Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

sábado, 12 de maio de 2007

A luz do Sol

" Olive tees with yellow sky and Sun "(1889) - Van Gogh



" O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa. "


Excerto do poema " O guardador de rebanhos/V " de Fernando Pessoa/Alberto Caeiro

" O Salteador " - Robert Walser

" The dance of life "(1899/1900) - Munch

" É difícil manter uma atitude isenta de paixão, quando se faz uma crítica, quero dizer com isto que aquele que faz a crítica não deve sentir o espírito exaltado. Ter de se submeter a uma crítica tem algo em si que provoca uma grande satisfação, porque o criticado pode, muito facilmente, sentir-se lisonjeado, na medida em que se convence de que está a ser objecto da atenção de alguém, e isso é uma realidade. Para compreender isto, todavia, há que estar já um pouco familiarizado com regiões mais vastas do pensamento e que ter a capacidade de entender as conexões. Se começamos a falar seriamente, logo oito em cada dez pessoas se convencem de que nos estamos a despenhar encosta abaixo, por assim dizer, como se fosse um dado adquirido que só as pessoas alegres ocupariam o lugar de topo da inteligência, o que de modo nenhum é exacto. A alegria tem, na realidade, um grande merecimento, mas a alegria e a seriedade devem alternar uma com a outra de modo a que a seriedade conduza à alegria e a alegria conduza à seriedade, a delimite ou conduza perto dela. "
Excerto de " O salteador ", de Robert Walser, Trd. Leopoldina Almeida, Ed. Relógio d´Água

Repousar o olhar

Ios - Grécia

" Space Invaders " - Leonardo Pascoal


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Pintores Americanos do século XX

" Nighthawhs " (1942 ) - Edward Hooper
" Eve of St. John " (1960) - Peter Hurd


" El mundo de Cristina " - Andrew Wyeth

" Three studes for a crucifixion " - Francis Bacon





A exposição de Francis Bacon, em Serralves(2003) marcou-me profundamente, e as palavras de João Pereira Coutinho, dizem porquê:
" Francis Bacon é um pintor realista porque, em Bacon, a realidade não é idealização da ordem. A realidade é violenta, caótica e cruel. E por que motivo as suas figuras nos perturbam tanto ? A resposta é mais simples do que parece: porque as pessoas nos perturbam tanto. Porque, como Bacon diria, não ficamos indiferentes às » emanações » daqueles que nos rodeiam. Os nossos sentimentos são múltiplos, contraditórios, avessos a qualquer hierarquia. Amamos, desejamos, tememos, invejamos, odiamos - de uma só vez, perante uma só pessoa. Ao mesmo tempo, num mesmo tempo. Por isso « distorcemos » os outros: porque imprimimos nos outros aquilo que apenas nos pertence. Porque só podemos pintar os outros, pintando aquilo que os outros nos sugerem - aquilo que os outros significam para nós. Nesta, como noutras matérias, convém lembrar o velho Wilde. Todos acabamos por matar aquilo que amamos? Precisamente. "
Excerto da crónica " Francis Bacon "(31/01/2003), publicada no jornal "O Independente " e coligida no livro de crónicas " Vida Independente 1998-2003 ", Ed. O Independente,2004

" Sex and landscapes " - Helmut Newton


















" Sex and landscapes " - Helmut Newton



" Príncipe Valente " - Hal Foster



O Príncipe Valente, ajudou a construir a minha personalidade, faz parte da minha vida.


Ensaio de Eduardo Martinez-Pinna: aqui e aqui.

Dix & Céline


" Infelizmente não duraram muito, as aldeias... Ao fim de um mês, naquele cantão já nenhuma delas existia. Às florestas, a essas atiraram-lhes para cima com o canhão. Duraram pouco mais de oito dias. Dão também lindas fogueiras, as florestas, mas não vale a pena.
Por essa altura as colunas de artilharia ocuparam todas as estradas num sentido, enquanto que os civis, ao escaparem-se, o faziam no outro. Em suma, já não podíamos ir nem vir, tínhamos de ficar onde estávamos.
Fazia-se bicha para morrer. O próprio general já não encontrava acampamentos sem soldados. Acabávamos por nos deitar todos em pleno campo, generais ou não. Os que ainda tinham um resto de sentimento, perderam-no. Foi a partir desse mês que começaram a fuzilar soldados para lhes levantar o moral, por esquadras, e que a polícia militar passou a ser citada na ordem do dia pela maneira como fazia a sua própria guerrazinha, a mais profunda, a mais verdadeira de todas. "
Pintura de Otto Dix e excerto de " Viagem ao fim da noite " de Céline

Dix & Céline

Pintura de Otto Dix
" O estar enamorado duma Musyne tão gentil levave-me a crer que tal facto me fosse dotar de todos os poderes, e em primeiro lugar e acima de tudo da coragem que me faltava, tudo isto porque ela era muito bonita e tão belamente musical, a minha amiguinha. O amor é como o álcool: quanto mais nos tornamos impotentes e ébrios, mais nos sentimos fortes e brigões e muito senhores dos nossos direitos. "
Excerto de " Viagem ao fim da noite ", de Céline, Trd. Aníbal Fernandes, Ed. Circulo de Leitores

" Coisas do arco da velha " - Banda do Casaco


A Banda do Casaco, faz parte do nosso património musical. As suas músicas continuam a ter ,uma frescura e uma força fantásticas. Infelizmente, apesar das reedições, continuam no esquecimento.

