Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Egberto Gismonti - "7 Anéis"

Imunidade e optimismo*

«Amamos, rimos, viajamos, trabalhamos e fazemos projectos como se fôssemos eternos; continuamos a lutar, mesmo quando sabemos que a tarefa é difícil. É a nossa fé, o nosso amor pela vida que nos faz viver, é a nossa fé, o nosso amor pela vida que nos faz vencer. Isto não significa ignorar o perigo, não significa não estarmos vigilantes. Mas até para nos apercebermos do perigo e para estarmos vigilantes é preciso termos fé nos nossos próprios olhos e na nossa própria capacidade de reagir prontamente.É essa fé e convicção, esse impulso vital que nos permite agir na vida social, trabalhar, construir. Nós não fazemos nada sozinhos, precisamos sempre dos outros. Mesmo assim, para que eles colaborem connosco, temos de lhes mostrar que estamos à altura e não ter medo. Temos de ser generosos, de saber valorizar as melhores qualidades dos outros, de transmitir energia e optimismo. Sim, é melhor errar a tentar conseguir um grande feito do que permanecer inerte. É melhor sofrer por amor do que nunca ter amado. É melhor aceitar a morte do que não nascer.»


* Francesco Alberoni, Diário Económico(07/07/08)

Um em cada quatro jovens é vítima de violência no namoro *

«"Só fez aquilo porque estava descontrolado, perdeu a cabeça" ou "o descontrolo é porque tem medo de a perder. Não é violência". São frases que Carla Machado e Sónia Caridade recolheram junto dos 49 jovens dos grupos de reflexão deste projecto, que foram constituídos depois da aplicação do questionário aos primeiros 4730. »

* DN Online, 07/07/2008



Flaming Lips -" Suspicious Minds "

domingo, 6 de julho de 2008

Dave Eggers


" Este escritor es un visionario ", artigo publicado no " El País" de 06/07/08.

Optimista céptico

Jorge Palma - "Optimista céptico"

A crise(1)

«Na cabeça do cidadão indefeso, os bancos não lhe deram alternativa, o que é verdade se excluirmos a alternativa de não pedir dinheiro emprestado. Mas isso implicaria abdicar de padrões de vida que se sonharam definitivos e adquiridos, exercício que consola menos do que o típico queixume, hoje vagamente legitimado pela crise em curso. Não vale é lembrar que a crise toca a quase todos. E que, por maioria de razão, toca principalmente aos que não a disfarçam mediante o recurso ao crédito, ou porque não o tentaram, ou porque nem sequer o conseguiram.»

Crónica de Alberto Gonçalves publicada no DN de 06/07/08.

Como sobreviver à crise financeira!!!

Conselho de Justiça????


Esta, foi a imagem mais interessante, que captei num jogo da 1ª liga de futebol. Defrontavam-se o Paços de Ferreira com a Académica, sem honra nem glória.
Recordei-me deste jogo, a propósito da polémica reunião do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol.

Filha de duas mães

A Naifa - "Filha de duas mães"

Filha de duas mães

(Maria Rodrigues Teixeira)

filha de duas mães

adoro vesti-las de igual

tenho andado à tua procura

para te amar.

sobre a mesa posta

sem nenhuma vaidade

ensinar-te-ei meu amor

a praticar a caridade.

nunca direi saudade

ligo pouco ao que se diz

mas não levo muito a mal

a ideia de ser feliz.

Tere Bin

Nusrat Fateh Ali Khan -" Tere Bin "

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Love and Death

Woody Allen - "Love and Death"

Lilac Wine

Nina Simone


Jeff Buckley

Matte Kudasai

King Crimson -" Matte Kudasai "

Os testes de Português podiam ser substituídos por uns papeluchos como os do Totobola *

« A fim de serem facilmente classificadas, muitas questões eram de escolha múltipla, ou seja, a seguir a uma frase vinham quatro opções, o que nos leva a pensar que, segundo a ideologia vigente, há uma e apenas uma Verdade. Como se isto não fosse suficientemente arrepiante, algumas das supostas respostas certas estavam erradas: a vice-presidente da Associação de Professores de Português chamou imediatamente a atenção para a falta de acordo entre os colegas no que dizia respeito às respostas para o grupo II, 7. No último grupo, o III, era pedida ao aluno uma redacção, entre 200 e 300 palavras, sobre a “temática da dignidade humana e do respeito pelos direitos humanos no nosso tempo”. Visto tratar-se de escrever sobre o que passa no século XXI, não entendo a vantagem da inclusão do texto do actual presidente do Tribunal de Contas relativo ao século XVII. Pelos vistos, o contexto temporal desapareceu da cabeça destes pedagogos.»
* Artigo de Maria Filomena Mónica, Público(04/07/08)

quinta-feira, 3 de julho de 2008

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Lhasa - "De cara a la pared"


