Luís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com

domingo, 27 de dezembro de 2009

J. Laurent









"J. Laurent e Portugal " exposição no CPF. Ver aqui no blogue " Grand Monde " de Angela Camila Castelo-Branco.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Time after time

Noites Brancas

« Há qualquer coisa de indizivelmente enternecedor na nossa natureza petersburguense quando ela, à chegada da Primavera, revela de um jacto toda a sua potência, todas as forças que o céu lhe doou, se cobre de penugem, se desprende, se esmalta de flores multicoloridas... Lembra-me aquela rapariga definhada e enfermiça para quem olhamos umas vezes com comiseração, outras com uma espécie de amor compassivo, mas a quem, o mais das vezes, não prestamos atenção, e que de repente, por um único instante, se torna divina, indubitavelmente bela, e então nós, espantados, maravilhados, perguntamo-nos: que força fez que lhe brilhassem com aquele fogo os olhos tristes e cansados? O que fez subir o sangue àquelas faces pálidas e chupadas? O que lhe vestiu de paixão os enternurados traços do rosto? Por que se lhe levanta tanto aquele peito? O que chamou a força, a vida, a beleza ao rosto da pobre rapariga, o que lho fez brilhar com aquele sorriso, animar-se com aquele riso radiante, resplandecente? Olhamos em volta, procuramos alguém, adivinhamos... Mas o instante passa e, o mais certo, é vermos-lhe o mesmo rosto pálido, a mesma submissão e timidez dos gestos, e até um arrependimento, até vestígios de desgosto, de mortífera náusea pela paixão momentânea... E temos pena que tão depressa, tão irremediavelmente tenha murchado a beleza de um instante, a beleza que, tão enganadora e inútil, cintilou à nossa frente - temos pena porque nem sequer tivemos tempo de nos apaixonarmos dela...»






1 ) Excerto de " Noites Brancas ", de Fiódor Dostoiévski, Trd. Nina Guerra e Filipe Guerra, Ed. BI

2 ) Excerto do filme de Luchino Visconti, baseado na novela e realizado em 1957.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Canção do dia(23): " Bicycle Race " - Queen (1978)

Onde está Deus, mesmo que não exista?

" Onde está Deus, mesmo que não exista? Quero rezar e chorar, arrepender-me de crimes que não cometi, gozar ser perdoado como uma carícia não propriamente materna.
Um regaço para chorar, mas um regaço enorme, sem forma, espaçoso como uma noite de verão, e contudo próximo, quente, feminino, ao pé de uma lareira qualquer... Poder ali chorar coisas impensáveis, falências que nem sei quais são, ternuras de coisas inexistentes, e grandes dúvidas arrepiadas de não sei que futuro...
Uma infância nova, uma ama velha outra vez, e um leito pequeno onde acabar por dormir, entre contos que embalam, mal ouvidos, com uma atenção que se torna morna, de perigos grandes - penetravam em jovens cabelos louros como o trigo... E tudo isto muito grande, muito eterno, definitivo para sempre, da estatura única de Deus, lá no fundo triste e sonolento da realidade última das Coisas...
Um colo ou um berço ou um braço quente em torno ao meu pescoço...
Uma voz que canta baixo e parece querer fazer-me chorar... O ruído de lume na lareira... Um calor no inverno... Um extravio morno da minha consciência... E depois sem som, um sonho calmo num espaço enorme, como a lua rodando entre estrelas... "



Excerto de " Livro do Desassossego " de Fernando Pessoa, Ed. Richard Zenith, Assírio & Alvim

Excesso de ruído?


Ilustração de Zichy Mihaly

«Al final todo se reduce a una cuestión de decibelios: a 47 llegaron los gemidos de los coitos de Steve y Caroline Cartwright. Un registro que los ha convertido en el hazmerreír de los tabloides y en la peor pesadilla de sus vecinos, que los han denunciado por quebrantar el silencio de su urbanización.» continuar a ler aqui.

