Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

terça-feira, 21 de julho de 2009

« Os usos evoluem mais lentamente do que os costumes, ou antes, os costumes não evoluem, parecem sujeitos às bruscas e profundas mutações que assinalam a origem e o declínio dos períodos históricos, do mesmo modo que os das espécies animal ou vegetal. O mundo está maduro para qualquer forma de crueldade, como para qualquer forma de fanatismo ou superstição. Bastaria que respeitássemos certos desses usos e, por exemplo, nos abstivéssemos de violar o seu curioso sentimento de solicitude para com os animais, talvez uma das raras aquisições da sensibilidade ocidental moderna. Creio que os Alemães se habituariam muito depressa a queimar publicamente os seus judeus, e os estalinistas os seus trotskistas. Eu vi, vi com os meus olhos, eu que vos falo vi, vi um pequeno povo cristão, tradicionalmente pacífico, de uma extrema e quase excessiva sociabilidade, tornar-se de repente duro, vi aqueles rostos endurecer, até mesmo os das crianças. É, pois, inútil pretender que se podem controlar certas paixões, uma vez desencadeadas. »

Excerto de " Os grandes cemitérios sob a Lua "(1938), de Georges Bernanos, Trd. Fernanda Pinto Rodrigues

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