Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com
terça-feira, 17 de julho de 2007
segunda-feira, 16 de julho de 2007
The Triffids - "Save What You Can"
Video for The Triffids "Save What You Can" from Calenture. Dir. Braden King, featuring New York Folk artist Steve Keene.
O casamento musical entre Espanha e Portugal
Milladoiro - Maruxa (live: 15/08/2006)
Brigada Victor Jara - " Oh bento airoso "
O casamento de José Saramago
José Saramago, o nosso Prémio Nobel da Literatura, casou-se com Pilar. O jornal italiano La Repubblica, deu destaque publicando estas fotos, na sua página na Net.domingo, 15 de julho de 2007
" O altar dos mortos " - Henry James
Falso seria porém afirmar que a sua vida fora completamente privada do benefício desse afecto. A sua vida era ainda dirigida por um fantasma pálido, era regulada por aquela presença soberana. Stransom nunca fora homem de muitas paixões e, à medida que os anos passavam, o único sentimento que nele se tinha enraizado fora o sentimento de um despojamento profundo. Não precisara de padre nem de altar que consagrasse a sua eterna viuvez. Tinha realizado neste mundo as mais variadas coisas. Fizera tudo, à excepção de uma coisa: nunca esquecera. "
Excerto de " O altar dos mortos " de Henry James, incluído na colectânea de contos " O altar dos mortos e outras histórias sobrenaturais ", Trd. Manuel João Gomes, Colecção Livro B, Ed. Editorial Estampa.
Ser, ou não ser...
Não sabendo que fazer e esperando distrair-me um pouco de tanta consternação, fui passear esses dois mortos pelas ruas de Pisa !
Oh, foi um passeio agradabilíssimo! O Adriano Meis, que já lá estivera, quase que queria servir de guia e de cicerone ao Mattia Pascal; mas este, oprimido por tantas coisas que lhe davam a volta à cabeça, repelia-o com maneiras sombrias, sacudia um braço como que para enxotar para longe aquela sombra odiosa, cabeluda, de sobretudo, com o enorme chapéu de abas largas e de óculos.
« Vai-te embora ! Vai-te embora ! Volta para o rio, afogado !»
Bonnie 'Prince' Billy "Cursed Sleep"
Mas recordava que o Adriano Meis, passeando dois anos antes pelas ruas de Pisa, também se sentira importunado, incomodado da mesma maneira, pela sombra igualmente odiosa do Mattia Pascal, e queria com o mesmo gesto enxotá-lo dali, afogando-o novamente na levada do moinho, lá na Stìa. O melhor era não dar confiança a nenhum dos dois. Ó branca torre de Pisa, tu podias pender para um lado, mas eu, entre os dois, não podia pender nem para um lado nem para o outro. "
Excerto de " Ele foi Mattia Pascal ", de Luigi Pirandello, Trd. José J.C.Serra, Ed. Cavalo de Ferro
sábado, 14 de julho de 2007
quinta-feira, 12 de julho de 2007
A filosofia em seu bolso
Vai ver que é porque as pessoas já não agüentam a TV-lixo, vai ver é porque no mundo acontece tanta coisa horrível que sentimos necessidade de alguns momentos de reflexão serena. Mas o fato é que estão se multiplicando os lugares e as oportunidades em que se torna a propor a filosofia ao grande público. Precisamente aquela filosofia do secundário, talvez num café em que as pessoas se reúnem aos domingos, como em Paris, ou por meio de vulgarizações de fácil leitura, às vezes fazendo acorrer um público inacreditavelmente amplo a salas onde filósofos profissionais discutem. Em tudo isso há um pouco de modismo e de simplificação midiática, claro, mas o sintoma não deve ser subestimado. Por isso me ocorre fazer algumas propostas para os não-especialistas, e também para aqueles que não estudaram filosofia no secundário ou que foram ouvir as palestras de supostos filósofos e não entenderam nada. A todos eles, aconselho o caminho mais simples: ler o que escreveram os verdadeiros