Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Eugenio Murillo



« El dibujante Eugenio Murillo Fuentes (1958) lee a Jorge Luis Borges, y en los papeles blancos del artista empiezan a aparecer muros y umbrales. Borges fue el hombre que recogió la historia del emperador chino Shih Huang Ti, quien construyó una gran muralla para aislar su imperio del mundo y quien mandó quemar todos los libros para que la historia comenzara en el reinado de Shih Huang Ti.» ler aqui o artigo completo.»
Darío Chinchilla Ugalda, Ancora, La Nácion, Costa Rica

domingo, 11 de outubro de 2009

Leituras de domingo(1)

«...A "obamania" é um triste sinal de que o Ocidente perdeu qualquer espécie de faculdade crítica. A palavra e o gesto bastam para lhe esconder o que se passa no mundo. Como se uma grande potência pudesse de repente mudar com uma criatura simpática e uma pequena dose de persuasão e boa vontade.
Para começar alguns factos: Guantánamo não fechou; a prática de sequestrar putativos terroristas (eufemisticamente denominada "extraordinary rendition") em países "terceiros" não acabou; e não acabou também a prática de prender suspeitos de terrorismo, dentro e fora da América, e de os tratar como "no campo de batalha". Pior ainda, Obama não quis condenar, nem investigar os crimes de Bush, nomeadamente a tortura; só prometeu, nos casos mais benignos, tribunais militares (regidos, como é evidente, por lei especial) e sobretudo não limitou ou diminuiu a secrecidade e o arbítrio do Estado segurança. Isto quanto aos celebrados direitos do homem e à convivência amigável entre a América e o islão, em que ele proclama acreditar.»

Vasco Pulido Valente, Público de 11/10/2009


« A confissão feita sob tortura não era válida se não fosse ratificada sem tortura, e noutro lugar, donde não se pudesse ver o horrível instrumento, e não no mesmo dia. Eram descobertas da ciência, para tornar, se tal fosse possível, espontânea uma confiança forçada, e satisfazer ao mesmo tempo o bom senso, o qual dizia dizia claramente que a palavra extorquida pela dor não pode merecer fé, e a lei romana que consagrava a tortura. Aliás a razão dessas precauções, iam buscá-la os intérpretes à própria lei, ou seja a estas estranhas palavras: «A tortura é coisa frágil e perigosa e sujeita a enganar; visto que muitos, por força de ânimo ou de corpo, sofrem tão pouco com os tormentos que não se pode, com tal meio, obter deles a verdade; outros são tão intolerantes à dor que dizem qualquer falsidade, em vez de suportarem os tormentos.» Digo: estranhas palavras, numa lei que mantinha a tortura; e para se compreender por que motivo não se extraía outra consequência senão que «nos tormentos não se deve acreditar sempre», temos de recordar que aquela lei havia sido feita na sua origem para os escravos, os quais, na abjecção e na perversidade do gentilismo, puderam ser considerados como coisas e não como pessoas, e sobre os quais se julgava por isso ser lícita qualquer experiência, a ponto de serem torturados para se descobrir os crimes de outros. Novos interesses de novos legisladores fizeram-na depois aplicar-se também às pessoas livres; e a força da autoridade fê-la durar muitos mais séculos que o gentilismo: exemplo nada raro, mas notável, de como uma lei, depois de estabelecida, pode prolongar-se e expandir-se para além do seu princípio, e sobreviver-lhe.»


Excerto de " História da Coluna Infame ", de Alessandro Manzoni, Trd. José Colaço Barreiros, Ed. Assírio & Alvim, 1991

