Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

terça-feira, 12 de maio de 2009

"Burbujas" de Daniel Torres

« Es la historia de un tipo gris que tiene una epifanía viendo una pecera. Y la de ese tipo gris que se da cuenta de que le hubiera gustado ser carpintero. Y la de ese mismo tipo gris que atraviesa por una crisis vital. Y también la de su familia, la de un amigo filósofo con alma de Piolín, la de unas vértebras que hablan, y la del poder (o debilidad) de la memoria. Definir "Burbujas", la última obra del dibujante valenciano Daniel Torres ('Opium', Roco Vargas) es difícil, pero sea cual sea la respuesta se trata, sin lugar a dudas, del mejor trabajo de uno de los grandes del tebeo español de todos los tiempos y de una obra condenada a cosechar más de un premio.» ler aqui.
Javier Cavanilles, El Mundo, 12/05/2009

domingo, 10 de maio de 2009

Nua, absolutamente nua


Quando uma coisa se torna popular como os espectáculos de strip-tease, aparece sempre alguém a tentar fazê-lo às avessas. Certo dia o Sr. Samuel J. Burger telefonou para a redacção a dizer que passara a ser o agente de «uma dama de Chicago, e c´um caraças, ela é tão fora de série que me põe maluco.» Nesse dia não me sentia muito bem, e por isso mandaram-me entrevistá-la. O Sr. Burger é um empresário da Broadway, magro, inspirado, de bigodes encerados, que contrata para os espectáculos de vaudeville números como os júris dos julgamentos de homicídios, bubble dancers e índios que lêem a mente.
A sua última atracção revelou-se como sendo uma jovem com uma formação da escola profissional, com umas risadinhas e um par de gâmbias de anúncios de meias. Tinha dezanove anos e chamava-se Jan Marsh. Encontrámo-nos com ela num hotel com teatro e ela fez uma demonstração do seu número.
«Talvez esteja maluca», disse ela, desenfiando o vestido, «mas parece-me que tenho aqui um número capaz de arruinar os esquemas de extorsão do streap-tease.»
Atirou o vestido para o braço de uma cadeira, e depois tirou os sapatos e as meias. A seguir despiu um conjunto de roupa interior de renda preta.
«Agora, olhem», disse ela, desnecessariamente. «É assim que eu começo o meu número. Começo onde o strip-tease acaba. Estou nua, absolutamente nua. Oh, absolutamente. Apareço diante do público assim. Enfio as minhas cuequinhas de renda preta. Depois ponho o cinto de ligas. Depois enfio as meias de rede pretas. O preto é tão fascinante. Depois calço os sapatos. Depois ponho o vestido, um vestido de fecho, do género a que chamam «vestido táxi.» Depois ponho um alfinete de flores, orquídeas talvez. E vou continuando a enfiar peças de roupa até o público começar a resmungar. Visto aí uma tonelada de roupas. Pode ser que eu seja maluca, absolutamente maluca, mas estou convencida de que o meu número vai acabar com os escroques do strip-tease, o que seria prestar um grande serviço ao meu país.»
Miss Marsh sorriu. Depois executou uns passos de dança.
«Claro», disse ela «Faço isso pela arte e não estou a dizer que o meu namorado se chama Art. Reparei no enorme sucesso dessas mulheres voluptuosas do strip-tease, mas não me parece que o público esteja realmente interessado nesse género de coisas. Sou uma rapariga terna e simples. Não sou como essas mulheres aos pulos. Penso que quando eu fizer o inverso do strip-tease, ele se tornará imensamente popular e iniciará um novo movimento. Não fumo nem bebo. Claro que se apreciasse o sabor bebia, mas acho o whisky um horror. Sou boa nadadora. Sou apenas uma rapariga americana simples, e acho que o público preferia isso a uma dessas mulheres aos pulos.»
Miss Marsh disse ter nascido em South Amboy, em New Jersey, mas que a família se mudara para Chicago quando era criança. Os pais tinham-se divorciado. Disse que a mãe sabe que ela viera a Nova Iorque para dar cabo dos escroques do strip-tease e não se importa. Disse que andou no liceu de Chicago e na Drake´s Business College. Depois arranjou um emprego como secretária de uma senhora que trabalhava para a administração da cidade.
«Estava no departamento dos impostos, ou coisa assim», disse Miss Marsh.
Depois informou-nos de que, quando era mais nova, tinha posado para artistas.
«Gosto de posar para artistas», disse ela. «São muito sérios. Ficamos nuas diante deles durante horas, mas eles não se interessam por nós, a não ser de um ponto de vista artístico, e eu gosto disso. Somos apenas um uma inspiração para eles. Sou uma rapariga séria. Nem sequer apalpanços admito.»
Miss Marsh sorriu.
«É do estilo alta-roda», disse o Sr. Burger.
«É isso», disse Miss Marsh.
Disse que recentemente tinha poupado algum dinheiro e decidira vir a Nova Iorque e subir ao palco.
«Tinha na cabeça esta ideia de deitar abaixo o strip-tease», disse ela, «e as pessoas diziam-me que era louca. Foi então que ouvi falar no senhor Burger e pensei que ele devia ter as mesmas ideias. Fui ter com ele e achei que tinha.»
«Os grandes espíritos trabalham no mesmo comprimento de onda», disse o Sr. Burger, sacudindo umas cinzas do cravo branco que trazia na lapela do sobretudo.

