momentos de cólera por este outro homem e chegava ao ponto de lhe bater com todas as minhas forças. Eis toda a verdade, meu querido Jules: não queria morrer sem te a dizer, e também pensava que este diálogo contigo me afastaria a ideia de morrer. Melhor do que ela só teria sido a minha alegria em voltar a ver-te, se me tivesse conservado digna de ti. Exijo-te que vivas e que continues essa carreira militar que me causou tanta alegria quando soube dos teus êxitos. O que teria sucedido, meu Deus!, se tivesse recebido as tuas cartas, sobretudo após a batalha de Achenne! Vive e relembra frequentemente a memória de Ranuce, assassinado nos Ciampi, e a de Hélène que, para não ver uma censura nos teus olhos, morreu em Santa Marta.»


1) Excerto de " A Abadessa de Castro ", de Stendhal, Trd. Dalila Ferreira e José Manuel Cortês, Ed. Teorema, 1997

2)"Alma Redemptoris mater " de Giovanni Pierluigi da Palestrina(1525-1594) pelo Monteverdi Choir dirigido por John Eliot Gardiner

domingo, 19 de abril de 2009

Homo


Poema de Antero de Quental, digitalizado pela Biblioteca Nacional, ver aqui, online, a Colecção Antero de Quental.

Femina



«Foram precisos sete meses para conseguirem estar juntos. Mas valeu a pena. A empatia foi instantânea. Uma mulher, uma história - os processos foram todos diferentes. Com Asia, que se tornou numa espécie de talismã - uma superstição do tipo: se correr bem com ela corre bem com todas -, foi um caso de amor calmo. "No fundo, mesmo antes de a conhecer, acho que sempre vi nela um lado mais frágil do que aquela coisa da 'bad girl' italiana, todas as semanas à procura de novos escândalos. Foi no que pensei quando fiz a primeira música para ela e, de certo modo, essa minha visão tinha alguma razão de ser. No fundo, é uma pessoa mais tranquila do que tudo isso, com uma postura fora de câmaras que não tem muito a ver com essa imagem."»


Ípsilon, Público, 17/04/2009, ler aqui artigo completo.

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" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

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