Mar D´Outubro





quinta-feira, 8 de outubro de 2009

The River

soothing sounds for baby






Sleepy Time

A caça

« Penso no meu filho que está longe, a milhares de quilómetros, num país onde ainda se dorme na cama, e a sua imagem parece-me irreal, esfuma-se e perde-se entre as folhas da árvore, e em troca faz-me tão bem recordar um tema de Mozart que me acompanhou desde sempre, o movimento inicial do quarteto A caça, a evocação do halali na mansa voz dos violinos, essa transposição de uma cerimónia selvagem para um claro gozo imaginário. Penso-o, repito-o, trauteio na memória e sinto ao mesmo tempo como a melodia e o desenho da copa da árvore contra o céu se vão aproximando, travam amizade, se tacteiam e outra vez até que de súbito o desenho se ordena na presença visível da melodia, um ritmo que sai de um ramo baixo, quase à altura minha cabeça, eleva-se e abre-se como um leque de hastes, enquanto o segundo violino é esse ramo mais delgado que se justapõe para confundir as suas folhas num ponto à direita, até ao final da frase, e deixá-la terminar para que o olho desça pelo tronco e possa, se quiser, repetir a melodia. E tudo isso é também a nossa rebelião, é o que estamos fazendo ainda que Mozart e a árvore não possam sabê-lo, também nós à nossa maneira quisemos transpor uma torpe guerra para uma ordem que lhe dê sentido, a justifique e em última análise a leve a uma vitória que seja como a restituição de uma melodia depois de tantos anos de roucas trompas de caça, que seja esse allegro final que sucede ao adágio como um encontro com a luz. O que se divertiria Luís se soubesse que neste momento o estou comparando com Mozart, vendo-o ordenar pouco a pouco esta insensatez, elevá-la até à sua razão primordial que aniquila com a sua evidência e a sua grandiosidade todas as prudentes razões temporais. Mas que amarga, que desesperada tarefa a de ser músico de homens, por cima da lama e da metralha e do desalento, urdir esse canto que julgámos impossível, o canto que travará amizade com a copa das árvores, com a terra devolvida aos seus filhos. É da febre. E como riria Luís ainda que também a ele lhe agrade Mozart.
E assim finalmente hei-de dormir, mas antes darei comigo a perguntar-me se algum dia saberemos passar do movimento onde ainda soa halali do caçador, a conquistada plenitude do adágio e daí ao allegro final que trauteio em voz baixa, se seremos capazes de conseguir a reconciliação com tudo o que tenha ficado vivo frente a nós. Teríamos que ser como Luís; não apenas consegui-lo, mas ser como ele, deixar para trás o ódio e a vingança, olhar o inimigo como o olha Luís, com uma implacável magnamidade que tantas vezes suscitou na minha memória ( mas isto, como dizê-lo a alguém? ) uma imagem do pantocrator, um juiz que começa por ser acusado e a testemunha e cujo julgamento não se limita a separar as terras das águas para que por fim nasça uma pátria de homens num amanhecer enevoada nas margens de um tempo límpido. »


Excerto de " Reunião ", de Julio Cortázar, Trd. Carlos Barata


" La chasse " ( Allegro) de Mozart
« A verdade é que não me importa entender as mulheres, a única coisa que interessa é que gostem de nós.»



In " A menina Cora ", de Julio Cortázar, Trd. Carlos Barata

sábado, 3 de outubro de 2009

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

« Às vezes tenho a sensação de que nada do que acontece acontece, porque nada acontece sem interrupção, nada perdura nem persevera nem se recorda incessantemente, e até a mais monótona e rotineira das existências se vai anulando e negando a si mesma na sua aparente repetição até que nada é nada nem ninguém é ninguém que tivesse sido antes, e a débil roda do mundo é empurrada por desmemoriados que ouvem e vêem e sabem o que não se diz nem tem lugar nem é cognoscível nem comprovável. O que se dá é idêntico ao que não se dá, o que rejeitamos ou deixamos passar idêntico ao que pegamos e agarramos, o que experimentamos idêntico ao que não provamos, e, no entanto, a vida vai-se-nos e vai-se-nos a vida em escolher e rejeitar e seleccionar, em traçar uma linha que separe essas coisas que são idênticas e faça da nossa história uma história única que recordemos e possa contar-se. Revolvemos toda a nossa inteligência e os nossos sentidos e o nosso afã na tarefa de discernir o que será igualizado, ou já o está, e por isso estamos cheios de arrependimentos e de ocasiões perdidas, de confirmações e reafirmações e ocasiões aproveitadas, quando a verdade é que nada se afirma e tudo se vai perdendo. Ou talvez nunca tenha havido nada. »

Excerto de " Coração tão branco ", de Javier Marías, Trd. Cristina Rodriguez e Artur Guerra, Ed. Relógio d` Água, 1994


A alma do deserto

" Noivos ao Vento "