Canto Do Amor E Do Trabalho
Ehehóhó arre burra!!!
Já lá vai o sol
Já lá vai o dia
Anda bonita !!!
Já me cheira a noite
Já se vê a aldeia
Eh ! bonita vai mais rédea
Ah ! como nos dói o corpo
A merenda é pouca
E o trabalho, o trabalho é duro
A mulher à espera
Já se fez noitinha
E a menina é já dormindo
Ai ! a nina está dormindo
O teu pai vem do trabalho
Meu amor vem da campina
Ao chegar o ventinho ao borralho
Ai ! não vá,
Ai não vá acordar a menina
Eiii ! arre burra é bonita vá embora
Ai o frio já aperta
Vai-se o verão
Vem o inverno
Arreda que vai doido !!!
Terra ladra
Terra farta
Terra que te quero bem
Eh! bonita vai mais rédea
Ah! já se vê a casa
Ai a ceia
No braseiro
Já lhe sinto o gosto
Já lhe sinto o cheiro
A mulher à espera
E a nina está dormindo
Ai a nina está dormindo
O teu pai vem do trabalho
Meu amor vem da campina
Ao chegar o ventinho ao borralho
Ai não vá
Ai não vá acordar a menina

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Eduardo Teixeira Coelho


Alexandre O´Neil

Sei os teus seios.
Sei-os de cor.

Para a frente, para cima,
Despontam, alegres, os teus seios.

Vitoriosos já,
Mas não ainda triunfais.

Quem comparou os seios que são teus
(Banal imagem) a colinas!

Com donaire avançam os teus seios,
Ó minha embarcação!

Porque não há
Padarias que em vez de pão nos dêem seios
Logo p'la manhã?

Quantas vezes
Interrogastes, ao espelho, os seios?

Tão tolos os teus seios! Toda a noite
Com inveja um do outro, toda a santa
Noite!

Quantos seios ficaram por amar?

Seios pasmados, seios lorpas, seios
Como barrigas de glutões!

Seios decrépitos e no entanto belos
Como o que já viveu e fez viver!

Seios inacessíveis e tão altos
Como um orgulho que há-de rebentar
Em deseperadas, quarentonas lágrimas...

Seios fortes como os da Liberdade
-Delacroix-guiando o Povo.

Seios que vão à escola p'ra de lá saírem
Direitinhos p'ra casa...

Seios que deram o bom leite da vida
A vorazes filhos alheios!

Diz-se rijo dum seio que, vencido,
Acaba por vencer...

O amor excessivo dum poeta:
"E hei-de mandar fazer um almanaque
da pele encadernado do teu seio"

Retirar-me para uns seios que me esperam
Há tantos anos, fielmente, na província!

Arrulho de pequenos seios
No peitoril de uma janela
Aberta sobre a vida.

Botas, botirrafas
Pisando tudo, até os seios
Em que o amor se exalta e robustece!

Seios adivinhados, entrevistos,
Jamais possuídos, sempre desejados!

"Oculta, pois, oculta esses objectos
Altares onde fazem sacrifícios
Quantos os vêem com olhos indiscretos

"Raimundo Lúlio, a mulher casada
Que cortejastes, que perseguistes
Até entrares, a cavalo, p'la igreja
Onde fora rezar,
Mudou-te a vida quando te mostrou
("É isto que amas?")
De repente a podridão do seio.

Raparigas dos limões a oferecerem
Fruta mais atrevida: inesperados seios...

Uma roda de velhos seios despeitados,
Rabujando,
A pretexto de chá...

Engolfo-me num seio até perder
Memória de quem sou...

Quantos seios devorou a guerra, quantos,
Depressa ou devagar, roubou à vida,
À alegria, ao amor e às gulosas
Bocas dos miúdos!

Pouso a cabeça no teu seio
E nenhum desejo me estremece a carne.

Vejo os teus seios, absortos
Sobre um pequeno ser

Alexandra Lencastre


Robert Frank


From The Americans, ©. Robert Frank

O amor

" O amor não sobrevive aos ritmos da nossa modernidade. O amor exige tempo e conhecimento. Exige, no fundo, o tempo e o conecimento que a vida moderna de hoje não permite e, mais, não tolera: se podemos satisfazer todas as nossas necessidades materiais com uma ida ao shoping do bairro, exigimos dos outros igual eficácia. Os seres humanos são apenas produtos que usamos ( ou recusamos) de acordo com as mais básicas conveniências. Procuramos continuamente e desesperamos continuamente porque confundimos o efémero com o permanente, o material com o espiritual. A nossa frustação em encontrar o « amor verdadeiro » é apenas um cliché que esconde o essencial: o amor não é um produto que se compra para combinar com os móveis da sala. É uma arte que se cultiva. Profundamente. Demoradamente. "

Excerto de "Como Jane Austen pode mudar a sua vida ", de João Pereira Coutinho

Quarteto 1111


Os Quarteto 1111 foram os pioneiros da nossa modernidade musical ( Pop/Rock)

" Five leaves left " - Nick Drake



Mais um dos discos da minha vida: descobri Nick Drake através de Miguel Esteves Cardoso, e do seu espantoso programa de rádio " Aqui Rádio Silêncio " ( Rádio Comercial/Anos 80).

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Acerca de mim

" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

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