filósofos. Nem sempre a filosofia tem de parecer fácil, às vezes precisa ser difícil, mas não está escrito em lugar nenhum que é necessário falar difícil para filosofar. Na filosofia, a dificuldade da linguagem não é sinal nem de qualidade nem de perversidade, não raro depende do problema que está sendo abordado. Há obras-primas filosóficas que modificaram nosso modo de ser e de pensar e que são fatalmente difíceis, razão pela qual não convidarei ninguém que não seja especializado a ler Metafísica ou o Órganon de Aristóteles, a Crítica da razão pura, de Kant, ou aquele livro sublime, mas impraticável que é Ética, de Spinoza. Mas há também filósofos que souberam falar de modo acessível, e freqüentemente são os mesmos que em outras obras falaram de modo inacessível. Por isso aconselho alguns livrinhos nos quais se vê como é possível filosofar sem usar muitos termos técnicos. Comecemos por Platão. Gostaria de propor o Críton, com o qual aprendemos como e por que um cidadão não tem de escapar da observância às leis e, passando para Aristóteles, a Poética. Esqueçam que ela trata da tragédia clássica. Leiam-na como se nos descrevesse como se faz um romance policial ou um filme de bangue-bangue. Pois nosso homem já tinha entendido tudo aquilo que, mais de 2 mil anos depois, Hitchcock ou John Ford acabariam por compreender. Depois leiam o De Magistro, de Santo Agostinho. Livrinho genial por sua simplicidade e agudeza.
Mesmo sendo eu um cultor da Idade Média, acho difícil aconselhar um texto da grande era escolástica, porque poucas páginas, lidas fora de seu contexto sistemático, podem desencaminhar. Saltemos o fosso, o estritamente filosófico, e orientemos nosso leitor para o epistolário (o amoroso, é claro) de Abelardo e Heloísa. Não esperem muito sexo, mas vale a pena. Para o Renascimento, tentemos a Oração sobre a dignidade do homem, de Pico della Mirandola. Em seguida (mas só para antologia, e quantas há!), algumas passagens dos Ensaios, de Montaigne. São benéficos mesmo em doses homeopáticas. Logo depois, o Discurso sobre o método, de Descartes, exemplar em sua clareza, seguido de uma antologia dos pensamentos de Pascal. E, por fim, um filósofo que escrevia como se estivesse conversando com os amigos, depois do jantar: culto e sensato, o John Locke do Ensaio sobre o intelecto humano. A obra toda é longa, mas sugeriria que nos limitássemos ao terceiro livro, aquele dedicado ao uso que fazemos das palavras. Como no caso de Aristóteles, leiam-no como se Locke nos falasse dos discursos de hoje, comparem suas observações com as primeiras páginas dos jornais e com os debates televisivos de nossos dias. No tocante ao Iluminismo, eu ficaria por enquanto com o Cândido, de Voltaire; afinal, trata-se de um romancezinho, e muito agradável. O século XIX é um bicho feio, são livrões difíceis, mas só nós, os italianos, não consideramos o Zibaldone, de Leopardi, uma obra de alta filosofia. Também aí procedamos por saltos antológicos, uma pagininha ou duas à noite, antes de adormecer. Ou, então, lá vai uma proposta provocatória: já que Kant é, por definição, demasiado exigente, podemos flagrá-lo quando, para complementar o salário, dava aulas aos estudantes sobre temas que não eram da sua especialidade, e se mostrava divertido, bizarro, capaz de contar anedotas e expressar opiniões até paradoxais: ou seja, vamos ler suas lições de antropologia.E depois? Depois, o Ecco! terminou, e deixo para lá os contemporâneos. A não ser que desejem, saltitando aqui e acolá, bebericar algumas das observações de Wittgenstein em (não se deixem assustar pelo título) Pesquisas filosóficas. De vez em quando dirão que era louco. Era louco, sim. Mas que louco!
