Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

"...a maria da graça tinha quase quarenta anos e julgava-se tão adiantada na vida que nada esperaria dessas coisas.vivia como quem imaginava pouco futuro e conformava-se, nem pensando muito nisso.estás louca, mulher, dizia-lhe a amiga, és uma cachopa nova e ainda tens muito terreno para plantar, não te deixes ir para baixo, obriga-o a usar preservativo, obriga-o, minha burra.gesticulava como doida a explicar-se enquanto pendurava bacias inteiras de roupa. com o que eu ganho, respondia-lhe a maria da graça, só posso pagar a morte, que a vida é cara de mais para mim. sou uma mulher fraca, essa é a verdade, mas não sou de fugir a nada. hei-de morrer de velha, não há cá doenças para uma coisa como eu."


Excerto de " o apocalipse dos trabalhadores ", de valter hugo mãe

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" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

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