Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

« Me meto a la primera cantina que veo para tomarme un mezcal a la salud del loco Lowry. Como todo en Bajo el volcán, en Cuernavaca, en México, la cantina tiene un lema hilarante: "Gentiles son los hombres dados a la ociosidad". La idea del mezcal en Cuernavaca es una transposición literaria de Lowry: lo tomó hasta el delirio en Oaxaca con su amiguete Juan Fernando Márquez, al que le dedica Oscuro como la tumba donde yace mi amigo. A lo mejor Márquez no existió y Lowry se la pasó en El Farolito de Oaxaca como yo aquí en Cuernavaca: bebiendo solo. El mesero me muestra la botella de mezcal. La etiqueta hubiera divertido a Lowry y, quizás, más a Jan: "Mezcalm Lowry. A punto de veneno". Y me siento a beber. Abro la libreta y pienso en Lowry y, con el paso de los tragos, en amores.»



Ler aqui artigo completo, escrito por Fabrizio Mejía Madrid e publicado no El País.

Desenho de Fernando Vicente e ilustração para uma edição mexicana de "Debaixo do vulcão" por Alberto Gironella

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

«Cada um de nós é inteiramente excepcional» *

* Agostinho da Silva

Para reflectir

«De todas as ideologias que ocupam a nossa mente - e, através dela, influenciam as nossas motivações e acções -, a mais importante não é o liberalismo, nem o socialismo, nem o conservadorismo. Aquela que tem maior sucesso é, sem sombra de dúvida, a ideologia do crescimento económico. Trata-se de uma ideologia transversal a todos os partidos e à sociedade. Economistas e políticos, comentadores e jornalistas, recordam-nos incessantemente que o objectivo colectivo mais importante para o país é o crescimento.

Não nego que o crescimento seja um valor importante, especialmente num momento de crise. Mas creio que há outros valores colectivos que são não apenas igualmente importantes, mas até mais importantes do que aquele. Eis alguns exemplos: a segurança individual, a liberdade igual para todos, a igualdade de oportunidades, a coesão social, a justiça distributiva, a protecção do ambiente e da paisagem, ou até a felicidade social de que falavam os utilitaristas clássicos. Creio que a maior parte das pessoas reconhecerá a importância e mesmo o primado destes e de outros valores colectivos face ao crescimento económico. Mas, se é assim, por que razão não têm estes valores pelo menos um peso equivalente ao do crescimento económico no discurso político?» ler aqui artigo completo.
João Cardoso Rosas, Jornal i, 13/08/2009

0,3%

A economia portuguesa cresceu 0,3% face ao 1º trimestre de 2009. A economia francesa e alemã cresceram 0,3% face ao 1º trimestre de 2009.

Eu que não sou economista e não acredito em coincidências, gostaria, que alguém me explicasse o porquê dos 0,3%!

Não terá a haver, com o aumento do consumo, originado pela antecipação dos reembolsos do IRS?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

“Presos por uma Corrente de Ar”*


Sinopse
“Imaginem uma praça no meio da cidade. Uma banda filarmónica e um Presidente que quer lançar a 1.ª pedra de uma grande obra. Imaginem quatro personagens, quatro presos a cumprir a pena em serviço comunitário, com o objectivo principal de “erguer” uma estátua integrada numa candidatura a Património da Humanidade. Imaginem agora um “deslize”no orçamento e uma necessidade urgente de terminar e apresentar a obra aos cidadãos, que afinal se encontram na praça para isso mesmo. De forma a “ocupar” o público até que a obra termine, o “Sr.” Presidente e Maestro da Banda Filarmónica composta pelo particular e potente número de 2 músicos, entretêm – se a criar e executar verdadeiros momentos de entretenimento."
*Peça de teatro encenada pelo Teatro de Montemuro para o Festival Altitudes.

