
Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com
terça-feira, 8 de setembro de 2009
sábado, 5 de setembro de 2009
Excerto de " O Desconhecido do Norte-Expresso "(Strangers on a Train-1950) de Patricia Highsmith, Trd. Elisa Lopes Ribeiro, colecção 9 mm, Ed. Público, 2005
A propósito dos incêndios
O avião(aviões), andou, desde o nascer do Sol até ao pôr do mesmo, a "regar" o incêndio. Sem sucesso. As chamas alimentadas pelas lágrimas vindas do ar, devoraram pinheiros e mato.
Durante o dia, os aviões, produziram belas imagens que mexeram com a modorra dos habitantes das regiões próximas. A canícula, o isolamento, a falta de divertimentos fez com que todas as atenções se virassem para o céu. Regadas a Super-Bock. Alguém se atirou para o pequeno tanque do fontanário, quase seco. E os outros foram dando vivas à terra, à passagem(ou ao som) dos pássaros do ar.
A tristeza de uns foi o divertimento de outros.
O empobrecimento de alguns foi o lucro de outros. Um, dois, ou três aviões fazendo várias viagens durante todo o dia, abriram o seu ventre, e ajudaram a alimentar o fogo, que só se apagou, quando a natureza disse basta.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
Desejo adolescente
Excerto de " Amarcord ", de Frederico Fellini
Por isso é que as mulheres são mais interessantes, porque há sempre linhas de fuga, e daí a velha ideia de que a mulher é volúvel ou doida. São indicações de qualquer coisa no desejo que escapa a um padrão. »
José Gil, a partir de uma conversa com Ana Sousa Dias, publicada no seu artigo " o que sei sobre as mulheres ", Pública de 23/08/2009
Excerto de " Livro do Desassossego ", de Fernando Pessoa, Ed. Richard Zenith para a Assírio & Alvim
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
La Santa Sede*

quinta-feira, 20 de agosto de 2009
- Sabes, depois de chegar à Casa Branca o tipo deixou de dominar. Não podia. Também não dominou a Willey. Foi por isso que ela ficou fula com ele, Quando se tornou presidentes perdeu o seu talento arkansiano típico para dominar mulheres. Enquanto foi procurador-geral e governador de um pequeno estado obscuro, dominar era perfeito para ele.
- Sem dúvida. Basta pensar na Gennifer Flowers.
- O que acontece no Arkansas? Se um tipo cai quando ainda se encontra lá, não cai de muito alto.
- Exactamente. E calcula-se que tenha tara pelo cu. É uma tradição.
- Mas quando chega à Casa Branca, não pode dominar. E quando não pode dominar, Miss Willey vira-se contra ele, e Miss Monica vira-se contra ele. Teria garantido a lealdade dela se lhe fosse ao cu. O pacto devia ter sido esse. Isso tê-los-ia ligado. Mas não houve pacto.
- Bem, ela assustou-se. Sabes bem que esteve prestes a não dizer nada. Starr esmagou-o. Onze gajos na sala com ela naquele hotel, já imaginaste? A massacrá-la? Foi uma geraldina. Uma violação colectiva encenada por Starr naquele hotel.
- Isso é verdade. Mas ela já andava a falar com Linda Tripp.
- Ah, sim.
- Andava a falar com toda a gente. Pertence àquela cultura idiota do blá-blá-blá. A esta geração que se orgulha da sua superficialidade. A sinceridade é tudo. Sincera e vazia, totalmente vazia. A sinceridade que dispara em todas as direcções. A sinceridade que é pior que a falsidade e a inocência que é pior do que a corrupção. Toda a rapacidade oculta sob o manto da sinceridade. E do jargão. Aquele vocabulário maravilhoso de todos eles, e em que parecem acreditar, a respeito da «falta de mérito próprio», quando na realidade estão sempre convencidos de que têm direito a tudo. Chamam carinho ao descaramento e mascaram a desumanidade de perda de «auto-estima». Hitler também tinha falta de auto-estima. Esse era o problema dele. É uma farsa, o que esses miúdos armaram. A hiperdramatização das emoções mais insignificantes. Relação. A minha relação. Clarificar a minha relação. Quando abrem a boca apetece-me amarinhar pelas paredes. Toda a linguagem deles é um somatório da estupidez dos últimos quarenta anos. Conclusão. Eis um dos chavões. Os meus alunos não podem permanecer no lugar onde o pensamento deve ocorrer. Conclusão! Fixam-se na narrativa convencionalizada com o seu princípio, o seu meio e o seu fim. Qualquer experiência, por muito ambígua, intrincada ou misteriosa que seja, tem de se prestar a esse lugar-comum normalizante e convencionalizante de pivô de televisão. Chumbo qualquer miúdo que peça conclusão. Querem conclusão? Eu dou-lhes a conclusão.»