edição 5 - Setembro 2005, Revista Entre Livros
quarta-feira, 11 de julho de 2007
domingo, 8 de julho de 2007
Regine Crespin
RUBÉN AMÓN
PARÍS.- Extraña la epidemia veraniega que se abate sobre las sopranos de leyenda. El lunes moría Beverly Sills, expresión canora de la coloratura, de la acrobacia, del refinamiento. Y el jueves falleció en París Regine Crespin, coetánea de la colega norteamericana, aunque la recatada maestra marsellesa pertenecía a la estirpe de las sopranos dramáticas. Fue mariscala de Strauss y sacerdotisa de Wagner.
De hecho, Regine Crespin fue capaz de elevarse a la colina sagrada de Bayreuth para convertirse en la Kundry de Parsifal. La cantante era un extraño ejemplo de frescura, de versatilidad y de expresividad.
Imposible olvidar sus 'pianissimos' y su dicción. Tan valiosos como su capacidad para matizar las frases, colorear las notas, desenvolverse en un amplísimo registro vocal: empezó la carrera como soprano de porcelana y la terminó como una 'mezzo' forjada en el brillo atenuado de los metales nobles.
Tenía que morir en verano. Tenía que convertirse en el cameo de 'Le nuits d'été', sobrenombre de un ciclo de canciones que Héctor Berlioz había escrito a medida de Regine Crespin muchos años antes de que la musa hubiera nacido. Porque nadie como ella interpretaba el pasaje sobrecogedor de 'El espectro de la rosa'. Berlioz le dio forma inspirándose en el poema homónimo de Gautiera.
Ahora se ha convertido en mortaja y en epitafio: "Mi destino fue digno de envidia, y por tener un destino tan bello más de uno habría dado su vida; pues en tu pecho tengo mi tumba, y sobre el alabastro donde reposó un poeta con un beso escribió: 'Aquí yace una rosa que todos los reyes envidiarán'", cantaba Crespin. La muerte le ha sorprendido a los 80 años.
Se retiró en 1990 con un recital crepuscular y emotivo. Vivía refugiada en un coqueto apartamento de Pigalle, con fama de huraña y de solitaria. No le gustaba ver fotos ni escuchar grabaciones antiguas. Les encontraba defectos imperdonables, aunque los melómanos discrepan con la diva objetivamente.
¿Las pruebas? Al margen de la versión histórica de Les nuits d'été (Decca) a las órdenes de Ansermet, descollan e impresionan su implicación en 'El caballero de la rosa', con Georg Solti, y su concurso en 'La Valquiria', de la mano de Herbert von Karajan. Son el testamento de una carrera cuyo origen se remonta a 1946, cuando Crespin tenía 15 años y entró en la escuela de cantantes de Madame Kossa.
Al año siguiente, el concurso organizado por la revista Opera le permitió obtener una beca para pagarse los estudios de élite en el Conservatorio de París. En 1948, Crespin debutó profesionalmente en Reims como protagonista femenina de Werther (Massenet), aunque tuvo mayor repercusión su bautismo wagnerniano.
Sucedió en el modesto teatro de Mulhouse con motivo de un montaje de Lohengrin que llamaría la atención de la Opera de París y del hermético festival de Bayreuth. Fue el inicio de una carrera internacional que le permitió coleccionar medallas y rosas en todos los coliseos líricos del planeta. Incluido el Liceo de Barcelona, donde la soprano francesa se confirmó en 1961 como una sublime Sieglinde.
La afinidad al repertorio germano se concedió notables excepciones en otras lenguas. Crespin fue Desdémona (Otello) y fue Tosca. Estrenó mundialmente 'Los diálogos de carmelitas', de Poulenc, e incluso tuvo tiempo de reciclarse como una mayúscula Carmen de Bizet.
