" Galos de Barcelos " - Azulejos de Rocha MaiaLuís António Cardoso da Fonseca Mail: luiscardosofonseca@hotmail.com
terça-feira, 3 de junho de 2008
domingo, 1 de junho de 2008
A Europa não é o que era *

Vaidade susceptível

Selecção Nacional
Royalistick - "Como Uma Estrela"
Gato Fedorento: Victor Espadinha "Tudo São Recordações"
O chiclete
Excerto de " O Matador ", de Patrícia Melo, Ed. Campo das Letras
Tim Maia - "Me dê motivo"
Quelle âme est sans défauts? Qual é a alma que não tem defeitos?
The Doors - "Touch Me"
O saisons, ô châteaux!
Quelle âme est sans défauts?
J' ai fait la magique étude
Du Bonheur, qu' aucun n' élude.
Salut à lui, chaque fois
Que chante le coq gaulois.
Ah! je n' aurai plus d' envie:
Il s' est chargé de ma vie.
Ce charm a pris âme et corps,
Et dispersé les efforts.
O saisons, ô châteaux!
L' heure de sa fuite, hélas!
Sera l' heure du trépas.
O saisons, ô châteaux!
Poema de Arthur Rimbaud
Amy Winehouse - "Rehab" Live on David Letterman
sábado, 31 de maio de 2008
Amy e Blake

Amy Winehouse -" me and mr. jones "
Os ombros suportam o mundo
Escultura de RodinChega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond
O tempo das cerejas
"Le Temps des Cerises" (O tempo das cerejas)
Written by Jean-Baptiste CLEMENT
Composed by Antoine RENARD
Performed by Jean Tebems
Directed by Laurent Hart.
sábado, 24 de maio de 2008
Tentações do Diabo
Luis Bunuel - " Simão no deserto "
Stanley Kubrick - " Lolita "
Tudo é efémero e tudo perdura - na memória
Marianne Faithfull -" Something Better "
" Nada dura e, todavia, nada acaba, também. E nada acaba precisamente porque nada dura. "
Excerto de " A mancha humana ", de Philip Roth, Trd. Fernanda Pinto Rodrigues
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Questões de pormenor
Altered Images-"See Those Eyes "
"Emílio quis dizer qualquer coisa. Aproximou-se de Balli e disse-lhe: - Encantado com os olhos da tua dama, gostaria de saber se também te agradam os da minha.
- Os olhos não são feios - declarou Balli - o nariz é que não tem um modelado perfeito; a linha inferior é pouco pronunciada. Precisava de mais uns retoques.
- Como é possível! - exclamou Angelina, estupefacta.
- Pode ser que esteja enganado - disse Balli, muito sério.
- Vamos já ver isso à luz.
Quando se sentiu suficientemente longe do seu terrível crítico, Angelina disse com uma voz má: - Como se a sua coxa fosse perfeita. "
Excerto de " Senilidade ", de Italo Svevo, Trd. Maria Luísa Freitas
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Romantismo...
Beach House - " Gila "
Charles Aznavour - "She"
Beach House -" Heart of Chambers "
terça-feira, 13 de maio de 2008
Nunca digas “já não” *
E percebi que nunca podemos dizer que esta ou aquela pessoa está acabada, porque todos temos enormes capacidades que não aproveitamos e a vida oferece-nos sempre novas oportunidades que eram impensáveis a um determinado momento.
Mas talvez exista algo de mais profundo. Quando somos duramente derrotados ou enfrentamos uma doença mortal, afastamo-nos da realidade presente, viramo-nos para nós próprios, um pouco como se estivéssemos mortos. Depois, quando recuperamos, quando ficamos curados, é como se tivéssemos recebido uma segunda vida, e somos assolados por um desejo febril de fazer, de ter novas experiências.
Um amigo meu, já não muito novo, curado de um tumor anunciado como incurável, comprou um lindíssimo barco e vai passear com os amigos para o Mediterrâneo. Outro escreveu um livro que conheceu um inesperado êxito. Uma amiga minha tornou-se famosa a fazer publicidade, outra adoptou uma criança, uma terceira apenas aprendeu a desfrutar das coisas bonitas com que se depara: um banho no mar, o jardim, uma viagem, um baile. Além disso, quando falamos com ela, sentimo-nos em paz.Por essa razão, nunca deveríamos dizer “já não”. Já não posso ter filhos, já não vou acabar o curso, já não estou na flor da idade, já não estou a trabalhar. Não faz sentido: é como dizer “já não há saldos”. Os saldos acabaram, mas existem outras possibilidades infinitas de compra. E nem sequer precisamos de perder tempo a lamentarmo-nos por já não termos isto ou aquilo, ou ruminar sobre os nossos erros ou sobre o mal que os outros nos fizeram.