Lhasa -" El Desierto "

A nudez na Natureza



Fotografias de Luís Fonseca(2008)

Kraftwerk - "Autobahn"

Linton Kwesi Johnson( Dub) - "My long day"

John Cooper Clarke em Glastonbury(1982)

Em busca, da casa tradicional portuguesa(!)-1








Fotografias de Luís Fonseca(2008)


Afinidades

António Pinho Vargas -" Tom Waits "(1987)


Tom Waits -" Downtown Train "(1985)

terça-feira, 1 de julho de 2008

Direito à exaltação!

" Não posso pensar na sua vida como inútil. Embora saiba que os artistas são de uma forma geral propensos a um certo sofrimento existencial.

Os artistas são muito vulneráveis à dor da finitude da vida, sim. Durante os anos oitenta tive concertos inesquecíveis, e no dia seguinte chorava. Na altura não compreendia por que estava tão triste no dia a seguir ao concerto exaltante. Era uma espécie de depressão pós-parto, experimentar a exaltação máxima e, no dia seguinte, constatar que tinha passado e nunca mais se repetiria. Há aqui uma relação complicada com a passagem do tempo. Estes altos e baixos de intensidade, sobretudo na vida dos artistas(Schumann, por exemplo, era um tipo muito depressivo, enlouqueceu e fez várias tentativas de suícidio; Churchill também, fazia um discurso de uma enorme intensidade e depois caía num vazio insuportável), devem ser o preço a pagar pelo direito à exaltação."


Excerto de entrevista de António Pinho Vargas, efectuada por Sarah Adamopoulos, para a Notícias Magazine

António Pinho Vargas -" Dança dos pássaros "(1987)

Cada árvore é um ser para ser em nós


David Hockney - Le Parc Des Sources, Vichy (1970)


Cada árvore é um ser para ser em nós


Para ver uma árvore não basta vê-la


a árvore é uma lenta reverência


uma presença reminiscente


uma habitação perdida


e encontrada


À sombra de uma árvore


o tempo já não é o tempo


mas a magia de um instante que começa sem fim


a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas


e de sombras interiores


nós habitamos a árvore com a nossa respiração


com a da árvore


com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses


António Ramos Rosa

I Feel Like The Mother Of The World

Smog -" I Feel Like The Mother Of The World "

In Your Eyes

Papa Wemba & Peter Gabriel -" In Your Eyes "

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Silêncio







Fotografias do Alaska de Roger Nerum
Interpretação de "4.33 " de John Cage

The Go-Betweens: "Bye Bye Pride"

Most gift shops: Fatima, Portugal

Fotografia retirada do blogue: Afinidades eletivas.


Q: What remarkable things have you found in unexpected places?


A: 1. Real beauty: oil stains left by cars in a parking lot.

2. Shoeshine stands in Brazil that looked like thrones made of scrap wood.

3. False teeth in pawnshop windows: Reno, Nevada.

4. Great acoustics: in jail.

5. Best food: airport in Tulsa, Oklahoma.

6. Most gift shops: Fatima, Portugal.

8. Most unlikely location for a Chicano crowd: a Morrissey concert.

9. Most poverty: Washington, DC.

10. A homeless man with a beautiful operatic voice singing the word "bacteria" in an empty dumpster in Chinatown.

11. A Chinese man with a Texan accent in Scotland.

12. Best night's sleep: in a dry riverbed in Arizona.

13. Most people who wear red pants: St Louis.

14. Most beautiful horses: NYC.

15. A judge in Baltimore MD1890 presided over a trial where a man who was accused of murder and was guilty, and convicted by a jury of his peers... and was let go, when the judge said to him at the end of the trial, "You are guilty, sir... but I cannot put in jail an innocent man." You see, the murderer was a Siamese twin.

16. Largest penis (in proportion to its body): the barnacle.


Excerto de entrevista de Tom Waits a Tom Waits, publicada no The Independent, ler aqui na integra.



