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Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Eugenio Murillo
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« El dibujante Eugenio Murillo Fuentes (1958) lee a Jorge Luis Borges, y en los papeles blancos del artista empiezan a aparecer muros y umbrales. Borges fue el hombre que recogió la historia del emperador chino Shih Huang Ti, quien construyó una gran muralla para aislar su imperio del mundo y quien mandó quemar todos los libros para que la historia comenzara en el reinado de Shih Huang Ti.» ler aqui o artigo completo.»domingo, 11 de outubro de 2009
Leituras de domingo(1)
Para começar alguns factos: Guantánamo não fechou; a prática de sequestrar putativos terroristas (eufemisticamente denominada "extraordinary rendition") em países "terceiros" não acabou; e não acabou também a prática de prender suspeitos de terrorismo, dentro e fora da América, e de os tratar como "no campo de batalha". Pior ainda, Obama não quis condenar, nem investigar os crimes de Bush, nomeadamente a tortura; só prometeu, nos casos mais benignos, tribunais militares (regidos, como é evidente, por lei especial) e sobretudo não limitou ou diminuiu a secrecidade e o arbítrio do Estado segurança. Isto quanto aos celebrados direitos do homem e à convivência amigável entre a América e o islão, em que ele proclama acreditar.»
Vasco Pulido Valente, Público de 11/10/2009
« A confissão feita sob tortura não era válida se não fosse ratificada sem tortura, e noutro lugar, donde não se pudesse ver o horrível instrumento, e não no mesmo dia. Eram descobertas da ciência, para tornar, se tal fosse possível, espontânea uma confiança forçada, e satisfazer ao mesmo tempo o bom senso, o qual dizia dizia claramente que a palavra extorquida pela dor não pode merecer fé, e a lei romana que consagrava a tortura. Aliás a razão dessas precauções, iam buscá-la os intérpretes à própria lei, ou seja a estas estranhas palavras: «A tortura é coisa frágil e perigosa e sujeita a enganar; visto que muitos, por força de ânimo ou de corpo, sofrem tão pouco com os tormentos que não se pode, com tal meio, obter deles a verdade; outros são tão intolerantes à dor que dizem qualquer falsidade, em vez de suportarem os tormentos.» Digo: estranhas palavras, numa lei que mantinha a tortura; e para se compreender por que motivo não se extraía outra consequência senão que «nos tormentos não se deve acreditar sempre», temos de recordar que aquela lei havia sido feita na sua origem para os escravos, os quais, na abjecção e na perversidade do gentilismo, puderam ser considerados como coisas e não como pessoas, e sobre os quais se julgava por isso ser lícita qualquer experiência, a ponto de serem torturados para se descobrir os crimes de outros. Novos interesses de novos legisladores fizeram-na depois aplicar-se também às pessoas livres; e a força da autoridade fê-la durar muitos mais séculos que o gentilismo: exemplo nada raro, mas notável, de como uma lei, depois de estabelecida, pode prolongar-se e expandir-se para além do seu princípio, e sobreviver-lhe.»
Excerto de " História da Coluna Infame ", de Alessandro Manzoni, Trd. José Colaço Barreiros, Ed. Assírio & Alvim, 1991
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
A caça
E assim finalmente hei-de dormir, mas antes darei comigo a perguntar-me se algum dia saberemos passar do movimento onde ainda soa halali do caçador, a conquistada plenitude do adágio e daí ao allegro final que trauteio em voz baixa, se seremos capazes de conseguir a reconciliação com tudo o que tenha ficado vivo frente a nós. Teríamos que ser como Luís; não apenas consegui-lo, mas ser como ele, deixar para trás o ódio e a vingança, olhar o inimigo como o olha Luís, com uma implacável magnamidade que tantas vezes suscitou na minha memória ( mas isto, como dizê-lo a alguém? ) uma imagem do pantocrator, um juiz que começa por ser acusado e a testemunha e cujo julgamento não se limita a separar as terras das águas para que por fim nasça uma pátria de homens num amanhecer enevoada nas margens de um tempo límpido. »
Excerto de " Reunião ", de Julio Cortázar, Trd. Carlos Barata
" La chasse " ( Allegro) de Mozart
In " A menina Cora ", de Julio Cortázar, Trd. Carlos Barata
terça-feira, 6 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Excerto de " Coração tão branco ", de Javier Marías, Trd. Cristina Rodriguez e Artur Guerra, Ed. Relógio d` Água, 1994
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Estado de merda
" Lata de merda " de Piero ManzoniEste é o meu estado actual. Invadido por tormentosas diarreias com origem no sistema nervoso central. Impotente perante os acontecimentos ou não-acontecimentos sucessivos. Neste estado de quase letargia, naturalmente, a merda percorre o meu corpo, misturando-se com a impura água, onde navega livremente.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Excerto de " O Templo Dourado ", de Yukio Mishima, Trd. Filipe Jarro, Ed. Assírio e Alvim, 1985
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
sábado, 5 de setembro de 2009
Excerto de " O Desconhecido do Norte-Expresso "(Strangers on a Train-1950) de Patricia Highsmith, Trd. Elisa Lopes Ribeiro, colecção 9 mm, Ed. Público, 2005
A propósito dos incêndios
O avião(aviões), andou, desde o nascer do Sol até ao pôr do mesmo, a "regar" o incêndio. Sem sucesso. As chamas alimentadas pelas lágrimas vindas do ar, devoraram pinheiros e mato.
Durante o dia, os aviões, produziram belas imagens que mexeram com a modorra dos habitantes das regiões próximas. A canícula, o isolamento, a falta de divertimentos fez com que todas as atenções se virassem para o céu. Regadas a Super-Bock. Alguém se atirou para o pequeno tanque do fontanário, quase seco. E os outros foram dando vivas à terra, à passagem(ou ao som) dos pássaros do ar.
A tristeza de uns foi o divertimento de outros.
O empobrecimento de alguns foi o lucro de outros. Um, dois, ou três aviões fazendo várias viagens durante todo o dia, abriram o seu ventre, e ajudaram a alimentar o fogo, que só se apagou, quando a natureza disse basta.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
Desejo adolescente
Excerto de " Amarcord ", de Frederico Fellini
Por isso é que as mulheres são mais interessantes, porque há sempre linhas de fuga, e daí a velha ideia de que a mulher é volúvel ou doida. São indicações de qualquer coisa no desejo que escapa a um padrão. »
José Gil, a partir de uma conversa com Ana Sousa Dias, publicada no seu artigo " o que sei sobre as mulheres ", Pública de 23/08/2009
Excerto de " Livro do Desassossego ", de Fernando Pessoa, Ed. Richard Zenith para a Assírio & Alvim
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
La Santa Sede*

