
Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Devendra Banhart
At the Hop
A Ribbon
i feel just like a child
Little Yellow Spider
Devendra Banhart, cantor-compositor, conotado com a Freak Folk. Génio ?
Ingmar Bergman

Ingmar Bergman, um dos maiores realizadores de sempre, faleceu hoje(30/07/2007), ler noticia no " El País "
Imágenes de Bergman 1 - La hora del lobo y El rostro
Imágenes de Bergman 2 - Gritos y susurros
Imágenes de Bergman 3 - Como en un espejo
Imágenes de Bergman 4 - Un verano con Mónica
Imágenes de Bergman 5 - Los comulgantes
Imágenes de Bergman 7 - Persona
Kafka


O homem do campo não esperava tantas dificuldades. A Lei havia de ser acessível a toda a gente e sempre, pensa ele. mas, ao olhar o guarda envolvido no seu casaco forrado de peles, o nariz agudo, a barba à tártaro, longa, delgada e negra, prefere esperar até que lhe seja concedida licença para entrar. O guarda dá-lhe uma banqueta e manda-o sentar ao pé da porta, um pouco desviado. Ali fica, dias e anos. Faz diversas diligências para entrar e com as suas súplicas acaba por cansar o guarda. Este faz-lhe, de vez em quando, pequenos interrogatórios, perguntando-lhe pela pátria e por muitas outras coisas, mas são perguntas lançadas com indiferenca, à semelhança dos grandes senhores, no fim, acaba sempre por dizer que não pode ainda deixá-lo entrar.O homem, que se provera bem para a viagem, emprega todos os meios custosos para subornar o guarda. Esse aceita tudo mas diz sempre: -"Aceito apenas para que te convenças que nada omitiste".
Durante anos seguindos, quase ininterruptamente, o homem observa o guarda. Esquece os outros e aquele afigura ser-lhe o único obstáculo à entrada na Lei. Nos primeiros anos diz mal da sua sorte, em alto e bom som e depois, ao envelhecer, limita se a resmungar entre dentes. Torna-se infantil e como, ao f im de tanto examinar o guada durante anos lhe conhece até as pulgas das peles que ele veste, pede também às pulgas que o ajudem a demover o guarda. Por fim, enfraquece-lhe a vista e acaba por não saber se está escuro em seu redor ou se os olhos o enganam. Mas ainda apercebe, no meio da escuridão, um clarão que eternamente cintila por sobre a porta da Lei. Agora a morte esta próxima.
Antes de morrer, acumulam-se na sua cabeca as experiências de tantos anos, que vão todas culminar numa pergunta que ainda não fez ao guarda. Faz lhe um pequeno sinal, pois não pode mover o seu corpo ja arrefecido. O guarda da porta tem de se inclinar até muito baixo porque a diferenca de alturas acentuou-se ainda mais em detrimento do homem do campo. -"Que queres tu saber ainda?",pergunta o guarda. -"És insaciável".
-"Se todos aspiram a Lei", disse o homem. -"Como é que, durante todos esses anos, ninguém mais, senão eu, pediu para entrar. O guarda da porta, apercebendo se de que o homem estava no fim, grita-lhe ao ouvido quase inerte. -"Aqui ninguém mais, senao tu, podia entrar, porque só para ti era feita esta porta. Agora vou me embora e fecho-a".
Obs: Esse conto faz parte também das cenas finais no livro de Kafka "O Processo".
domingo, 29 de julho de 2007
David Hume

David Hume, retratado por Allan Ramsey (1713-1784) em 1766. Edimburgo, Scottish National Portrait Gallery
" Carta de um cavalheiro a seu amigo em Edimburgo ", ler aqui.
David Hume (1711-1776), filósofo escocês, a sua filosofia é conhecida pelo seu profundo cepticismo.