Crónica de Joseph Mitchell, incluída no livro " Sou todo ouvidos ", Trd. José Lima, Ed. Ambar, 2006

Sophie Evans


























«Sophie Evans es una estrella. Perfeccionista y exigente. Se cuida. Pasa controles de hepatitis, VIH y herpes genital. Es monógama. No fuma ni bebe ni se droga. Lleva una vida ordenada. Como una deportista de élite. Ha intervenido en 200 películas. Ha rodado en Los Ángeles y Budapest, las mecas del sector. A la orden de los más grandes directores del cine para adultos. Junto a los galanes del género. Ha protagonizado miles de escenas sexuales. Sin trampa ni cartón. Ni condón. Felaciones, sexo anal y vaginal; números lésbicos; dobles penetraciones. Su récord en pantalla ha sido mantener sexo con cinco hombres a la vez. “Fue muy bonito. Una sensación diferente. Era precioso ver a esos cinco chicos tan excitados conmigo. He hecho de todo en pantalla salvo cosas extremas; no me gusta que me aten; ni hago nada con animales ni lluvia dorada. Y prefiero la doble penetración al anal, me excita más y pagan mejor”.», ler aqui.

Jesús Rodríguez, El País Semanal, 10/05/2009
« Era do lado de Méséglise, em Montjouvain, casa situada à beira de um grande charco e encostada a um talude de silvedos, que morava o senhor Vinteuil. Por isso, encontrávamos muitas vezes no caminho a sua filha, que conduzia um buggy a toda a velocidade. A partir de um certo ano, nunca mais a vimos só, mas acompanhada de uma amiga mais velha, que tinha má fama na região e que um dia se instalou definitivamente em Montjouvain. Dizia-se: «É preciso que o pobre senhor Vinteuil esteja cego pela ternura para não dar por aquilo que se conta, e para permitir, ele que se escandaliza com uma palavra deslocada, que a filha ponha a viver debaixo do seu tecto uma mulher daquelas. Diz ele que é uma mulher superior, um grande coração, e que teria predisposições extraordinárias para a música se as tivesse cultivado. Mas pode estar certo de que não é de música que ela trata com a sua filha.» O senhor Vinteuil dizia aquilo; e, com efeito, é notável como uma pessoa provoca sempre admiração pelas suas qualidades morais em casa dos pais de qualquer outra pessoa com quem tem relações carnais. O amor físico, tão injustamente desacreditado, força de tal modo todo e qualquer ser a manifestar até às mínimas parcelas que possui bondade e desprendimento de si mesmo, que estas qualidades resplendem mesmo aos olhos dos que o rodeiam de perto. O doutor Percepied, cuja voz grossa e grossas sobrancelhas permitiam representar quando quisesse o papel de pérfido, para que não possuía o físico adequado, sem comprometer em nada a sua inquebrantável e imerecida reputação de ríspido benfeitor, sabia a fazer rir até às lágrimas o prior e toda a gente dizendo num tom rude: «Bem! Acho que ela faz música com a amiga, a menina Vinteuil. Parece que se admiram com isso. Eu cá não sei. Foi o pai Vinteuil que ainda ontem mo disse. No fim de contas, a rapariga tem todo o direito de gostar de música. Mas eu não sou daqueles que contrariam as vocações artísticas dos filhos. E parece que Vinteuil também não. E, além disso, ele também faz música com a amiga da filha. Ah, coa breca, tanta música que se faz naquela casa. Mas porque é que se estão a rir? A verdade é que aquela gente faz música de mais. No outro dia encontrei o pai Venteuil perto do cemitério. Mal se tinha nas pernas.»