Ler nas linhas e nas entrelinhas

«Selmes é uma pequena freguesia do concelho da Vidigueira. A sua população é muito devotada aos mistérios do Além e ao espírito errante do morgado da Rabadoa, desaparecido de forma dramática nos primeiros anos do século XX e cuja alma, garantem, andará a cirandar na busca do infortúnio de quem circula numa qualquer curva da estrada que liga a povoação ao mundo real. Pois bem, é nesta terra que trata tu cá, tu lá as almas do outro mundo que uma população tolhida pelo medo foi testemunha das acções violentas de um indivíduo romeno que está ligado a práticas ilegais de tráfico de mão-de-obra do seu país, sob a capa de uma empresa de trabalho temporário e sobre o qual impendem mandados de captura.» Carlos Dias, Público, 11/08/2009

«No conjunto das seis concessões de auto-estradas que já foram adjudicadas, a diferença entre a proposta inicial e a final, que sucede à fase de negociações dos concursos, é em média de 57 por cento, apesar de todos os cadernos de encargos referirem que os valores finais não podem resultar em condições menos vantajosas para o concedente Estradas de Portugal, noticia hoje o Jornal de Negócios.» Público, 11/08/2009

domingo, 9 de agosto de 2009

«O tempo flui sempre como o rio: melancólico e equívoco a princípio, precipitando-se a si mesmo à medida que os anos vão passando. Como o rio, enreda-se entre as ulvas tenras e o musgo da infância. Como ele, despenha-se nos desfiladeiros e nas cascatas que assinalam o início da sua aceleração. Até aos vinte ou trinta anos, pensamos que o tempo é um rio infinito, uma substância estranha que se alimenta de si mesma e nunca se consome. Chega, porém, um momento em que o homem descobre a traição dos anos. Chega sempre um momento - o meu coincidiu com a morte da minha mãe - em que, de súbito, a juventude acaba e o tempo degela como um montão de neve atravessado por um raio. A partir desse momento, os dias e os anos começam a diminuir e o tempo converte-se num vapor efémero - como o que a neve desprende quando derrete - que a pouco e pouco envolve o coração, adormecendo-o. E, assim, quando queremos dar-nos conta, já é tarde para tentar sequer rebelar-nos.»
Excerto de " A chuva amarela ", de Julio Llamazares, Trd. António José Massano, Ed. Terramar

sábado, 8 de agosto de 2009

Grande Raul

Morreu Raul Solnado. Ler aqui no Público.

Moby Dick


Ilustración de Rockwell Kent para una edición de Moby Dick de los años treinta(El País)
«Moby Dick es la clase de obra maestra que uno siempre cree distraídamente haber leído, envolviendo su ignorancia en el engaño de la familiaridad: la ballena blanca, la demencia de Ahab, los símbolos evidentes, etcétera. Yo me puse a leer Moby Dick hace unos años creyendo que la conocía y descubrí una novela imposible, lóbrega, que unas veces era un relato de aventuras y otras una enciclopedia compilada por un loco, que venía tempestuosamente de la Biblia y de Shakespeare y parecía anticipar a Conrad y a Joyce, que se perdía en divagaciones más bien impenetrables y emergía luego en largos pasajes luminosos; una novela sobre una mente trastornada que tenía algo de trastorno ella misma; que quería atrapar la forma de un animal inconcebible y cobraba la forma de ese mismo animal; y que le afectaba a uno físicamente, lo mareaba, lo enaltecía como a los marineros que escuchan los desvaríos oratorios del capitán Ahab; lo intoxicaba al sumergirlo en escenas larguísimas de una crueldad literalmente sanguinaria que va más allá de las matanzas de La Odisea o del paroxismo caníbal de Tito Andrónico: las arterias cortadas de una ballena anegando a los marineros en torrentes de sangre; el mar hirviendo de tiburones que se matan entre sí compitiendo por los despojos de la ballena recién descuartizada.»
Antonio Muñoz Molina, El País de 08/08/2009, ler aqui artigo completo.

Willy DeVille

Morreu Willy DeVille. Ler aqui obituário no El Mundo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

«A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensualidade como o obstáculo para a energia.
A artificialidade é a maneira de gozar a naturalidade. O que gozei destes campos vastos, gozei-o porque aqui não vivo. Não sente a liberdade quem nunca viveu constrangido.
A civilização é uma educação de natureza. O artificial é o caminho para uma apreciação do natural.
É na harmonia entre o natural e o artificial que consiste a naturalidade da alma humana superior.»

Excerto do " Livro do Desassossego ", de Fernando Pessoa, Ed.Richard Zenith para a Assírio & Alvim

terça-feira, 4 de agosto de 2009


Fotografia de Dinah Willis(autor ?), Miss Dezembro de 1965; pintura de Kees Van Dogen

Word Gets Around

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

La cama de Pandora

Ilustração: Luci Gutiérrez

«Señoras, la matrícula de honor la tenemos todas, pero sólo cuando respetamos nuestro cuerpo. Lo que tenemos entre las piernas no es feo, ni viejo... (y salvo problemas evidentes), viene perfecto de serie, no necesita muchos extras. Así es que cuídenlo y disfrútenlo con sabiduría y sin vergüenza, como yo he intentado aprender con el paso de los años. Ya les iré contando...» continuar a ler aqui.