A mediados de los 70 se empleó como profesora de canto en el Conservatorio de París. Era una manera de reconciliarse con sus orígenes académicos y de buscar nuevos estímulos profesionales. Crespin publicó un libro de memorias en 1982 ('La vida y el amor de una mujer') donde quería mirarse al espejo y reconocerse sin grandilocuencia. Modestia de una diva que tiene en su honor la creación de un tipo de rosa con su nombre. Y con su espectro.
sábado, 7 de julho de 2007
" Deus e o Diabo na terra do Sol " - Glauber Rocha
Redescobrir o realizador brasileiro Glauber Rocha, aqui.
"BEASLEY STREET" - JOHN COOPER CLARKE
" There are more things " - Jorge Luís Borges
Excerto de " There are more things ", de Jorge Luís Borges, incluído em " O livro de Areia ", Ed. Editorial Estampa, colecção Livro B, trd. Aníbal Fernandes
sexta-feira, 6 de julho de 2007
" A cidade e as serras " - Eça de Queiroz
Excerto de " A cidade e as serras ", Ed. " Livros do Brasil ", fixação de texto por Helena Cidade Moura
Young Marble Giants -"Brand New Life"
Amo o único disco dos Young Marble Giants " Colossal Youth ", que foi agora reeditado em CD, mas vou continuar a ouvir o vynil.
quinta-feira, 5 de julho de 2007
TV on The Radio
TV On The Radio, gospel y ruido blanco en Madrid
5 de julio.- De vez en cuando pienso (y admito que me gusta pensarlo) que los negros son superiores a la hora de expresarse con música. Al fin y al cabo, ¿a quién coño expoliaron si no Elvis, Beatles, Beach Boys, Rolling Stones y hasta la desnatada, deshuesada y casi pura nada Diana Krall (aunque también fusilaron en el otro bando: ¡ese Lenny Kravitz!)?
La teoría, y creo que estoy bastante de acuerdo conmigo mismo, es simple y no mía: los negros lo inventan porque lo sienten (blues, jazz, rock, hip hop...) y los blancos llegan detrás, le quitan un poquito de alma, lo intelectualizan, lo envuelven bonito y lo venden por millones. Una generalización un poco mostrenca, pero quizás no tan trola en alto porcentaje.
No es el caso de los neoyorquinos TV On The Radio, pero el teorema viene a cuento. Porque lo que hicieron estos cuatro 'negratas' y un blanco en el Joy Eslava de Madrid el miércoles, de tan sencillo, no es en principio nada del otro mundo. Pero hay algo especial: una mezcla de voces negras y ruido blanco, un atavismo denso, oscuro como sus jetas, atmosférico, dislocado, que envuelven melodías que en sí no cambiarán el mundo, pero golpean con eficacia.
Se trata de una mezcla de 'post punk' con voces de aire gospel. Nada tan raro en principio, pero los mantras vocales, épicos y con un punto iglesia, y la tosquedad de la batería, envuelta en enormes nubes de ruidoso 'delay' y en unos 'samples' que se oían bastante menos que en sus dos discos, conforma un conjunto atractivo y contemporáneo. Digamos que la negritud, acompañada de instrumentaciones sobre todo blancas, es la clave de su valor añadido (lo que por ejemplo les falta, en territorios parecidos, a sus paisanos 'The Walkmen', muy potentes en el pasado Benicàssim, pero sin una dirección tan definida).
El público, que llenó la sala, lo celebró casi tanto como el show de 'Cat Power' aquí mismo hace tres meses. Con más motivo. El sonido, que en esta sala se queda en gaseoso, fue de nuevo un tanto tibio (¡falta volumen!), pero al menos la contundencia de los de Brooklyn salvó la distancia que engulló los gatunos quejidos de 'Chan Marshall', por más que su pose 'coolista' y la autenticidad de su banda hipnotizaran eficazmente al personal.