Erros todos cometemos e todos somos vítimas de maldades. Não se trata simplesmente de optimismo: faz as coisas que te agradam, que te estimulam, e esquece o resto. Não fales com quem te é antipático, com quem te aborrece, não vejas filmes que não te interessam, desliga o televisor quando ele te irritar. E se, pelo contrário, houver alguma coisa à qual dês realmente valor, luta por ela. Tanto estamos vivos com 90 anos como com 20. E luta sem medo, com prazer, com o gosto de o fazer, como se fosse uma competição de esqui, ou de ténis, ou uma maratona.
http//www.alberoni.it____Francesco Alberoni, Sociólogo
* Artigo de opinião publicado no Diário Económico
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Leituras de infância(1)

António Lobo Antunes, escritor português que tem sido cogitado para o Nobel de Literatura, cita de forma favorável "Flash Gordon", Júlio Verne e os quadrinhos, entre outras obras/autores, em entrevista no programa "Espaço Aberto Literatura", do canal Globo News, em dezembro/2007.
domingo, 11 de maio de 2008
Mejor sin hija*
O Inferno de Dante de Sandro BotticelliHace dos semanas, el diario publicó el asesinato por honor de la estudiante de 17 años Rand Abdel-Qader. Su padre, un empleado del Gobierno de 46 años, fue detenido pero la policía lo liberó a las dos horas. "Son hombres y saben lo que es el honor", asegura Ali, que relata cómo los agentes le dieron la enhorabuena por lo que había hecho.
Rand, estudiante de inglés en la Universidad de Basora, conoció a Paul, un soldado británico de 22 años, cuando ella ayudaba como voluntaria a las familias desplazadas y él distribuía agua entre los afectados. Según su amiga Zeinab, el romance, que duró cuatro semanas, no pasó de las conversaciones. "Rand murió virgen", asegura la joven.
El 16 de marzo, Ali supo que su hija había sido vista en público con el militar, "el enemigo, el invasor, el cristiano". Había deshonrado a su familia. A pesar de los intentos desesperados de la madre de Rand por impedir que Ali matase a su hija, éste la ahogó, con la ayuda de sus dos hijos, aplastando el cuello de la joven con el pie. Fue enterrada sin ninguna ceremonia.
Mejor sin hija
"La muerte era lo que se merecía. Tengo el apoyo de todos mis amigos que son padres como yo y saben que lo que hizo era inaceptable para cualquier musulmán", declaró Ali a The Observer.
"Ahora no tengo ninguna hija y prefiero decir que nunca la tuve", continúa el padre, para quien "las mujeres musulmanas no son como las occidentales, que pueden dormir con cualquier hombre que quieran y quedarse embarazadas sin casarse".
Un oficial de Basora ha denunciado que un político local ha dado dinero a Abdel-Qader para que se marche unos días a Jordania hasta que la historia sea olvidado, la práctica usual en los más de 30 asesinatos por honor registrados desde enero.
Vinil - Gravações e Capas de Discos de Artista*
http://www.myspace.com/sonicyouthLaurie Anderson - " Big Science "
* Exposição no Museu de Serralves.
Philip Glass -" Two Pages (for Steve Reich) "
sábado, 10 de maio de 2008
As nossas contradiçoes
excerpt from Heavy Architecture
film by Edgar Pêra
with Nel Monteiro
music remix by Vitor Rua
production Periferia Filmes
sábado, 3 de maio de 2008
A princesa da Folk
Sandy Denny - "Late November"
Ler aqui artigo do " El País ".
