Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

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terça-feira, 28 de outubro de 2008

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Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?


Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.

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Excerto de " Pequena elegia de Setembro", de Eugénio de Andrade

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Um óasis no meio do deserto

Jeffrey Kbedrick

A música

Álamos -

música

de matutina cal.

Doces vogais

de sombra e água

num verão de fulvos

lentos animais.

Calhandra matinal

no céu

branco de junho.

Acidulada

música de cardos.

Música do fogo

em redor dos lábios.

Desatada,

à roda da cintura.

Entre as pernas,

junta.

Música

das primeiras chuvas

sobre o feno.

Só aroma.

Abelha de água.

Regaço

onde o lume breve

duma romã brilha.

Música, levai-me:

Onde estão as barcas?

Onde estão as ilhas?

Eugénio de Andrade





Tinariwen - "Chet Boghassa"

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" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

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