
Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010
domingo, 24 de janeiro de 2010
Torna a Surrento?

« As brasas do seu prazer apagaram-se, quando, sufocado o riso, viu a mulher abandonar a indiferença de estátua com que tinha recebido no dia anterior as carícias do engenheiro e tomar iniciativa. Abraçava-o, obrigava-o a deitar-se ao lado dela, por cima dela, debaixo dela, enredava as pernas nas pernas dele, procurava-lhe a boca, mergulhava-lhe a língua e - «ai, ai», rebelou-se Dom Rigoberto - acocorava-se com amorosa disposição, pescava entre os seus afilados dedos o sobressaltado membro e, depois de passar-lhe a mão pelo lombo e pela cabeça, levava-o aos lábios e beijava-o antes de o fazer na boca. Nessa altura, a plenos pulmões, ressaltando na fofa cama, o engenheiro começou a cantar - a rugir, a uivar - Torna a Surrento.
- Começou a cantar Torna a Surrento? - pôs-se violentamente de pé Dom Rigoberto. - Nesse instante?
- Isso mesmo - Dona Lucrecia voltou a soltar uma gargalhada, a conter-se e a pedir desculpa. - Deixas-me pasmada, Pluto. Cantas porque gostas ou porque não gostas?
- Canto para gostar - explicou ele, trémulo e carmesim, entre fífias e arpejos.
- Queres que pare?
- Quero que continues, Lucre - implorou Modesto, eufórico. - Ri-te, não faz mal. Para que a minha felicidade seja completa, canto. Tapa os ouvidos se te distrai ou te dá vontade de rir. Mas, pela tua rica saúde, não pares.
- E continuou a cantar? - exclamou, ébrio, louco de satisfação, Dom Rigoberto.
- Sem parar um segundo - afirmou Dona Lucrecia, entre soluços. - Enquanto o beijava, me sentava em cima dele e ele em cima de mim, enquanto fazíamos amor ortodoxo e heteredoxo. Cantava, tinha de cantar. Porque, se não cantava, fiasco.
- Sempre o Torna a Surrento? - deleitou-se no doce prazer da vingança Dom Rigoberto.
- Qualquer canção da minha juvenude - cantarolou o engenheiro, saltando, com toda a força dos seus pulmões, da Itália para o México. - Voy a cantarles un corrido muy mentadooo...
- Um pot pourri de piroseiras dos anos 50 - precisou Dona Lucrecia. - O Sole mio, Caminito,Juan Charrasqueado, Allá en el rancho grande, e até Madrid, de Agustín Lara. Ai, que vontade de rir!
- E sem essas vulgaridades musicais, fiasco? - pedia confirmação Dom Rigoberto, hóspede do sétimo céu. - É o melhor da noite, meu amor.
- O melhor ainda tu não ouviste, o melhor foi o final, o auge da fantochada - enxugava as lágrimas Dona Lucrecia. - Os vizinhos começaram a bater nas paredes, telefonaram para a recepção, que baixássemos a televisão, o gira-discos, ninguém conseguia dormir no hotel.»
Excerto de "Os cadernos de Dom Rigoberto ", de Mario Vargas Llosa, Trd. J. Teixeira de Aguilar
- Começou a cantar Torna a Surrento? - pôs-se violentamente de pé Dom Rigoberto. - Nesse instante?
- Isso mesmo - Dona Lucrecia voltou a soltar uma gargalhada, a conter-se e a pedir desculpa. - Deixas-me pasmada, Pluto. Cantas porque gostas ou porque não gostas?
- Canto para gostar - explicou ele, trémulo e carmesim, entre fífias e arpejos.
- Queres que pare?
- Quero que continues, Lucre - implorou Modesto, eufórico. - Ri-te, não faz mal. Para que a minha felicidade seja completa, canto. Tapa os ouvidos se te distrai ou te dá vontade de rir. Mas, pela tua rica saúde, não pares.
- E continuou a cantar? - exclamou, ébrio, louco de satisfação, Dom Rigoberto.
- Sem parar um segundo - afirmou Dona Lucrecia, entre soluços. - Enquanto o beijava, me sentava em cima dele e ele em cima de mim, enquanto fazíamos amor ortodoxo e heteredoxo. Cantava, tinha de cantar. Porque, se não cantava, fiasco.
- Sempre o Torna a Surrento? - deleitou-se no doce prazer da vingança Dom Rigoberto.