terça-feira, 22 de abril de 2008
O fim está próximo
Sara Gamito
Segundo a directora do PAM, Josette Sheeran, "milhões de pessoas que não estavam na situação daqueles que têm necessidades urgentes há seis meses e hoje fazem parte do grupo", declarou Sheeran num comunicado, citado pela Lusa.Para Sheeram, a ajuda a disponibilizar pela comunidade internacional terá de ser da mesma amplitude do que a assistência prestada após o tsunami de 2004 no Oceano Índico, que causou 220 mil mortos em 12 países.A presidente do PAM estará presente numa reunião esta tarde, organizada pelo primeiro-ministro Gordon Brown, onde serão discutidos os preços dos alimentos e um plano internacional de acção. As conclusões serão depois apresentadas no encontro dos chefes de Estado e de governo da União Europeia em Junho e aos membros do G8 em Julho.Na semana passada, o PAM reviu em alta o seu pedido de urgência aos países doadores, solicitando 756 milhões de dólares (476 milhões de euros) suplementares à comunidade internacional para que seja possível enfrentar a escassez dos alimentos e a subida do preço dos géneros agrícolas.Como resposta ao PAM, o ministério do Desenvolvimento Internacional britânico informou hoje que desbloqueará 30 milhões de libras (37 milhões de euros) para o combate à fome.O PAM estima que desde Junho de 2007 o preço dos produtos alimentares tenha aumentado 55%.
Diário Económico,22/04/2008
"Money" - Liza Minnelli, Joel Grey
sexta-feira, 28 de março de 2008
Pequenos(grandes) momentos de felicidade
The Associates -" 18 Carat Love Affair "
The Associates - "Take Me To The Girl"
Ontem no Coliseu do Porto,com outros intérpretes...
Kathleen Battle canta "Ihr habt nun Traurigkeit"
" Agora estais em tristeza,
mas voltarei a ver-vos
e o vosso coração regozijar-se-á
e a vossa alegria
ninguém poderá tirar.
(João 16:22)
Vede:
Tive um breve tempo
no qual labutei e trabalhei,
e encontrei um grande consolo.
(Eclesiástico 51:27)
Consolar-vos-ei
como uma mãe consola.
(Isaías 66:13)
domingo, 23 de março de 2008
A causa maior
The Constellation(2000) de MICHAËL BORREMANS" Pois a natureza humana é feita de tal forma que os sofrimentos e as dores que acontecem ao mesmo tempo não se somam inteiramente na nossa sensibilidade, mas escondem-se, os menores atrás dos maiores, segundo uma lei prospectiva definida. Isto é providencial e permite-nos viver no campo. E é esta também a razão pela qual tantas vezes, na vida livre, se ouve dizer que o homem é insaciável: pelo contrário, mais que de uma incapacidade humana para um estado de bem-estar absoluto, trata-se de um conhecimento sempre insuficiente da natureza complexa do estado de infelicidade, pelo que às suas causas, que são múltiplas e hierarquicamente dispostas, se dá um único nome: o da causa maior; até que esta venha eventualmente a faltar, e então fica-se dolorosamente surpreendido ao ver que atrás dela existe outra: e, na realidade, uma série de outras. "
Excerto de " Se isto é um homem ", De Primo Levi, Trd. Simonetta Cabrita Neto
...chagas que rasgam a alma...!
As declarações do papa foram feitas durante sua mensagem de Páscoa, com a qual ele terminou os atos da Semana Santa. Bento 16 celebrou, perante dezenas de milhares de pessoas, a missa do Domingo da Ressurreição, com a Praça de São Pedro cheia de flores, e depois dirigiu a mensagem pascal.
Durante a mensagem, o papa falou das "chagas da humanidade, abertas e doentes em todos os cantos do planeta", que ocorrem quando as relações entre pessoas, grupos e povos estão marcadas pelo "egoísmo, injustiça, ódio e violência, em vez do amor".
No entanto, disse que essas feridas às vezes são "ignoradas e intencionalmente escondidas, chagas que rasgam a alma e o corpo de vários irmãos e irmãs".
O papa também se referiu às pessoas que se comprometem ativamente a favor da justiça e divulgam "sinais luminosos de esperança" nos lugares ensangüentados pelos conflitos e onde quer que a dignidade humana "seja denegrida". Além disso, pediu que seja justamente nesses lugares que "se multipliquem os testemunhos de benignidade e de perdão".