Marylin Monroe

Diamonds Are A Girl's Best Friend - Marilyn Monroe Songs
Ler aqui dossier especial publicado no jornal " La Nacion "(Argentina ).
sábado, 28 de julho de 2007
Primeiro estranha-se e depois entranha-se ( 1 )
Captain Beefheart & Magic Band -" Yellow Brick Road "
Joanna Newsom -" Sprout and the bean"
Bat For Lashes -" Whats a Girl To Do "
Pérolas Pop ( 1 )
Camera Obscura -" Lloyd I'm Ready To Be Heartbroken "
Au Revoir Simone - "Fallen Snow "
Altered Images -" Don't talk to me about love "
sexta-feira, 27 de julho de 2007
" O livro do Riso e do Esquecimento " - Milan Kundera
Sublinho novamente: o idílio e para todos, porque todos os seres humanos aspiram desde sempre ao idílio, a esse jardim em que cantam os rouxinóis, a esses reino de harmonia em que o mundo não se ergue como estranho contra o homem e o homem contra os outros homens, mas em que o mundo e todos os homens estão, pelo contrário, amalgamados na mesma e única matéria. Aí, cada um é uma nota de uma sublime fuga de Bach, e aquele que não quiser sê-lo passa a ponto negro inútil e privado de sentido, que basta agarrar e esmagar sob a unha como uma pulga.
Algumas pessoas perceberam imediatamente que não tinham um temperamento adequado ao idílio, e tentaram partir para o estrangeiro. Mas como o idílio é por essência um mundo para todos, os que queriam partir revelavam-se como a negação do idílio, e em vez de irem para o estrangeiro iam para a cadeia. Outros depressa seguiram o mesmo caminho; entre eles, diversos comunistas, como o ministro dos Negócios Estrangeiros, Clementis, que tinha emprestado o gorro em pele a Gottwald. Nos ecrãs dos cinemas, apaixonados tímidos davam as mãos, o adultério era severamente reprimido pelos tribunais de honra formados por simples cidadãos, os rouxinóis cantavam e o corpo de Clementis balouçava como um sino a tocar a nova manhã da humanidade. "
Excerto de " O Livro do Riso e do Esquecimento ", Milan Kundera, Trd. Tereza Coelho, Ed. Círculo de Leitores
Organ BWV 565 -Tocata e Fuga de J.S. Bach
Quatuor


Par Liberation.fr
LIBERATION.FR : vendredi 27 juillet 2007
Quatuor désigne à la fois une pièce pour quatre voix ou instruments et le groupe de quatre musiciens qui l’exécute. Ici, les musiciens sont Jacques Gamblin, José-Louis Bocquet, Thierry Bellefroid, Pascal Quignard, auteurs des textes d’origine. Catel les a adaptés et mis en images comme on met en musique. Observant ses hommes en posture amoureuse, c’est un portrait choral de l’éternel masculin que réussit l’artiste. Une fois encore, la littérature et la bande dessinée se rencontrent et convolent en noces de pure jubilation dans «Libération», qui publie cet été les trois premières histoires : «Presto», «Largo» et «Scherzo». La dernière paraîtra avec l’album début 2008, aux éditions Casterman.«Quatuor» est la seule production du cahier «Été» offerte sur le site Web de «Libération». Les enquêtes, reportages, jeux, quizz et chroniques à dévorer sur la plage, à la campagne, à la montagne ou ailleurs s'achètent en kiosque.
O poder ( reflexões)
The Great Dictator - Charlie Chaplin
Conferência de José Sócrates - Gato Fedorento
Vídeo de abertura do Congresso do PS, realizado em Santarém(2006)
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Vladimir Nabokov

" Sus ojos brillaron como hojas húmedas; tenía los brazos cruzados y, a la trémula luz de la vela consumida, unas pálidas hebras peinadas hacia la izquierda relumbraron de un modo inquietante. -Sé que también sufres-fulguró nuevamente su voz-, pero tu sufrimiento, comparado con el mío, mi tempestuoso, turbio sufrimiento, es sólo la respiración pausada del que duerme. Piénsalo: no queda nadie de nuestra tribu en Rus. Algunos nos alejamos como jirones de niebla, otros se dispersaron por el mundo. Nuestros ríos son melancolía, ninguna mano intranquila esparce los rayos de la luna. Quietas están las huérfanas campánulas que por azar permanecen intactas, el gusli de un deslavado azul que alguna vez mi rival, el Duende de los Campos, empleó en sus canciones. Bañado en lágrimas, el tosco y afable espíritu doméstico ha abandonado tu hogar en deshonra, humillado, y se han marchitado los bosques, su patética luz, su mágica sombra. "
stanley kubrick - lolita - [humbert meets lolita]
Entrevista realizada por Bernard Pivot, em 1975, ler aqui.