Excerto de " A mancha branca ", de Philip Roth, Trd. Fernanda Pinto Rodrigues
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Sometimes I Wish We Were an Eagle

Eid Ma Clack Shaw
Jim Cain
Sometimes I Wish We Were an Eagle é o segundo albúm a solo de Bill Callahan(Smog).
Too many birds

Too many birds in one tree
Too many birds in one tree
And the sky is full of black and screaming leaves
The sky is full of black and screaming
And one more bird
Then one more bird
And one last bird
And another
One last black bird without a place to land
One last black bird without a place to be
Turns around in hopes to find the place it last knew rest
Oh black bird, over black rain burn
This is not where you last knew rest
You fly all night to sleep on stone
The heartless rest that in the morn, we'll be gone
You fly all night to sleep on stone, to return to the tree with too many birds
Too many birds
Too many birds
If...
If you...
If you could...
If you could only...
If you could only stop...
If you could only stop your...
If you could only stop your heart...
If you could only stop your heart beat...
If you could only stop your heart beat for...
If you could only stop your heart beat for one heart...
If you could only stop your heart beat for one heart beat.
Fotografia de Graciela Iturbide, música " Too many birds " de Bill Callahan
domingo, 16 de agosto de 2009
Doce da Teixeira

Meu querido mês de Agosto*
A música das moscas
Começa o meio de Agosto e são as festas em toda a parte. De Senhoras nossas. Da Agonia; da Assunção; do Desespero; da Angústia; da Depressão; das Dores: de todos os castigos imagináveis que possam ajudar a disfarçar o prazer que dão.
É um prazer ouvir a música ao fundo das bandas a ensaiar aqui ao pé, para a festa de amanhã. Das filármonicas mal preparadas que se querem preparar num dia só; das charangas desafinadas que mais ninguém vai ouvir.
Agosto é um mês de partilhas indesejadas. São as pessoas perto de mais. São as estradas e praias que nos fazem sentir parte de um horrendo organismo multicelular. É o bacanal das moscas, esquecidas até do açucar, tal é a febre pela marmelada. Mas, tal com no amor, não é por uma coisa ser indesejada que é desnecessária.
Ouço a filármonica a deglutir a melodia, já de si escassa, do Malhão, Malhão e, atrás da nuvem de moscas, ainda consigo vislumbrar o coreto onde tudo se vai passar. Aqui ao pé, mas longe de mim. E chego a esta chocante conclusão: afinal gosto. Sem participação e com queixume entredentes, a proximidade destas coisas celebratórias até comove um bocadinho. É como se estivéssemos lá sem termos de lá estar. É como concordar que é melhor ser humano a aturar as moscas do que ser mosca a aturar seja o que for.
Faz-nos bem estarmos perto, estando separados. São os erros dos músicos coagidos que tornam bonito o assassinato musical que cometem.
Miguel Esteves Cardoso, Público, 16/08/2009
*Dino Meira - " Meu querido mês de Agosto "
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
« Me meto a la primera cantina que veo para tomarme un mezcal a la salud del loco Lowry. Como todo en Bajo el volcán, en Cuernavaca, en México, la cantina tiene un lema hilarante: "Gentiles son los hombres dados a la ociosidad". La idea del mezcal en Cuernavaca es una transposición literaria de Lowry: lo tomó hasta el delirio en Oaxaca con su amiguete Juan Fernando Márquez, al que le dedica Oscuro como la tumba donde yace mi amigo. A lo mejor Márquez no existió y Lowry se la pasó en El Farolito de Oaxaca como yo aquí en Cuernavaca: bebiendo solo. El mesero me muestra la botella de mezcal. La etiqueta hubiera divertido a Lowry y, quizás, más a Jan: "Mezcalm Lowry. A punto de veneno". Y me siento a beber. Abro la libreta y pienso en Lowry y, con el paso de los tragos, en amores.»