Los mejores momentos ayer en 'TV On The Radio', lo mejor también de sus dos álbumes: 'Playhouses', el estribillo más coreado; 'Staring at the sun' (no, no es una versión de U2), el final apoteósico; y 'The wrong way', en rápida versión punk rock, una potente descarga de adrenalina. De nivel instrumental, como todo grupo yanqui que se precie, van sobrados (ayuda también que la propuesta tiene un punto de tosquedad lineal que permitió que al final batería y segundo guitarra se cambiaran los trastos).
El grupo se curró el show como auténticos negros (cito a Eto'o) y el público también con sus sudores: Joy Eslava, una sauna con estructura de ratonera, nos hizo sudar la camiseta a todos por igual.
quarta-feira, 4 de julho de 2007
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Espionagem americana a Jonh Lennon
Vendedor de jornais morre baleado por fazer barulho em Minas Gerais
Um vendedor de jornais foi morto com um tiro no rosto na manhã desta segunda-feira em Nova Lima (região metropolitana de Belo Horizonte-MG). Segundo a PM (Polícia Militar), o tiro foi desferido por um técnico em telecomunicações que não conseguia dormir por causa dos gritos do vendedor. Ele foi preso.
De acordo com a PM (Polícia Militar), Luis Carlos dos Santos, 45, vendia exemplares de uma publicação popular que circula em Minas em frente ao prédio onde mora o técnico Jorge de Carvalho, 39. Segundo testemunhas, da janela de seu apartamento --localizado no segundo andar do prédio--, Carvalho teria dito para Santos parar de gritar.
Como o vendedor não o atendeu, o técnico desceu e os dois discutiram. Ainda segundo testemunhas, Carvalho teria ameaçado dar um tiro em Santos caso ele não parasse de fazer barulho e subido para seu apartamento. Pouco depois, como o vendedor continuava gritando, Carvalho atirou. O tiro --de uma arma calibre 32-- acertou o rosto do vendedor de jornais, que morreu no local.
Carvalho chegou a trocar de roupa e a fugir, ainda de acordo com a PM. Ele foi localizado e preso em flagrante a cerca de 6 km de casa. O homem deve responder a um processo por homicídio doloso (com intenção).
À Polícia Civil, o técnico teria confirmado ter cometido o crime porque queria dormir e, como Santos gritava muito, não conseguia descansar. Carvalho informou ainda que trabalha à noite e já havia discutido em outras oportunidades com Santos.
O corpo do vendedor de jornais foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Belo Horizonte. A arma do crime não havia sido encontrada até as 13h20 desta segunda-feira.
Folha de S. Paulo online, 02/07/2007
Lisboa Negra
El cantante senegalés no goza de la reputación de Youssou N'Dour pero su voz rasga el aire
Lisboa negra. Lisboa africana. África Festival es un homenaje que la ciudad se hace a sí misma desde hace dos años. Lo dijo Paulo Flores, uno de los músicos más queridos de Angola, durante su actuación del viernes, junto a una Torre de Belém iluminada por los reflectores y la luna: este festival sirve para aproximarnos pese a las diferencias. El luandés, que creció en Lisboa con sus abuelos, alejado de la guerra civil que sangraba Angola, se hizo acompañar a la guitarra por el guineano de Bissau Manecas Costa. Aunque cante en portugués sobre tolerancia, perdón, respeto -valores destruidos por lustros de conflicto-, se inspira en el universo poético del idioma kimbundo.
Según Paula Nascimento, que programa y produce África Festival para el Ayuntamiento de Lisboa, "se trata de desmitificar el concepto de música africana, para introducir el de músicas africanas, y de promover el orgullo de los afrodescendientes por su cultura". La tercera edición, que se inauguró el jueves con conciertos de la joven revelación caboverdiana Mayra Andrade y de los Músicos del Nilo, tuvo el sábado a la camerunesa Sally Nyolo, ex Zap Mama, que organizó su actuación en torno al complejo bikutsi -la traducción sería "el que golpea la tierra"-, ese ritmo de frases cortas y trepidantes que se respira en las noches tórridas de la ciudad de Yaoundé.