" O deserto dos tártaros ", Trd. Margarida Periquito, Ed. Cavalo de Ferro.
Trailer do filme baseado no livro, ver ficha técnica do DVD.
Ler critica de António Magliulo, na revista Prometheus.
quarta-feira, 25 de julho de 2007
terça-feira, 24 de julho de 2007
segunda-feira, 23 de julho de 2007
"La Bête humaine "(1938) - Jean Renoir
" La Bête humaine ", de Jean Renoir, é baseado num romance de Émile Zola.
O terramoto ignorado
Um terramoto que só fez dez mortos e três centenas de feridos - tanto quanto um desastre de comboio - , mas que arrasou, por completo, muitas pequenas aldeias e golpeou, em Assis, terra de São Francisco, o ciclo giottesco, uma das maiores inspirações da arte italiana, da arte europeia, da arte de todos os povos - a perfeição de uma humanidade e de um estilo.
Um europeu sentiria dor física ao ver o que o terramoto impiedoso fez no coração da Itália e da Europa e muito medo pelas perdas que o entulho e os destroços ainda possam esconder.
Duvidamos que os portugueses tenham recebido essa perda dessa forma. Ou de qualquer outra. Havia os senhores Damásio e Manuel José além dos campanários habituais.
Mas não fomos só nós. A comunicação social inglesa preocupou-se muito mais com a condenação ( remível a dinheiro ) de uma inglesa na Arábia Saudita, a francesa com a visita de Chirac a Moscovo, a espanhola com a Liga e a bolsa. E a própria Igreja italiana parece ter dado mais importância ao Congresso Eucarístico e ao festival com Bob Dylan.
Crónica de Victor Cunha Rego, para o DN e incluída em " Os dias de amanhã ", Ed. Circulo de Leitores, 1999.
Mantegna
When Francesco Squarcione [to whom Mantegna was apprenticed] was commissioned to decorate the chapel of St Christopher, in the Eremitani Church of Sant'Agostino in Padua, he handed the work over to Niccolo Pizzolo and Andrea." I-242Destroyed in an air raid in 1944St James led to execution, Eremitani, PaduaMantegna (1431-1506).
A união desfaz a força
23/07/2007
O diretor Wim Wenders, que estranhamente não consegue fazer um filme decente desde 1984 (sim, falo de "Paris, Texas"), encontrou a chave para a crise da Europa. A chave, de acordo com o próprio Wenders em artigo para o caderno Mais!, já não passa pela política porque os europeus estão cansados dos políticos. Para Wenders, só a cultura pode dar alma à Europa. A cultura da Europa, acrescenta o alemão, surge marcada por uma gloriosa diversidade expressiva. E é essa diversidade que acabará por salvar a unidade do "projeto europeu".
A ideia de Wenders é simpática. Mas, com todo o respeito pela insensatez do homem, eu não vejo como é possível fortalecer a unidade da Europa quando, precisamente, a cultura européia é a imagem da sua diversidade. Esse, aliás, tem sido o problema recorrente do "projeto europeu": acreditar que a diversidade histórica, e cultural, e artística, pode ser uniformizada num documento constitucional comum, como se os europeus, e os estados europeus, não fossem pequenos universos distintos, com identidades distintas e séculos de história por trás.
Wenders propõe reforçar ainda mais essa diferença cultural para mostrar o que nos une. Curiosamente, não parece passar pela cabeça do diretor que o resultado talvez seja o oposto: mostrar aquilo que nos desune e que qualquer manual de História da Arte comprova sem grande esforço.
Arte européia? Não existe. E mesmo no interior de cada país, a diferença impede qualquer generalização apressada. Não existem catedrais góticas ou pinturas renascentistas. O gótico espanhol é distinto do gótico inglês. E, mesmo dentro do primeiro, o gótico leonino (e mais clássico) é distinto da exuberância do gótico andaluz e sevilhano. Para não falar do português, ou do alemão. Ou das diferenças regionais no interior de Portugal ou da Alemanha.