Tom Waits -" God's Away On Business"

Van Der Graaf Generator -"House with no door "

Rescaldo do Europeu de Futebol(2008)




Franz Beckenbauer, no El Mundo

domingo, 29 de junho de 2008

Waltzing Matilda

Tom Waits -" Waltzing Matilda "

Clair de lune

David Oistrakh no violino e Frida Bauer ao piano- Debussy - "Clair de lune"

Canto de Andar

Luar na Lubre - "Canto de andar"

Na morte de Albert Cossery


"...Estavam ainda entorpecidos pelo medo - esse medo de tudo que paralisa os membros e os cérebros. Quanto tempo seria preciso para que tomassem consciência do seu destino? Necessitavam de muito tempo, antes de poderem captar a luz imaculada do sol e o odor inebriante da vida."
Excerto de " A casa da morte certa ", de Albert Cossery, Trd.Ana Margarida Paixão, Ed. Antígona
Fotografia de Luís Fonseca(2008)

O erotismo é universal(2)

Serge Gainsbourg - "69 Annee Erotique"

O erotismo é universal(1)

"Madeleine dans le désert"(1856) - Eugène Delacroix

"Llegaba a su casa humedecida. Él introducía un dedo entre mis muslos para recoger la miel como la llamaba. La probaba y...". Estas frases serían anodinas en una novela erótica distribuida en Occidente, pero escritas en árabe, por una mujer árabe y publicadas en un país árabe adquieren otro calado. Su autora se convierte de golpe en "la más atrevida de las novelistas árabes", según la cadena de televisión Al Jazeera. Salwa al Neimi, siria afincada en París, lleva años siendo audaz en sus libros de poesía en árabe, pero ha tenido que publicar una novela erótica, La comprobación a través de la miel, para que sus compatriotas y aquellos que ahora la leen en otras lenguas tomen conciencia de su osadía. "Debe de ser que nadie lee ya poesía", comenta desengañada en una cafetería parisiense esta mujer charlatana, que suelta carcajadas y respira alegría por los cuatro costados, pero que guarda con recelo varios fragmentos de su vida de militante política y también su edad.

El País, de 29/06/08,"El árabe es la lengua del sexo" reportagem de Ignacio Cembrero

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Janelas amordaçadas






Janelas do extinto Convento de Barrô
Fotografias de Luís Fonseca(2008)
«Sobre o mosteiro de Barrô, fundado em 1671, conhece-se esta notícia: Mariana da Madre de Deus, que morreu com opinião de Santa a 2 de Janeiro de 1693, com o bom exemplo de suas virtudes, moveu muitas donzelas devotas a abraçarem a vida regular como terceiras de S. Francisco, fundando o seu recolhimento no lugar de Barrô, com obediência do bispo de Lamego; e dotando a casa com seus bens e outros de benfeitores, obteve a faculdade de professor com suas companheiras, feitos os votos solenes, em clausura, florescendo em santidade muitos anos este santuário e mosteiro.»


Fotografia de Luís Fonseca(2008)

The Last Waltz

The Band -" The Night They Drove Old Dixie Down"


The Band -" It Makes No Difference "


The Band -" The Weight "

quinta-feira, 26 de junho de 2008

" Bond of Union"(1956) - M.C. Escher

Emoções à flor da pele

Bruce Springsteen - " This land is your land "



Bob Dylan - "Forever Young / Baby, Let Me Follow You Down"


Spiritualized - "Broken Heart"

O direito à infelicidade*

"...não existe manual de auto-ajuda que não apresente o infortúnio como um elemento estranho à condição humana. A tristeza é uma anormalidade, dizem. O fracasso não existe e, quando existe, deve ser imediatamente apagado, ordenam. Na sapiência dos manuais, a infelicidade não é um facto; é uma vergonha e uma proibição.
O que implica o seu inverso: se a infelicidade é uma proibição, a felicidade é obrigatória por natureza. Obrigatória e radicalmente individual. Ela não depende da sorte, da contingência e da acção de terceiros: daqueles que fazem, e tantas vezes desfazem, o que somos e não somos. Depende, exclusiva e infantilmente, de nós. O tom é militar e marcial; a felicidade é uma batalha e uma conquista. E eu rendo-me ao primeiro disparo. Quem suporta semelhante fardo? Quem consegue suportar a obrigação totalitária de ser feliz?

