Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Quoi

Expressão facial osgástica












Ver aqui mais fotografias no Jornal i, e ler o texto de Clara Pinto Correia para a exposição " Sexpressions ", com fotografias suas tiradas por Pedro Palma, seu actual marido.

A Clara, foi uma das minhas paixões platónicas, nos nossos vinte e poucos anos. A paixão desapareceu, quando numa entrevista declarou o seu desejo pelo Fernando Gomes, goleador do F.C.Porto, também famoso por ter comparado a sensação de marcar um golo a um orgasmo.

Mais tarde, comprei e li o " Adeus Princesa ". Um excelente romance.

Amiúde, fui lendo notícias suas, principalmente devido à sua intensa produção literária, em parte ligada à sua investigação científica na área da Biologia.

Ocasionalmente, via-a no pequeno ecrã, sem grande sedução e menor graça.

Hoje, ao ver estas fotografias orgásticas, senti que já tinha imaginado a sua expressão facial.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Em memória de Lhasa de Sela




Noite de Verão de 1998(?). Palácio de Cristal. Lhasa aparece em palco. Deslumbramento e magnetismo.
A sua presença, a sua voz, as melodias vividas e cantadas com alma, as pausas para descrever as suas errâncias e explicar as canções.
Em estado de encantamento, de imediato comprei o seu CD( La Llorona).

Manhã de 04/01/2009. Ouço na TSF, a notícia da sua morte. Fico aturdido. Triste, mas feliz por ter partilhado alguns momentos da sua vida, e, a sua arte.

Ler aqui notícia sobre a sua morte no Público, por João Bonifácio. E aqui obituário no El País.

domingo, 3 de janeiro de 2010

A outra Casa da Música


O Centro Comercial Stop, inaugurado em 1982, deu origem a dezenas salas de ensaios para muitos projectos musicais. Ler aqui reportagem de André Rito, publicada no Jornal i de 02/01/2010.

sábado, 2 de janeiro de 2010

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Views of Japan por Felice Beato










Ver aqui no NYPL Digital Gallery, e aqui sobre Felice Beato, na Wikipédia.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A noite das ilusões

" As ilusões " de Diego Rivera







Satisfied Mind


The Byrds

Johnny Cash

Jeff Buckley

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

Portugal presente

« Descemos à areia. Com esta luz oblíqua, parece uma grande laje. As rochas estão cor de mel, o mar está manso, um homem desce de galochas, com um balde, a igreja toca as quatro. É Nossa Senhora dos Navegantes.
Pisamos carcaças de mexilhões, milhares, para chegar ao pontão. Ruben fala dos naufrágios que têm matado gente, até na rua dele, até na família. Nisso, 2009 foi piedoso.
"Antigamente, Caxinas era um povo unido, um pouco isolado do mundo, mas agora já não."Para o bem e para mal? "Sim, é verdade, tem sido fragilizada tanto pelo desemprego como pela vida do mar." Ruben assenta os ténis nos limos do pontão e olha firme para a câmara fotográfica, camisa branca impecavelmente passada, cachecol de lã cinzenta, computador portátil debaixo do braço. Foi assim que chegou junto a nós este oitavo filho de um pescador de Caxinas.
"Tenho cinco irmãos e duas irmãs, mas hoje em dia as pessoas optam por ter um filho, dois no máximo."
A areia está cheia de patas de gaivota no sentido da Póvoa de Varzim. "Caxinas tem uma coisa boa, que é estar entre duas cidades grandes que se estão a desenvolver." Mas basta ficarmos voltados para o mar e é como se não houvesse cidade. Não se houve nada.
Voltando à marginal, os velhos continuam a jogar no seu abrigo de vidro. Olhando melhor também há vários homens jovens ou de meia-idade. Desempregados, numa segunda-feira à tarde.»



Excerto da reportagem " 2009 O pior ano da vida deles ", de Alexandra Lucas Coelho, Pública, 27/12/2009

O Portugal Futuro

O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro





Ruy Belo

Tiny Children













J. Laurent









"J. Laurent e Portugal " exposição no CPF. Ver aqui no blogue " Grand Monde " de Angela Camila Castelo-Branco.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Time after time

Noites Brancas

« Há qualquer coisa de indizivelmente enternecedor na nossa natureza petersburguense quando ela, à chegada da Primavera, revela de um jacto toda a sua potência, todas as forças que o céu lhe doou, se cobre de penugem, se desprende, se esmalta de flores multicoloridas... Lembra-me aquela rapariga definhada e enfermiça para quem olhamos umas vezes com comiseração, outras com uma espécie de amor compassivo, mas a quem, o mais das vezes, não prestamos atenção, e que de repente, por um único instante, se torna divina, indubitavelmente bela, e então nós, espantados, maravilhados, perguntamo-nos: que força fez que lhe brilhassem com aquele fogo os olhos tristes e cansados? O que fez subir o sangue àquelas faces pálidas e chupadas? O que lhe vestiu de paixão os enternurados traços do rosto? Por que se lhe levanta tanto aquele peito? O que chamou a força, a vida, a beleza ao rosto da pobre rapariga, o que lho fez brilhar com aquele sorriso, animar-se com aquele riso radiante, resplandecente? Olhamos em volta, procuramos alguém, adivinhamos... Mas o instante passa e, o mais certo, é vermos-lhe o mesmo rosto pálido, a mesma submissão e timidez dos gestos, e até um arrependimento, até vestígios de desgosto, de mortífera náusea pela paixão momentânea... E temos pena que tão depressa, tão irremediavelmente tenha murchado a beleza de um instante, a beleza que, tão enganadora e inútil, cintilou à nossa frente - temos pena porque nem sequer tivemos tempo de nos apaixonarmos dela...»






1 ) Excerto de " Noites Brancas ", de Fiódor Dostoiévski, Trd. Nina Guerra e Filipe Guerra, Ed. BI

2 ) Excerto do filme de Luchino Visconti, baseado na novela e realizado em 1957.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Canção do dia(23): " Bicycle Race " - Queen (1978)

Onde está Deus, mesmo que não exista?

" Onde está Deus, mesmo que não exista? Quero rezar e chorar, arrepender-me de crimes que não cometi, gozar ser perdoado como uma carícia não propriamente materna.
Um regaço para chorar, mas um regaço enorme, sem forma, espaçoso como uma noite de verão, e contudo próximo, quente, feminino, ao pé de uma lareira qualquer... Poder ali chorar coisas impensáveis, falências que nem sei quais são, ternuras de coisas inexistentes, e grandes dúvidas arrepiadas de não sei que futuro...
Uma infância nova, uma ama velha outra vez, e um leito pequeno onde acabar por dormir, entre contos que embalam, mal ouvidos, com uma atenção que se torna morna, de perigos grandes - penetravam em jovens cabelos louros como o trigo... E tudo isto muito grande, muito eterno, definitivo para sempre, da estatura única de Deus, lá no fundo triste e sonolento da realidade última das Coisas...
Um colo ou um berço ou um braço quente em torno ao meu pescoço...
Uma voz que canta baixo e parece querer fazer-me chorar... O ruído de lume na lareira... Um calor no inverno... Um extravio morno da minha consciência... E depois sem som, um sonho calmo num espaço enorme, como a lua rodando entre estrelas... "



Excerto de " Livro do Desassossego " de Fernando Pessoa, Ed. Richard Zenith, Assírio & Alvim

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" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

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