Não existe pintura do Renascimento. Existem pintores, como Mantegna ou Bellini, ambos italianos e ambos distintos do francês Jean Fouquet, a trabalhar na mesma altura. E se falamos da modernidade artística, e até cinematográfica, não sei que espécie de unidade pode promover a diversidade do cinema de Almodóvar, de Bergman ou do próprio Wenders.
A proposta de Wim Wenders toca no ponto, mas de forma errada: a Europa apresenta uma secular diversidade cultural e é precisamente essa diversidade que impede as fantasias correntes de unidade política "federal". Acreditar que a realidade salva a fantasia é, no fundo, não entender coisa nenhuma sobre ambas.
João Pereira Coutinho, 31, é colunista da Folha de S.Paulo. Reuniu seus artigos para o Brasil no livro "Avenida Paulista"(Ed. Quasi), publicado em Portugal, onde vive. Escreve quinzenalmente, às segundas-feiras, para a Folha Online.E-mail: jpcoutinho.br@jpcoutinho.com
domingo, 22 de julho de 2007
Katia Ricciarelli - Pergolesi - Stabat Mater (Dolorosa)
Giovanni Battista Pergolesi ( 1710-1736). Itália.Barroco.
" Os nomes " - Don Delillo
- Mas eu acho que o prazer não é fácil de repetir - disse Eliades. - Amanhã comemos um pêssego do mesmo cesto e ficamos desapontados. Então perguntamo-nos se não estaríamos enganados. Um pêssego, um cigarro. Aprecio um cigarro em cada mil. Todavia continuo a fumar. Julgo que o prazer está mais no momento do que no acto. Continuo a fumar para encontrar esse momento. Talvez tente até morrer. "
Excerto de " Os Nomes ", Don Delillo, Trd. Maria Manuela Ribeiro, Ed. Relógio D´Água,
publicado também na colecção Mil Folhas do Público.
sábado, 21 de julho de 2007
Choquequirao, ciudad hermana de Machu Picchu, donde se han localizado más de 30 figuras geométricas de llamas de piedra blanca

Los restos arqueológicos de Choquequirao, ciudad hermana de Machu Picchu, donde se han localizado más de 30 figuras geométricas de llamas de piedra blanca perfectamente alineadas, han causado gran curiosidad entre los investigadores. Se cree que podría tratarse de la entrada al valle sagrado de los incas. Una expedición de divulgadores canarios ha viajado a Perú para estudiarlas.
Los integrantes de Cenit expediciones, Gotzon Cañada, Rubén Naveros, Cipriano Carrillo, Erika Urquiola y Elena Perera, visitaron en marzo y abril la ciudadela inca, situada a más de 3.300 metros de altura en la cordillera de Vilcabamba, en la que en 2004 se anunció el hallazgo de las llamas blancas en los andenes o terrazas de cultivo.
La ruta para llegar a la antigua ciudadela inca es bastante dura, no hay carretera y se tarda unos cinco días de marcha en mulas, con caminos muy resbaladizos, en temporada de lluvias y jornadas de más de 12 horas de travesía con una humedad cercana 100%, según han explicado los miembros de la expedición. "Pero después del sufrimiento, los mosquitos y los resbalones lo que encuentras al llegar allí merece la pena", explica Naveros, técnico del planetario del Museo de la Ciencia y el Cosmos de Tenerife, quien recuerda que durante el viaje "llovía todas las noches".
Ocultos por la selva
Los restos de Choquequirao fueron descubiertos por el antropólogo Percy Paz, quien relató a los divulgadores canarios que estos vestigios son "únicos en el mundo" y están "saliendo a la luz" tras siglos ocultos por la selva, capaz de tapar cualquier emplazamiento en cuestión de días. Estos restos incas, al igual que los de Machu Picchu, están relacionados con el Sol, el dios Inti. También en Choquequirao se percibe el alineamiento de los templos con los solsticios y los equinoccios.