Toda a cerimônia esteve marcada por uma forte e incessante chuva, que foi lembrada pelo papa em diversas ocasiões. Ele pediu que ela fosse considerada como um dom de Deus para a terra.
da Efe, na Cidade do Vaticano , Folha de S.Paulo, 23/03/2008
CAN -" Paperhouse "
sábado, 22 de março de 2008
O meu eu
Portishead -" All mine "
" É uma espécie de negativo, um molde oco e invisível cujas linhas não consigo distinguir, e para dentro do qual devo deixar-me escorregar, se quiser que o meu próprio eu se consciencialize da sua forma e expressão. "
Excerto de " O Golem ", de Gustav Meyrink, Trd. E. Leão Maia, Ed. Vega
Inpério do sonho
Mão Morta -" Floresta em sonho "
" A voz que roda à minha volta na escuridão, que me quer atormentar com a pedra que parece um monte de sebo, passou junto de mim e não me viu. Sei que vem do império do sonho. Mas a experiência foi a de uma realidade viva - por isso é que a voz não me viu e, estou certo, me continua a procurar. Em vão. "
Excerto de " O Golem ", de Gustav Meyrink, Trd. E. Leão Maia, Ed. Vega
quarta-feira, 19 de março de 2008
segunda-feira, 17 de março de 2008
Sapho
Suposto retrato da poetisa grega Sapho. Pintura proveniente de Pompéia.© Collection Roger-ViolletSafo, a maior poetisa lírica da Antigüidade é, provavelmente, também a primeira mulher a fazer poesia importante na história da cultura ocidental. Nasceu na ilha grega de Lesbos, por volta do ano de 612 a.C. Pouco se sabe ao certo sobre esta mulher notável. Alguns a têm imaginado de uma beleza escultórica exuberante. Outros, como não muito bonita. Mas todos concordam que possuía um atrativo pessoal formidável e que, com seus belos olhos pretos, poderia até domar feras! Não é só esta, entretanto, a razão de sua fama. Filha de família rica, deixou cedo sua pequena cidade natal de Eresso, próxima à capital de Lesbos, Mitilene, onde estudou dança, retórica e poética, o que era, então, permitido só a mulheres da aristocracia. Mesmo de origem nobre, a bem pouco podia aspirar uma mulher nessa época fora dos trabalhos domésticos rotineiros. Mas Safo... era Safo! Uma mulher de fogo! Muito jovem já possuía grande notoriedade devido mais a seus encantos pessoais do que à sua arte. Ela mesma dizia ter "cabecinha oca" e "coração infantil", tinha uma conduta libertada de preconceitos e inibições. Nessa época, Lesbos era governada pelo ditador Pítaco (o mesmo que seria depois incluído na lista dos Sete Sábios da Grécia). Safo, acusada de participar de uma conjuração contra o ditador, acabou sendo exilada na cidade de Pirra. A acusação foi, provavelmente, devido mais à moralidade de Pítaco (característica bastante comum entre os ditadores) do que à política, pois, de fato, Safo nunca dedicou-se à política. Nessa época de juventude, brilhava em Lesbos o jovem poeta Alceu, que pretendeu namorar Safo, sem sucesso. Por que não? Naturalmente essas coisas não têm explicação, mas poetisas não se casam com poetas. Fez-se famosa a resposta de Safo à carta amorosa de Alceu, em que este lamentava-se de que o pudor não lhe permitia dizer o que sentia: "Se tuas intenções, Alceu, fossem puras e nobres, e tua fala capaz de exprimi-las, o pudor não seria bastante a reprimi-las". Mas as falas sobre pudor, tanto de Alceu como de Safo são completamente hipócritas, pura literatura destinada ao público: nem Safo nem Alceu possuíam o menor recato! Também Alceu foi exilado por Pítaco junto com muitos outros patrícios. Na sua geração, ele teria sido o maior poeta não fosse pela sua contemporânea Safo. Ao seu retorno de Pirra, Safo não demorou a ser exilada de novo, desta vez na Sicília. Ali conheceu um riquíssimo industrial e, como as atuais divas se casam com milionários, Safo casou-se com ele. Este poderoso industrial cumpriu duplamente seus deveres de esposo com Safo, dando-lhe uma filha e, pouco depois, deixando-a viúva e rica. Na sua volta a Lesbos, Safo diria: "necessito do luxo como do sol." Mas não permaneceu muito tempo na ociosidade e fundou um colégio para meninas da alta sociedade de Mitilene. Ali as instruía em música, poesia e dança, e as chamava de heteras, ou melhor, hetairas, que em grego significa companheiras. Ao que parece, Safo era incomparável e inspirada mestra. Mas também inspirava amor às