Pandora Rebato, El Mundo

domingo, 2 de agosto de 2009

P.S.Kroyer(2)


P.S.Kroyer e sua esposa Marie, revelados por um excelente documentário transmitido hoje pela RTP2.
Ver aqui uma selecção das suas obras.

P.S.Kroyer(1)











Paris,Texas


«E eis pai e filho, emboscados em Houston, de binóculos e walkie-talkies, à espera da mãe, à procura da mãe, perseguindo um carro vermelho que talvez seja ou não seja dela. Travis descobre que Jane trabalha num peep-show, lá está Nastassja Kinski esplendorosa, um vestido de lã cor-de-rosa sem ombros, naquela casa de fantasmas e fantasias. Ele finge que é um cliente, do outro lado do espelho, onde ela não o vê, e fica decepcionado, quer de novo acusá-la, mas ela diz que é uma confidente dos clientes. Não é uma prostituta: é uma mulher que ouve os homens. Travis vai-se embora, e conta a Hunter que o pai gostava que a mãe fosse uma "fancy woman", uma mulher parisiense, mas que ela era apenas uma mulher simples e boa, e que isso é o mais difícil. Mas o pai gostava de uma ideia de dela, tal como Travis gosta de uma ideia de família. Percebe então que não há família possível, que o que ele fez não tem cura, os anos de ciúmes, álcool, violência, uma história de amor que começou com uma aventura e que acabou com ele literalmente em chamas. Grava uma carta de despedida e vai de novo ter com Jane, como se fosse um cliente.

Num longo monólogo, de costas para não a ver, ele conta a história trágica de Jane e Travis. Sabe que o passado não volta, que a zona de segurança não existe, mas existe Hunter. "(E) ele precisa de ti." Jane, loura, vestido preto, sotaque sulista, reconhece-o enfim, como nos grandes textos clássicos, um "Oh, Travis" que é um eco de Bresson ("Oh, Jeanne"), e diz: "Todos os homens têm a tua voz." Eles os dois mal se vêem, não se tocam, estão unidos apenas num mesmo reflexo, a cara dele e dela sobrepostas.

E chega a felicidade possível: Hunter em silêncio, quase a medo, surpreendido com Jane a entrar no quarto, e depois tão natural como um filho e uma mãe, a mexer-lhe no cabelo louro, louro como o dele, e depois um abraço que é uma dança. E Harry Dean Stanton, noite e luzes no rosto de meia-idade, desaparece de novo, cantou já, agora vai chorando, e o seu último sinal de tristeza é um sorriso. O casal acabou, mas teremos sempre Paris, Texas.»

Excerto da crónica " A sagrada família ", de Pedro Mexia, publicada no P2(Público) de 02/08/2009

God Help the Girl

sábado, 1 de agosto de 2009

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ilustração de Forges, El País