Tras limpiar la vegetación aparecieron 33 figuras de llamas blancas incrustadas sobre piedras, algo "muy extraño" que prácticamente no se ve en las construcciones incas, sino en culturas anteriores, como los Chapapoyas, al norte de Perú. Se estima que pueda haber más de un centenar de llamas blancas ornamentando el resto de andenes. También se cree que las figuras de las llamas blancas se planteaban en el suelo y una vez armadas, las situaban sobre los muros de las terrazas, en vertical y con apenas dos metros de ancho para los cultivos.
En su estudio de Choquequirao los miembros de la expedición notaban "que faltaba algo", la clara orientación al Sol, hasta que un responsable del conjunto arqueológico les confirmó que hay enterrada una alineación de piedras relacionada con los solsticios que aún debe ser sacada a la luz.
Los divulgadores canarios señalan que aún falta mucho por descubrir de la cultura inca, con vestigios como el antiguo sistema de regadíos diseminados en cerros y cordilleras, pero el problema es que, a pesar de un convenio con la Unesco, faltan recursos y los yacimientos arqueológicos están bastante descuidados.
Noticia publicada no Jornal " El País ", 21/07/2007
Fats Waller
17 de julio.- La dictadura de la actualidad es un coñazo. ¿De verdad tenemos que tragarnos hasta el último churro prefabricado por el New Musical Express y sus variantes patrias? Pensaba esto al salir del (por otro lado estupendo) Summercase. Cogí el coche, puse una cinta de Fats Waller y fue, justo después de LCD Soundsystem, otra maravilla. De uno a otro, 80 años. Así que hoy, sin efeméride de por medio, le dedico un post a uno de los primeros tipos que hizo rock and roll con un piano.
Un elegante Hendrix del swing. Django Reinhardt en negro y a las teclas. Un genio que murió como un perro en 1943: se lo llevó una prosaica neumonía en un tren cerca de Kansas, durante una de sus interminables giras para al cabo ganar cuatro duros. Tenía 39 años y había compuesto casi 600 canciones. Muchas de ellas obras maestras, singulares gemas tragicómicas embrionarias de músicas futuras. Productos muy de su época, el fértil y jodido periodo de Entreguerras. Tiempos inseguros: tiempos creativos.
Waller (Harlem, 1904), hijo de un pastor baptista y por supuesto pobre de solemnidad, impresionó como un curioso Mozart negro desde que se sentó al piano a los seis años. Ya no se bajó. De chaval se convierte en un estajanovista que lo mismo toca para el cine mudo del Lincoln Center que en cualquier antro de tres al cuarto. A los 25 atrapa la canción que quizás más le haya sobrevivido: 'Ain't misbehavin' , bellísima nostalgia a lo Louis Armstrong con frenético intermedio de 'big band'. Una joya cuya elegancia ha embellecido últimamente algún vomitivo anuncio de bancos o eléctricas o así.
Casi encadenado a la 'caja de dios' -como llama con sarcasmo al piano en irreverente recuerdo de su padre-, Waller pasa años pariendo un tema a la semana y un show por noche.
Forja su estilo: una avalancha de notas al piano (se le coloca en el Olimpo pianístico de la Historia por su salvaje mano izquierda), una voz sugerente, melodías de pegada demoledora, sedosas sutilezas cuando quería, una histriónica vis teatral que a veces se confundía con cierto infantilismo...
Y, además, como aire de músico callejero, de lazarillo. Por más que llegara a actuar ante 100.000 personas en 1932 en Chicago, y por más que después interpretaran sus temas desde Ella Fitzgerald hasta la nada rubia de Diana Krall.
Su drama (además de su condición de 'workaholic'): que América siempre lo tuvo por bufón. No sin razón, porque Waller parecía a veces un superdotado mono de feria, pero con una cataclísmica capacidad para evocar sentimientos, y con un sentido musical de la ironía quién sabe si no superado (puerta de entrada: la compilación '69 songs' o temas como 'Honeysuckle rose' y 'Dem bones').<
Pero él quería que lo tomaran en serio y por eso, después de incursionar en el musical y en Hollywood, convertido en uno de los animadores de aquella América que tenía poco por qué animarse tras el 29 y antes del 45, buscaba seguir el camino respetable de un Gershwin. No pudo. Se estropeó la calefacción del tren y -entonces pasaban esas cosas- murió de un catarro traicionero que degeneró en neumonía. Aunque en realidad, como sucede sólo a veces, Fats Waller no murió.
