Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

Mostrar mensagens com a etiqueta Machado de Assis. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Machado de Assis. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Adolescência

"Há em cada adolescente um mundo encoberto, um almirante e um sol de outubro."
Em "Dom Casmurro" (1899)


"Aos quinze anos, há até certa graça em ameaçar muito e não executar nada."
Em "Dom Casmurro" (1899)


Frases de Machado de Assis sobre a adolescência.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

No centenário da morte de Machado de Assis


Ver aqui biografia na Wikipédia.
" Apesar de não ser dado a melancolias, nem achar que o ofício de banqueiro vá com tais lástimas, separei-me dele com simpatia. Vim pela Rua da Princesa, pensando nele e nela, sem me dar de um cão que, ouvindo os meus passos na rua, latia de dentro de uma chácara. Não faltam cães atrás da gente, uns feios, outros bonitos, e todos impertinentes. Perto da Rua do Catete, o latido ia diminuindo, e então pareceu-me que me mandava este recado: «Meu amigo, não lhe importe saber o motivo que me inspira este discurso; late-se como se morre, tudo é ofício de cães, e o cão do casal Aguiar latia também outrora; agora esquece, que é ofício de defunto.»
Pareceu-me este dizer tão subtil e tão espevitado que preferi atribuí-lo a algum cão que latisse dentro do meu próprio cérebro. Quando era moço e andava pela Europa ouvi dizer de certa cantora que era um elefante que engolira um rouxinol. Creio que falavam da Alboni, grande e grossa de corpo, e voz deliciosa. Pois eu terei engolido um cão filósofo, e o mérito do discurso será todo dele. Quem sabe lá o que me haverá dado algum dia o meu cozinheiro? "
Excerto de " Memorial de Aires", Ed. Livros Cotovia,2003


Cecilia Bartoli canta Giovanna d'Arco pt. 1 de Rossini, cantada originalmente por Marietta Alboni.

sábado, 21 de junho de 2008

Duas almas

" Colhendo laranjas " - João Werner


"...Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro...Espantem-se à vontade; podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir. A alma exterior pode ser um espírito, um fluído, um homem, muitos homens, um objecto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; - e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafísicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira."

Excerto do conto " O espelho", de Machado de Assis

sábado, 15 de março de 2008

Gratidão

"A gratidão de quem recebe um benefício é sempre menor que o prazer daquele que o faz.
Magalhães exprimia todo seu reconhecimento pela dedicação e perseverança de Oliveira;
mas a alegria de Oliveira não tinha limites. A explicação desta diferença está talvez neste
fundo de egoísmo que há em todos nós."


Excerto de " Almas agradecidas ", de Machado de Assis

quinta-feira, 6 de março de 2008

A causa da melancolia

"Scène de la Folie" ~ Natalie Dessay (Part 1 of 2)

" Ah! se mestre Romão pudesse seria um grande compositor. Parece que há duas sortes de vocação, as que têm língua e as que não têm. As primeiras realizam-se; as últimas representam uma luta constante e estéril entre o impulso interior e a ausência de um modo de comunicação com os homens. Romão era destas. Tinha a vocação íntima da música; trazia dentro de si muitas óperas e missas, um mundo de harmonias novas e originais, que não alcançava exprimir e pôr no papel. Esta era a causa única da tristeza de mestre Romão. Naturalmente o vulgo não atinava com ela; uns diziam isto, outros aquilo: doença, falta de dinheiro, algum desgosto antigo; mas a verdade é esta: - a causa da melancolia de mestre Romão era não poder compor, não possuir o meio de traduzir o que sentia."

Excerto de " Cantiga de esponsais" , de Machado de Assis


"Scène de la Folie" ~ Natalie Dessay (Part 2 of 2)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Mais uma vez, o medo

" Aqui o sonho coincidiu com a realidade, e as mesmas bocas uniram-se na imaginação e fora dela. A diferença é que a visão não recuou, e a pessoa real tão depressa cumprira o gesto, como fugiu até à porta, vexada e medrosa. Dali passou à sala da frente, aturdida do que fizera, sem olhar fixamente para nada. Afiava o ouvido, ia até o fim do corredor, a ver se escutava algum rumor que lhe dissese que ele acordava, e só depois de muito tempo é que o medo foi passando. Na verdade, a criança tinha o sono duro; nada lhe abria os olhos, nem os fracassos contíguos, nem os beijos de verdade. Mas, se o medo foi passando, o vexame ficou e cresceu. D. Severina não acabava de crer que fizesse aquilo; parece que embrulhava os seus desejos na idéia de que era uma criança namorada que ali estava sem consciência nem imputação; e, meio mãe, meio amiga, inclinara-se e beijara-o. Fosse como fosse, estava confusa, irritada, aborrecida, mal consigo e mal com ele. O medo de que ele podia estar fingindo que dormia apontou-lhe na alma e deu-lhe um calafrio."