terça-feira, 28 de julho de 2009

domingo, 26 de julho de 2009

Michelangelo Pistolleto

Ver aqui site de Michelangelo Pistolleto.
«Nicholson tirou mais um cigarro, mas sem desviar os olhos de Teddy. «Como é que se sai das dimensões finitas? - perguntou, e soltou uma risadinha. - Quer dizer, para pôr as coisas em termos básicos, um bloco de madeira é um bloco de madeira, por exemplo. Tem cumprimento, largura...»
- Não tem. Aí é que se engana - disse Teddy. - Toda a gente pensa que as coisas acabam num ponto qualquer. Mas não. É isso que eu estava a tentar dizer ao Professor Peet. -Mexeu-se no assento e tirou do bolso a lástima de um lenço, uma coisa cinzenta, amarfanhada, e assoou-se. - As coisas só parecem acabar num ponto qualquer porque a maior parte das pessoas só sabe olhar para as coisas dessa maneira - disse ele. - Mas isso não quer dizer que acabem. - Guardou o lenço, e olhou para Nicholson. - Importa-se de levantar o braço um segundo, faz favor? - perguntou.
- O meu braço? Porquê?
- Levante-o. Só um segundo.
Nicholson levantou o braço uns centímetros acima do braço da cadeira. «Este?», perguntou.
Teddy fez que sim com a cabeça. « Que nome dá a isso? », perguntou.
- Como assim? É o meu braço. É um braço.
- Como sabe que é? - perguntou Teddy. - Sabe que lhe chamam um braço, mas como sabe o que é? Tem alguma prova de que é um braço?
Nicholson tirou um cigarro do maço e acendeu-o. « Francamente, isso tresanda a sofisma do pior - disse ele, soprando o fumo. - É um braço, co´s diabos, porque é um braço. Para já, tem de ter um nome para se distinguir de outros objectos. Quer dizer, não se pode simplesmente...»
- Está apenas a ser lógico - disse Teddy, impassível.
- Estou a ser apenas o quê? - perguntou Nicholson, com uma polidez um pouco exagerada.
- Lógico. Estou a tentar ajudá-lo. Perguntou-me como saio das dimensões finitas quando quero. Não é a lógica que eu uso , quando o faço. A lógica é a primeira coisa de que temos de nos desembaraçar.
Nicholson retirou da língua um fio de tabaco, com os dedos.
- Conhece o Adão? - perguntou Teddy.
- Se conheço quem?
- Adão. O da Bíblia.
Nicholson hesitou. « Pessoalmente não », disse ele cortante.
Teddy hesitou. « Não se zangue comigo - disse ele. - Fez-me uma pergunta e eu estou a...»
- Não estou zangado consigo, por amor de Deus.
-Ok - disse Teddy. Estava reclinado na cadeira, mas com a cabeça voltada para Nicholson. - Lembra-se daquela maçã que Adão comeu no Paraíso, como vem na Bíblia? - perguntou. - Sabe o que havia naquela maçã. Por isso, isto é o que eu acho, o que tem de fazer é vomitá-la se quiser ver as coisas como elas são realmente. Quer dizer, se vomitar a maçã, então já não tem mais problemas com blocos de madeira e assim. E fica a saber o que o seu braço é realmente, se estiver interessado. Está a ver o que eu quero dizer? Está a seguir o que eu digo?
- Estou a seguir, estou - disse Nicholson, um pouco seco.
- O problema - disse Teddy - é que a maior parte das pessoas não quer ver as coisas como elas são. Nem sequer querem deixar de estar sempre a nascer e a morrer. Querem sempre novos corpos, em vez de pararem e de ficarem com Deus, que é onde se está realmente bem. - Reflectiu uns instantes. - Nunca vi um tal bando de comedores de maçãs - disse ele. Abanou a cabeça.»

Excerto do conto " Teddy ", deJ.D.Salinger, incluído no livro " Nove contos ", Trd. José Lima, 2ª edição, p.182/183

sábado, 25 de julho de 2009

Venus

Andy Warhol, Mural (Venus on Rollerskates). Black and White Photo, c. 1985. All artwork ©2002 The Andy Warhol Foundation for the Visual Arts.

Hard Times

Hard Times

Hard Times

terça-feira, 21 de julho de 2009

Time For Love

Nicarágua







«Treinta años después del inicio de la revolución sandinista, "el Gobierno [del aún sandinista Daniel Ortega] ha concentrado las pautas publicitarias en medios de comunicación afines a su política y utiliza la publicidad oficial como un mecanismo de castigo contra la prensa crítica", según un informe de la Sociedad Interamericana de Prensa (SIP). Al respecto, Douglas Carcache, jefe de Información del diario nicaragüense La Prensa, afirma que en su país sí hay libertad de expresión, pero matiza que es una libertad bajo acoso: "El temor a las amenazas del Gobierno han conducido a algunos medios a la autocensura".» ler aqui artigo completo.
I. Benito/V.Calderon, El País.Com, 21/07/2009, fotografias de Rafael Trobat.
« Os usos evoluem mais lentamente do que os costumes, ou antes, os costumes não evoluem, parecem sujeitos às bruscas e profundas mutações que assinalam a origem e o declínio dos períodos históricos, do mesmo modo que os das espécies animal ou vegetal. O mundo está maduro para qualquer forma de crueldade, como para qualquer forma de fanatismo ou superstição. Bastaria que respeitássemos certos desses usos e, por exemplo, nos abstivéssemos de violar o seu curioso sentimento de solicitude para com os animais, talvez uma das raras aquisições da sensibilidade ocidental moderna. Creio que os Alemães se habituariam muito depressa a queimar publicamente os seus judeus, e os estalinistas os seus trotskistas. Eu vi, vi com os meus olhos, eu que vos falo vi, vi um pequeno povo cristão, tradicionalmente pacífico, de uma extrema e quase excessiva sociabilidade, tornar-se de repente duro, vi aqueles rostos endurecer, até mesmo os das crianças. É, pois, inútil pretender que se podem controlar certas paixões, uma vez desencadeadas. »