Serralves, Festa do Outono, 27/09/2009
" Noivos ao Vento ", peça de teatro concebida e interpretada por Isabel Costa e Filipe Caco( Corda Bamba)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Esperança

















Fotografia sobre fotografia de Helena Almeida, exposta no Museu de Serralves







Estado de merda

" Lata de merda " de Piero Manzoni


Este é o meu estado actual. Invadido por tormentosas diarreias com origem no sistema nervoso central. Impotente perante os acontecimentos ou não-acontecimentos sucessivos. Neste estado de quase letargia, naturalmente, a merda percorre o meu corpo, misturando-se com a impura água, onde navega livremente.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

terça-feira, 22 de setembro de 2009

terça-feira, 15 de setembro de 2009

The xx -" Basic Space "

The xx - "Crystalised"

«Se fosse um rapaz modesto e aplicado, em lugar de me deixar cair tão depressa teria começado por deplorar a imperfeição do meu olhar. Mas a dor de ter sido tão cruelmente frustrado na minha espera de algo que tanto ambicionava esvaziou o meu coração de todas as suas outras preocupações.»

Excerto de " O Templo Dourado ", de Yukio Mishima, Trd. Filipe Jarro, Ed. Assírio e Alvim, 1985

terça-feira, 8 de setembro de 2009

sábado, 5 de setembro de 2009

« Pensou na mãe. Nunca mais deixaria que ela o beijasse. Lembrou-se de que ela costumava dizer-lhe que neste mundo todos eram bons, porque tinham alma e a alma era inteiramente boa; o mal vinha sempre do exterior. E disso também ele estivera sempre convencido, mesmo até meses depois de ter casado com Miriam e de querer matar-lhe o amante. Nisso acreditava ainda, quando ia no comboio a ler Platão. Mas agora parecia-lhe que o amor e o ódio, o bem e o mal viviam lado a lado no coração humano e que não havia diferença de um homem para outro. Em todos se encontrava bondade e maldade. Bastava observá-los com um pouco de atenção, raspar à superfície. Todas as coisas tinham direito e avesso. Para cada animal, havia outro que o destruía; o macho, a fêmea; o positivo, o negativo. A descarga atómica era a única destruição verdadeira, a transgressão da lei universal da unidade. Não podia existir nada em que não houvesse antagonismo. Podia acaso existir espaço num edifício, sem objectos que o limitassem? E energia sem matéria, ou matéria sem energia? Matéria e energia, o inerte e o activo, dantes considerados opostos, sabia-se agora que eram uma e a mesma coisa. »


Excerto de " O Desconhecido do Norte-Expresso "(Strangers on a Train-1950) de Patricia Highsmith, Trd. Elisa Lopes Ribeiro, colecção 9 mm, Ed. Público, 2005

A propósito dos incêndios






















O avião(aviões), andou, desde o nascer do Sol até ao pôr do mesmo, a "regar" o incêndio. Sem sucesso. As chamas alimentadas pelas lágrimas vindas do ar, devoraram pinheiros e mato.
Durante o dia, os aviões, produziram belas imagens que mexeram com a modorra dos habitantes das regiões próximas. A canícula, o isolamento, a falta de divertimentos fez com que todas as atenções se virassem para o céu. Regadas a Super-Bock. Alguém se atirou para o pequeno tanque do fontanário, quase seco. E os outros foram dando vivas à terra, à passagem(ou ao som) dos pássaros do ar.
A tristeza de uns foi o divertimento de outros.
O empobrecimento de alguns foi o lucro de outros. Um, dois, ou três aviões fazendo várias viagens durante todo o dia, abriram o seu ventre, e ajudaram a alimentar o fogo, que só se apagou, quando a natureza disse basta.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

domingo, 23 de agosto de 2009

Desejo adolescente

Excerto de " Amarcord ", de Frederico Fellini

Marie-Louise O'Murphy, amante de Luís XV, pintura de François Boucher
« Não é possível dominar dominar completamente a mulher e o desejo da mulher. Falo de desejo no sentido mais vasto. Ao passo que é possível dominar o desejo do homem.
Por isso é que as mulheres são mais interessantes, porque há sempre linhas de fuga, e daí a velha ideia de que a mulher é volúvel ou doida. São indicações de qualquer coisa no desejo que escapa a um padrão. »

