Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

terça-feira, 15 de setembro de 2009

The xx -" Basic Space "

The xx - "Crystalised"

«Se fosse um rapaz modesto e aplicado, em lugar de me deixar cair tão depressa teria começado por deplorar a imperfeição do meu olhar. Mas a dor de ter sido tão cruelmente frustrado na minha espera de algo que tanto ambicionava esvaziou o meu coração de todas as suas outras preocupações.»

Excerto de " O Templo Dourado ", de Yukio Mishima, Trd. Filipe Jarro, Ed. Assírio e Alvim, 1985

terça-feira, 8 de setembro de 2009

sábado, 5 de setembro de 2009

« Pensou na mãe. Nunca mais deixaria que ela o beijasse. Lembrou-se de que ela costumava dizer-lhe que neste mundo todos eram bons, porque tinham alma e a alma era inteiramente boa; o mal vinha sempre do exterior. E disso também ele estivera sempre convencido, mesmo até meses depois de ter casado com Miriam e de querer matar-lhe o amante. Nisso acreditava ainda, quando ia no comboio a ler Platão. Mas agora parecia-lhe que o amor e o ódio, o bem e o mal viviam lado a lado no coração humano e que não havia diferença de um homem para outro. Em todos se encontrava bondade e maldade. Bastava observá-los com um pouco de atenção, raspar à superfície. Todas as coisas tinham direito e avesso. Para cada animal, havia outro que o destruía; o macho, a fêmea; o positivo, o negativo. A descarga atómica era a única destruição verdadeira, a transgressão da lei universal da unidade. Não podia existir nada em que não houvesse antagonismo. Podia acaso existir espaço num edifício, sem objectos que o limitassem? E energia sem matéria, ou matéria sem energia? Matéria e energia, o inerte e o activo, dantes considerados opostos, sabia-se agora que eram uma e a mesma coisa. »


Excerto de " O Desconhecido do Norte-Expresso "(Strangers on a Train-1950) de Patricia Highsmith, Trd. Elisa Lopes Ribeiro, colecção 9 mm, Ed. Público, 2005

A propósito dos incêndios






















O avião(aviões), andou, desde o nascer do Sol até ao pôr do mesmo, a "regar" o incêndio. Sem sucesso. As chamas alimentadas pelas lágrimas vindas do ar, devoraram pinheiros e mato.
Durante o dia, os aviões, produziram belas imagens que mexeram com a modorra dos habitantes das regiões próximas. A canícula, o isolamento, a falta de divertimentos fez com que todas as atenções se virassem para o céu. Regadas a Super-Bock. Alguém se atirou para o pequeno tanque do fontanário, quase seco. E os outros foram dando vivas à terra, à passagem(ou ao som) dos pássaros do ar.
A tristeza de uns foi o divertimento de outros.
O empobrecimento de alguns foi o lucro de outros. Um, dois, ou três aviões fazendo várias viagens durante todo o dia, abriram o seu ventre, e ajudaram a alimentar o fogo, que só se apagou, quando a natureza disse basta.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

domingo, 23 de agosto de 2009

Desejo adolescente

Excerto de " Amarcord ", de Frederico Fellini

Marie-Louise O'Murphy, amante de Luís XV, pintura de François Boucher
« Não é possível dominar dominar completamente a mulher e o desejo da mulher. Falo de desejo no sentido mais vasto. Ao passo que é possível dominar o desejo do homem.
Por isso é que as mulheres são mais interessantes, porque há sempre linhas de fuga, e daí a velha ideia de que a mulher é volúvel ou doida. São indicações de qualquer coisa no desejo que escapa a um padrão. »

José Gil, a partir de uma conversa com Ana Sousa Dias, publicada no seu artigo " o que sei sobre as mulheres ", Pública de 23/08/2009
« O governo do mundo começa em nós mesmos. Não são os sinceros que governam o mundo, mas também não são os insinceros. São os que fabricam em si uma sinceridade real por meios artificiais e automáticos; essa sinceridade constitui a sua força, e é ela que irradia para a sinceridade menos falsa dos outros. Saber iludir-se bem é a primeira qualidade do estadista. Só aos poetas e aos filósofos compete a visão práctica do mundo, porque só a esses é dado não ter ilusões. Ver claro é não agir. »


Excerto de " Livro do Desassossego ", de Fernando Pessoa, Ed. Richard Zenith para a Assírio & Alvim

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Lee Fields

Judy Dater

" Imogen et Twinka "(1974)
" Sabine "(1973)

Ler aqui entrevista a Judy Dater, por Paul Karlstrom. Realizada em 02/06/2000.