* Excerto de crónica de João Pereira Coutinho, com este título


Spiritualized -" Soul On Fire "

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Gostos não se discutem! Ou discutem?

" Porque é que gostamos das pessoas? Desta e não daquela, quero eu dizer.
Como penso que já disse, na idade do crescimento gostava das pessoas porque elas gostavam de mim. Ou seja, gostava imensamente delas quando se limitavam a ser educadas e decentes comigo: Falta de auto-confiança. É muitas vezes por esta razão que as pessoas se casam a primeira vez, fiquem sabendo. Não conseguem esquecer o facto de alguém dar a entender que gosta delas, sem querer saber de mais nada. Foi em parte o meu caso com a Gill, vejo-o agora. Não é a base suficiente, pois não?
Há depois outra maneira de gostar das pessoas. Vemo-lo nas séries clássicas da televisão. Por exemplo, um homem e uma mulher conhecem-se e ele não a impressiona por aí além mas, durante algum tempo, ele faz várias coisas que a fazem ver que afinal ele é um tipo decente e passa a gostar dele. Do estilo, o tenente Chadwick salva uma dívida de jogo, de uma posição potencialmente ruinosa ou de outro embaraço social ou financeiro o Major Thingummy, e então a irmã do Major, Miss Thingummy, que o tenente Chadwick admira à distância desde que foi destacado para a região, reconhece de repente as suas virtudes e gosta dele.
Não sei se as coisas alguma vez acontecem assim, ou se é só uma fantasia do escritor. Não acham que é o oposto? Pela minha experiência, que é limitada, não é assim, conhecemos alguém, ficamos depois com alguns dados sobre a pessoa e, baseados nisso, decidimos que gostamos dela. É o contrário: gostamos de alguém e depois vamos à procura de provas que sustentem esses sentimento.
A Ellie é simpática, não é? Gostam dela, não gostam? Têm provas suficientes? Eu gosto dela. Talvez a convide para sair, mas a sério. Acham boa ideia?
Ficavam com ciúmes?

Excerto de " Amor & etc.", de Julian Barnes, Trd. Helena Cardoso, Ed. Asa

"Boca de Ouro ", da antologia " A vida como ela é", do dramaturgo brasileiro Nélson Rodrigues

Ryuichi Sakamoto-"Energy Flow"

O problema da Beleza

Templo Dourado de Kyoto, fotografia retirada de aqui.
" Posso sem exagero afirmar que o primeiro problema com que, na minha vida, me deparei, foi o problema da Beleza. Meu pai era um simples padre de província, de vocabulário pobre; dissera-me apenas que «nada no mundo igualava em beleza o Templo Dourado». O pensamento de que a beleza pudesse existir algures sem eu dela estar ciente causava-me invencivelmente um sentimento de mau-estar e de irritação; pois se ela existisse realmente neste mundo, era eu quem pelo facto da sua existência, seria excluído desse mesmo mundo.
No entanto, nunca o Templo Dourado permaneceu para mim como simples conceito. As montanhas impediam-me de olhar para ele; mas bastaria que tivesse a fantasia de o ir ver, e isso seria perfeitamente realizável: existia, estava ali. A beleza é portanto algo que podia ser tocado, algo claramente reflectido pelos olhos. Que no próprio seio desse universo de múltiplas metamorfoses o inalterável Templo Dourado devesse continuar a existir tranquilamente, disso estava eu certo, absolutamente certo."
Excerto de " O Templo Dourado ", de Yukio Mishima, Trd. Filipe Jarro, Ed.Assírio e Alvim(1985)

...se não me seguram dou cabo de ti...

Deolinda- "Fado Toninho"

segunda-feira, 23 de junho de 2008

De um menino do Doiro para...

Dulce Pontes - "O meu menino é d´oiro"

sábado, 21 de junho de 2008

Regresso ao passado:R.E.M.

"Radio Free Europe"(1982)



"Talk About The Passion"(1983)


"So. Central Rain (I'm Sorry)"(1984)

Duas almas

" Colhendo laranjas " - João Werner


"...Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro...Espantem-se à vontade; podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir. A alma exterior pode ser um espírito, um fluído, um homem, muitos homens, um objecto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; - e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafísicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira."

Excerto do conto " O espelho", de Machado de Assis

sexta-feira, 20 de junho de 2008

O meu estado Buster Keaton

Imagens de Buster Keaton, música dos Radiohead.