Eduardo Suaréz, El Mundo, 15/12/2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

Sublimes músicas religiosas


Excerto de " A paixão segundo S. Mateus ", de J.S.Bach, orquestra dirigida por Gustav Leonnardt

"Tekbir/Taleal Bedru Aleyna " - Ercan Irmak

Minaretes



« El gobierno de Erdogan critica a Suiza cuando en Turquía es casi imposible construir un templo que no sea mezquita. » continuar a ler aqui.

Fran Martínez, El Mundo, 06/12/2009



















Minaretes, Índia



«O voto contra os minaretes na Suíça é só um sinal. Dos palcos políticos à Internet, por toda a Europa emergem manifestações de medo ou desconfiança em relação aos muçulmanos. Há indicações de que a discriminação está a aumentar, dizem especialistas ouvidos pelo PÚBLICO. » continuar a ler aqui.

Alexandra Lucas Coelho, Público, 06/12/2009

A memória triste da linha do Sabor*

* Fotorreportagem de Paulo Pimenta, para o Público, ver aqui.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Retratos de Pierre Gonnord









Retrato de mulher transmontana, por Pierre Gonnord, ler aqui entrevista e mais fotografias, publicadas no El País.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Canção do dia(22) : " Papillon " - Editors(2009)

Cenas da vida conjugal(2)

« Obcecado por uma ideia fixa, à dúvida que já sentia sobre aquele casamento que em tempos lhe agradara, acrescentou amadurecidos instintos de cupidez. Raciocinando assim, ruminou solitário e sem descanso as mesmas reflexões, acabou por sabotar o seu próprio espírito e atribuir um valor enorme a factos que não tinham importância.»

Excerto de " O castelo do homem ancorado ", de J.K. Huysmans, Trd. Aníbal Fernandes, Ed.Livro B, 1985

Cenas da vida conjugal(1)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

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" El cant des ocells " por La Capela Reial, dirigida por Jordi Savall

domingo, 29 de novembro de 2009

Canção do dia(21): " Natação obrigatória " - Banda do Casaco(1980)

Viemos do fundapique
passámos no tudasaque
não há mal que mal nos fique
nem há cu que não dê traque
mal a gente vem ao mundo
logo a gente vai ao fundo

Andámos no malsalgado
brigámos no daceleste
e o escorbuto mal curado
com tratamento indigesto
mal a gente vem ao mundo
logo a gente vai ao fundo


Natação obrigatória
na introdução à instrução primária
natação obrigatória
para a salvação é condição necessária
não há cu que não dê traque
não há cu que não dê traque
mal a gente vem ao mundo
logo a gente vai ao fundo

Pusemos a cachimónia
em papas de sarrabulho
e quando as noites são de insónia
damos voltas ao entulho
mal a gente vem ao mundo
logo a gente vai ao fundo

Aprendizes da política
só na tática do "empocha"
vem a tempestade mítica
e s cabeça dá na rocha
mal a gente vem ao mundo
logo a gente vai ao fundo



Trás-os-Montes








«Trás-os-Montes, o primeiro filme que assinou com António Reis, tornou-se uma referência para toda uma geração, e 33 anos depois da estreia continua a ser a súmula de algo português. "Para um povo e para um país à procura de si próprios", escreveu João Bénard da Costa, "é uma das poucas pedras do caminho que nos pode ajudar a reencontrar a direcção".»

Alexandra Lucas Coelho, Pública de 29/11/2009

Trás-os-Montes



«Por que vive aqui?

São razões pessoais, privadas. Não é por gosto. Senti-me no dever de vir há anos, estou arrependida, gastei dinheiro a recompor a casa e outras coisas, mas não foi uma escolha, foi por obrigação, pronto. Gostava de ter ido para Bragança, e a segunda escolha era dar a volta a vários pontos do mundo, porque adoro viajar. Tanto posso estar sozinha muito tempo, e estive aqui cinco anos sozinha, como posso andar a correr pelo mundo. Gosto de extremos.» continuar a ler aqui.

Entrevista de Alexandra Lucas Coelho a Margarida Cordeiro, fotografias de Nelson Garrido, Pública de 29/11/2009

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" Muitas vezes, meu caro senhor, as aparências iludem, e quanto a pronunciar uma sentença sobre uma pessoa, o melhor é deixar que seja ela o seu próprio juiz. " Robert Walser

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