José Gil, a partir de uma conversa com Ana Sousa Dias, publicada no seu artigo " o que sei sobre as mulheres ", Pública de 23/08/2009
« O governo do mundo começa em nós mesmos. Não são os sinceros que governam o mundo, mas também não são os insinceros. São os que fabricam em si uma sinceridade real por meios artificiais e automáticos; essa sinceridade constitui a sua força, e é ela que irradia para a sinceridade menos falsa dos outros. Saber iludir-se bem é a primeira qualidade do estadista. Só aos poetas e aos filósofos compete a visão práctica do mundo, porque só a esses é dado não ter ilusões. Ver claro é não agir. »


Excerto de " Livro do Desassossego ", de Fernando Pessoa, Ed. Richard Zenith para a Assírio & Alvim

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Lee Fields

Judy Dater

" Imogen et Twinka "(1974)
" Sabine "(1973)

Ler aqui entrevista a Judy Dater, por Paul Karlstrom. Realizada em 02/06/2000.

La Santa Sede*



















«El caso es que la sodomía tiene muchos adeptos entre los chicos heterosexuales (o pretendidamente heterosexuales, vete tú a saber...). A mí, de hecho, me lo han propuesto tantas veces que una vez, por pura curiosidad, piqué. Cierto es que no teníamos lubricante, ni experiencia, ni mucho acierto, pero... ¡qué dolor! al principio. Luego, es cierto que el morbo suplía la ausencia de placer, pero echando cuentas, siento que no me compensa. Así es que, lo siento mucho: nunca mais, muchas gracias por probar. Y, desde entonces, jamás he repetido, aunque les haya fastidiado un poco a todos y cada uno de mis novios, novietes, amantes habituales, amantes ocasionales y follamigos que, salvo Pepe el okupa, me lo han pedido repetidas veces.» continuar a ler aqui.
*Pandora Rebato, El Mundo, 21/08/2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

«- Se Clinton lhe tivesse ido ao cu, talvez ela tivesse calado a boca. Bill Clinton não é o homem que dizem ser. Se a tivesse virado de barriga para baixo no Salão Oval e lhe tivesse ido ao cu, nada disto teria acontecido.
- Bem, ele nunca a dominou. Jogou pelo seguro.
- Sabes, depois de chegar à Casa Branca o tipo deixou de dominar. Não podia. Também não dominou a Willey. Foi por isso que ela ficou fula com ele, Quando se tornou presidentes perdeu o seu talento arkansiano típico para dominar mulheres. Enquanto foi procurador-geral e governador de um pequeno estado obscuro, dominar era perfeito para ele.
- Sem dúvida. Basta pensar na Gennifer Flowers.
- O que acontece no Arkansas? Se um tipo cai quando ainda se encontra lá, não cai de muito alto.
- Exactamente. E calcula-se que tenha tara pelo cu. É uma tradição.
- Mas quando chega à Casa Branca, não pode dominar. E quando não pode dominar, Miss Willey vira-se contra ele, e Miss Monica vira-se contra ele. Teria garantido a lealdade dela se lhe fosse ao cu. O pacto devia ter sido esse. Isso tê-los-ia ligado. Mas não houve pacto.
- Bem, ela assustou-se. Sabes bem que esteve prestes a não dizer nada. Starr esmagou-o. Onze gajos na sala com ela naquele hotel, já imaginaste? A massacrá-la? Foi uma geraldina. Uma violação colectiva encenada por Starr naquele hotel.
- Isso é verdade. Mas ela já andava a falar com Linda Tripp.
- Ah, sim.
- Andava a falar com toda a gente. Pertence àquela cultura idiota do blá-blá-blá. A esta geração que se orgulha da sua superficialidade. A sinceridade é tudo. Sincera e vazia, totalmente vazia. A sinceridade que dispara em todas as direcções. A sinceridade que é pior que a falsidade e a inocência que é pior do que a corrupção. Toda a rapacidade oculta sob o manto da sinceridade. E do jargão. Aquele vocabulário maravilhoso de todos eles, e em que parecem acreditar, a respeito da «falta de mérito próprio», quando na realidade estão sempre convencidos de que têm direito a tudo. Chamam carinho ao descaramento e mascaram a desumanidade de perda de «auto-estima». Hitler também tinha falta de auto-estima. Esse era o problema dele. É uma farsa, o que esses miúdos armaram. A hiperdramatização das emoções mais insignificantes. Relação. A minha relação. Clarificar a minha relação. Quando abrem a boca apetece-me amarinhar pelas paredes. Toda a linguagem deles é um somatório da estupidez dos últimos quarenta anos. Conclusão. Eis um dos chavões. Os meus alunos não podem permanecer no lugar onde o pensamento deve ocorrer. Conclusão! Fixam-se na narrativa convencionalizada com o seu princípio, o seu meio e o seu fim. Qualquer experiência, por muito ambígua, intrincada ou misteriosa que seja, tem de se prestar a esse lugar-comum normalizante e convencionalizante de pivô de televisão. Chumbo qualquer miúdo que peça conclusão. Querem conclusão? Eu dou-lhes a conclusão.»