hetairas e aí Safo era grande mestra. Começaram então os boatos na cidade sobre atos e costumes adotados na grande escola. Sua hetaira favorita, chamada Átis, foi a primeira a ser tirada, iradamente, por seus pais. Tudo se desfez rapidamente e a escola acabou. Para Safo, esse foi um terrível golpe. Sobretudo a perda de Átis, por quem sentia paixão irrefreável. O que foi uma desgraça para Safo foi a faísca inicial que sublimou a sua poesia. Compôs o "Adeus a Átis", considerada até hoje como um dos mais perfeitos versos líricos de todos os tempos, que através dos séculos foi modelo de estilo pela singeleza e sobriedade da forma. Expressões originais de Safo, que chamou Átis de "doce e amargo tormento", foram usadas depois por poetas e namorados através dos séculos. Segundo a lenda recolhida por Ovídio, na idade madura, Safo voltou a amar os homens. Existem aí duas versões, numa, apaixonada por um marinheiro chamado Faon, que não lhe correspondeu, suicidou-se pulando de um rochedo de Leuca. Na outra, Safo serenamente resignada com a sua sorte - segundo manuscrito achado no Egito - recusa um pedido de casamento: "Se meu peito ainda pudesse dar leite e meu ventre frutificasse, iria sem temor para um novo tálamo. Mas o tempo já gravou demasiadas rugas sobre minha pele e o amor já não me alcança mais com o açoite de suas deliciosas penas." A moralidade e a hipocrisia têm condenado Safo durante 26 séculos. No século XI, teve a sua maior condenação: toda a sua obra, contida em nove volumes, foi queimada pela Igreja... Só em fins do século XIX dois arqueólogos ingleses descobriram, por acaso, em Oxorinco, sarcófagos envoltos em tiras de pergaminho, numa das quais eram legíveis uns seiscentos versos de Safo. Isso é tudo o que restou dela. Pouco, mas o bastante para confirmar o veredicto dos antigos: Safo foi a maior poetisa lírica da Antigüidade. Tinha razão Platão quando ensinou: "Dizem que há nove musas, que falta de memória! Esqueceram a décima, Safo de Lesbos." E também tinha razão Sólon (que não era apreciador de poesia, talvez por ser a única atividade do espírito que não conseguiu dominar) quando, depois de ouvir seu neto recitar uma poesia de Safo, exclamou: "Agora poderei morrer em paz!" Numa linha imortal que sobreviveu ao fogo da Igreja e aos séculos que tudo corroem, Safo disse: "Irremediavelmente, como à noite estrelada segue a rosada aurora, a morte segue todo o ser vivo até que finalmente o alcança..." E depois veio o silêncio, mas, nem o fogo, nem os séculos conseguiram apagar sua voz, nem esquecer seu nome: Safo, a divina hetaira!
Nunca o conseguiremos provar
Já houve trabalhos desse género, a tentar descobrir onde é que Deus se encontra no cérebro. O que podemos demonstrar? Quando se acredita em Deus, isso diz respeito a todo o ser humano. Não se acredita em Deus por causa de uma pequena parte do nosso cérebro, do nosso coração, das nossas entranhas. Essa é uma busca globalmente humana. Podemos medir mudanças de hormonas quando se está a rezar ou quando se medita. Mas o que demonstrámos com isso? Nada de novo. Apenas que a busca religiosa é profundamente humana. Avançou-se no conhecimento humano, mas não se demonstrou nunca a existência ou inexistência de Deus. Nunca o conseguiremos provar."
Excerto de entrevista dada pelo Padre Jacques Arnould a António Marujo, publicada no P2(Público) de 16/03/2008
domingo, 16 de março de 2008
Dormir,sonhar...
Brisa de amor
Excerto de "Sapho", de Alphonse Daudet, Trd. Miguel Serras Pereira
A Kora tocada com paixão
Toumani Diabate, Ketama e Danny Tompson
O cartão transformado em arte
Cardbird I 1971stencil. planographic, collage photo-offset lithograph screenprint, collageImpression: right to printEdition: edition of 75 plus 6AP, RTP, PPII, 3GEL, SP, Ccardboard 114.4 h x 76.5 w cm Accn No: NGA 73.1173.1© Robert Rauschenberg. Licensed by VAGA & VISCOPY, AustraliaLer aqui artigo de Helena Vasconcelos, a propósito da exposição presente no Museu de Serralves, e que visitei hoje.
sábado, 15 de março de 2008
Gratidão
Magalhães exprimia todo seu reconhecimento pela dedicação e perseverança de Oliveira;
mas a alegria de Oliveira não tinha limites. A explicação desta diferença está talvez neste
fundo de egoísmo que há em todos nós."
