Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

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terça-feira, 9 de setembro de 2008

" A dor dá-me novamente um corpo. Desde a puberdade que não tinha uma sensação tão forte de ter corpo, estou intensamente presente nele.
Só que este corpo tem alguma coisa de errado. É um corpo que arde a fogo lento.
E depois há a esperança. Na semana passada houve dois ou três dias em que eu tinha a certeza de que ela estava a desaparecer, que tudo voltava ao normal - já quase me tinha esquecido de como o meu corpo era normal antes de ter começado aquela dor lá atrás, nas costas. Não ousava ter esperança, naturalmente, mas tinha-a. "

Excerto de " A morte de um apicultor ", de Lars Gustafsson, Trd. Ana Diniz
" Ao mesmo tempo, é perfeitamente evidente que aquilo era uma coisa impossível. É um autêntico milagre que tenha durado tanto como durou.
Tudo, toda a nossa vida a dois se baseava num único princípio muito simples, num acordo:
Era proibido vermo-nos um ao outro. Quero eu dizer, vermo-nos verdadeiramente."

Excerto de " A morte de um apicultor ", de Lars Gustafsson, Trd. Ana Diniz
" As pessoas que virão a significar alguma coisa para nós, encontramo-las não uma vez, mas pelo menos vinte vezes, antes de levarmos a sério o aviso.
Pelo menos comigo foi sempre assim.
E vamo-nos desviando enquanto podemos."

Excerto de " A morte de um apicultor", de Lars Gustafsson, Trd. Ana Diniz

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