Excerto de " A mancha branca ", de Philip Roth, Trd. Fernanda Pinto Rodrigues

Jornal do Cuto
















Guardo religiosamente os meus exemplares do Jornal do Cuto.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sometimes I Wish We Were an Eagle



Eid Ma Clack Shaw

Jim Cain

Sometimes I Wish We Were an Eagle é o segundo albúm a solo de Bill Callahan(Smog).

Jim Cain

Graciela Iturbide



Ver aqui biografia e mais fotografias no site Amber Online.

Too Many Birds

Too many birds




Too many birds in one tree
Too many birds in one tree
And the sky is full of black and screaming leaves
The sky is full of black and screaming


And one more bird
Then one more bird
And one last bird
And another


One last black bird without a place to land
One last black bird without a place to be
Turns around in hopes to find the place it last knew rest
Oh black bird, over black rain burn
This is not where you last knew rest
You fly all night to sleep on stone
The heartless rest that in the morn, we'll be gone
You fly all night to sleep on stone, to return to the tree with too many birds
Too many birds
Too many birds


If...
If you...
If you could...
If you could only...
If you could only stop...
If you could only stop your...
If you could only stop your heart...
If you could only stop your heart beat...
If you could only stop your heart beat for...
If you could only stop your heart beat for one heart...
If you could only stop your heart beat for one heart beat.


Fotografia de Graciela Iturbide, música " Too many birds " de Bill Callahan

domingo, 16 de agosto de 2009

Doce da Teixeira


O doce da Teixeira é um ícon de Agosto. Todas as festas têm a sua presença e o seu odor a limão. Vendido por mulheres robustas e ruborizadas, que nos desafiam com a sua língua afiada, ao mínimo olhar de soslaio para o cesto dos doces.
Quando era pequeno, aguardava impacientemente que o meu avô materno viesse da festa com o desejado doce. Era um ritual. Nunca falhou. Com a sua morte e com o apurar do gosto fui desejando outras guloseimas.
Ontem segui alguns dos seus rituais: ouvi as bandas filármonicas e comprei o doce da Teixeira que de imediato levei à boca, relembrando sabores e memórias.

Meu querido mês de Agosto*

A música das moscas

Começa o meio de Agosto e são as festas em toda a parte. De Senhoras nossas. Da Agonia; da Assunção; do Desespero; da Angústia; da Depressão; das Dores: de todos os castigos imagináveis que possam ajudar a disfarçar o prazer que dão.

É um prazer ouvir a música ao fundo das bandas a ensaiar aqui ao pé, para a festa de amanhã. Das filármonicas mal preparadas que se querem preparar num dia só; das charangas desafinadas que mais ninguém vai ouvir.

Agosto é um mês de partilhas indesejadas. São as pessoas perto de mais. São as estradas e praias que nos fazem sentir parte de um horrendo organismo multicelular. É o bacanal das moscas, esquecidas até do açucar, tal é a febre pela marmelada. Mas, tal com no amor, não é por uma coisa ser indesejada que é desnecessária.

Ouço a filármonica a deglutir a melodia, já de si escassa, do Malhão, Malhão e, atrás da nuvem de moscas, ainda consigo vislumbrar o coreto onde tudo se vai passar. Aqui ao pé, mas longe de mim. E chego a esta chocante conclusão: afinal gosto. Sem participação e com queixume entredentes, a proximidade destas coisas celebratórias até comove um bocadinho. É como se estivéssemos lá sem termos de lá estar. É como concordar que é melhor ser humano a aturar as moscas do que ser mosca a aturar seja o que for.