Excerto de " Almas agradecidas ", de Machado de Assis
segunda-feira, 10 de março de 2008
A raiva,a beleza, a sensibilidade,a sensualidade,a paixão,a alma profunda
Janis Joplin -" Piece Of My Heart " (ao vivo na Alemanha em 1969)
Cat Power -" Crying, Waiting, Hoping "
Fiona Apple -" Parting Gift "
PJ Harvey -" Down by the Water "
PJ Harvey - "Oh My Lover "
domingo, 9 de março de 2008
Para reflexão
Artigo de Anselmo Borges, publicado no Diário de Notícias de 08/03/2008
John Lennon - " God " ( legendado )
"O Japão vem assistindo a um crescente número de suicídios coletivos entre pessoas que se conhecem pela internet e depois vão a lugares pitorescos para se suicidarem inalando monóxido de carbono. O país tem uma das taxas de suicídio mais elevadas do mundo desenvolvido, com mais de 30 mil casos por ano. "
Artigo da Folha de S.Paulo
Cenas do filme Laranja Mecânica, selecionadas para a produção de planejamento de aula da disciplina Laboratório de Filosofia do curso de Filosofia da UFMG - 2º semestre / 2007, prof. Patrícia Kauark.Tema: Liberdade e determinismo.
Para ti...Sofia
Air - "Playground Love", banda sonora do filme " Virgens suicidas " de Sofia Coppola
Del amor, el mal y la muerte *
* Artigo do El País sobre o novo filme de Fatih Akin
Trailer do filme
quinta-feira, 6 de março de 2008
A causa da melancolia
"Scène de la Folie" ~ Natalie Dessay (Part 1 of 2)
" Ah! se mestre Romão pudesse seria um grande compositor. Parece que há duas sortes de vocação, as que têm língua e as que não têm. As primeiras realizam-se; as últimas representam uma luta constante e estéril entre o impulso interior e a ausência de um modo de comunicação com os homens. Romão era destas. Tinha a vocação íntima da música; trazia dentro de si muitas óperas e missas, um mundo de harmonias novas e originais, que não alcançava exprimir e pôr no papel. Esta era a causa única da tristeza de mestre Romão. Naturalmente o vulgo não atinava com ela; uns diziam isto, outros aquilo: doença, falta de dinheiro, algum desgosto antigo; mas a verdade é esta: - a causa da melancolia de mestre Romão era não poder compor, não possuir o meio de traduzir o que sentia."
Excerto de " Cantiga de esponsais" , de Machado de Assis
"Scène de la Folie" ~ Natalie Dessay (Part 2 of 2)
Os pêlos públicos *
" Quando se fala na irritação de ficar com um pêlo público atravessado na garganta, é raro fazer-se a justiça de contrabalançá-lo com o grande prazer do acto de amor que o causou. É íntima a ligação entre o exagero com que se exprime o incómodo e o silêncio em torno do afoito e da paixão que a tarefa exigiu. "
* Crónica de Miguel Esteves Cardoso para o P2, na comemoração dos 18 anos do " Público "
Mensagem subliminar
"India Song", letra de Marguerite Duras, musica de D'Alessio
Chanson,
Toi qui ne veux rien dire
Toi qui me parles d'elle
Et toi qui me dis tout
Ô, toi,
Que nous dansions ensemble
Toi qui me parlais d'elle
D'elle qui te chantait
Toi qui me parlais d'elle
De son nom oublié
De son corps, de mon corps
De cet amour là
De cet amour mort
Chanson,
De ma terre lointaine
Toi qui parleras d'elle
Maintenant disparue
Toi qui me parles d'elle
De son corps effacé
De ses nuits, de nos nuits
De ce désir là
De ce désir mort
Chanson,
Toi qui ne veux rien dire
Toi qui me parles d'elle
Et toi qui me dit tout
Et toi qui me dit tout
quarta-feira, 5 de março de 2008
Será que Bach e Rostropovich encontraram Deus?