Desfolhada

Gal Costa -" Milho Verde "(1973)

Azul

Carlos Bica & Azul - "Azul"

quinta-feira, 19 de junho de 2008

All my Little Words

The Magnetic Fields- "All my Little Words"

quarta-feira, 18 de junho de 2008

This Is The Day

The The -" This Is The Day "

Abri os olhos e vislumbrei esta paisagem


Nasci no canto superior esquerdo desta paisagem que eu amo. O Douro foi o primeiro amor, outros se seguiram, mas este vai permanecer para sempre.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Lost in translation

Psychedelic Furs -"The Ghost In You" - Lost in Translation

Uma das minhas canções preferidas. Um dos meus filmes preferidos.


Excerto de "Lost in translation" de Sofia Coppola

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Canções com memórias(1)

B-52's -" Private Idaho "

1980, tinha 17 anos. Estava a passar as férias de Verão, em casa da minha avó paterna. Desesperadamente, tentava sintonizar no velho rádio: o "Rock em Stock", até que de repente junto à janela virada para a rua, comecei a ouvir "Private Idaho" dos B-52´s.

Este momento, ficou-me para sempre guardado na memória permitindo-me visualizar e criar um quadro com essa recordação.

Nunca foi dos meus grupos preferidos, mas é uma das minhas lembranças instantâneas quando chega o Estio.

A rosa

Rodrigo Leão - " A rosa "

Tributo a um artista com os pés

Tributo à arte futebolística de George Best, música: Duran Duran -" Ordinary World "

Foi um dos heróis da minha juventude, só agora é que me apercebi que imito na imperfeição as suas fintas.

A meio dos quarenta, vou descobrindo, como foi construído o meu código genético. Não lamento, não ter registo video das minhas jogadas. Mas, são minhas, foram vividas intensamente e vibrei com elas.

Adão e Eva

" Adão e Eva "(1917/8) - Klimt




Não sou Ninguém! Quem és?
És tu - Ninguém - também?
Há, pois, um par de nós?
Não fales! Não vão eles - contar!
Que horror - o ser - Alguém!
Que vulgar - como Rã -
Passar o Junho todo - a anunciar o nome
A charco de pasmar!

Emily Dickinson, Trd. Ana Luísa Amaral, via Wikiquote

domingo, 15 de junho de 2008

Final de Domingo com alma

Isaac Hayes - I Stand Accused


Marvin Gaye - "Distant Lover"


Smokey Robinson & the Miracles - "Ooo Baby Baby"

Hallelujah

Rufus Wainwright


Leonard Cohen


John Cale


Jeff Buckley

Por isso os nossos pais deixaram as aldeias!

Fotografia antiga da aldeia de Beirós(Felgueiras-Resende)

" Às vezes vêm chamar-me clientes das aldeias. Temo-os. No fundo das suas casas, naqueles sombrios casarões ou casebres das aldeias, é muito fácil o médico perder-se. E a doença pode-se por lá esconder tão bem! Além disso, há tantos sítios vulneráveis nas casas das aldeias, esses currais isolados, esses desvãos, essas cavalariças desprovidas de animais.
Já tive doentes, dos que fui ver à aldeia, que de dia estavam bem, inteiramente bem; mas de noite parecia que a doença saltava por cima das cercas do curral.
Ainda um dia hei-de abordar com este título um estudo desses casos terríveis, fatais, muito semelhantes aos das árvores. Esses homens das aldeias são muitas vezes mortos por terríveis pores-do-sol, que caem sobre o tédio das suas ruas sem ser observados por ninguém.
Há nas aldeias muitos homens doentes por contágio até das coisas que já estão podres: imagens, bancos, tachos de ferro, alguidares de barro, baús, etc. Os cancerosos da laringe que por lá há devem-se a essa ânsia de toda a aldeia cantar os misereres da Semana Santa diante de livros velhos, amarelecidos, insanos.
E no meio destes peculiares doentes das aldeias, que muitas vezes a solidão da natureza acaba por matar, há velhos e velhas que se curam, não porque bebam um leite especial, nem graças ao ar saudável, mas porque se escondem, porque à hora em que todos os relógios batem as sete da tarde, à hora inspectora que assinala e toma nota dos que hão-de ser os defuntos do dia, eles estão misteriosamente metidos num canto, em quartos onde nem réstea de sol se enxerga e onde juraríamos que não está ninguém."