Ler aqui artigo completo, escrito por Fabrizio Mejía Madrid e publicado no El País.
Desenho de Fernando Vicente e ilustração para uma edição mexicana de "Debaixo do vulcão" por Alberto Gironella
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
«Cada um de nós é inteiramente excepcional» *
* Agostinho da Silva
Para reflectir
0,3%
Eu que não sou economista e não acredito em coincidências, gostaria, que alguém me explicasse o porquê dos 0,3%!
Não terá a haver, com o aumento do consumo, originado pela antecipação dos reembolsos do IRS?
terça-feira, 11 de agosto de 2009
“Presos por uma Corrente de Ar”*

segunda-feira, 10 de agosto de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
sábado, 8 de agosto de 2009
Moby Dick

Willy DeVille
Morreu Willy DeVille. Ler aqui obituário no El Mundo.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
A artificialidade é a maneira de gozar a naturalidade. O que gozei destes campos vastos, gozei-o porque aqui não vivo. Não sente a liberdade quem nunca viveu constrangido.
A civilização é uma educação de natureza. O artificial é o caminho para uma apreciação do natural.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
La cama de Pandora
Ilustração: Luci GutiérrezPandora Rebato, El Mundo
domingo, 2 de agosto de 2009
P.S.Kroyer(2)
Paris,Texas
«E eis pai e filho, emboscados em Houston, de binóculos e walkie-talkies, à espera da mãe, à procura da mãe, perseguindo um carro vermelho que talvez seja ou não seja dela. Travis descobre que Jane trabalha num peep-show, lá está Nastassja Kinski esplendorosa, um vestido de lã cor-de-rosa sem ombros, naquela casa de fantasmas e fantasias. Ele finge que é um cliente, do outro lado do espelho, onde ela não o vê, e fica decepcionado, quer de novo acusá-la, mas ela diz que é uma confidente dos clientes. Não é uma prostituta: é uma mulher que ouve os homens. Travis vai-se embora, e conta a Hunter que o pai gostava que a mãe fosse uma "fancy woman", uma mulher parisiense, mas que ela era apenas uma mulher simples e boa, e que isso é o mais difícil. Mas o pai gostava de uma ideia de dela, tal como Travis gosta de uma ideia de família. Percebe então que não há família possível, que o que ele fez não tem cura, os anos de ciúmes, álcool, violência, uma história de amor que começou com uma aventura e que acabou com ele literalmente em chamas. Grava uma carta de despedida e vai de novo ter com Jane, como se fosse um cliente.
Num longo monólogo, de costas para não a ver, ele conta a história trágica de Jane e Travis. Sabe que o passado não volta, que a zona de segurança não existe, mas existe Hunter. "(E) ele precisa de ti." Jane, loura, vestido preto, sotaque sulista, reconhece-o enfim, como nos grandes textos clássicos, um "Oh, Travis" que é um eco de Bresson ("Oh, Jeanne"), e diz: "Todos os homens têm a tua voz." Eles os dois mal se vêem, não se tocam, estão unidos apenas num mesmo reflexo, a cara dele e dela sobrepostas.
E chega a felicidade possível: Hunter em silêncio, quase a medo, surpreendido com Jane a entrar no quarto, e depois tão natural como um filho e uma mãe, a mexer-lhe no cabelo louro, louro como o dele, e depois um abraço que é uma dança. E Harry Dean Stanton, noite e luzes no rosto de meia-idade, desaparece de novo, cantou já, agora vai chorando, e o seu último sinal de tristeza é um sorriso. O casal acabou, mas teremos sempre Paris, Texas.»