Retirado do Blog do Jornal " El Mundo " - Rock & Blog de Quico Alsedo
sexta-feira, 20 de julho de 2007
" Agosto " - Rubem Braga
“Puta merda! O homem já tinha ido embora. Está vendo o que você fez?”
“Só recebi o recado às nove horas.”
“Vamos para a rua Tonelero, em Copacabana. É lá que o Corvo mora. Vamos ver se dessa vez damos sorte e pegamos o filho da puta”, disse Climério. Ele não podia voltar para Gregório e confessar mais um erro; tinha medo da reação do seu chefe.
“O edifício do home é aquele”, disse Climério, já na rua Tonelero.
Alcino saltou. Climério mandou Nelson estacionar logo adiante, na rua Paula Freitas, perto da esquina de Tonelero. “Espera aqui. Olho vivo.” Saltou e foi ao encontro de Alcino.
“O puto é capaz de já ter chegado”, disse Climério, “mas de qualquer maneira vamos esperar um pouco.”
Climério e Alcino ficaram conversando uns quinze minutos. Iam desistir de esperar quando um carro parou na porta do edifício do jornalista, quarenta minutos depois da meia-noite. De dentro saltaram três pessoas. Lacerda, seu filho Sérgio, de quinze anos, e o major Vaz, da Aeronáutica.
“É ele, você está vendo?”, disse Climério.
“O de óculos?”
“Claro que é o de óculos, porra! O outro é o milico capanga dele.”
Lacerda se despediu do major e caminhou com o filho para a porta da garagem do edifício. Vaz foi em direção ao carro. Alcino atravessou a rua e atirou em Lacerda, que correu para o interior da garagem. O estrondo do revólver ao disparar surpreendeu Alcino, que por instantes ficou sem saber o que fazer. Notou então que o major se aproximara e agarrava sua arma. Novamente Alcino acionou o gatilho. O major continuou agarrando o cano do revólver até que Alcino, num repelão, soltou a arma dos dedos que a prendiam, caindo com o esforço que fizera. Viu que o major caía também, para o outro lado. Alcino levantou-se e atirou novamente, sem direção. Ouviu estampidos de arma de fogo e fugiu para onde estava o táxi de Nelson. Um guarda surgiu, correndo e atirando, “Pare! É a polícia!”. Alcino atirou no guarda, que caiu. Entrou no carro, que estava com o motor ligado.
“E o Climério? Onde está o Climério?”, perguntou Nelson.
“Pensei que ele estivesse aqui. Vamos embora!”
Nelson arrancou com o carro. Ouviram ainda um disparo e o ruído de lataria do carro sendo rompida. Era o guarda, que atirara, mesmo caído e ferido.
Dentro do táxi de Nelson, que corria em alta velocidade pela avenida Copacabana, Alcino embrulhou o revólver e os seis cartuchos numa flanela amarela. Chegando ao Flamengo, Alcino disse a Nelson para seguir pela avenida Beira Mar, pois tinha instruções de Climério para se livrar da arma jogando-a ao mar. Sua intenção era fazer isso sem sair do carro.
Na altura da rua México, Alcino colocou o braço para fora, segurando o embrulho com o revólver, preparando-se para arremessá-lo ao mar, por sob a amurada do passeio da avenida. Ele não queria ficar mais tempo com aquela arma em seu poder. Inesperadamente, Nelson fez uma manobra para se livrar de um carro que vinha na contramão, assustando Alcino que largou o embrulho de flanela com o revólver.
“Deixei cair o revólver”, gritou Alcino.
Nelson parou o carro. “Vai lá apanhar.”
Alcino colocou a cabeça para fora da janela e olhou para o asfalto escuro da avenida. As luzes de um carro brilharam ao longe.
“Quem achar essa merda não vai entregar para a polícia. Um 45 vale muito dinheiro.” "
Excerto de " Agosto ", de Rubem Braga
Arthur Russell
Arthur Russell - "This Is How We Walk on the Moon"
Arthur Russell - "a little lost"
Arthur Russell -" You Can Make Me Feel Bad"
quinta-feira, 19 de julho de 2007
quarta-feira, 18 de julho de 2007
A propósito de fumar...