Capítulo " Os das aldeias", de " O Médico inverosímil", de Ramón Gómez de la Serna, Trd. Júlio Henriques

Ainda a propósito da raça


"...O nosso território não vai desaparecer, mas o Portugal que deu origem aos portugueses apaixonados, saudosos, líricos, aventureiros, emigrantes, e no entanto simples, humildes, está a desaparecer e vai dar origem a uma região da Europa, chamada Portugal, com museus regionais, e casas de fados, mas como povo singular vamos desaparecer. E isto é inevitável. E não vale a pena chorar. Ao desaparecer esse outro povo que fomos, desaparece também este ciclo de saudade e de sucesso, de aventura e de fracasso, de amor e ódio, ou seja, esta esquizofrenia. A Europa é um caldeirão cultural, onde se diluem todas as culturas, fazendo emergir uma cultura racionalista, informatizada, técnica. ..."
Excerto de entrevista de Miguel Real, à Notícias Magazine de 15/06/08

A propósito da raça

" O povo é que faz a língua? Não exactamente.Há um comité tácito a determinar a língua que o povo deve ou não deve fazer. A última vítima do comité foi o próprio Presidente da Républica, que mencionou o Dez de Junho como o "dia da raça" e viu-se logo torpedeado por protestos do BE e do PCP. "Raça não se diz.
Por acaso, há quem discorde. E não, não é um skinhead. É, por exemplo, um cientista chamado Mark Pagel, que no corrente número da revista britânica Prospect recupera o conceito com intenções sérias. Resumindo imenso, Pagel defende que o uso grotesco do termo ao longo da História não o invalida: não sendo "superiores" ou "inferiores", as raças existem e traduzem-se nas múltiplas diferenças(genéticas,culturais)entre os grupos humanos. O ponto de Pagel é que, a partir da biologia, cada grupo(ou raça) tende a distinguir-se pela partilha de valores. Porém, todos os grupos se distinguem dos restantes animais por, juntamente com os valores, partilharem expectativas de cooperação, ou seja, a faculdade de nos relacionarmos com outrem sem esperarmos retribuição imediata. Se a cooperação é favorecida dentro de um determinado grupo, não está, graças ao egoísmo da espécie, restrita a tais fronteiras: as pessoas entendem-se com as pessoas que aceitam entender-se com elas. Dito de outra maneira, as particularidades desenvolvidas no interior de uma raça são o instrumento que permite ultrapassar as respectivas barreiras."

Excerto de crónica " Raça maldita", de Alberto Gonçalves, Diário de Notícias(15/06/08)


" Portugal é uma Raça, porque existe uma Língua portuguesa, uma Arte, uma Literatura, uma História(incluindo a religiosa) - uma actividade moral portuguesa; e, sobretudo, porque existe uma Língua e uma História portuguesas.
A faculdade que tem um Povo de criar uma forma verbal aos seus sentimentos e pensamentos, é que melhor revela o seu poder de carácter, de raça. "

Excerto de " Arte de Ser Português", de Teixeira de Pascoaes

Momento de luz num dia chuvoso

" La era "(1904) - Diego Rivera

Aniversário

"Los viegos"(1912) - Diego Rivera

" Há já alguns meses previra que a minha crónica de aniversário não fosse o habitual lamento pelos anos passados, mas na realidade o contrário: uma glorificação da velhice. Comecei por interrogar-me quando tomei consciência de ser velho e creio que foi muito pouco tempo antes daquele dia. Aos quarenta e dois anos tinha ido a um médico com uma dor nas costas que me incomodava para respirar. Ele não lhe deu importância: É uma dor natural da idade, disse-me.
- Nesse caso - disse-lhe eu - o que não é natural é a minha idade.
O médico fez-me um sorriso de comiseração. Vejo que o senhor é um filósofo, disse-me. Foi a primeira vez que pensei na minha idade em termos de velhice, mas não tardei a esquecer. Habituei-me a acordar cada dia com uma dor diferente que ia mudando de lugar e forma à medida que os anos passavam. "

Excerto de " Memória das minhas putas tristes", de Gabriel García Márquez, Trd. Maria do Carmo Abreu,Ed. D.Quixote





Mercedes Sosa -" Gracias a La Vida "

sábado, 14 de junho de 2008

Música que nos cria arrepios de emoção

Jeff Buckley - "Lover You Should've Come Over"

Um hino á vida

Lenine - "Paciência"

Emoção pura...sem palavras

O tema " Alice ", de Tom Waits, improvisado em ukulele, no Koaloha Concert.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Um óasis no meio do deserto

Jeffrey Kbedrick

A música

Álamos -

música

de matutina cal.