Excerto de "Do lado de Swann "( Em busca do Tempo Perdido), de Marcel Proust, Trd. Pedro Tamen, Ed. Círculo de Leitores, p.p. 156/157

sábado, 9 de maio de 2009

O tesouro de Sierra Madre







«En 1941 la Warner Brothers contrató a John Huston para que dirigiera una película basada en El tesoro de Sierra Madre, una novela que había tenido gran éxito en Europa y que por aquel entonces se estaba afianzando también en Estados Unidos. Como Huston, además del realizador tenía que ser el guionista, el autor de la novela, B. Traven, fue invitado a Hollywood para comentar el proyecto. Traven respondió a la productora que prefería que fuera John Huston quien viajara a México para conocer la atmósfera en que se situaba su obra. El ataque a Pearl Harbour, en noviembre de aquel mismo año, interrumpió provisionalmente el inicio de la película.» ler aqui.

Rafael Argullol, El País Online, 09/05/2009

Os cinco, os sete e Enid Blyton











«Como todos los años, el pueblo inglés de Twyford rinde tributo a Enid Blyton, la escritora de literatura infantil que alimentó la imaginación de muchas generaciones de niños y es considerada la autora más querida por los británicos.», ler aqui.
Vivana García (Efe), El Mundo Online, 09/05//2009


É, com imenso prazer, que, recordo as aventuras dos Cinco e dos Sete.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ao fim do dia...


1º dia do i

«Uma vez pode-se: falar de nós. Melhor dito: pode falar-se aqui hoje dos extraordinários profissionais que, em menos de um ano, fizeram nascer a nova marca de informação de Portugal. Repito a palavra nova: tudo isto aqui é novo. Por isso, estas linhas são um guia de leitura deste novo jornal e desta nova morada: www.ionline.pt.»
por Martim Avillez Figueiredo, Publicado em 07 de Maio de 2009

terça-feira, 5 de maio de 2009

Viagens pelo Porto esquecido(3)







03/05/2009

Viagens pelo Porto esquecido(2)




o3/05/2009

Viagens pelo Porto esquecido(1)











03/05/2009

«...gerados por uma Pátria ausente...»

O principio de Manuel Pinho

Mário Lino comeu papas Maizena


Qualquer semelhança é mera coincidência!

Maizena é bom, é bom é...


