Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Quando a esmola é grande o pobre desconfia

«Uma grande parte dos clientes que esta manhã está concentrado no balcão do BPN é proveniente de Fafe, e chegou a ouvir-se, por várias vezes, a intenção de enveredar pela proverbial justiça daquele município: “Ainda vamos reaver o dinheiro, nem que seja à paulada”, dizia uma mulher, irada. José Lemos, a seu lado, pedia calma, e contava: “Fizemos um depósito a prazo, de 365 dias, com 5,5 por cento de juros. Venceu a 12 de Setembro. Não pagaram nada. Nem juro nem capital. Disseram-nos que tínhamos de esperar que ficasse resolvida uma situação na Marina Park, que nem sabemos o que é”. “Deve ser uma casa de alterne”, ripostava, de novo a mulher. Que não, diz José Lemos: “pelos vistos é uma marina em Albufeira, mas ninguém nos disse que o dinheiro ia ali ser aplicado”, terminou.» ler aqui na íntegra.


Luísa Pinto, Público, 24/11/2009



segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A confissão de Vara

« Pois foi este o processo que eu segui. Meti ombros à empresa de subjugar a ficção dinheiro, enriquecendo. Consegui. Levou um certo tempo, porque a luta foi grande, mas consegui. Escuso de lhe contar o que foi e o que tem sido a minha vida comercial e bancária. Podia ser interessante, em certos pontos sobretudo, mas já não pertence ao assunto. Trabalhei, lutei, ganhei dinheiro; trabalhei mais, lutei mais, ganhei mais dinheiro; ganhei muito dinheiro por fim. Não olhei a processos - confesso-lhe, meu amigo, que não olhei a processos; empreguei tudo quanto há - açambarcamento, o sofisma financeiro, a própria concorrência desleal. O quê?! Eu combatia as ficções sociais, imorais e antinaturais por excelência, e havia de olhar a processos?! Eu trabalhava pela liberdade, e havia de olhar às armas com que combatia a tirania?!»

Excerto de " O Banqueiro Anarquista ", de Fernando Pessoa

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Banqueiros...

« e cinco minutos depois descia as escadas para a rua no centro de uma chusma de militares maltrapilhos que os caixas aplaudiam, que os comunistas aplaudiam, que as empregadas da limpeza aplaudiam, que até a cabra da secretária, após um momentinho de hesitação, aplaudia mais forte do que os outros, de dedos tão carregados de ouro que ainda hoje estou para saber como lograva movê-los, cá fora os aplausos transformados em ameaças, um contínuo a pontapear-me o traseiro, um paquete a cuspir-me e eu de auscultador na orelha, incapaz de distinguir se era o pessoal do banco ou o delegado de Zurique quem me insultava, eu para o bocal enquanto me empurravam para uma furgoneta do Exército
- Perdão?
na cela de Caxias dei com os meus irmãos, os meus sobrinhos, os meus sócios, cada qual com o seu telefone em punho, a arrastar um pedaço de fio na ilusão de transferirem uma ninharia de dólares para Denver, para Paris, para Tóquio, para Barcelona, todos eles sem atacadores nem gravata a perguntarem à uma aos aparelhos mudos
- Perdão?»
Excerto de " O manual dos Inquisidores ", de António Lobo Antunes

Branqueiros ?

( Imagem publicada no El País de 29/10/2009)


«Armando Vara é um dos 12 arguidos ontem constituídos no âmbito da operação Face Oculta desencadeada pelo Departamento de Investigação Criminal de Aveiro da Polícia Judiciária. O vice-presidente do Millennium BCP “não faz comentários”, disse ao PÚBLICO uma fonte oficial do banco, tendo o PÚBLICO apurado que Vara não está a ser alvo de investigação por actos praticados na sua qualidade de gestor daquela instituição financeira.» continuar a ler aqui.
António Arnaldo Mesquita, Público, 29/10/2009

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" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

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