Doces vogais

de sombra e água

num verão de fulvos

lentos animais.

Calhandra matinal

no céu

branco de junho.

Acidulada

música de cardos.

Música do fogo

em redor dos lábios.

Desatada,

à roda da cintura.

Entre as pernas,

junta.

Música

das primeiras chuvas

sobre o feno.

Só aroma.

Abelha de água.

Regaço

onde o lume breve

duma romã brilha.

Música, levai-me:

Onde estão as barcas?

Onde estão as ilhas?

Eugénio de Andrade





Tinariwen - "Chet Boghassa"

Grandes são os desertos...

Adaptação para vídeo do poema "Grandes são os desertos..." de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa), produzido em 1990 em S-VHS com verba do 5º Prêmio Estímulo de Vídeo da Secretaria do Estado da Cultura de São Paulo (Brasil).

...minha alma é como um pastor...

I
Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr do Sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
É se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Excerto de " O Guardador de Rebanhos ", de Alberto Caeiro(Fernando Pessoa), no dia em que Fernando Pessoa fazia 120 anos.

Uma oferta...



Lenço das quadras.

Sometimes Always

Jesus and Mary Chain e Hope Sandoval - "Sometimes Always"

Do caos surge a melodia...

Suicide - "Cheree"

quinta-feira, 12 de junho de 2008

...ver-te a sorrir, eu nunca te vi...

Humanos - " Muda de Vida "

Para ti

Camané - "Sei de um Rio"

Mulher sensual, homem deslumbrado, rosbife queimado

The Postman Always Rings Twice (1946) - Lana Turner

O carteiro toca sempre duas vezes?!

Monsterpiece Theater: The Postman Always Rings Twice

Com um beijo de boa noite

The Moody Blues -" Nights in White satin "

A importância do tacto

Fotografia de Gerard Kohn


" Havia muita coisa que António Grácio compreendia pela maneira como o amigo o agarrava. A curiosidade era uma delas. Pela força dos dedos, pela demora com que os pousava ou mantinha atentos sobre o braço dele, à espera duma oportunidade, duma explicação, podia adivinhar o cansaço, a dúvida, o desejo ou a surpresa que iam no outro. Não precisava de palavras: os dedos de Cigarra contavam-lhe tudo.
«Gaita», desabafou então. « Está um calor de matar.» "

Extracto de " Os Caminheiros ", de José Cardoso Pires

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Por favor Sr.Carteiro!

The Marvelettes -" Please Mr. Postman "


The Beatles - "Please Mr. Postman "

Comparações

" Los portugueses espabilaron después de la intervención en el descanso de Scolari, discutido como entrenador y elogiado como psicólogo, efectivo con sus arengas. Aunque continuaron expuestos a encajar cualquier gol, juntaron mejor las líneas con Deco al frente, de medio y de delantero, tomaron la iniciativa, ganaron el campo ajeno, se arrimaron al área y comenzaron a apuntar a Cech. A diferencia del primer tiempo, la concentración en la tarea fue entonces tan extrema que consiguieron el segundo gol con un jugador menos, con Moutinho en el suelo, y Deco abriendo como extremo por la derecha. El interior puso el centro al punto de penalti y Cristiano Ronaldo enganchó un remate duro e imposible para Cech. " El País

"Portugal venceu esta tarde a República Checa por 3-1, no primeiro jogo da segunda jornada do Grupo A do Euro 2008, disputado em Genebra. Deco, Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma marcaram os golos da selecção portuguesa." Público
A diferença de tratamento da notícia é gritante, por vezes tenho vergonha de ser português.

Não o desanimou nem a primeira nem a segunda nem a terceira perda...