Faz-nos bem estarmos perto, estando separados. São os erros dos músicos coagidos que tornam bonito o assassinato musical que cometem.

Miguel Esteves Cardoso, Público, 16/08/2009


*Dino Meira - " Meu querido mês de Agosto "

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

« Me meto a la primera cantina que veo para tomarme un mezcal a la salud del loco Lowry. Como todo en Bajo el volcán, en Cuernavaca, en México, la cantina tiene un lema hilarante: "Gentiles son los hombres dados a la ociosidad". La idea del mezcal en Cuernavaca es una transposición literaria de Lowry: lo tomó hasta el delirio en Oaxaca con su amiguete Juan Fernando Márquez, al que le dedica Oscuro como la tumba donde yace mi amigo. A lo mejor Márquez no existió y Lowry se la pasó en El Farolito de Oaxaca como yo aquí en Cuernavaca: bebiendo solo. El mesero me muestra la botella de mezcal. La etiqueta hubiera divertido a Lowry y, quizás, más a Jan: "Mezcalm Lowry. A punto de veneno". Y me siento a beber. Abro la libreta y pienso en Lowry y, con el paso de los tragos, en amores.»



Ler aqui artigo completo, escrito por Fabrizio Mejía Madrid e publicado no El País.

Desenho de Fernando Vicente e ilustração para uma edição mexicana de "Debaixo do vulcão" por Alberto Gironella

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

«Cada um de nós é inteiramente excepcional» *

* Agostinho da Silva

Para reflectir

«De todas as ideologias que ocupam a nossa mente - e, através dela, influenciam as nossas motivações e acções -, a mais importante não é o liberalismo, nem o socialismo, nem o conservadorismo. Aquela que tem maior sucesso é, sem sombra de dúvida, a ideologia do crescimento económico. Trata-se de uma ideologia transversal a todos os partidos e à sociedade. Economistas e políticos, comentadores e jornalistas, recordam-nos incessantemente que o objectivo colectivo mais importante para o país é o crescimento.

Não nego que o crescimento seja um valor importante, especialmente num momento de crise. Mas creio que há outros valores colectivos que são não apenas igualmente importantes, mas até mais importantes do que aquele. Eis alguns exemplos: a segurança individual, a liberdade igual para todos, a igualdade de oportunidades, a coesão social, a justiça distributiva, a protecção do ambiente e da paisagem, ou até a felicidade social de que falavam os utilitaristas clássicos. Creio que a maior parte das pessoas reconhecerá a importância e mesmo o primado destes e de outros valores colectivos face ao crescimento económico. Mas, se é assim, por que razão não têm estes valores pelo menos um peso equivalente ao do crescimento económico no discurso político?» ler aqui artigo completo.
João Cardoso Rosas, Jornal i, 13/08/2009

0,3%

A economia portuguesa cresceu 0,3% face ao 1º trimestre de 2009. A economia francesa e alemã cresceram 0,3% face ao 1º trimestre de 2009.

Eu que não sou economista e não acredito em coincidências, gostaria, que alguém me explicasse o porquê dos 0,3%!

Não terá a haver, com o aumento do consumo, originado pela antecipação dos reembolsos do IRS?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

“Presos por uma Corrente de Ar”*


Sinopse
“Imaginem uma praça no meio da cidade. Uma banda filarmónica e um Presidente que quer lançar a 1.ª pedra de uma grande obra. Imaginem quatro personagens, quatro presos a cumprir a pena em serviço comunitário, com o objectivo principal de “erguer” uma estátua integrada numa candidatura a Património da Humanidade. Imaginem agora um “deslize”no orçamento e uma necessidade urgente de terminar e apresentar a obra aos cidadãos, que afinal se encontram na praça para isso mesmo. De forma a “ocupar” o público até que a obra termine, o “Sr.” Presidente e Maestro da Banda Filarmónica composta pelo particular e potente número de 2 músicos, entretêm – se a criar e executar verdadeiros momentos de entretenimento."
*Peça de teatro encenada pelo Teatro de Montemuro para o Festival Altitudes.