La Santa Sede*



















«El caso es que la sodomía tiene muchos adeptos entre los chicos heterosexuales (o pretendidamente heterosexuales, vete tú a saber...). A mí, de hecho, me lo han propuesto tantas veces que una vez, por pura curiosidad, piqué. Cierto es que no teníamos lubricante, ni experiencia, ni mucho acierto, pero... ¡qué dolor! al principio. Luego, es cierto que el morbo suplía la ausencia de placer, pero echando cuentas, siento que no me compensa. Así es que, lo siento mucho: nunca mais, muchas gracias por probar. Y, desde entonces, jamás he repetido, aunque les haya fastidiado un poco a todos y cada uno de mis novios, novietes, amantes habituales, amantes ocasionales y follamigos que, salvo Pepe el okupa, me lo han pedido repetidas veces.» continuar a ler aqui.
*Pandora Rebato, El Mundo, 21/08/2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

«- Se Clinton lhe tivesse ido ao cu, talvez ela tivesse calado a boca. Bill Clinton não é o homem que dizem ser. Se a tivesse virado de barriga para baixo no Salão Oval e lhe tivesse ido ao cu, nada disto teria acontecido.
- Bem, ele nunca a dominou. Jogou pelo seguro.
- Sabes, depois de chegar à Casa Branca o tipo deixou de dominar. Não podia. Também não dominou a Willey. Foi por isso que ela ficou fula com ele, Quando se tornou presidentes perdeu o seu talento arkansiano típico para dominar mulheres. Enquanto foi procurador-geral e governador de um pequeno estado obscuro, dominar era perfeito para ele.
- Sem dúvida. Basta pensar na Gennifer Flowers.
- O que acontece no Arkansas? Se um tipo cai quando ainda se encontra lá, não cai de muito alto.
- Exactamente. E calcula-se que tenha tara pelo cu. É uma tradição.
- Mas quando chega à Casa Branca, não pode dominar. E quando não pode dominar, Miss Willey vira-se contra ele, e Miss Monica vira-se contra ele. Teria garantido a lealdade dela se lhe fosse ao cu. O pacto devia ter sido esse. Isso tê-los-ia ligado. Mas não houve pacto.
- Bem, ela assustou-se. Sabes bem que esteve prestes a não dizer nada. Starr esmagou-o. Onze gajos na sala com ela naquele hotel, já imaginaste? A massacrá-la? Foi uma geraldina. Uma violação colectiva encenada por Starr naquele hotel.
- Isso é verdade. Mas ela já andava a falar com Linda Tripp.
- Ah, sim.
- Andava a falar com toda a gente. Pertence àquela cultura idiota do blá-blá-blá. A esta geração que se orgulha da sua superficialidade. A sinceridade é tudo. Sincera e vazia, totalmente vazia. A sinceridade que dispara em todas as direcções. A sinceridade que é pior que a falsidade e a inocência que é pior do que a corrupção. Toda a rapacidade oculta sob o manto da sinceridade. E do jargão. Aquele vocabulário maravilhoso de todos eles, e em que parecem acreditar, a respeito da «falta de mérito próprio», quando na realidade estão sempre convencidos de que têm direito a tudo. Chamam carinho ao descaramento e mascaram a desumanidade de perda de «auto-estima». Hitler também tinha falta de auto-estima. Esse era o problema dele. É uma farsa, o que esses miúdos armaram. A hiperdramatização das emoções mais insignificantes. Relação. A minha relação. Clarificar a minha relação. Quando abrem a boca apetece-me amarinhar pelas paredes. Toda a linguagem deles é um somatório da estupidez dos últimos quarenta anos. Conclusão. Eis um dos chavões. Os meus alunos não podem permanecer no lugar onde o pensamento deve ocorrer. Conclusão! Fixam-se na narrativa convencionalizada com o seu princípio, o seu meio e o seu fim. Qualquer experiência, por muito ambígua, intrincada ou misteriosa que seja, tem de se prestar a esse lugar-comum normalizante e convencionalizante de pivô de televisão. Chumbo qualquer miúdo que peça conclusão. Querem conclusão? Eu dou-lhes a conclusão.»


Excerto de " A mancha branca ", de Philip Roth, Trd. Fernanda Pinto Rodrigues

Jornal do Cuto
















Guardo religiosamente os meus exemplares do Jornal do Cuto.

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" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

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