"Agora torna a minha pergunta: E que faria neste caso, ou que devia fazer o semeador evangélico, vendo tão mal logrados seus primeiros trabalhos? Deixaria a lavoura? Desistiria da sementeira? Ficar-se-ia ocioso no campo, só porque tinha lá ido? Parece que não. Mas se tornasse muito depressa a buscar alguns instrumentos com que alimpar a terra das pedras e dos espinhos, seria isto desistir? Seria isto tornar atrás? -- Não por certo. No mesmo texto de Ezequiel com que arguistes, temos a prova. Já vimos como dizia o texto, que aqueles animais da carroça de Deus, «quando iam não tornavam»: Nec revertebantur, cum ambularent. Lede agora dois versos mais abaixo, e vereis que diz o mesmo texto que «aqueles animais tornavam, e semelhança de um raio ou corisco»: Ibant et revertebantur in similitudinem fulgoris coruscantis. Pois se os animais iam e tornavam à semelhança de um raio, como diz o texto que quando iam não tornavam? Porque quem vai e volta como um raio, não torna. Ir e voltar como raio, não é tornar, é ir por diante. Assim o fez o semeador do nosso Evangelho. Não o desanimou nem a primeira nem a segunda nem a terceira perda; continuou por diante no semear, e foi com tanta felicidade, que nesta quarta e última parte do trigo se restauraram com vantagem as perdas do demais: nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se, mediu-se, achou-se que por um grão multiplicara cento: Et fecit fructum centuplum. "


Excerto do sermão da sexagésima, do Padre António Vieira

Uma lição sobre Capitalismo

Agostinho da Silva em conversa com Adelino Gomes, no programa "Conversas Vadias "

Sonhar,pensar,reflectir...

Desenhos de Goya
Francesco Alberoni, no Diário Económico

Ninguém É Quem Queria Ser

Manuel Cruz -" Ninguém É Quem Queria Ser "

terça-feira, 10 de junho de 2008

Provocação?!

Escultura de Rodin
Fotografia de Hermínio

Pintura de Óscar Kokoschka - " Marianne "


Mensagem subliminar

João Gilberto - " Para quê discutir com madame ?"


The Modern Lovers -" She Cracked "


Balla - "Outro Futuro "

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Lugares mágicos

Monte de S. Cristovão(Felgueiras-Resende)

Não acredito em Deus, não acredito no destino; continuo a acreditar no homem, apesar de todos os males que tem originado.

Acredito também na magia dos lugares e este sempre me transmitiu energias positivas.

Sempre que percorri e admirei este monte senti que algo me ligava ao mesmo. Era algo de impreciso e profundo, que inundava a minha alma ao ponto de em determinado momento ter imaginado a minha velhice, vivida no seu sopé.

Let's misbehave!!!

Elvis Costello interpreta "Let's Misbehave!" de Cole Porter

domingo, 8 de junho de 2008

Trilogia de Apu



Documentário de Satyajit Ray sobre a " Trilogia de Apu ", ler aqui post de Pierre Willemin, no blogue Cinema-filia.

Ravi Shankar - "Raga Rangeela Piloo"

As chuvas vieram


Mulher de Malabar

Li " As chuvas vieram ", de Louis Bromfield, com cerca de 12 anos, e a sua leitura marcou-me para sempre.
A atmosfera criada pelas descrições das chuvas das monções, e a sua influência nas emoções vividas pelas personagens, permaneceu perene na minha memória.



The river man

Nick Drake -" River Man "


Betty came by on her way

Said she had a word to say

About things today

And fallen leaves.

Said she hadnt heard the news

Hadnt had the time to choose

A way to lose

But she believes.

Going to see the river man

Going to tell him all I can

About the plan

For lilac time.

If he tells me all he knows

About the way his river flows

And all night shows

In summertime.

Betty said she prayed today

For the sky to blow away

Or maybe stay

She wasnt sure.

For when she thought of summer rain

Calling for her mind again

She lost the pain

And stayed for more.

Going to see the river man

Going to tell him all I can

About the ban

On feeling free.

If he tells me all he knows

About the way his river flows

I dont suppose

Its meant for me.

Oh, how they come and go

Oh, how they come and go

Antony And The Johnsons -" Hope Theres Someone "

Memórias transmitidas de geração em geração

Fotografia "roubada" ao blogue Ilustração Portuguesa.

Esta imagem, fez-me relembrar os passeios dominicais que os meus pais faziam na sua juventude.
Alegremente, transportados num carro de bois, íam fazer piqueniques para o bosque da Casa da Soenga aproveitando a sombra e a frescura das suas frondosas árvores.

Arquivo do blogue

Acerca de mim

" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

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