Excerto de " Os grandes cemitérios sob a Lua "(1938), de Georges Bernanos, Trd. Fernanda Pinto Rodrigues

domingo, 19 de julho de 2009

Arthur Melville




Arthur Melville, ler aqui na Wikipédia.

domingo, 12 de julho de 2009

Grizzly Bear - Knife


Georges de La Tour



Ver aqui na Wikipédia.

«Há uma atitude no Ocidente que é dizer: "Ah, o problema dos americanos foi tentarem impor a democracia a um povo que não estava preparado para ela." Acredito firmemente no contrário. Os iraquianos queriam democracia, esperaram prosperidade, paz, modernização, e os americanos não trouxeram nada disso.

Todos os dias ouço essa atitude no Ocidente: "Sabe, essas pessoas são assim, nós também éramos, com o tempo as coisas mudarão." É a atitude de considerar que não precisamos de ter princípios quando atravessamos o mar, porque respeitamos a especificidade. Isto é profundamente hipócrita. Não é verdadeiro e é contraproducente. A aspiração das nações, das pessoas em toda a parte, é praticamente a mesma. As pessoas querem viver melhor, querem vidas melhores para os filhos, mandá-los para a escola. Em toda a parte querem viver com dignidade.

O que acontece às vezes é que não lhes é dada alternativa. Há um ditador e a forma de as pessoas se organizarem é a religião. E todo o discurso se desenvolve a partir daí. Quando a verdadeira aspiração não é essa.

Não penso que haja no islão algo que impeça as sociedades de se tornarem democráticas, modernas, avançadas.

Precisamos de olhar para "o outro" como um vasto mundo de diferentes línguas, tradições, crenças. Há países islâmicos com eleições abertas, por exemplo, hoje mesmo, a Indonésia. A vasta maioria dos indonésios não vê contradição entre democracia e crença, e é a mais populosa nação islâmica do mundo. Isto pode acontecer em qualquer lado. A Indonésia teve uma mulher presidente, o Bangladesh, o Paquistão, a Turquia tiveram mulheres primeiras-ministras. Podemos empurrar as pessoas para o pior de si, mas é mais responsável empurrá-las para o melhor.

Se resolvermos o problema do Médio Oriente e as relações entre Ocidente e mundo islâmico, talvez as pessoas mais teimosas fiquem isoladas e não sejam capazes de mobilizar massas.» ler aqui entrevista completa.

Entrevista de Alexandra Lucas Coelho a Amin Maalouf, publicada no P2(Público) de 10/07/2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009

segunda-feira, 6 de julho de 2009


«Em tempos, o lavrador do Douro era alguém muito especial,que não precisava de ter uma psicologia, bastava significar um cargo dentro de um território. A Marca era esse território, e dentro dele tudo se passava sem muitas surpresas; interessado nas obrigações, o lavrador era uma espécie de místico que a filoxera estremeceu, mas que sobrevive ainda numa certa alegoria onde lampeja o espírito rácico. Talvez isto aconteça com todos os territórios e as suas populações e os seus clãs; mas no Douro é particularmente evidente essa convulsão de opiniões que expulsam tudo o que não se refere aos seus costumes e à sua organização modelada pelo clima, a sedentariedade, a minúcia de uma cultura e o método que repudia transformações e crescimento. Diferente do que pensam os economistas, uma área produtiva não se destina apenas a ser rentável; sobretudo é uma área onde a vida se condensa e se transmite. Representa uma condição histórica que se reflecte e se repercute, pondo a tónica principal, não no lucro, mas sobretudo na circulação da energia, que implica o lucro também, mas que acentua a persuasão da inteligência, do investimento moral. Pode acontecer que, mercê de uma imobilidade sentimental, mais do que motivada por carência material, um território se degrade e a crise se instale irremediavelmente. O perigo de uma civilização local é o de ela se tornar incomunicável; com o Douro, com o Nordeste Transmontano, com o País inteiro talvez, passa-se isto: ama a sua anexão ao hábito, á energia que não dinamiza e que se circunscreve a uma intriga momentânea e suburbana. Nada mais, tudo se converte em rotina. E, com ela, procede-se à sensibilidade barroca, ao apanágio do pormenor, ao retraimento cívico em favor da gesta privada. Enquanto se degusta a passividade, cai-se no arcaico. E a pessoa provincial dificilmente se recupera para universalidade da esperança, ficando-se no diálogo com os mortos e o colóquio com os antepassados, elevados à qualidade de monitores pelo conforto que a sua distância ministra.»