- Qualquer canção da minha juvenude - cantarolou o engenheiro, saltando, com toda a força dos seus pulmões, da Itália para o México. - Voy a cantarles un corrido muy mentadooo...
- Um pot pourri de piroseiras dos anos 50 - precisou Dona Lucrecia. - O Sole mio, Caminito,Juan Charrasqueado, Allá en el rancho grande, e até Madrid, de Agustín Lara. Ai, que vontade de rir!
- E sem essas vulgaridades musicais, fiasco? - pedia confirmação Dom Rigoberto, hóspede do sétimo céu. - É o melhor da noite, meu amor.
- O melhor ainda tu não ouviste, o melhor foi o final, o auge da fantochada - enxugava as lágrimas Dona Lucrecia. - Os vizinhos começaram a bater nas paredes, telefonaram para a recepção, que baixássemos a televisão, o gira-discos, ninguém conseguia dormir no hotel.»
Excerto de "Os cadernos de Dom Rigoberto ", de Mario Vargas Llosa, Trd. J. Teixeira de Aguilar
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
« " Posso acariciar novamente sua clavícula? "
" Sim. "
Winner tira a blusa de Clotilde. Depois pega-a no colo e deita-a na cama. Afaga-lhe os ossos da omoplata e do tórax, onde se firmam seios pequenos e empinados; apalpa-lhe as costelas conspícuas. O corpo de Clotilde às vezes lembra o de um lagarto, se um lagarto tivesse a pele tão fina.
" Mostre-me sua língua. "
Deitada, porém com a cabeça e os ombros erguidos, definindo ossos e músculos do corpo, Clotilde, cada vez mais um lagarto, salienta por entre seus pálidos lábios uma língua fininha, veloz e escura, comprida, que Winner consegue prender em sua boca e sorver, antes de começar a lamber meticulosamente as costelas da mulher. E, virando-a de costas, também lambe o seu cóccix; e, revirando-a, explora com a língua os joelhos, os cotovelos, e o astrálogo e o escafóide do pé direito de Clotilde.
Os movimentos imprimidos por Winner ao corpo de Clotilde deixam-na parcialmente caída ao chão, apoiada sobre a cabeça. Winner abre, então, as pernas magras de Clotilde e olha a fenda abstrusa de congestão e sombra que corta seu corpo. com as cabeças no chão e as pernas para o alto sobre a cama, juntam-se, em sua volúpia, como dois morcegos.»
Excerto do conto " Romance Negro ", de Rubem Fonseca, incluído no livro " Romance Negro e outras histórias ", Ed. Campo das Letras, 1994
" Sim. "
Winner tira a blusa de Clotilde. Depois pega-a no colo e deita-a na cama. Afaga-lhe os ossos da omoplata e do tórax, onde se firmam seios pequenos e empinados; apalpa-lhe as costelas conspícuas. O corpo de Clotilde às vezes lembra o de um lagarto, se um lagarto tivesse a pele tão fina.
" Levanta a cabeça ", diz Winner depois de desnudar Clotilde. Com a língua sente os músculos abdominais da mulher, retesados sob a pele. Afaga com a mão a musculatura ondulada desse ventre que lhe parece, excitantemente, uma tábua de lavar roupa.
" Beija a minha boca ", ela diz." Mostre-me sua língua. "
Deitada, porém com a cabeça e os ombros erguidos, definindo ossos e músculos do corpo, Clotilde, cada vez mais um lagarto, salienta por entre seus pálidos lábios uma língua fininha, veloz e escura, comprida, que Winner consegue prender em sua boca e sorver, antes de começar a lamber meticulosamente as costelas da mulher. E, virando-a de costas, também lambe o seu cóccix; e, revirando-a, explora com a língua os joelhos, os cotovelos, e o astrálogo e o escafóide do pé direito de Clotilde.
Os movimentos imprimidos por Winner ao corpo de Clotilde deixam-na parcialmente caída ao chão, apoiada sobre a cabeça. Winner abre, então, as pernas magras de Clotilde e olha a fenda abstrusa de congestão e sombra que corta seu corpo. com as cabeças no chão e as pernas para o alto sobre a cama, juntam-se, em sua volúpia, como dois morcegos.»
Excerto do conto " Romance Negro ", de Rubem Fonseca, incluído no livro " Romance Negro e outras histórias ", Ed. Campo das Letras, 1994
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« Pensa nos teus filhos, disse o papá.