« Mas qual é a mensagem? É um ponto que ainda não consegui apanhar muito bem.
- A mensagem...? - Estava a tirar um vídeo-gravador do banco traseiro do Citroën, mas deteve-se para olhar para mim. - Pensava que tinha compreendido tudo, Charles.
- Não exactamente. Estes assaltos, destruir meia dúzia de televisores e escrever «Foda-se» na porta de uma garagem... é isso que vai mudar as vidas das pessoas? Se me assaltasse a casa, eu limitava-me a chamar a Polícia. Não ia inscrever-me num clube de xadrez nem juntar-me a um grupo coral.
- Absolutamente. O Charles chamaria a Polícia. E eu também. Mas suponha que a Polícia não faz nada e eu volto a assaltar-lhe a casa, levando desta vez uma coisa a que dê verdadeiro valor. Nessa altura, começa a pensar em fechaduras mais fortes e numa câmara de vigilância.
- E então? - Abri a bagageira do Porsche e esperei enquanto ele metia o vídeo-gravador lá dentro. - Voltámos à primeira casa. E eu volto à minha televisão por satélite e ao meu longo sono dos mortos.
- Não, Charles - explicou ele, pacientemente. - Não está a dormir. Agora está bem acordado, mais alerta do que alguma vez esteve. Os assaltos são as pulseiras dos católicos, que arranham a pele e apuram a sensibilidade moral. O próximo enche-o de raiva, inclusivamente de justa fúria. A Polícia é inútil, tudo o que faz é empatá-lo com falsas promessas, e isso cria uma sensação de injustiça, a sensação de que está rodeado por um mundo sem vergonha. Tudo à sua volta, os quadros e as pratas em que até agora quase nem pensava, passam a incluir-se neste novo enquadramento moral. Está mais consciente de si mesmo. Áreas do seu cérebro que não visitava há anos voltam a tornar-se importantes. Começa a reavaliar-se, exactamente como fez, Charles, quando o Renault ardeu.
- Talvez... mas não me dediquei ao t´ai chi nem começei um novo livro.
- Espere... ainda pode vir a fazê-lo - insistiu, desejoso de convencer-me. - O processo demora tempo... alguém caga na sua piscina, revolve-lhe o quarto e brinca com a roupa interior da sua mulher. Agora a raiva e a fúria já não bastam. É forçado a repensar-se a si mesmo a todos os níveis, como um homem primitivo a confrontar um universo hostil atrás de cada árvore e de cada rocha. Ganha consciência do tempo, da sorte, dos recursos da sua própria imaginação. Então, alguém assalta a senhora da porta ao lado, e você faz equipa com o marido ultrajado.
O crime e o vandalismo estão por todo o lado. Tem de erguer-se acima desses estúpidos bandidos e do mundo brutal que habitam. A insegurança obriga-o a valorizar as forças morais que possui, tal como os presos políticos decoram « A Casa dos Mortos» de Dostoievski ou os moribundos tocam Bach e redescobrem a fé, ou os pais de uma criança que morreu começam a trabalhar como voluntários num hospital.
- Apercebemo-nos de que o tempo é finito e deixamos de considerar seja o que for como dado adquirido?
- Exactamente. - Deu-me uma palmadinha no braço, feliz por poder acolher-me no rebanho. - Criamos comissões de vigilância, nomeamos um conselho local, orgulhamo-nos dos nossos vizinhos, aderimos a clubes de desportos e às sociedades de História locais, redescobrimos o mundo quotidiano a que dantes nem sequer ligávamos. Sabemos que é mais importante ser um pintor de terceira categoria do que ver um CD-ROM sobre a Renascença. Juntos, começamos a recr, e finalmente descobrimos todo o nosso potencial como indivíduos e como comunidade.
- E tudo isso é desencadeado pelo crime? - Peguei na cigarreira de prata caída no banco traseiro do Citroën. - Porquê esses disparador em particular? Porque não... a religião, ou qualquer espécie de vontade política? Ambas governaram o mundo, no passado.
- Mas já não governam. A política está arrumada, Charles, já não toca a imaginação das pessoas. As religiões surgiram demasiado cedo na evolução humana... criaram símbolos que as pessoas interpretaram literalmente, e estão tão mortas como uma fila de totemes. As religiões deveriam ter vindo mais tarde, quando a raça humana estivesse a aproximar-se do fim. Infelizmente, o crime é a única espora que nos faz avançar. Ficamos fascinados por esse «outro mundo» onde tudo é possível.
- Muita gente diria que já há crime mais do que suficiente.
- Mas não aqui! - Fez um gesto com o cavalo de jade na direcção das distantes varandas. - Não na Residência Costasol, nem nos aldeamentos de reformados ao longo da costa. O futuro aterrou, Charles, o pesadelo já está a ser sonhado. Eu acredito nas pessoas, e sei que elas merecem melhor.»

Excerto de " Noites de cocaína ", de J.G.Ballard, Trd. Mário Correia, Ed. Quetzal, 2003

domingo, 3 de maio de 2009

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" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

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