Ler nas linhas e nas entrelinhas

«Selmes é uma pequena freguesia do concelho da Vidigueira. A sua população é muito devotada aos mistérios do Além e ao espírito errante do morgado da Rabadoa, desaparecido de forma dramática nos primeiros anos do século XX e cuja alma, garantem, andará a cirandar na busca do infortúnio de quem circula numa qualquer curva da estrada que liga a povoação ao mundo real. Pois bem, é nesta terra que trata tu cá, tu lá as almas do outro mundo que uma população tolhida pelo medo foi testemunha das acções violentas de um indivíduo romeno que está ligado a práticas ilegais de tráfico de mão-de-obra do seu país, sob a capa de uma empresa de trabalho temporário e sobre o qual impendem mandados de captura.» Carlos Dias, Público, 11/08/2009

«No conjunto das seis concessões de auto-estradas que já foram adjudicadas, a diferença entre a proposta inicial e a final, que sucede à fase de negociações dos concursos, é em média de 57 por cento, apesar de todos os cadernos de encargos referirem que os valores finais não podem resultar em condições menos vantajosas para o concedente Estradas de Portugal, noticia hoje o Jornal de Negócios.» Público, 11/08/2009

domingo, 9 de agosto de 2009

«O tempo flui sempre como o rio: melancólico e equívoco a princípio, precipitando-se a si mesmo à medida que os anos vão passando. Como o rio, enreda-se entre as ulvas tenras e o musgo da infância. Como ele, despenha-se nos desfiladeiros e nas cascatas que assinalam o início da sua aceleração. Até aos vinte ou trinta anos, pensamos que o tempo é um rio infinito, uma substância estranha que se alimenta de si mesma e nunca se consome. Chega, porém, um momento em que o homem descobre a traição dos anos. Chega sempre um momento - o meu coincidiu com a morte da minha mãe - em que, de súbito, a juventude acaba e o tempo degela como um montão de neve atravessado por um raio. A partir desse momento, os dias e os anos começam a diminuir e o tempo converte-se num vapor efémero - como o que a neve desprende quando derrete - que a pouco e pouco envolve o coração, adormecendo-o. E, assim, quando queremos dar-nos conta, já é tarde para tentar sequer rebelar-nos.»
Excerto de " A chuva amarela ", de Julio Llamazares, Trd. António José Massano, Ed. Terramar

sábado, 8 de agosto de 2009

Grande Raul

Morreu Raul Solnado. Ler aqui no Público.

Moby Dick


Ilustración de Rockwell Kent para una edición de Moby Dick de los años treinta(El País)
«Moby Dick es la clase de obra maestra que uno siempre cree distraídamente haber leído, envolviendo su ignorancia en el engaño de la familiaridad: la ballena blanca, la demencia de Ahab, los símbolos evidentes, etcétera. Yo me puse a leer Moby Dick hace unos años creyendo que la conocía y descubrí una novela imposible, lóbrega, que unas veces era un relato de aventuras y otras una enciclopedia compilada por un loco, que venía tempestuosamente de la Biblia y de Shakespeare y parecía anticipar a Conrad y a Joyce, que se perdía en divagaciones más bien impenetrables y emergía luego en largos pasajes luminosos; una novela sobre una mente trastornada que tenía algo de trastorno ella misma; que quería atrapar la forma de un animal inconcebible y cobraba la forma de ese mismo animal; y que le afectaba a uno físicamente, lo mareaba, lo enaltecía como a los marineros que escuchan los desvaríos oratorios del capitán Ahab; lo intoxicaba al sumergirlo en escenas larguísimas de una crueldad literalmente sanguinaria que va más allá de las matanzas de La Odisea o del paroxismo caníbal de Tito Andrónico: las arterias cortadas de una ballena anegando a los marineros en torrentes de sangre; el mar hirviendo de tiburones que se matan entre sí compitiendo por los despojos de la ballena recién descuartizada.»
Antonio Muñoz Molina, El País de 08/08/2009, ler aqui artigo completo.

Willy DeVille

Morreu Willy DeVille. Ler aqui obituário no El Mundo.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Arquivo do blogue

Acerca de mim

" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

FEEDJIT Live Traffic Feed