« Pensar nos meus filhos?, disse Ellen. Que outra coisa faço eu senão pensar? Que outra coisa faço eu nas noites que passo em claro senão pensar nos meus filhos? Nem o papá disse, Vem lá para casa, nem disse a Ellen, Volto para casa. Isto passou-se antes de ser moda reparar os nossos erros voltando as costas e fugindo. Eram só as duas vozes murmuradas além da porta cega, que pelo tom bem poderiam estar comentando a página dum magazine; e eu, uma criança, colada àquela porta e muito quieta como se quisesse confundir-me com a madeira escura e assim me tornar invisível, feita camaleão, ouvindo a alma, a presença viva dessa casa, pois alguma coisa passara da vida de Ellen e do seu respirar, e do dele também, para a casa que respirava num som neutro e longo de vitória e desespero, de triunfo e de terror.»
Excerto de " Absalão, absalão! ", de William Faulkner, Trd. Maria Jorge de Freitas, Ed. Planeta, 1999
« Pensar nos meus filhos?, disse Ellen. Que outra coisa faço eu senão pensar? Que outra coisa faço eu nas noites que passo em claro senão pensar nos meus filhos? Nem o papá disse, Vem lá para casa, nem disse a Ellen, Volto para casa. Isto passou-se antes de ser moda reparar os nossos erros voltando as costas e fugindo. Eram só as duas vozes murmuradas além da porta cega, que pelo tom bem poderiam estar comentando a página dum magazine; e eu, uma criança, colada àquela porta e muito quieta como se quisesse confundir-me com a madeira escura e assim me tornar invisível, feita camaleão, ouvindo a alma, a presença viva dessa casa, pois alguma coisa passara da vida de Ellen e do seu respirar, e do dele também, para a casa que respirava num som neutro e longo de vitória e desespero, de triunfo e de terror.»
Excerto de " Absalão, absalão! ", de William Faulkner, Trd. Maria Jorge de Freitas, Ed. Planeta, 1999
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sábado, 24 de outubro de 2009
Liza Minnelli


«A actriz e cantora norte-americana Liza Minnelli deverá testemunhar perante um juiz nova-iorquino, no processo interposto em 2004 pelo seu motorista, que a acusa de obrigá-lo a manter relações sexuais com ela, informou sexta-feira o New York Post.» continuar a ler aqui.
Jornal de Notícias, 23/10/2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
« A verdade é que não me importa entender as mulheres, a única coisa que interessa é que gostem de nós.»
In " A menina Cora ", de Julio Cortázar, Trd. Carlos Barata
In " A menina Cora ", de Julio Cortázar, Trd. Carlos Barata
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sexta-feira, 12 de junho de 2009
«As necessidades e sensações eróticas das mulheres, o seu desejo de prazer, a alegria com a sua própria sexualidade, só há poucas décadas começou a ser desvendada.
As mulheres eram desejadas mas não tinham desejo. Eram objectos sexuais mas não sujeitos sexuais. Raramente lemos sobre a maioridade sexual de uma mulher descrita na sua perspectiva. Onde é que a Marilyn Monroe nos conta a sua própria história sexual? E a Bela Adormecida, disse-nos alguma vez como foi acordar com o beijo do príncipe?
As mulheres não falaram durante muito tempo porque as silenciaram. Tanto na vida como na literatura, nos filmes ou nos palcos. Aquelas que ousaram paixões intensas viram-se condenadas, mortas, perseguidas, apelidadas de ordinárias e prostitutas. Em Portugal tivemos alguns casos famosos. A amada do Vitorino Nemésio, Margarida Jácome Correia, foi enfiada à força pela família numa clínica de loucos. O seu livro está aí e descreve bem o seu drama. E não esqueçamos que, ainda hoje, todos os anos, em África, dois milhões de meninas são mutiladas para lhes retirarem a capacidade de sentirem prazer sexual.»
Excerto de entrevista dada a Andreia Sanches, por Ana Zanatti, publicada no P2(Público) de 12/06/2009
As mulheres eram desejadas mas não tinham desejo. Eram objectos sexuais mas não sujeitos sexuais. Raramente lemos sobre a maioridade sexual de uma mulher descrita na sua perspectiva. Onde é que a Marilyn Monroe nos conta a sua própria história sexual? E a Bela Adormecida, disse-nos alguma vez como foi acordar com o beijo do príncipe?