El triunfador del viernes fue Bassekou Kouyate, que ha tocado con tipos como Ry Cooder, Ali Farka Toure o Taj Mahal. Ríe como un niño grande cada vez que oye la palabra "falseta". Recuerda que los Ketama la repetían sin parar durante la grabación de Songhai2 con Toumani Diabate. Tras el dominio de la kora, el arpa laúd de veintitantas cuerdas, ha llegado el momento del ancestral n'goni, una diminuta guitarra de tres a cinco cuerdas que suena como un banjo o una guitarra de blues. Sin la amplificación ni el aporte modernizador de Bassekou, probablemente ya hubiera desaparecido de la faz de la tierra. El maliense pulsa las cuerdas, las estira, las acaricia, las golpea con una técnica prodigiosa. La energía de su grupo, que se presentará en La Mar de Músicas en unos días, remite al mejor rock and roll.
En el cine San Jorge, también de forma gratuita, actuarán entre hoy y el día 8 grupos como el aclamado Tinariwen, cuya historia narra Teshumara, les guitares de la rébellion touareg, documental francés que se proyecta dentro del ciclo de 15 películas Sonidos y Visiones de África, junto a títulos como el maliense Bamako, el surafricano Bajove Dokotela, the Philip Tabane story, o Lusofonia A (R)evolução.
Noticia do El País, 02/07/2007
domingo, 1 de julho de 2007
" O Deserto dos Tártaros " - Dino Buzatti
OS DESTINOS APRISIONADOS NA DISTANTE SOLIDÃO DA ESTEPE
Uma obra-prima do século XX coloca algumas questões existenciais.Há livros que parecem presos no destino das suas personagens alguns atingem a glória devido à fama de uma figura marcante que atravessa o texto; outros vivem numa espécie de recolhimento, tal como fazem os respectivos protagonistas. O Deserto dos Tártaros faz parte do segundo grupo, pois imitou o herói na modéstia, condenado a um injusto esquecimento.No futuro, este será talvez visto como um dos grandes romances do século XX. E, no entanto, livro de culto em muitas línguas, é difícil de encontrar, apesar de adorado por minorias militantes. Em português, estas belas páginas chegam pela mão da Cavalo de Ferro, numa tradução de Margarida Periquito.O Deserto dos Tártaros é uma etérea (e também cruel) metáfora sobre um mundo imóvel que se recusa a ver a realidade. Uma visão pessimista da existência humana, na busca do sentido para o tempo que corre, do ser perante os grandes espaços da dúvida e do vazio, da solidão e do mistério da morte. No fundo, este romance mágico fala da planície que todos nós contemplamos para a frente das nossas vidas, uma paisagem ameaçadora e imóvel, habitada pelo desconhecido.Não é surpreendente que o livro seja tão sombrio, pois foi escrito em 1939 por um jornalista, Dino Buzzati, que certamente percebia bem as ameaças que se aproximavam. Buzzati (1906-1972) é uma figura fascinante escreveu e pintou, escreveu crónicas até ao fim da vida, no Corriere della Sera, e tem uma importante obra literária, com destaque para a arte do conto. Neste caso, o autor terá retirado a inspiração das suas reportagens na Etiópia, onde a Itália de Mussolini tentava criar um império que pudesse equiparar-se à grandeza de Roma.Mas a perspectiva de Buzzati nunca é política, o que explica a universalidade do texto. A fortaleza de Bastiani fica nas fronteiras de uma monarquia imaginária, povoada por um exército não identificado. Podemos talvez visualizar uma sociedade europeia do primeiro terço do século. O filme homónimo de Valerio Zurlini recria uma espécie de exército austro-húngaro, mas seria viável colocar a acção num contexto, por exemplo, de ficção-científica. Ou no cenário de um jornal, na condição de haver pequenas vaidades e tarefas que se consomem no próprio dia.
