Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

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domingo, 7 de junho de 2009

« Num país democrático, como os Estados Unidos, o deputado quase nunca tem um poder duradoiro sobre o espírito dos seus eleitores. Por muito pequeno que seja um corpo eleitoral, a instabilidade democrática leva-o a mudar constantemente de fisionomia. Portanto, é preciso cativá-lo todos os dias. Ele nunca pode estar seguro dos eleitores e, caso estes o abandonem, perde imediatamente os seus recursos, pois não goza de uma posição assaz elevada para ser facilmente notado por aqueles que não lhe são próximos e, na independência completa em que vivem os cidadãos, não pode contar com o facto de que os seus amigos ou o governo o venham a impor facilmente a um corpo eleitoral que não o conhece.É portanto no cantão que representa que estão depositados as sementes da sua fortuna: é desse canto de terra que ele tem de sair para se elevar até uma posição de chefia e para poder influenciar o destino do mundo.»

Excerto do Capítulo XXI, da eloquência parlamentar nos Estados Unidos, " Da Democracia na América ", de Alexis de Tocqueville, Trd. João Carlos Espada, Ed. Principia

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O processo de emancipação dos negros está a chegar ao último patamar: O Poder Democrático

Obama conversa com a mulher após terem votado numa escola perto de Chicago. O candidato democrata, acompanhado pelas filhas, demorou cerca de 10 minutos a votar o que parece indicar que o sistema electrónico de voto não é o mais simples. ©AP Sol Online,04/11/2008

" A lei e, em parte, a opinião pública apressam-se a proclamar que não existe nenhuma inferioridade natural e permanente entre o criado e o senhor. Mas esta nova fé ainda não penetrou profundamente no espírito deste último, ou melhor, o seu coração ainda a rejeita. No fundo da sua alma, o senhor ainda julga pertencer a uma espécie particular e superior, mas não ousa dizê-lo e, incomodado, deixa-se relegar para o nível proposto. A sua autoridade torna-se simultaneamente tímida e dura; já não sente pelos seus criados os sentimentos protectores e benevolentes que resultam do exercício de um longo poder incontestado e espanta-se que, tendo ele próprio mudado, o mesmo tenha ocorrido ao seu criado. Desejaria que este, mais não fazendo do que passar, por assim dizer, pela condição doméstica, adquirisse aí hábitos regulares e permanentes, se mostrasse satisfeito e orgulhoso com uma posição servil que mais cedo ou mais tarde abandonará, se dedicasse a um homem que não pode nem protegê-lo nem perdê-lo, e que, finalmente, se estabelecesse uma ligação perpétua com seres que se lhe assemelham e que não duram mais tempo do que ele."

Excerto do capítulo " Relações entre o Criado e o Senhor ", do livro " Da Democracia na América "(1835-1840), de Alexis de Tocqueville, Trd. João Carlos Espada, Ed. Principia

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

" Vivendo no meio da liberdade dos bosques, o índio da América do Norte era miserável, mas não se sentia inferior a ninguém; a partir do momento em que quer penetrar na hierarquia social dos brancos, só pode ocupar o último degrau, pois ingressa pobre e ignorante numa sociedade onde reinam a ciência e a riqueza. Depois de ter levado uma vida agitada, repleta de males e de perigos mas, ao mesmo tempo, de emoções e de grandeza, ele tem de se submeter a uma existência monótona, obscura e degradada. O único resultado que vê desta civilização que tanto enaltecem é o facto de ter de ganhar, com penosos trabalhos e no meio da ignomínia, o pão de que precisa para se alimentar. E nem sempre está seguro de poder alcançar esse objectivo.

Quando os Índios procuram imitar os seus vizinhos europeus e cultivar a terra como eles, ficam imediatamente expostos aos efeitos de uma funesta concorrência. O branco é mestre dos segredos da agricultura. O Índio inicia-se desajeitadamente numa arte que não conhece. Um não experimenta dificuldades em obter grandes colheitas; o outro só com grande dificuldade consegue colher frutos da terra."

Excerto de " Da Democracia na América", de Alexis de Tocqueville, Trd. João Carlos Espada, Ed. Principia

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