Excerto de " Os meninos de ouro ", de Agustina Bessa Luís, Ed. Guimarães Editores, 7ªEdição, 1987

Linha do Corgo em Alvações







quinta-feira, 2 de julho de 2009

Los cuernos que hicieron dimitir al ministro portugués*

Caricatura de Fernando Vicente

«El Ministro de Economía e Innovación de Portugal, Manuel Pinho, presentó este jueves por la noche su dimisión, ya aceptada por el jefe de Gobierno, el socialista José Sócrates, tras hacer en el Parlamento un gesto indecoroso hacia el portavoz del Partido Comunista.» El Mundo

«La fragilidad política del primer ministro portugués, José Sócrates, ha aumentado con un escándalo mayúsculo en el Parlamento, que provocó la dimisión del ministro de Economía, Manuel Pinho. Pésima señal en la recta final de la Legislatura, a poco más de dos meses de las elecciones. La Asamblea de la República, en sesión plenaria, realizaba el último debate parlamentario antes de vacaciones sobre el Estado de la Nación, en el que la oposición en bloque, derecha e izquierda, condenó la política del Gobierno socialista.» El País

«O ministro da Economia e Inovação português, Manuel Pinho, apresentou nesta quinta-feira sua renúncia, já aceita pelo primeiro-ministro, o socialista José Sócrates, depois de ter feito um gesto ofensivo ao porta-voz do Partido Comunista em pleno Parlamento de Portugal.» Folha de S.Paulo

«Manuel Pinho é desde hoje o ex-ministro da Economia do Governo de José Sócrates na sequência de um gesto no Parlamento. Uma situação que lamenta mas que deu por encerrada numa entrevista à SIC onde admitiu não querer fazer carreira na política. Sobre o futuro não quis abrir o jogo. “Agora o que quero passar é umas belíssimas férias”, disse Pinho, que aproveitou para elogiar as reformas do Executivo e dizer que ainda há muito a mudar.» Público

«Quem demitiu Manuel Pinho? O PCP ou o Bloco de Esquerda? A disputa entre os dois partidos à esquerda do PS deu nas vistas. Mas o gesto que matou o ministro da Economia teve um simbolismo global.» Expresso

«Na sequência do seu gesto durante o debate do Estado da Nação, Manuel Pinho pediu demissão do cargo de ministro da Economia: simulou um par de chifres com os dedos, gesto dirigido a Bernardino Soares, líder da bancada parlamentar do PCP. O primeiro-ministro confirmou e aceitou a demissão.» Diário de Notícias

* Título do El Mundo

domingo, 28 de junho de 2009

Escola Ramalho Ortigão






















Escola Ramalho Ortigão no Porto, 21/06/2009
Passados 35 anos!

domingo, 21 de junho de 2009

Oh Lord, Give Us More Money

El hombre blanco enloquece con la tierra*


«Davi Kopenawa está luchando para que en Brasil no haya revueltas como las que han sacudido Perú. Hace dos semanas visitó Madrid poco antes de que llegaran las primeras noticias de los levantamientos en Bagua, que produjeron la muerte de 24 policías y entre nueve y cien indígenas, según las distintas fuentes. Se encuentra de gira por Europa defendiendo la causa de su pueblo, los yanomamis. Tras el estallido del conflicto en Perú, utiliza el correo electrónico para opinar sobre este hecho: "Lo que están haciendo con los indios allí es un crimen. Nosotros sufrimos el mismo problema con blancos que vienen a por nuestros recursos naturales".» ler aqui artigo completo.
* Joseba Elola, El País, 21/06/2009
Fotografia de Luis Sevillano

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" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

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