Luís Naves, Diário de Notícias
O Deserto dos Tártaros
Dino Buzzati
Auto-retrato dedicado a Leon Trotsky(1937)-Frida Kahlo" Creio que é bastante ver o modo por que ela compõe as rendas e os babadinhos do roupão para compreender que é uma senhora pichosa, amiga do arranjo das coisas e de si mesma. Noto que rasgou agora o o babadinho do punho esquerdo, mas é porque, sendo também impaciente, não podia mais " com a vida deste diabo ". Essa foi a sua expressão, acompanhada logo de um " Deus me perdoe! " que inteiramente lhe extraiu o veneno. Não digo que ela bateu com o pé , mas adivinha-se, por ser um gesto natural de algumas senhoras irritadas. Em todo caso, a cólera durou pouco mais de meio minuto. D. Benedita foi à caixinha de costura para dar um ponto no rasgão, e contentou-se com um alfinete. O alfinete caiu no chão, ela abaixou-se a apanhá-lo. Tinha outros, é verdade, muitos outros, mas não achava prudente deixar alfinetes no chão. Abaixando-se, aconteceu-lhe ver a ponta da chinela, na cadeira que tinha perto, tirou a chinela, e viu o que era: era um roidinho de barata. Outra raiva de D. Benedita, porque a chinela era muito galante, e fora-lhe dada por uma amiga do ano passado. Um anjo, um verdadeiro anjo ! D. Benedita fitou os olhos irritados no sinal branco; felizmente a expressão bonachã deles não era tão bonachã que se deixasse eliminar de todo por outras expressões menos passivas, e retomou o seu lugar. D. Benedita entrou a virar e revirar a chinela, e a passá-la de uma para outra mão, a princípio com amor, logo depois maquinalmente, até que as mãos pararam de todo, a chinela caiu no regaço, e D. Benedita ficou a olhar para o ar, parada, fixa. "
Excerto de " D. Benedita -um retrato ", conto de Machado de Assis, incluído na antologia de contos " Um homem Célebre ", Ed. Livros Cotovia, colecção Curso Breve de Literatura Brasileira
sábado, 30 de junho de 2007
Au Revoir Simone
"Fallen Snow ", ver e ouvir " Sad Song "
"Night Majestic "
Músicas do CD " The Bird of Music #, Ed. Moshi Moshi Records/Edel 2006
" O que aprendi com Tintim " - Rui Ramos
Excerto de artigo, publicado na Revista Atlântico de Julho de 2007
sexta-feira, 29 de junho de 2007
quinta-feira, 28 de junho de 2007
segunda-feira, 25 de junho de 2007
" Quando o dia chegou estava sentado num ninho de ervas que fizera na lareira e sorvia café por uma tigela grande de porcelana que segurava com ambas as mãos. Com o advento desta luz triste e cinzenta sacudiu as últimas gotas do fundo da tigela e desceu do seu poleiro e começou a remexer as cinzas com um pau. Passou a maior parte da manhã numa azáfama por entre as ruínas, acabando por ficar com as mãos pretas e com a cara manchada de preto nos sítios onde se coçara, intrigado. Não encontrou sequer um osso. Era com se ela nunca tivesse existido. Finalmente desistiu. Limpou a neve acumulada sobre o que restava das suas provisões e preparou duas sandes de mortadela e acocorou-se num local quente entre as cinzas para comê-las, dedadas pretas no pão claro, olhos escuros e enormes e ausentes. "
Música: " Hold On " - Tom Waits
Texto : Excerto de " Filho de Deus ", Cormac Mccarthy, Trd. Paulo Faria, Ed. Relógio D´Água
domingo, 24 de junho de 2007
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