Excerto de "Uns braços", de Machado de Assis

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

" Último capítulo " - Machado de Assis

" Cansado e aborrecido, entendi que não podia achar a felicidade em parte nenhuma; fui além: acreditei que ela não existia na terra, e preparei-me desde ontem para o grande mergulho na eternidade. Hoje, almocei, fumei um charuto, e debrucei-me à janela. No fim de dez minutos, vi passar um homem bem trajado, fitando a miúdo os pés. Conhecia-o de vista; era uma vítima de grandes reveses, mas ia risonho, e contemplava os pés, digo mal, os sapatos. Estes eram novos, de verniz muito bem talhados, e provavelmente cosidos a primor. Ele levantava os olhos para as janelas, para as pessoas, mas tornava-os aos sapatos, como por uma lei de atração, anterior e superior à vontade. Ia alegre; via-se-lhe no rosto a expressão da bem-aventurança: Evidentemente era feliz; e, talvez, não tivesse almoçado; talvez mesmo não levasse um vintém no bolso: Mas ia feliz, e contemplava as botas.

A felicidade será um par de botas? Esse homem, tão esbofeteado pela vida, achou finalmente um riso da fortuna. Nada vale nada. Nenhuma preocupação deste século, nenhum problema social ou moral, nem as alegrias da geração que começa, nem as tristezas da que termina, miséria ou guerra de classes, crises da arte e da política, nada vale, para ele, um par de botas. Ele fita-as, ele respira-as, ele reluz com elas, ele calca com elas o chão de um globo que lhe pertence. Daí o orgulho das atitudes, a rigidez dos passos, e um certo ar de tranquilidade olímpica... Sim, a felicidade é um par de botas "


Excerto do conto " Último capítulo ", incluído em " Um homem Célebre" antologia de contos, de Machado de Assis, Ed. Livros Cotovia, Colecção Curso Breve de Literatura Brasileira

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

"Capítulo dos chapéus " - Machado de Assis


" - A escolha do chapéu não é uma ação indiferente, como você pode supor; é regida por um princípio metafísico. Não cuide que quem compra um chapéu exerce uma ação voluntária e livre; a verdade é que obedece a um determinismo obscuro. A ilusão da liberdade existe arraigada nos compradores, e é mantida pelos chapeleiros que, ao verem um freguês ensaiar trinta ou quarenta chapéus, e sair sem comprar nenhum, imaginam que ele está procurando livremente uma combinação elegante. O princípio metafísico é este: - o chapéu é a integração do homem, um prolongamento da cabeça, um complemento decretado ab eterno; ninguém o pode trocar sem mutilação. É uma questão profunda que ainda não ocorreu a ninguém. Os sábios têm estudado tudo desde o astro até ao verme, ou, para exemplificar bibliograficamente, desde Laplace... Você nunca leu Laplace? desde Laplace e a Mecânica Celeste até Darwin e o seu curioso livro das Minhocas, e, entretanto, não se lembraram ainda de parar diante do chapéu e estudá-lo por todos os lados. Ninguém advertiu que há uma fina metafísica do chapéu. Talvez eu escreva uma memória a este respeito. São nove horas e três quartos; não tenho tempo de dizer mais nada, mas você reflita consigo, e verá... Quem sabe? pode ser até que nem mesmo o chapéu seja completamente do homem, mas o homem do chapéu... "
Excerto de " Capítulo dos chapéus ", incluído em " Um homem célebre antologia de contos ", Ed. Livros Cotovia, Col. Curso breve de Literatura Brasileira

terça-feira, 5 de junho de 2007

domingo, 27 de maio de 2007

" Um homem célebre " - Machado de Assis

O escritor brasileiro Machado de Assis, é uma das minhas mais recentes descobertas, fruto da publicação de dois livros da sua autoria, na colecção: Curso breve de Literatura Brasileira, dirigida, por Abel Barros Baptista e editada pela Livros Cotovia.
Estou a ler uma antologia de contos, com o título de um dos contos " Um homem célebre ", que comprei recentemente na feira do livro.

Arquivo do blogue

Acerca de mim

" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

FEEDJIT Live Traffic Feed