Eu já vi, o Marcelo Rebelo de Sousa nesta figura
terça-feira, 17 de julho de 2007
A nobreza da mulher
The Great Sinner: Ava and Gregory Peck on banks of the Rhine River near Wiesbaden, Germany.
" Uma senhora tem de irradiar a própria noção de inacessível e não precisa, aliás, de ser a personificação do irrepreensível, basta-lhe destacar-se das outras mulheres graças a um certo fulgor de nobreza. E o que há de mais nobre é, precisamente, que cada um de nós, seja como for ou onde for, se torne útil ou desfrute do prazer, faça a sua vida tranquilamente e vá amadurecendo a pouco e pouco, tal como o fruto na árvore ao abrigo das folhas, e que, ao vermos uma mulher assim, saibamos adquirir também, por nosso lado e sem nos darmos conta, uma parcela da sua nobreza só de termos essa sua visão, que saibamos aprender alguma coisa, sem termos disso consciência, e fiquemos aptos a exprimir respeito, através de um gesto, de um olhar, uma vez que a consideração pelos outros é, sem dúvida, a base, o pilar, digamos mesmo, o fundamento em que assenta a sociedade. "
Excerto de " O Salteador ", Robert Walser, Trd. Leopoldina Almeida, Ed. Relógio D´Água.
segunda-feira, 16 de julho de 2007
The Triffids - "Save What You Can"
Video for The Triffids "Save What You Can" from Calenture. Dir. Braden King, featuring New York Folk artist Steve Keene.
O casamento musical entre Espanha e Portugal
Milladoiro - Maruxa (live: 15/08/2006)
Brigada Victor Jara - " Oh bento airoso "
O casamento de José Saramago
José Saramago, o nosso Prémio Nobel da Literatura, casou-se com Pilar. O jornal italiano La Repubblica, deu destaque publicando estas fotos, na sua página na Net.domingo, 15 de julho de 2007
" O altar dos mortos " - Henry James
Falso seria porém afirmar que a sua vida fora completamente privada do benefício desse afecto. A sua vida era ainda dirigida por um fantasma pálido, era regulada por aquela presença soberana. Stransom nunca fora homem de muitas paixões e, à medida que os anos passavam, o único sentimento que nele se tinha enraizado fora o sentimento de um despojamento profundo. Não precisara de padre nem de altar que consagrasse a sua eterna viuvez. Tinha realizado neste mundo as mais variadas coisas. Fizera tudo, à excepção de uma coisa: nunca esquecera. "
Excerto de " O altar dos mortos " de Henry James, incluído na colectânea de contos " O altar dos mortos e outras histórias sobrenaturais ", Trd. Manuel João Gomes, Colecção Livro B, Ed. Editorial Estampa.
Ser, ou não ser...
Não sabendo que fazer e esperando distrair-me um pouco de tanta consternação, fui passear esses dois mortos pelas ruas de Pisa !
Oh, foi um passeio agradabilíssimo! O Adriano Meis, que já lá estivera, quase que queria servir de guia e de cicerone ao Mattia Pascal; mas este, oprimido por tantas coisas que lhe davam a volta à cabeça, repelia-o com maneiras sombrias, sacudia um braço como que para enxotar para longe aquela sombra odiosa, cabeluda, de sobretudo, com o enorme chapéu de abas largas e de óculos.
« Vai-te embora ! Vai-te embora ! Volta para o rio, afogado !»
Bonnie 'Prince' Billy "Cursed Sleep"
Mas recordava que o Adriano Meis, passeando dois anos antes pelas ruas de Pisa, também se sentira importunado, incomodado da mesma maneira, pela sombra igualmente odiosa do Mattia Pascal, e queria com o mesmo gesto enxotá-lo dali, afogando-o novamente na levada do moinho, lá na Stìa. O melhor era não dar confiança a nenhum dos dois. Ó branca torre de Pisa, tu podias pender para um lado, mas eu, entre os dois, não podia pender nem para um lado nem para o outro. "
Excerto de " Ele foi Mattia Pascal ", de Luigi Pirandello, Trd. José J.C.Serra, Ed. Cavalo de Ferro
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