Mstislav Rostropovich plays Bach´s Suite for Solo Cello in C Major: Bourreé
terça-feira, 4 de março de 2008
Face to Face
Siouxsie and The Banshees -" Face To Face "
Novamente o olhar
Primeira comunhão em Juazeiro do Norte. Brasil, 1981.Fotografia de Sebastião Salgado
" Acredito igualmente que o progresso científico e espiritual da humanidade conduzirá à progressiva extinção de todas as grandes religiões - por desnecessárias. Talvez Deus permaneça, isto é, a ideia Dele, mas será inevitavelmente um Deus muito distante da nossa imagem e semelhança, um Deus pelo qual ninguém quererá morrer nem matar. Um Deus impossível de transformar em bandeira "
Excerto de crónica " O improvável ", de Faíza Hayat, publicada na revista Pública de 02/03/2008
segunda-feira, 3 de março de 2008
A felicidade para o homem está apenas nessa capacidade de autodomínio e no reconhecimento da sua própria natureza. Poucos são porém os que chegam alguma vez a reconhecer a sua natureza. "
Excerto de " Perturbação ", de Thomas Bernhard, Trd. Leopoldina Almeida
sábado, 1 de março de 2008
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Animais....!
Fotografia de Alfredo Cunha" Se existissem domínios mais sombrios da noite ele tê-los-ia descoberto. Jazendo com os dedos enfiados nos ouvidos para não esquecer o chilreio estridente dos miríades de grilos negros com quem partilhava a choupana de paredes nuas. Uma noite, meio adormecido na enxerga, ouviu algo galopar pelo quarto e saltar fantasmagoricamente ( viu ele, enquanto lutava para se erguer) pela janela aberta. Ficou sentado buscando em volta com o olhar mas o vulto tinha desaparecido. Conseguia ouvir cães de caça gritando a plenos pulmões, lamentos torturados e latidos quase de agonia vindos do ribeiro, subindo o vale. Inundaram o pátio da choupana num pandemónio de uivos em soprano e arbustos entrechocando-se. Ballard, nu e de pé, viu à ténue luz das estrelas a porta da frente encher-se da soleira para cima com cães vociferando. Ali ficaram por um momento numa moldura palpitante de pelagens malhadas e depois arquearam-se para a frente e encheram o quarto, descreveram um círculo num crescendo de corpos entrelaçados e depois precipitaram-se de roldão pela janela fora entre uivos dissonantes, arrastando primeiro os pinázios, a seguir o caixilho, deixando um buraco quadrado e nu na parede e um tinido nos ouvidos de Ballard. Enquanto ele ali estava praguejando mais dois cães entraram pela porta. Pontapeou um ao passar, enterrando-lhe os dedos nus no quadril ossudo. Estava aos saltos, guinchando agarrado ao pé, quando um último cão entrou no quarto. Caiu sobre ele e agarrou-lhe uma pata traseira. O animal lançou um uivo penoso. Ballard golpeou-o cegamente com o punho fechado, pancadas fortes e insistentes que ecoaram no quarto quase vazio por entre imprecações e queixumes desesperados."
Excerto de " Filho de Deus ", de Cormac McCarthy, Trd. Paulo Faria
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Para relembrar constantemente
Fotografia de João Silva,publicada no New York Times de 11/10/2007Tom Zé e Jarbas Mariz cantam Companheiro Bush
Recordações
Sinatra & Bono -" I've got you under my skin "
Tom Zé -" Augusta, Angélica e Consolação "
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Ophélia

On the calm black water where the stars are sleeping
White Ophelia floats like a great lily;
Floats very slowly, lying in her long veils...
- In the far-off woods you can hear them sound the mort.
For more than a thousand years sad Ophelia
Has passed, a white phantom, down the long black river.
For more than a thousand years her sweet madness
Has murmured its ballad to the evening breeze.
The wind kisses her breasts and unfolds in a wreath
Her great veils rising and falling with the waters;
The shivering willows weep on her shoulder,
The rushes lean over her wide, dreaming brow.
The ruffled water-lilies are sighing around her;
At times she rouses, in a slumbering alder,
Some nest from which escapes a small rustle of wings;
- A mysterious anthem falls from the golden stars.
II
O pale Ophelia! beautiful as snow!
Yes child, you died, carried off by a river!
- It was the winds descending from the great mountains of Norway
That spoke to you in low voices of better freedom.
It was a breath of wind, that, twisting your great hair,
Brought strange rumors to your dreaming mind;
It was your heart listening to the song of Nature
In the groans of the tree and the sighs of the nights;
It was the voice of mad seas, the great roar,
That shattered your child's heart, too human and too soft;
It was a handsome pale knight, a poor madman
Who one April morning sate mute at your knees!
Heaven! Love! Freedom! What a dream, oh poor crazed Girl!