quinta-feira, 20 de agosto de 2009
- Sabes, depois de chegar à Casa Branca o tipo deixou de dominar. Não podia. Também não dominou a Willey. Foi por isso que ela ficou fula com ele, Quando se tornou presidentes perdeu o seu talento arkansiano típico para dominar mulheres. Enquanto foi procurador-geral e governador de um pequeno estado obscuro, dominar era perfeito para ele.
- Sem dúvida. Basta pensar na Gennifer Flowers.
- O que acontece no Arkansas? Se um tipo cai quando ainda se encontra lá, não cai de muito alto.
- Exactamente. E calcula-se que tenha tara pelo cu. É uma tradição.
- Mas quando chega à Casa Branca, não pode dominar. E quando não pode dominar, Miss Willey vira-se contra ele, e Miss Monica vira-se contra ele. Teria garantido a lealdade dela se lhe fosse ao cu. O pacto devia ter sido esse. Isso tê-los-ia ligado. Mas não houve pacto.
- Bem, ela assustou-se. Sabes bem que esteve prestes a não dizer nada. Starr esmagou-o. Onze gajos na sala com ela naquele hotel, já imaginaste? A massacrá-la? Foi uma geraldina. Uma violação colectiva encenada por Starr naquele hotel.
- Isso é verdade. Mas ela já andava a falar com Linda Tripp.
- Ah, sim.
- Andava a falar com toda a gente. Pertence àquela cultura idiota do blá-blá-blá. A esta geração que se orgulha da sua superficialidade. A sinceridade é tudo. Sincera e vazia, totalmente vazia. A sinceridade que dispara em todas as direcções. A sinceridade que é pior que a falsidade e a inocência que é pior do que a corrupção. Toda a rapacidade oculta sob o manto da sinceridade. E do jargão. Aquele vocabulário maravilhoso de todos eles, e em que parecem acreditar, a respeito da «falta de mérito próprio», quando na realidade estão sempre convencidos de que têm direito a tudo. Chamam carinho ao descaramento e mascaram a desumanidade de perda de «auto-estima». Hitler também tinha falta de auto-estima. Esse era o problema dele. É uma farsa, o que esses miúdos armaram. A hiperdramatização das emoções mais insignificantes. Relação. A minha relação. Clarificar a minha relação. Quando abrem a boca apetece-me amarinhar pelas paredes. Toda a linguagem deles é um somatório da estupidez dos últimos quarenta anos. Conclusão. Eis um dos chavões. Os meus alunos não podem permanecer no lugar onde o pensamento deve ocorrer. Conclusão! Fixam-se na narrativa convencionalizada com o seu princípio, o seu meio e o seu fim. Qualquer experiência, por muito ambígua, intrincada ou misteriosa que seja, tem de se prestar a esse lugar-comum normalizante e convencionalizante de pivô de televisão. Chumbo qualquer miúdo que peça conclusão. Querem conclusão? Eu dou-lhes a conclusão.»
Excerto de " A mancha branca ", de Philip Roth, Trd. Fernanda Pinto Rodrigues
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Sometimes I Wish We Were an Eagle