As mulheres não falaram durante muito tempo porque as silenciaram. Tanto na vida como na literatura, nos filmes ou nos palcos. Aquelas que ousaram paixões intensas viram-se condenadas, mortas, perseguidas, apelidadas de ordinárias e prostitutas. Em Portugal tivemos alguns casos famosos. A amada do Vitorino Nemésio, Margarida Jácome Correia, foi enfiada à força pela família numa clínica de loucos. O seu livro está aí e descreve bem o seu drama. E não esqueçamos que, ainda hoje, todos os anos, em África, dois milhões de meninas são mutiladas para lhes retirarem a capacidade de sentirem prazer sexual.»
Excerto de entrevista dada a Andreia Sanches, por Ana Zanatti, publicada no P2(Público) de 12/06/2009
quarta-feira, 18 de março de 2009

18-03-2009 8:27:00(Público Online)
Tanque de guerra
Algumas mulheres iranianas posam para uma fotografia num tanque iraquiano abandonado, durante a visita a um memorial de guerra, situado a 25 quilómetros da fronteira com o Iraque e a pouco mais de 1 quilómetro a sudoeste de Teerão, na província de Khoozestan. Os iranianos visitam os principais campos de batalha durante a última semana do calendário iraniano, para prestar homenagem a todos os que morreram na guerra entre o Irão e o Iraque (1980-88). Fotografia: Morteza Nikoubazl/Reuters
domingo, 8 de março de 2009
Orgasmos...
Orgasmo- Giorgia Ricci
«Hay sutiles aunque importantes diferencias entre los orgasmos de ellos y ellas. En las mujeres, el apagón es mucho más acusado que en los hombres, aunque en estos últimos los centros del miedo también se desactivan. Parte del experimento consistía en pedirles a ellas que fingiesen. "Obviamente, en los hombres no fue difícil determinar si alcanzaban un orgasmo o no, pero en las mujeres no es un asunto fácil, ya que podían fingirlo", dice Holstege. El escáner cazó la mentira. ¿Qué ocurre en el cerebro de una mujer cuando miente así? "Se activó la región del córtex motor que controla voluntariamente el movimiento pélvico. En realidad, esta región no se enciende cuando un orgasmo es real".»
Excerto de artigo de Luis Miguel Ariza para o El País, ler aqui artigo completo.
«Hay sutiles aunque importantes diferencias entre los orgasmos de ellos y ellas. En las mujeres, el apagón es mucho más acusado que en los hombres, aunque en estos últimos los centros del miedo también se desactivan. Parte del experimento consistía en pedirles a ellas que fingiesen. "Obviamente, en los hombres no fue difícil determinar si alcanzaban un orgasmo o no, pero en las mujeres no es un asunto fácil, ya que podían fingirlo", dice Holstege. El escáner cazó la mentira. ¿Qué ocurre en el cerebro de una mujer cuando miente así? "Se activó la región del córtex motor que controla voluntariamente el movimiento pélvico. En realidad, esta región no se enciende cuando un orgasmo es real".»
Excerto de artigo de Luis Miguel Ariza para o El País, ler aqui artigo completo.
Antes as mulheres*
Só quando os homens chegam a uma certa idade é que podem dizer com certeza que as mulheres são melhores do que eles em tudo - mesmo na bola, a carregar pianos, a lutar com jacarés ou nas outras coisas em que ganhávamos quando éramos mais novos e brutos e fortes.
Quando se é adolescente, desconfia-se que elas são melhores. Nos vintes, fica-se com a certeza. Nos trintas, aprende-se a disfarçar. Nos quarentas, ganha-se juízo e desiste-se. Nos cinquentas, começa-se a dar graças a Deus que seja assim. Os homens que discordam são os que não foram capazes de aprender com as mulheres (por exemplo, a serem homenzinhos), por medo ou vaidade ou estupidez. Geralmente as três coisas.
Desde pequenino, habituei-me que havia sempre pelo menos uma mulher melhor do que eu. Começou logo com a minha linda e maravilhosa mãe, cuja superioridade - que condescendia, por amor, em esconder de vez em quando - tem vindo a revelar-se cada vez mais. As mulheres são melhores e estão fartas de sabê-lo. Mas, como os gatos, sabem que ganham em esconder a superioridade. Os desgraçados dos cães, tal como os homens, são tão inseguros e sedentos de aprovação que se deixa treinar. Resultado: fartam-se de trabalhar e de fazer figuras tristes, nas casas e nas caças e nos circos. Os gatos, sendo muito mais inteligentes, acrobatas e jeitosos, sabem muito bem que o exibicionismo vão leva à escravatura vil.