You melted to him as snow does to a fire;
Your great visions strangled your words
- And fearful Infinity terrified your blue eye!
III
- And the poet says that by starlight
You come seeking, in the night, the flowers that you picked
And that he has seen on the water, lying in her long veils
White Ophelia floating, like a great lily.
Arthur Rimbaud
Peter Hammill - "Ophelia" (ao vivo em Itália,1983)
A musa venal

Musa do meu amor, ó principesca amante,
Simbiose (im)perfeita
Elvis Costello e Fiona Apple - "Shabby Doll "
domingo, 24 de fevereiro de 2008
A vida não pára
Lenine - " Paciência "
" De súbito uma força desconhecida atingiu-o no peito e no flanco, oprimindo-lhe ainda mais a respiração, caiu no buraco e ali, no fundo do buraco, qualquer coisa começou a brilhar. Aconteceu-lhe aquilo que lhe costumava acontecer na carruagem do comboio, quando pensava que seguia para a frente e ia para trás, e de repente descobria a verdadeira direcção.
- Sim, nada foi como devia ser - disse a si mesmo. - Mas não importa. É possível, «isso» pode fazer-se. Mas «isso» é o quê? - perguntou a si mesmo e sossegou. "
Excerto de " A morte de Ivan Ilitch ", de Lev Tolstoi, Trd. António Pescada
Monty Phyton - Funeral de Graham Chapman (legendado)
Marjane Satrapi, uma mulher no Irão

" Não sou, de todo, uma pregadora e é por isso que faço arte e também não gosto de pregadores. Enquanto artistas, o nosso dever é levantarmos questões para mostrar que a situação é complexa. Pomos cada pessoa perante um dado e ela que se encarregue de julgar. Não somos portadores de respostas, e nesse sentido este não é um filme revolucionário. Coloca perguntas sobretudo num plano humano. Hoje, falamos de ocidentais e orientais, de muçulmanos e cristãos, mas os cristãos não se parecem todos. Há indivíduos e o indivíduo é a base da democracia. Compreender que um ser humano tem um valor é a base de tudo. É isso que estamos a caminho de perder a grande velocidade. Se há uma mensagem neste filme é, justamente, retomar tudo a um nível individual, humano. A partir daí talvez consigamos fazer a boa pergunta. "
Excerto de entrevista a Marjane Satrapi por Alexandra Lucas Coelho(em Paris), publicada no Ípsilon de 22/02/2008
Olhar a morte com os olhos bem abertos
Charlize Theron" « Quando eu não existir, o que existirá? Não existirá nada. Pois onde estarei eu quando não existir? Será isso morrer? Não, não quero.»
Levantou-se de um salto, quis acender a vela, procurou-a com as mãos trémulas, derrubou a vela e o castiçal para o chão e deixou-se cair para trás, sobre a almofada. « Para quê? Tanto faz - disse consigo, olhando a escuridão com os olhos muito abertos. - É a morte. Sim, a morte. E nenhum deles sabe, nem quer saber, e não têm pena. Estão a tocar. (Ouvia através da porta o som das vozes e das cantorias.) A eles tanto se lhes dá, mas também eles hão-de morrer. Loucos! Eu antes, eles depois; e também a eles acontecerá. Mas estão alegres. Animais!» Teve um acesso de raiva. E sentiu um mal-estar de agonia, insuportável. Não é possível que todos estejam sempre condenados a este medo horrível. "
Excerto de " A morte de Ivan Ilitch ", de Lev Tolstoi, Trd. António Pescada
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Para não cair no esquecimento
Bósnia, 1983-Fotografia de James Nachtwey" Somos virgens no horror como na volúpia. Poderia eu suspeitar desse horror ao deixar a Praça de Clichy? Quem saberia prever, antes de entrar verdadeiramente na guerra, tudo quanto esconde a alma sórdida, heróica e preguiçosa dos homens? Nesse momento eu era arrastado por uma fuga em massa para a chacina geral, para o fogo... Que tinha subido das profundezas e acabara por chegar. "
Excerto de " Viagem ao fim da noite ", de Céline, Trd. Aníbal Fernandes
John McCain é o Dr. Strangelove
A sedutora
Monica Vitti seduz Marcello Mastroianni, no filme " A noite ", de Michelangelo Antonioni
Excertos da banda sonora da minha adolescência
Boney M -" Rivers of Babylon "
Boney M - "Daddy Cool "
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