Eid Ma Clack Shaw
Jim Cain
Sometimes I Wish We Were an Eagle é o segundo albúm a solo de Bill Callahan(Smog).
Too many birds

Too many birds in one tree
Too many birds in one tree
And the sky is full of black and screaming leaves
The sky is full of black and screaming
And one more bird
Then one more bird
And one last bird
And another
One last black bird without a place to land
One last black bird without a place to be
Turns around in hopes to find the place it last knew rest
Oh black bird, over black rain burn
This is not where you last knew rest
You fly all night to sleep on stone
The heartless rest that in the morn, we'll be gone
You fly all night to sleep on stone, to return to the tree with too many birds
Too many birds
Too many birds
If...
If you...
If you could...
If you could only...
If you could only stop...
If you could only stop your...
If you could only stop your heart...
If you could only stop your heart beat...
If you could only stop your heart beat for...
If you could only stop your heart beat for one heart...
If you could only stop your heart beat for one heart beat.
Fotografia de Graciela Iturbide, música " Too many birds " de Bill Callahan
domingo, 16 de agosto de 2009
Doce da Teixeira

Meu querido mês de Agosto*
A música das moscas
Começa o meio de Agosto e são as festas em toda a parte. De Senhoras nossas. Da Agonia; da Assunção; do Desespero; da Angústia; da Depressão; das Dores: de todos os castigos imagináveis que possam ajudar a disfarçar o prazer que dão.
É um prazer ouvir a música ao fundo das bandas a ensaiar aqui ao pé, para a festa de amanhã. Das filármonicas mal preparadas que se querem preparar num dia só; das charangas desafinadas que mais ninguém vai ouvir.
Agosto é um mês de partilhas indesejadas. São as pessoas perto de mais. São as estradas e praias que nos fazem sentir parte de um horrendo organismo multicelular. É o bacanal das moscas, esquecidas até do açucar, tal é a febre pela marmelada. Mas, tal com no amor, não é por uma coisa ser indesejada que é desnecessária.
Ouço a filármonica a deglutir a melodia, já de si escassa, do Malhão, Malhão e, atrás da nuvem de moscas, ainda consigo vislumbrar o coreto onde tudo se vai passar. Aqui ao pé, mas longe de mim. E chego a esta chocante conclusão: afinal gosto. Sem participação e com queixume entredentes, a proximidade destas coisas celebratórias até comove um bocadinho. É como se estivéssemos lá sem termos de lá estar. É como concordar que é melhor ser humano a aturar as moscas do que ser mosca a aturar seja o que for.
Faz-nos bem estarmos perto, estando separados. São os erros dos músicos coagidos que tornam bonito o assassinato musical que cometem.
Miguel Esteves Cardoso, Público, 16/08/2009
*Dino Meira - " Meu querido mês de Agosto "
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
« Me meto a la primera cantina que veo para tomarme un mezcal a la salud del loco Lowry. Como todo en Bajo el volcán, en Cuernavaca, en México, la cantina tiene un lema hilarante: "Gentiles son los hombres dados a la ociosidad". La idea del mezcal en Cuernavaca es una transposición literaria de Lowry: lo tomó hasta el delirio en Oaxaca con su amiguete Juan Fernando Márquez, al que le dedica Oscuro como la tumba donde yace mi amigo. A lo mejor Márquez no existió y Lowry se la pasó en El Farolito de Oaxaca como yo aquí en Cuernavaca: bebiendo solo. El mesero me muestra la botella de mezcal. La etiqueta hubiera divertido a Lowry y, quizás, más a Jan: "Mezcalm Lowry. A punto de veneno". Y me siento a beber. Abro la libreta y pienso en Lowry y, con el paso de los tragos, en amores.»
Ler aqui artigo completo, escrito por Fabrizio Mejía Madrid e publicado no El País.
Desenho de Fernando Vicente e ilustração para uma edição mexicana de "Debaixo do vulcão" por Alberto Gironella
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
«Cada um de nós é inteiramente excepcional» *
* Agostinho da Silva
Para reflectir
0,3%
Eu que não sou economista e não acredito em coincidências, gostaria, que alguém me explicasse o porquê dos 0,3%!
Não terá a haver, com o aumento do consumo, originado pela antecipação dos reembolsos do IRS?
terça-feira, 11 de agosto de 2009
“Presos por uma Corrente de Ar”*

segunda-feira, 10 de agosto de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
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