Isto não é conversa de engate. É até um tira-tesões. Mas é a verdade. E é bonita.
* Crónica de Miguel Esteves Cardoso, Público, 08/03/09
Quando se é adolescente, desconfia-se que elas são melhores. Nos vintes, fica-se com a certeza. Nos trintas, aprende-se a disfarçar. Nos quarentas, ganha-se juízo e desiste-se. Nos cinquentas, começa-se a dar graças a Deus que seja assim. Os homens que discordam são os que não foram capazes de aprender com as mulheres (por exemplo, a serem homenzinhos), por medo ou vaidade ou estupidez. Geralmente as três coisas.
Desde pequenino, habituei-me que havia sempre pelo menos uma mulher melhor do que eu. Começou logo com a minha linda e maravilhosa mãe, cuja superioridade - que condescendia, por amor, em esconder de vez em quando - tem vindo a revelar-se cada vez mais. As mulheres são melhores e estão fartas de sabê-lo. Mas, como os gatos, sabem que ganham em esconder a superioridade. Os desgraçados dos cães, tal como os homens, são tão inseguros e sedentos de aprovação que se deixa treinar. Resultado: fartam-se de trabalhar e de fazer figuras tristes, nas casas e nas caças e nos circos. Os gatos, sendo muito mais inteligentes, acrobatas e jeitosos, sabem muito bem que o exibicionismo vão leva à escravatura vil.
Isto não é conversa de engate. É até um tira-tesões. Mas é a verdade. E é bonita.
* Crónica de Miguel Esteves Cardoso, Público, 08/03/09
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Mulheres no singular: El cunnilingus*
Fotografia de Alfred Cheney«También es cierto que muchas mujeres son las primeras en desdeñar tal práctica, sobre todo por culpa de malas experiencias vividas en semejante trance. No nos engañemos: hay muchos que utilizan su lengua como si fuera una termomix, poniéndola en posición 'triturar', como un estilete. Es normal que con esas maneras, la raya entre placer y dolor sea tan permeable como la frontera hispano-andorrana (sobre todo si llevas el coche cargado de billetes de 500 €). Ya comentamos en un post anterior la extremada sensibilidad del clítoris femenino y zonas adyacentes. Por lo tanto, a la hora de acariciar oralmente dicha zona, es fundamental dejarse llevar por la constancia y la suavidad más que por la fuerza bruta. Sí, en las películas porno no se andan con tantos miramientos y en algunos casos parece que asistamos a una de las actuaciones espectaculares de las tuneladoras de Gallardón, como si las protagonistas pasivas del acto tuvieran vulvas de PVC (lo cual no me extrañaría nada, teniendo en cuenta la afición por la cirugía plástica de bajos habitual en el 'stardom' del porno). Sin embargo, en el mundo real más vale maña que fuerza, como en los anuncios de detergentes.»
* Blog Cama Redonda por Josep Tomás, El Mundo Online,22/10/2008
terça-feira, 17 de julho de 2007
A nobreza da mulher
The Great Sinner: Ava and Gregory Peck on banks of the Rhine River near Wiesbaden, Germany.
" Uma senhora tem de irradiar a própria noção de inacessível e não precisa, aliás, de ser a personificação do irrepreensível, basta-lhe destacar-se das outras mulheres graças a um certo fulgor de nobreza. E o que há de mais nobre é, precisamente, que cada um de nós, seja como for ou onde for, se torne útil ou desfrute do prazer, faça a sua vida tranquilamente e vá amadurecendo a pouco e pouco, tal como o fruto na árvore ao abrigo das folhas, e que, ao vermos uma mulher assim, saibamos adquirir também, por nosso lado e sem nos darmos conta, uma parcela da sua nobreza só de termos essa sua visão, que saibamos aprender alguma coisa, sem termos disso consciência, e fiquemos aptos a exprimir respeito, através de um gesto, de um olhar, uma vez que a consideração pelos outros é, sem dúvida, a base, o pilar, digamos mesmo, o fundamento em que assenta a sociedade. "
Excerto de " O Salteador ", Robert Walser, Trd. Leopoldina Almeida, Ed. Relógio D´Água.
sábado, 7 de julho de 2007
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