Excerto da crónica " A sagrada família ", de Pedro Mexia, publicada no P2(Público) de 02/08/2009
sábado, 1 de agosto de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
- Não tem. Aí é que se engana - disse Teddy. - Toda a gente pensa que as coisas acabam num ponto qualquer. Mas não. É isso que eu estava a tentar dizer ao Professor Peet. -Mexeu-se no assento e tirou do bolso a lástima de um lenço, uma coisa cinzenta, amarfanhada, e assoou-se. - As coisas só parecem acabar num ponto qualquer porque a maior parte das pessoas só sabe olhar para as coisas dessa maneira - disse ele. - Mas isso não quer dizer que acabem. - Guardou o lenço, e olhou para Nicholson. - Importa-se de levantar o braço um segundo, faz favor? - perguntou.
- O meu braço? Porquê?
- Levante-o. Só um segundo.
Nicholson levantou o braço uns centímetros acima do braço da cadeira. «Este?», perguntou.
Teddy fez que sim com a cabeça. « Que nome dá a isso? », perguntou.
- Como assim? É o meu braço. É um braço.
- Como sabe que é? - perguntou Teddy. - Sabe que lhe chamam um braço, mas como sabe o que é? Tem alguma prova de que é um braço?
Nicholson tirou um cigarro do maço e acendeu-o. « Francamente, isso tresanda a sofisma do pior - disse ele, soprando o fumo. - É um braço, co´s diabos, porque é um braço. Para já, tem de ter um nome para se distinguir de outros objectos. Quer dizer, não se pode simplesmente...»
- Está apenas a ser lógico - disse Teddy, impassível.
- Estou a ser apenas o quê? - perguntou Nicholson, com uma polidez um pouco exagerada.
- Lógico. Estou a tentar ajudá-lo. Perguntou-me como saio das dimensões finitas quando quero. Não é a lógica que eu uso , quando o faço. A lógica é a primeira coisa de que temos de nos desembaraçar.
Nicholson retirou da língua um fio de tabaco, com os dedos.
- Conhece o Adão? - perguntou Teddy.
- Se conheço quem?
- Adão. O da Bíblia.
Nicholson hesitou. « Pessoalmente não », disse ele cortante.
Teddy hesitou. « Não se zangue comigo - disse ele. - Fez-me uma pergunta e eu estou a...»
- Não estou zangado consigo, por amor de Deus.
-Ok - disse Teddy. Estava reclinado na cadeira, mas com a cabeça voltada para Nicholson. - Lembra-se daquela maçã que Adão comeu no Paraíso, como vem na Bíblia? - perguntou. - Sabe o que havia naquela maçã. Por isso, isto é o que eu acho, o que tem de fazer é vomitá-la se quiser ver as coisas como elas são realmente. Quer dizer, se vomitar a maçã, então já não tem mais problemas com blocos de madeira e assim. E fica a saber o que o seu braço é realmente, se estiver interessado. Está a ver o que eu quero dizer? Está a seguir o que eu digo?
- Estou a seguir, estou - disse Nicholson, um pouco seco.
- O problema - disse Teddy - é que a maior parte das pessoas não quer ver as coisas como elas são. Nem sequer querem deixar de estar sempre a nascer e a morrer. Querem sempre novos corpos, em vez de pararem e de ficarem com Deus, que é onde se está realmente bem. - Reflectiu uns instantes. - Nunca vi um tal bando de comedores de maçãs - disse ele. Abanou a cabeça.»
Excerto do conto " Teddy ", deJ.D.Salinger, incluído no livro " Nove contos ", Trd. José Lima, 2ª edição, p.182/183
sábado, 25 de julho de 2009
Venus
terça-feira, 21 de julho de 2009
Nicarágua
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Excerto de " Os grandes cemitérios sob a Lua "(1938), de Georges Bernanos, Trd. Fernanda Pinto Rodrigues
domingo, 19 de julho de 2009
domingo, 12 de julho de 2009
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- O Livro do Desassossego
- Plan 59(ilustrações)
- Preto e Branco
- Revista Cabinet
- Revista Histórica
- Robert Capa
- Sebastião Salgado
- Tintoretto
- Tiziano
- Turner
- Vinings Gallery
- Will Eisner
- Ésquilo
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