Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

domingo, 18 de outubro de 2009

Leituras de domingo(2)

«La generación a la que pertenezco dio varias batallas: por la revolución, el comunismo, la emancipación de la mujer, la libertad religiosa y la libertad sexual. Parecía que, habiendo perdido todas las otras, por lo menos en Occidente habíamos ganado esta última. Episodios como los que resumo en esta nota muestran que creer semejante cosa es una ilusión. ¿Qué clase de libertad sexual hay detrás de las villanías de este trío? Abusar de una niña de 13 años, gozar con adolescentes que son esclavos sexuales por culpa del hambre y la violencia y convertir en un burdel el poder al que se ha llegado mediante el voto de millones de ingenuos, son acciones que hacen escarnio de la libertad que precisamente clama porque en la vida sexual desaparezca esa relación de amo y esclavo que, en estos tres casos, se manifiesta de manera flagrante. La libertad sexual es en ellos una patente de corso que permite a quienes tienen fama, dinero o poder, materializar de manera impune sus deseos degradando a los más débiles. Apuesto mi cabeza que los tres héroes de estas historias reprobaron escandalizados las violaciones y abusos sexuales de niños en los colegios religiosos que han llevado al borde de la ruina a la Iglesia Católica en países como Estados Unidos e Irlanda, por las sumas enormes con que han debido compensar a las víctimas. Ni ellos ni sus defensores parecen conscientes de que sus proezas son todavía menos excusables que las de los curas pedófilos por la posición de privilegio que tienen y de la que abusaron, envileciendo con sus actos la noción misma de libertad. Cuánta razón tenía Georges Bataille cuando pronosticaba que la supuesta sociedad "permisiva" serviría para acabar con el erotismo pero no con la brutalidad sexual.»

" Desafueros de la libido ", por Mario Vargas Llosa, El País, 18/10/2009


« O sol baixava. Os dois fugitivos ouviram uns gritinhos que pareciam de vozes femininas; não se percebia bem se eram gritos de dôr ou de alegria. Êles puzeram-se logo em pé, com a inquietude e o alarme que tudo inspira num lugar desconhecido. Os clamores partiam de duas raparigas inteiramente nuas que corriam vivamente na borda do prado, seguidas por dois macacos que lhes mordiam nas nádegas. Cândido apiedou-se. Como, durante o seu tempo de serviço no exército búlgaro, havia aprendido a bem atirar e teria furado uma avelã numa moita sem tocar nas folhas, tomou a espingarda e matou os dois macacos.
- Graças a Deus, meu querido Cacambo, disse êle, salvei dum enorme risco essas pobres criaturas. Se cometi um pecado na hora em que matei um inquisidor e um jesuíta, reparei a minha falta salvando a vida de duas mulheres. Talvez sejam pessôas de categoria e esta aventura nos venha a trazer algumas vantagens no país.
Ia continuar, mas sentiu a língua prêsa quando viu as raprigas beijarem ternamente os dois macacos, debulharem-se em lágrimas sôbre os seus corpos, e encherem o espaço dos mais dolorosos gritos.
- Não esperava encontrar tamanha bondade, disse êle a Cacambo, o qual lhe replicou:
- Meu amo, o senhor meteu-se em bôa! Decerto matou os dois amantes dessas meninas!
- Amantes? exclamou Cândido. Será possível? Tu zombas de mim, Cacambo, não posso acreditar-te!
- Meu querido amo, respondeu Cacambo, o senhor espanta-se de tudo e de nada. Porque lhe parece tão extaordinário que nalgumas regiões os macacos obtenham as complacências das damas? Êles têm o seu bocado de homens, tal como eu tenho um quarto de sangue Espanhol.»


Excerto de " Cândido " de Voltaire, Trd. Maria Archer, Ed. Guimarães & Cª Editores

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