Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

" O patriotismo pode muito bem ser, como disse o Dr. Johnson, «o último refúgio dos patifes», mas é também o primeiro recurso do tirano. As pessoas que têm medo dos estrangeiros são facilmente manipuláveis. A casta dos guerreiros, supostamente protectora da sociedade, amiúde torna-se numa máfia da protecção. Em tempos de guerra ou de crise, facilmente uns poucos roubam o poder da maioria com a promessa da segurança. Quanto mais oculto ou imaginário o inimigo, tanto melhor para impingir a sua aceitação. A Inquisição conheceu uma grande expansão porque lutava contra o Diabo. E a luta do século XX entre capitalismo e comunismo tinha todas as marcas típicas das velhas lutas religiosas. Será que defender um dos sistemas realmente valia o risco de rebentar com o mundo todo?

Agora estamos a perder liberdades duramente conquistadas, com o pretexto de uma «luta contra o terror» à escala mundial, como se o terrorismo fosse algo de novo. (Aqueles que acham que é uma novidade deviam ler The Secret Agent, um romance em que anarquistas bombistas suicidas rondam Londres carregados de explosivos; foi escrito por Joseph Conrad há 100 anos atrás. O fanático muçulmano está a mostrar-se um digno substituto do herético, do anarquista e, especialmente da Ameaça Vermelha tão conveniente para os orçamentos militares da Guerra Fria."


Excerto de " Breve História do Progresso ", de Ronald Wright, Trd. José Couto Nogueira; Música "Regiment", de Brian Eno e David Byrne

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Utopias

Brian Eno & David Byrne - "Mea Culpa "

" - Quando conversar com um proletário, serei vermelho. Agora estou à conversa consigo e digo-lhe: a minha sociedade inspira-se naquela que no princípio do século nono organizou um bandido chamado Abdla-Aben-Maimum. Naturalmente, sem o aspecto industrial que eu confiro à minha e que será forçosamente uma garantia do seu sucesso. Maimum quis fundir os livres pensadores, aristrocatas e crentes de duas raças tão distintas como a persa e a árabe, numa seita na qual implantou diversos graus de iniciação e mistérios. Mentiam descaradamente a toda a gente. Aos judeus prometiam a chegada do Messias, aos cristãos a de Paracleto, aos muçulmanos a de Madhi... foi de tal modo que uma turba de gente com as mais distintas opiniões, situação social e crença, rabalhava em prol de uma obra cujo verdadeiro fim era conhecido por muito poucos. Desta forma Maimum esperava chegar a dominar por completo o povo muçulmano. Escuso de acrescentar que os directores do movimento eram uns cínicos estupendos, que não acreditavam absolutamente em nada. Nós vamos imitá-los. Seremos bolcheviques, católicos, fascistas, ateus, militaristas, em diversos graus de iniciação."

Excerto de " Os sete loucos", de Roberto Arlt, Trd. Rui Lagartinho e Sofia Castro Henriques, Ed. Cavalo de Ferro,2003



Brian Eno & John Cale - "One Word "

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